By paddloPayday loans

05 jun 2012

Bom demais. Ruim demais

Post por Glauciana às 20:31 em Devaneios de Mãe


Todos os dias, quando aplico sua injeção contra a alergia severa que tem, eu repito a mesma ladainha. Digo a ele que é preciso passar por aquela dor para que possa comer seu chocolate sem maiores problemas. Para que possa brincar no parquinho sem ter o nariz coçando tanto a ponto de ter que parar a brincadeira, disse a mãe cuidadosa.

E da mesma forma que passo esse recado a meu filho, eu também tento me convencer diariamente que não devo ir correndo até a padaria da esquina comprar um maço de cigarros. Eu não quero parar de fumar. Eu AMO fumar. Mas, eu devo. Da mesma forma que meu filho precisa tomar a injeção para ficar saudável, eu preciso ficar sem o tabaco para ter mais saúde, me disse essa mesma mãe.

É assim. Algumas coisas parecem drogas fortes. Seus efeitos narcóticos nos sedam, tiram nossos pés do chão, fazem com que o riso mais forte seja espalhado em nossas faces, nos dão a energia de uma usina nuclear, fazem os instantes parecerem longas horas mágicas. Nada doi, tudo ri. Nada sofre, tudo transpira. Nada se endurece, tudo se amortece.

Na mesma intensidade que gosto dessas paixões entorpecentes – que podem ser homens/mulheres, drogas em geral (cocaína/LSD/ecstasy), comidas, chocolates, cigarro, bebidas alcoólicas, compras, baladas, preguiça – eu tento (ou devia) correr delas como o diabo foge da cruz.

Porque o que é muito bom hoje pode ser letal amanhã. E eu ando em um momento que algumas coisas me são muito boas na hora, mas fazem um mal danado no dia seguinte. Uma ressaca emocional que eu não tenho dado conta de engolir. Um dia de delícia para quatro dias de agonia. Essa conta não está fechando.

Mas, então, oras bolas, porque não para? Porque não muda o caminho, já que está vendo que está fazendo isso errado? Boa pergunta! Why, God, Why? Sei lá, só sei que é assim, quando me dou conta lá estou eu fazendo a mesma coisa, que não necessariamente é errada ou fora da lei (não, mamãe, não precisa ficar desesperada e já mandar os narcóticos anônimos virem na minha casa com uma camisa de força, achando que eu estou usando cocaína 7 dias por semana, 30 dias por mês).

Só que cansei de me machucar. São tantas pequenas batidinhas, que no fim das contas o carro ficou todo amassado e terá de ser levado ao mecânico. Ele até anda e pode continuar roncando o motor, mas corre o risco de parar na autoestrada a qualquer momento. Antes que ele pare, prefiro por minha própria escolha cuidar dele, por mais difícil que isso seja. Tirá-lo de circulação e deixá-lo o tempo que for necessário preso na oficina é necessário. Só quando estiver zero bala sairá de lá. Assim como o meu coração.

*Imagem: We Heart It

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3 comentários para "Bom demais. Ruim demais" | Adicione o seu »

  1. jun 05, 2012 @ 20:43 {Responder}

    Ai, ai, ai… tá doendo… igual à injeção do Cauê…
    Às vezes, acho que eles são mais corajosos do que a gente!
    Respira fundo e vamos lá…
    Te amo!!!
    Beijão

    [Reply]

  2. jun 05, 2012 @ 20:55 {Responder}

    E aí a gente tem que ser nossa mãe as vezes.
    Coisa que só uma mãe muito fela pra ouvir essa voz auto materna!
    Beijos,
    Ju!

    [Reply]

  3. jun 22, 2012 @ 13:53 {Responder}

    Que texto foda, Glau! Realmente, não é fácil. Lutamos tanto para ensinar tanta coisa aos nossos filhos, mas sabemos que algumas coisas às vezes parecem mais fortes do que a gente e tão difíceis de controlar…
    Só posso te desejar uma coisa… força! Às vezes gente acaba encontrando ela onde menos desconfia…
    Bjos!

    [Reply]

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