Pelos meus filhos faço coisas nunca antes imaginadas

Ontem me peguei em uma situação e fiquei pensando nas coisas que fazemos por nossos filhos, assim, sem titubear, de coração aberto, sem pensar em nós, apenas para satisfazer seu bem-estar.
Eduardo foi direto da escola com o transporte para a casa de uma amiga, junto com toda a turma da classe. A mãe da amiguinha combinou previamente conosco que faria uma festa à fantasia e que poderíamos buscá-los por volta das 21 horas.
Saí de meu trabalho às 18h30 e quando cheguei para pegar Luca na escolinha ele estava dormindo. Meus planos foram por água abaixo. Como Eduardo ficaria na casa da amiga até mais tarde, pensei em curtir um tempo meu só com Luca, já que quem tem mais de um filho e não tem marido raramente consegue ficar sozinha com apenas um deles. Aí, coloquei o pequeno dorminhoco dentro do carro e fiquei sem saber o que faria, perdida no meio da rua escura e fria.
Se fosse pra casa, teria que tirá-lo do bercinho quente para buscar Eduardo mais tarde. Se ficasse na rua, ficaria fazendo o que com um bebê dormindo dentro do carro? Se o acordasse e fosse para a casa da amiga de Eduardo, ele ficaria irritadíssimo, pois parecia estar em um sono profundo.
Na hora, claro, pensei no óbvio: vamos contar com o papai. Falei com ele se poderia buscar Dudu e levá-lo em casa mais tarde, já que tanto seu trabalho como a academia onde treina ficam perto da casa da coleguinha. Ríspida e secamente me disse que não dava. Perguntei se estava na empresa, disse não. Perguntei se estava na academia, disse não. Só podia estar na piriguetagem, fato! Fiquei puta e pensei no plano B. Afinal, uma mãe dixxxcolada tem cartas na manga. Anotem essa! Liguei pra mãe de um dos amiguinhos se ela não poderia dar uma carona para Eduardo chegar em casa: fail novamente. Ela iria junto com outra mãe e não sabia se a moça toparia.
Pois bem, não havia outra opção. Lá fui eu para a casa da amiga, estacionei meu carro em frente ao prédio e fiquei plantada dentro do veículo esperando Eduardo se divertir e velando o sono de Luca. A espera foi longa: 1 hora e meia ali, sem fazer nada, cansada depois de uma segunda-feira de muita produção no trabalho, sem jantar, sem tomar banho, apertada pra fazer xixi, com a lente de contato ardendo os olhos, sem poder falar no telefone senão acordava o pequerrucho, sem acessar à Internet porque o 3G estava com sinal fraco. Enfim, esperando. Simplesmente esperando.
Como mãe, apenas segui meus instintos de deixar que meus filhos fizessem, naquele momento, o que queriam. E dei um jeito de fazer com que ambos ficassem bem: que Eduardo curtisse sua festinha com os amigos até o horário combinado e que Luca dormisse seu soninho tranquilo sem sobressaltos.
Depois, quando finalmente consegui tomar um banho, comer alguma coisa e me sentar no sofá já passava das onze da noite. Porque chegar em casa implica em tirar duas crianças do carro, com um dormindo no colo, pegar mochilas, bolsas, brinquedos, deixar a chave cair no chão, gritar com o maior para que ele não corra na garagem que tem carro vindo, empurrar a porta do veículo com o pé, equilibrando o bebê e as mochilas no braço, e tentando não fazer barulho para não acordar a criaturinha.
Revendo a cena em minha cabeça depois, cansada, destruída, largada no sofá, sem coragem pra ler ou escrever uma linha, sorri feliz por me permitir fazer isso a meus filhos. Não, não foi nada demais. De fato, foi super tranquilo buscar uma pessoa e esperar no carro. É bem simples mesmo. Mas, o entorno todo é que me faz refletir. Quando que antes de ser mãe eu imaginei que em uma segunda-feira eu ficaria assim “à mercê” de duas criaturas de menos de cinco anos? E me lembrei de como eu era egoísta antes de ser mãe. Como me doava pouco para as pessoas. Como pensava que o universo girava em torno de meu umbigo. Em como eu me achava a última trakinas do pacote.
E que sorte a minha por esses dois presentes terem chegado em minha vida e me transformado tão profundamente. Que bom que por eles – e com eles – eu vejo que é possível passar por cima de nossos desejos só para ver um sorriso feliz ou um sono tranquilo.
*Imagem: Daqui











8 comentários para "Pelos meus filhos faço coisas nunca antes imaginadas" | Adicione o seu »
Que post lindo…realmente, depois que viramos mae, os filhos e seu bem-estar vem em primeiro lugar..quantas vezes ja desisti de passear ou desmarquei um programinha simplesmente pq a Manu capotou e eu nao queria acorda-la.
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Sou fãzona sua!
Seus textos são lindos e envolventes.
Me emociono e aprendo muito com vc!
Beijão
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mt lindo! sei q parece algo simples mas reflete bem a doacao que eh ser mae.
te admiro!
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Nossa esse post é lindo!
)
Mas ser mãe é isso né, se doar aos pequenos ao máximo.
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“Piriguetagem” foi ótimo!
AMEI o post, lindas palavras, mas mais linda foi tua atitude. Mãe é mãe, não adianta. Parabéns.
Beijos querida.
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Nem vou falar que amei o texto, pq tá ficando batido.
Sou sua fã, textualmente e maternalmente falando.
Beijos
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É bem isso guria,ser mãe é tudo isso e muito mais…temos as gratifições…vc é super.
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Realmente, Glau, você é uma mãe entregue! Lindo!
Eu nem sei o que faria! rs
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