Desproteção
Hoje eu passei por uma situação muito desagradável. Uma questão objetiva, prática e burocrática, como muitas que temos que enfrentar na vida, mas que despertou o meu pior lado. Aquela face negra, nossa sombra, onde não encontramos o referencial de quem somos e nem o que estamos fazendo no mundo.
Dei de cara com a minha total incapacidade de lidar com algumas situações. E, pior, me foi colocado novamente na fuça que há momentos em que eu me encontro totalmente sozinha. Vez ou outra a vida me lembra que eu não tenho ninguém no mundo por mim em determinadas situações. Não tenho irmãos, meu pai está a 600 quilômetros de distância de mim preocupando-se com sua nova esposa e seu filho bebê, não tenho marido, tenho um ex-marido que não levantaria um dedo para me defender de nada em horário comercial, porque seu trabalho é mais importante do que qualquer coisa no mundo.
Passo pela bizarra situação de ter que pedir “escolta” a dois soldados da polícia, na rua, para ir a um local pegar meus documentos e o dinheiro de um serviço não executado, porque eu estou cagando de medo do sujeito dar na minha cara. E, por grande azar, nasci mulher e com 1 metro e 50 de altura. Desprovida de força e com cara de menina chorona de 14 anos, não consigo passar credibilidade nem a uma formiga.
E nesses momentos de dor aguda, de sensação de total desproteção, de me sentir como uma folha solta no meio da ventania, tudo o que passa pela minha cabeça é: eu tenho que ensinar a meus filhos que eles não podem depender de ninguém na vida mesmo. Que eles não podem, não devem, não precisam, não devem querer a proteção de ninguém. Que eles têm de ser seguros o suficiente pra que não sintam essa porra de dor que tá aqui dentro de mim agora.
*Imagem: We Heart It












4 comentários para "Desproteção" | Adicione o seu »
Olha Glau, me vejo muito na sua situação. Tive pai ausente, padrasto nojento (no pior sentido da palavra), marido totalmente voltado pro trabalho. sempre me vi lidando com pedreiros, mecânicos, instaladores e todo o resto… Algumas situações que eu queria e precisava de um homem, de um protetor… Sei muito bem como é esse vazio, sinto ele há anos e também ensino a minha filha a ser independente.
Gostaria de um colo, de um ombro e mais do que isso de um braço forte. Não sou positivista e não tenho discurso pra deixar vc menos “dolorida” , mas saiba que eu sei como é, e sei como dói.
às vezes basta isso, alguém que conheça a nossa dor.
Muita força e fica bem!
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Poxa Glau, que angústia, que aperto!!!
Eu tenho pai e mãe que são mais infantis do que minha filha de 4 anos e que passaram a vida toda jogando as responsabilidades de me criar pra um e outro como se fosse batata assada.
Se não fosse meu marido que me entrelaçou como ninguém, estaria sozinha também, porém, ele me ajudou a ser forte o suficiente para entender que eu não posso depender de ninguém, nem dele. E isso como você, vou passar pros meus filhos, porque eu sempre serei amiga deles e defenderei com unhas e dentes, mas nem sempre estarei aqui.
Dói demais essa desproteção de enfrentar a maldade e a sujeirada que as vezes aparecem, mas espero que você possa retomar as forças e equilibrar o seu interior quando passar o dia abraçada com seus pimpolhos.
Tenha um ótimo fim de semana, bem melhor que hoje!
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Glau,
Assim que passar o susto da situação vc vai repensar e ver q não é grande azar ser mulher com 1,50m de altura e sim grande sorte ser uma mulher forte, que não precisou da compaixão de um homem por perto e conseguiu resolver com a ajuda de quem está aí para isso, que é uma leoa que não se deixou intimidar pelo medo ou insegurança. Seus meninos já tem o exemplo!
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Glau! Pense o quanto és forte e independente! Que muitas vezes é melhor não contar com ajuda das pessoas que uma hora ou outra acabam jogando em nossa cara. Sei que em alguns momentos é complicado, principalmente como esse. Mas não desanime. Você cria dois filhos sozinha, sua coragem é imensa.
Fique bem.
Super beijo, da sua nova amiga mãe Gabi. rs
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