27 fev 2012

Quando menos merecem, é aí que filhos mais precisam de amor

Post por Glauciana às 16:12 em Educação, Mãe e Filhos

“Quando eles menos merecem é quando os filhos mais precisam de amor”.

Li essa frase no Facebook há algumas semanas e infelizmente não me lembro o autor. Depois de algumas semanas muito atribuladas com Eduardo e Luca, parei para pensar nessa frase tão simples e vi que ela pode fazer muito sentido.

Uma vez escutei de um amigo que é muito fácil fazer o bem a quem nos faz bem. Esse mesmo conceito pode ser aplicado também a ser legal com quem é legal com a gente. Sim, compreendo que gentileza gera gentileza. Concordo com tudo isso e pratico. Difícil mesmo é romper com o ciclo virtuoso e dar um beijo em quem nos dá um tapa. Afinal, retribuir um carinho é fácil e gostoso.

Depois das festas de fim de ano, quando toda a rotina familiar vai por água abaixo, com crianças em férias, na casa das avós, longe dos pais, sem horários determinados, tudo virou um caos lá em casa. Eduardo e Luca viraram no Jiraya quando tudo, em tese, voltou ao normal.

Respondões, bravos, manhosos, briguentos, se batendo, fazendo birra pra tomar banho, comer, se vestir, ir pra escola… e até brincar. Eu, que sou super durona e severa com eles, me vi desesperada e totalmente sem controle. Chorei, pedi ajuda pro pai deles aos prantos, desabafei com minha mãe minha total incapacidade de educar meus próprios filhos. Quem é pai e mãe sei que entende esse meu drama.

E eis que comecei a ser ainda mais dura: coloquei de castigo, fiquei em cima, cortei presentes, suspendi os desenhos na TV, confisquei brinquedos. A cada menor sinal de indisciplina lá vinha a general. Confesso que isso é desgastante demais. Chegava ao fim do dia exausta e me sentindo a pior das criaturas por ser tão brava com as duas pessoas que eu mais amo no mundo. E meu argumento era sempre o mesmo: “se eu não for dura agora, daqui uns anos eles estarão incendiando mendigos na rua“. Sim, eu exagero, eu sei!

E então me aparece essa frase em minha timeline no Facebook: “Quando eles menos merecem é quando os filhos mais precisam de amor“. E comecei a refletir sobre as causas da revolta de meus meninos e não só no fato em si. Fui chegando a conclusões que são somadas a vários fatos, afinal raramente uma causa comportamental tem apenas um efeito.

Há pouco mais de sete meses eu e o pai deles, que formávamos uma família bonita e estruturada, nos separamos e passamos a viver em casas diferentes. Nesse mesmo período, eu voltei a trabalhar fora de casa e de forma motivada e atuante. Por isso, acabei deixando meus meninos muito tempo a cargo das babás e da escolinha. Nessa nova forma de se readaptar a viver – com, inclusive, uma mudança de casa nesse ínterim – eu passei um tempo sem lhes dar a devida atenção. Mesmo quando estávamos juntos, havia muitas coisas para coordenar vivendo sozinha com eles e pouco tempo para me dedicar apenas a eles, mergulhando em alguma brincadeira.

Tudo isso somado a meu estado emocional oscilante, só poderia ser um reflexo na revolta no comportamento de Dudu e Lulu. E então que me dispus a virar esse jogo. Passei a sair pontualmente do trabalho, a tempo de chegar na hora na escola e eles não terem de ir embora com a babá. Passei a tomar café da manhã junto com eles na mesa de jantar. Passei a me dedicar integralmente a eles nas poucas horas à noite em que estamos em casa. Reforcei meus feedbacks positivos, lembrando-os que estou sempre ali por eles, que os amo e que eu faria qualquer coisa pela felicidade deles. Passei a sorrir mais para eles do que a ralhar.

E não é que funcionou?

Não, não estou dizendo que deixei que a indisciplina e a falta de rotina imperassem em minha casa. De jeito nenhum! Continuo pegando pesado com a educação deles. Entretanto, levantei um lado da balança que estava desequilibrado. E desde então, nessas últimas duas semanas, estou percebendo duas crianças mais seguras, mais tranquilas, menos briguentas. E todos nós saímos ganhando, afinal temos uma simbiose tão grande entre nós três, que o estado emocional de um impacta diretamente o outro. E, por fim, eu posso respirar aliviada por ora: Ufa!

*Imagem: Daqui

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8 comentários para "Quando menos merecem, é aí que filhos mais precisam de amor" | Adicione o seu »

  1. Juliana
    fev 27, 2012 @ 16:37 {Responder}

    Glaucia, me vi nos seu post!! Exatamente isso que tem acontecido aqui em casa. E é exatamente isso que tenho feito e me sentido, ao mesmo tempo tentando ser uma boa mãe, e me sentindo mal por ser tão brava com meu filho. E concordo com você, acaba sendo ação e reação, pq gentileza gera gentileza, mas pelo menos com as crianças, parece que irritação/braveza gera ainda mais irritação/braveza. Eu to tentando mudar, espero conseguir!! Obrigada pelo post!

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  2. Cacau Ferreira
    fev 27, 2012 @ 17:09 {Responder}

    Oi Glau,
    Sempre me identifico muito com seus posts porque passei por tudo isso quando também me separei.
    Como a gente fica perdida na hora de reorganizar e como é difícil… mas é mil vezes mais prazeroso depois quando nos descobrimos capaz de tudo isso.
    Estou passando pelo processo reverso que é de re-compartilhar tudo que eu já havia organizado e também não é nada fácil.
    O importante é saber que a gente erra sim, que é totalmente normal e que a gente pode melhorar. Não temos que nos prender aos erros, não temos que acertar sempre. A gente cresce muito!
    Beijo no coração!

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  3. fev 27, 2012 @ 18:04 {Responder}

    Ei glauciana..adorei o texto,mas realmente é mais facil a gente beijar no rosto aquele que nos faz bem,e como é dificil manter a calma quando uma criança faz tudo o q nao se deve fazer,fico imaginando como tem se virado ai com dois meninos e sem um companheiro pra te ajudar,pois filhos sao sim maravilhosos,damos nossa vida por eles,mas tem horas que nem nos “super maes’ damos conta de tanta mudança neh…
    Parabenizo vc por ter percebido a tempo como mudar esse comportamento,tenho certeza que o treinamento que teve tambem te levou a ser um pouco assim neh..rsrs
    Nossos filhos nao podem sentir a culpa que carregamos para nao serem adultos frustados por culpas que nao sao deles.
    Vai dar tudo certo..
    um grande beijo no eduardo e no Luca e um super abr4ço pra vc!

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  4. fev 27, 2012 @ 18:42 {Responder}

    Ah, mas como é difícil esse equilíbrio né.. Eu também sou da linha general (me identifiquei total com o lanche de queimar mendigos) e tempos atrás percebi no meu filho (tenho Gêmeos de 2 anos e meio) um comportamento ciumento, respondão e manhoso.. Minha primeira reação foi, como vc, apertar o cerco mas não estava funcionando e a revolta (ó o drama) crescia! Quando percebi o lance do ciume da irmã e comecei a tentar um apelo mais carinhoso e troquei o general pelo “maternal” melhorou muito.. O equilíbrio é o segredo, sem dúvida!!

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  5. fev 28, 2012 @ 11:48 {Responder}

    Amor x disciplina caminham juntos, as criancas precisam ser educadas e amadas ao mesmo tempo… Bater nao adianta, entao, vale o dialogo o carinho…Felicidade com as criancas… beijos

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  6. fev 28, 2012 @ 12:59 {Responder}

    Eu já deixei a coisa correr um pouco solta quando vi que tentar fazer algo dar certa estava me deixando louca, rsrsrs, foi em relação a hora de dormir, até hoje o relógio da minha #aos2 não se acertou…

    Beijão!
    @_maejestade

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  7. fev 28, 2012 @ 16:40 {Responder}

    Adorei esse texto, também me identifiquei muito! Já tinha ouvido essa frase mas não apenas se referindo às crianças, mas a qualquer pessoa (“me ame quando eu menos merecer, que é quando mais preciso”, algo assim). E as crianças sentem mesmo as mudanças pelas quais passamos, mesmo que não demonstrem de imediato. Virar o jogo e se dedicar aos pequenos, mesmo que em alguns momentos pontuais, já faz uma grande diferença!
    bjos

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  8. mar 03, 2012 @ 01:48 {Responder}

    Olá, a muito acompanhos seu blog, mas só hj tomei vergonha na cara pra comentar, hehehe. Eu concordo que temos que terceirizar menos os filhotes com babás e afins; infelizmete eles ficam sem referência, ou melhor, a referência deles não é a mãe ou o pai. Essa mudança na sua rotina realmente fez a diferença; Criança quer atenção e precisam de regras para o bom funcionamento mental da casa né!?

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