O belo exige trabalho
Eduardo tem uma amiguinha que possui um lindo cachorro Chow Chow, aquele peludão, da língua azul. Antes, os meninos tinham medo do bichinho, mas de uns tempos para cá Dudu se apaixonou por ele. E todas as vezes que vamos à casa de Nicolle, Dudu ensaia ficar perto, passa a mão, Luca até quer fazer o cachorro de cavalo, montando nele.
No domingo almoçamos na casa de Nic e Ted, o cachorro, foi a estrela do dia. Quando saímos de lá, Dudu me disse:
- “Mamãe, a gente podia ter um Ted em casa, né? Mas, deve dar muito trabalho, porque ele é muito peludo”, ele mesmo concluiu.
Eu respondi a ele prontamente que sim, que era verdade, que dava muito trabalho, mas fui pra casa pensando sobre aquilo. E, na real, acho que todas as coisas que são bonitas dão um tanto de trabalho. O que não tem importância não é necessário pensar, não é preciso se esforçar, não requer um foco de energia.
Para que uma casa seja bonita é necessário muito, muito esforço. Zelo, limpeza, atenção na decoração, investimento de tempo e dinheiro. Ter um tapete bonito e felpudo enfeitando a sala dá trabalho. Se não limpar constantemente, ele fica sujo, fedido, oleoso, manchado.
Para uma relação, de qualquer tipo – seja familiar, sanguínea, amorosa, de amizade – vingar de forma saudável é preciso muita dedicação. Não acho que devemos deixar a cargo do acaso e do “a vida levar“. Acredito que é preciso manter, se esforçar para lembrar, telefonar, verbalizar o quanto se gosta. Se não, vamos vivendo nossas relações na mornura, como a grande maioria das pessoas. Para que os entrelaços tenham poesia é preciso que façamos os dias serem mais coloridos. É preciso cuidado, atenção, carinho, amor e atitude.
Sejam nos exemplos objetivos ou subjetivos, como citei o tapete na sala e as relações humanas, é preciso olho vivo e faro fino sempre. Se quiser ter um cachorro bonito, amoroso e vistoso, como o Chow Chow, vai ter que se dedicar para mantê-lo tratado e vistoso. Se quiser ter um namoro saudável, regado à romance, beijos e surpresas de tirar os pés do chão, terá que oferecer a lenha antes de exigir o calor. Se quiser ter o beijo e o sorriso de um filho terá de passar noites e noites em claro ninando-o enquanto ele tem cólicas.
E eu conheço pessoas que simplesmente se esquivam de viver coisas muito bonitas simplesmente porque não querem se dar ao trabalho. Sim, claro que é possível ir vivendo. Não, corrijo, sobrevivendo. Porque, para mim, viver é um verbo ativo, cheio de poesia, iluminado, vibrante e que diz respeito à vida, à pulsação, à respiração, à transpiração e à fluidez. Já para sobreviver, basta ter o coração batendo na simples dinâmica de x batimentos por minuto, se alimentar e dormir. Com apenas esses três requisitos as pessoas podem sobreviver. E vejo muita gente nesse esquema.
Fato é que muitas vezes nos esforçamos em coisas, fatos e pessoas que não nos dão o retorno que esperávamos ou que simplesmente não compreendem o quanto “trabalhamos” por eles. Ué, paciência! Eu prefiro viver a vida assim, me esforçando naquilo em que eu acredito. Porque para 10 nãos, eu prefiro contar com a beleza e a saciedade de 1 sim.
*Imagem: We Heart It











2 comentários para "O belo exige trabalho" | Adicione o seu »
Pois é, Glau, eu sempre digo isso em casa: dedicação é essencial pra se conquistar o melhor das relações. Seja com amigo, marido, filho… Se quiser sentar no sofá, ligar TV e ver o mundo passar, tudo bem, mas depois não vale ficar reclamando da vida, né? O trabalho de dedicar-se é árduo, mas muito compensador!
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Que texto lindo Glauciana! Muito bom o paralelo com a dedicação aos animais. E é verdade mesmo, a dedicação é necessária em qualquer tipo de relação, para que esta se mantenha alegre, dando frutos, viva!
bjos
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