Boa mãe? Péssima mãe?
Eu sou muito crítica, sempre fui, desde criança. Uma vez tive a oportunidade de fazer um egograma e constatei que o lado de minha personalidade chamado “Pai Crítico” era um dos mais altos em meu comportamento. Por sorte e para contrabalancear também tenho o lado “Criança Livre” bem alto. A alegria e espontaneidade da criança livre fazem a balança da criticidade ficar mais equilibrada.
Por isso e talvez muitos outros motivos que eu nem saiba exatamente, sou muito crítica. Minha amiga-comadre Sofia sempre me diz: “cobre-se menos, amiga. permita-se mais. errar não é errado, é humano“. Porque eu costumo me dar boas chibatadas mentais quando algo não sai na perfeição do que eu imagino.
E eis que de alguns dias pra cá comecei a sentir um certo questionamento de Fabio, meu ex-marido e pai de meus filhos, sobre os cuidados com os meninos. Especificamente em relação a uma medicação que Eduardo está tomando para curar uma sinusite insistente que ele sempre tem. Gente, uma pausa.
Se tem uma coisa na vida que eu não me permito errar messsssssmo é na criação de meus meninos. Quem me conhece e acompanha meu dia a dia na maternidade sabe o quão presente eu sou (nas medidas cabíveis para quem trabalha o dia todo fora de casa). Quem já ouviu minha história sabe que eu parei de trabalhar por um ano depois que eles nasceram, que amamentei de forma prolongada e exclusiva, que não dei doces até um ano, que cuidei de perto de todas as papinhas até a transição para os sólidos, que acordei 5678 vezes à noite para aleitar Luca até 1 ano e 3 meses e nunca dei uma gota de fórmula artificial. De minha entrega. De meu amor. De meu cuidado.
Eu tenho milhões de defeitos e sei de quase todos eles. Sei bem onde meu calo aperta e tento, juro, diariamente tratar dessas feridas na análise. Mas, se tem uma coisa que eu me dedico na vida pra fazer direito, por amor e obrigação, é ser mãe. Eduardo e Luca são as duas coisas mais preciosas de minha vida. Por eles, e só depois deles, é que tudo realmente fez sentido. Então, como dever nessa encarnação eu tenho que ser o mundo deles. Tenho que lhes mostrar o mundo. E tenho que lhes encaminhar para o mundo. De mim depende também a felicidade deles. De mim depende, em grande parte, os futuros cidadãos que serão daqui a alguns anos.
E aí, de boa, quer me deixar no chão, esfarrapada, colocar minha auto-estima na berlinda é vir questionar meus cuidados com eles. Epa, epa, epa! Coração apertado, me abraçam?
*Imagem: We Heart It











1 comentário para "Boa mãe? Péssima mãe?" | Adicione o seu »
Sou muito cobrada, principalmente por minha mãe que mora conosco, por ela querer que eu crie o Davi como ela nos criou e porque acha que sou uma mãe muito dura. Fui criticada quando resolvi operar o Davi (adenóides obstruindo quase 100% da cavidade e sinusites constantes).
Ouvi outro dia uma mãe dizer que depois de ter tido filho ela entendeu o que é ter medo. Percebo que isso é mesmo uma realidade. Mas não quero que ser mãe seja sentir-se culpada.
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