Sou mãe. E sou solteira

Eu sou mãe. E também sou solteira. Não uso a expressão “mãe solteira”. Acho que são duas coisas diferentes, separadas. Esses termos não devem necessariamente andar sempre juntos. Mãe solteira não é estado civil. Afinal, mãe pode ser casada, solteira ou divorciada. Como pode ser brasileira, arquiteta, loira, jovem, urbana, ciclista… ser mãe é apenas mais uma característica que a mulher pode ter. E isso independe de ser casada.
Ser mãe e estar solteira me enquadram na blogagem coletiva que a Tenikey propôs nesta semana. E decidi participar por acreditar que o tema possa render um texto legal. São tantas abordagens que eu poderia dar para esse post, que é até difícil escolher um viés.
Hoje especificamente vou falar sobre a responsabilidade que é criar um filho “sozinha”. Coloco entre aspas porque não estou, de fato, sozinha na criação de meus meninos. Conto com o apoio do pai deles, que é bastante presente. Mas, não me sinto confortável para dizer que divido as responsabilidades. Porque, de fato, no dia a dia, quem segura o rojão sou eu. Em minha visão, não dá para dividir igualmente a criação de um filho dormindo com eles apenas uma vez por semana. E que fique claro que isso não é uma reclamação. É apenas um fato, uma constatação.
Na iminência da separação e nos primeiros meses sem o pai deles em casa eu me senti muito insegura. Achava que não conseguiria dar conta de cuidar de duas crianças ao mesmo tempo, sem ter minha mãe por perto ou uma babá que dormisse em casa. Luca ainda era um bebê, que acabara de completar um ano, e Eduardo tinha 3. Não raras as vezes em que me senti em pânico, completamente perdida com os dois em casa. Me sentia desprotegida, sem ter com quem contar.
Nessa época, confesso, também senti uma outra sensação negativa. Quando me via sozinha com eles em casa seis dias na semana e pensava que na mesma hora o pai estaria na academia ou jogando Poker com os amigos ou tomando um chopp com um colega de trabalho, sentia raiva. Era inevitável pensar no quão injusta a situação me parecia. Até que um dia escutei de uma amiga: “Ué, mas então passe a guarda para o pai deles e inverta a situação. Você vai para a academia, vai tomar chopp todo dia e vê seus filhos uma vez por semana“. Só por imaginar essa situação senti o maior vazio de minha vida e na mesma hora esse sentimento ruim cessou. Porque, para mim e para meus filhos não existe essa possibilidade. O lugar de meus filhos é ao lado da mãe deles. E o meu lugar é ao lado de Eduardo e Luca.
E conforme o tempo foi passando fui percebendo que não só dou conta de criar Dudu e Luca, como também nossa relação é extremamente saudável. Fui arrumando formas de fazer o ciclo girar. Imprimi um modelo que funcione em casa. Para eu poder trabalhar o dia todo fora e criar os dois sem ajuda próxima, preciso andar nos trilhos, seguindo à risca os horários do esquema que montei. Não posso, por exemplo, sair tarde do trabalho, porque tenho que pegá-los na escola às 19 horas. Mesmo contando com a babá dormindo em casa em alguma sexta-feira, para eu dar uma saidinha com as amigas, não posso beber demais ou chegar muito tarde, porque no dia seguinte tenho que ficar o dia todo dando atenção e cuidados a eles.
Não é fácil equilibrar todos os pratinhos. Há momentos em que todos eles caem ao chão. Mais difícil ainda é colocar todos na ponta dos palitos e começar a girar, mas eu tenho conseguido. Aprendi muito nesse tempo que aceitar ajuda é fundamental. Que pedindo o auxílio do pai deles, da escola, da babá e da minha mãe não me fazem uma mãe incapaz e nem relapsa. Entendi que estamos no mundo para compartilhar com as pessoas. E que isso inclui também os cuidados com meus meninos.
Em todas as situações da vida existe o ônus e o bônus. E estar mais próxima de meus filhos, criando-os, educando-os, cuidando de todos os detalhes da vida deles não é só uma obrigação minha, como mãe, mas uma atribuição que realmente me oferece prazer. Meus meninos vieram para transformar o meu mundo, mostrando-me o que realmente importa nessa vida. Escutar de Eduardo que não seria legal viver com qualquer outra pessoa que não fosse comigo vale cada segundo de cansaço extremo que às vezes sinto. Quando Luca vem em nossa direção levantando uma espada imaginária, porque somos os três mosqueteiros, me lembro que tenho sim quem esteja ao meu lado. Afinal, é um por todos e todos por um. Somos uma tríade que vai estar ligada pelo resto da vida e, sendo assim, eu não poderia querer outra coisa pra mim. Não mesmo!










9 comentários para "Sou mãe. E sou solteira" | Adicione o seu »
glau querida eu nao sabia q vc ia participar e qse cai da cadeira aqui quando eu vi seu post, lindo adorei, são post assim que eu queria ler, aquele olhar diferente da mesma coisa, uma outra visao experiencia.. adorei. obrigada por participar e dar um pontinho da sua historia.
beijos
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Em lágrimas faço esse comentário porque muitas vezes ja me vi nessa situação e quando eles estão com o pai sinto tanta falta, realmente os pratinhos são dificeis de equilibrar e no meu caso muitas vezes eles chegaram a quebrar, mais é muito bom ler tudo isso que vc escreveu, obrigadooooo
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Ganhei esse rótulo “Mãe solteira” bem cedo,ja que me tornei mãe de um menino aos 17 anos,mas esse senso de responsabilidade foi a melhor coisa que me aconteceu na vida,mesmo com todas as dificuldades.
Ha alguns anos me casei e tendo mais uma menina percebi que com o apoio de um companheiro em casa algumas situações são mais faceis.
Mas sempre me orgulhei de conseguir equilibrar meus pratinhos,assim como voce deve se encher de orgulho!!!
Beijos
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Glau,
Admiro demais você por sua luta…admirei mais anda qdo vi vc se reerguendo.
Concordo plenamente contigo que não é fácil, seja pela rotina diária, não ter alguém pra dividir algumas angustias…mas vale a pena cada segundo que estamos com nossos pequenos.
Me emocionei com teu texto e tenho certeza que essa tríade será cada vez mais forte, pois os meninos terão cada vez mais orgulho dessa menina de rosto meigo que é uma grande guerreira.
Beijos
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Excepcional.
Bj
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Quando a cobrança vem de fora é que é? Minha mãe semana passada me perguntou porque eu estava fazendo cursos à noite, porque eu estava abandonando o Davi. E não foi nada disso, são cursos de férias, e já tinha combinado com o pai que nesses dias ele tomaria conta do pequeno. Agora, durma com um barulho desse!
Gd beijo,
Neusa
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Texto lindo!!!
Com certeza a raiva do ex (livre, leve e solto) é superada quando se imagina ficar sem os filhos por perto.
Bjooo
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Oi oi… ler esse relato é super hiper mega emocionante. Também lido com essa realidade de ser a mãezona da minha Sophia e não acho que sejamos mais ou menos mães por isso.
Hj li um artigo falando q as crianças que têm mães que trabalham fora não têm nada diferente das que convivem 24hs com as mães privilegiadas. Então foi algo que acrescentou força na minha luta diária. Força aí! E conte sempre com as amigas virtuais para compartilhar experiências. bjos
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Belo post Glau!
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