By paddloPayday loans

06 jan 2012

A vida inteira pela frente. Será?

Post por Glauciana às 12:59 em Devaneios de Mãe

Eu nunca estou preparada para a morte. E pelo que sei da maior parte das pessoas, também ninguém está. Talvez eu consiga até entender o desencarne como algo mais aceitável por acreditar em uma doutrina que me faz ver que a morte é só a transição, uma mudança para continuar a trilhar a vida em um outro espaço. Ainda assim, sinto muito quando uma grande pessoa parte. Fazendo um paralelo, vejo que é natural, porque quando aqueles que me são caros se mudam para lugares muito distantes no Brasil ou no mundo, eu também sinto. É algo parecido.

Nessa manhã li pelas redes sociais e, depois, vi na imprensa sobre o falecimento de um grande homem. Muitos de meu círculo o conheceram e tiveram o privilégio de tê-lo como líder. Ele, nessa vida, respondia por Celso Agostinho, tinha 44 anos e era gerente de operações da Editora Alto Astral, em Bauru, onde trabalhou por 20 anos.

Celso foi um profissional irretocável. Sério, discreto, pró-ativo, exigente, mas sobretudo ético e disseminador de conhecimento. Me lembro de receber grandes ensinamentos dele nos quase três anos em que trabalhei na editora. Em começo de carreira, jovem, recém-saída da universidade, recebi tanto incentivo dele, que hoje faço uma prece especial para que possa chegar no plano espiritual bem amparado, como fez com tantos de seus profissionais nessa vida.

E uma coisa que chamou muito a minha atenção nessa manhã, lendo os relatos chocantes nas redes sociais, de todos aqueles que puderam conhecê-lo, foi no quanto as pessoas estão se lamentando por não poderem ter dito à ele o quanto foi importante para elas. Que perderam uma grande oportunidade de, em vida, retribuir – mesmo que em palavras – a gratidão a todo ensinamento que Celso as passou. Uma das pessoas até relata assim “como somos tolos em pensar que temos a vida inteira pela frente…“, lamentando-se por não poder ter falado pessoalmente a Celso o quanto ele foi especial na vida dela.

E aí, reflito. Quantos de nós falamos às pessoas o quanto elas são importantes para nós? Trazendo essa reflexão para dentro de nossas casas. Será que estamos dizendo aos nossos filhos que eles são a razão de nossas vidas, agradecendo-os por terem nos escolhido como pais nessa vida? Será que demonstramos claramente o carinho que temos por eles?

Eu posso afirmar sem peso na consciência que com meus filhos eu faço muito isso. Não passo um dia sequer sem dizer que os amo, assim mesmo, diretamente com todas as palavras. Na hora de dormir dou um beijo em cada um e digo “Boa noite, Eduardo, eu te amo”. “Boa noite, Luca, eu te amo“. Não poupo carinhos, afagos, beijos, abraços e “obrigadas” a eles.

Mas, e para os Celsos de meu caminho? Com pessoas que eu não tenho tanta liberdade de poder dar um aperto e dizer “eu te amo“, será que estou dizendo o quanto sou grata por tê-los ao meu lado? Provavelmente, não. Será que nos preocupamos em dar um feedback positivo a quem dedica um tempo fazendo-nos o bem? Uma constatação triste é que temos uma tendência maior de elevar os aspectos negativos do que os positivos.

Que o desencarne desse grande homem me sirva de lição para dizer mais às pessoas o quanto elas são especiais. Que não só com meus filhos, mas a todos aqueles que estiverem ao meu lado e que se esforcem um tantinho para me fazer crescer, seja em qualquer aspecto de minha vida.

*Imagem: We Heart It

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10 comentários para "A vida inteira pela frente. Será?" | Adicione o seu »

  1. jan 06, 2012 @ 13:09 {Responder}

    tem razão flor, com meus filhos falo sempre tb. mas com as outras pessoas não tenho o costume. Muito boa reflexão! bjok

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    Glauciana Nunes Reply:

    Que possamos fazer mais e mais isso, querida Márcia =) Beijos

    [Reply]

  2. Bia
    jan 06, 2012 @ 13:26 {Responder}

    Perdi meu irmão mto cedo, ele tinha 22 e eu 18….fará 10 anos nesse ano..
    E não há um dia que eu não pense q tinha sido ontem…
    Ainda tento manter na minha memória o cheiro dele, a voz clara, trabalho isso todos os dias, pra não deixar essas lembranças morrerem.
    A morte é como ferida…sara, seca, mas a cicatriz fica ali, te lembrando a todo momento..
    Não fomos feitos para morrer, por isso não conseguimos aceita-la..(Assunto p outro tópico)..
    Mas a dor é eterna…

    Bijus Glau

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    Glauciana Nunes Reply:

    Bia, não consigo imaginar a dor pela morte de um irmão, que deve ser imensa e até julgarmos injusta. Por isso é que sempre devemos prezar pela vida, que é tão delicada e, num sopro, pode ser tomada de nós. Beijos!

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  3. jan 06, 2012 @ 13:27 {Responder}

    Glau, seu texto me fez lembrar de algo que ocorreu comigo. Minha caçula nasceu prematura. Ficou quase um mês na UTI e teve alta quando estava com 1 kilo e 800 gramas. Era um tiquinho de gente e a sugestão do pediatra é que ninguém a pegasse no colo, a não ser eu, para evitar riscos. Ela foi para casa no dia de Natal e lógico que a ceia foi em casa. Minha cunhada querida chegou babando para pegar a sobrinha. Meu sogro se colocou na frente e disse “O médico não liberou, vamos respeitar. Você terá o resto da vida para pegar sua sobrinha no colo”. Minha cunhada morreu na semana seguinte em um acidente de carro e nunca teve a chance de pegar a sobrinha no colo. Me arrependo até hoje por não ter mandado meu sogro às favas e colocar a pequena no colo dela. Porque no fundo, a gente não tem uma vida inteira para nada. Temos o aqui e o agora, né? Adorei seu texto.
    beijos

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    Glauciana Nunes Reply:

    Mô, me arrepiei dos pés a cabeça lendo essa sua passagem. De fato, não é das experiências mais tranquilas de se passar, mas tenho certeza do grande aprendizado que você tirou dessa experiência. Que possamos, sim, fazer acontecer o amor no aqui e no agora, todos os dias de nossas vidas. Grande beijo e obrigada!

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    Sam (@samegui @maecomfilhos) Shiraishi Reply:

    Mônica, me emocionei aqui. Que história!
    Eu tb aprendi muito com a internação do Gio, estas situações mudam a gente de forma indelével! Não tem volta!

    [Reply]

  4. jan 06, 2012 @ 14:24 {Responder}

    Glau, eu vivi o mesmo. Um amigo querido (pouco mais jovem que eu) faleceu no comecinho do mês de dezembro e acabou mudando o rumo de tudo nas últimas semanas para nós. Tenho vivido cada dia (tipo ontem, que parei tudo e fiquei na piscina com os meninos, repondo trabalho depois, à noite) porque me fez pensar em como a vida é efêmera.

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  5. abr 16, 2013 @ 23:44 {Responder}

    eu perdi um filho ,em um acidente tragico esta completanto 9 meses .mas nao consigo superar esta perda . meu filho tinha apenas 16 anos era um filho amavel carinhoso .honesto e trabalhador sinceramente nao consigo viver cem ele , ele era tudo na minha vida . e uma dor que nao ha remedio que cure . meu filho se chamava pedro

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  6. abr 16, 2013 @ 23:48 {Responder}

    so nao sei mas o que faser para superar esta saudade do meu filho ele era 10 era um espetaculo de filho . sei que tudo que e bom dura pouco . amo meu filho muito mais ainda depois da morte .ele vive em meu coraçao.era um desastre que pos fim na vida dele por um instante de descuido.

    [Reply]

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