18 out 2011

Por enquanto está assim, mas vai ficar melhor

Post por Glauciana às 01:48 em Devaneios de Mãe

Chorei. É, de novo. Não tenho jeito, não. É água demais. Peixes com ascendente em Peixes foi golpe baixo. E chorei vendo televisão, a que ponto chegamos, Glaucita. Isso também é coisa de mãe, calma, você não está no blog errado. Sem querer cheguei na reprise de um dos concertos do Rock in Rio, que eu nem sabia que tinha rolado. Vários cantores e bandas tocando um show-tributo ao Legião Urbana com a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Eu não gosto de Legião, nunca gostei. Acho deprimente demais. Nostálgico demais. Quase piegas demais. Mas, eu chorei. Chorei, de soluçar. Um choro daqueles escancarados, que pegam no fundo, trazendo tantas lembranças, que talvez só Renato Russo mesmo, com sua intensidade, poderia versar em letra de música.

Quem cantou foi o Dinho Ouro Preto. Não sei se foram os acordes finos da Sinfônica, se foi a delicadeza com que Dinho a executou… não, não foram. Foi a letra que nunca tinha feito o menor sentido para mim, mas que hoje refletiu muito do que sinto.

As estações mudaram, lentamente, como quase não se percebe que do outono o frio rigoroso chegou. Foi devagar e, talvez por isso, tão doloroso. Cortar em pedacinhos doi mais do que um golpe direto e certeiro. E então essa dor já não estava cicatrizada, achava eu? Acho que estamos bem perto disso. Mesmo quando uma cicatriz está bem fechadinha, dependendo da virada do tempo ela doi. Nesses momentos, é só colocar merthiolate por cima e fica tudo bem, amanhã já passou. O que importa é que ela já fechou. Há quem diga que eu tenho um bom sistema de cicatrização. Boto fé nisso.

E não é que a gente também chegou a acreditar um dia que seria para sempre? Que previsível é o amor, não? Na minha história, na sua, na do Renato Russo. Tsc, tsc, tsc, somos todos iguais. Opa, essa já é outra música, outra banda.

Mas, com a gente também não poderia ficar no tanto faz. Mesmo com todos os motivos pra deixar tudo como estava. Não com a gente. Não pela forma como se fez. Não pela beleza do caminho. Não pelo que se construiu. Pelo que se ensinou e aprendeu. Não era caso de deixar pra lá. Não se deixa pra lá algo muito importante. Porque, afinal de contas, terminar tudo é dar um caminho digno para o que se preza. Aquilo que nos foi caro requer cuidado, até para saber a hora de cessar. Porque o que não termina quando já acabou vira resto. E nem eu e nem você merecíamos restos.

Não, não se preocupe, eu estou bem, o pior já passou e hoje até consigo aceitar e compartilhar a ideia de que foi melhor assim. Para todos nós, inclusive para eles dois, os pequenos gigantes. Porque voltar para casa é preciso também em muitos momentos. É na volta para casa que se descansa, que se recupera e que se abre a janela novamente para o sol entrar, depois que a tempestade passa. E por aqui lhe asseguro que o vendaval já passou, só resta uma garoa fina.

E um novo sol há de entrar, viu, mais rápido do que se imagina. Vai chegar iluminando, de um tanto que a gente vai até estranhar, pois andávamos acostumados ao cinza. Mas, também vai gostar. E vai rir. E vai chorar tudo de novo. E vai dançar. E vai bem-querer. E vai desejar. E vai ser bom de novo, porque assim é que é a vida. Acaba hoje para começar tudo bem bonito e diferente amanhã. Tudo no comecinho, como acontece com as coisas do coração. Para mim e para você. Porque é isso que a gente merece. Pode apostar!

*Imagem: We Heart It

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2 comentários para "Por enquanto está assim, mas vai ficar melhor" | Adicione o seu »

  1. out 18, 2011 @ 15:49 {Responder}

    Profundo demais!

    Daqueles posts que você não sabe ao certo o que comentar… compartilhei no Facebook… só sei (sabemos) de uma coisa… tudo vai dar certo no final, se não deu é porque ainda não chegou no fim, não é mesmo???

    Beijoss

    [Reply]

  2. out 18, 2011 @ 16:45 {Responder}

    Muito digna e forte você. As minhas cicatrizes levam anos e anos para cicatrizar.

    [Reply]

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