A mãe e o namoro
Dia desses, conversando com um grupo de amigas, falávamos sobre novos relacionamentos após separações. Todas elas, amigas que são, faziam cair por terra minhas previsões catastróficas sobre meu futuro amoroso. Entoavam juntas, como se tivessem ensaiado, que eu sou bonita, jovem, inteligente, descolada, legal e tudo mais aquilo que os amigos costumam falar para quem acabou de levar um pé na bunda. Aham, senta lá, Cláudia! Elas fizeram certinho o papel delas, como amigas, mas nem assim eu consegui acreditar que seria tão fácil encontrar o príncipe encantado novamente depois da maternidade.
E eu fui quebrando os argumentos delas com cenas muito reais. Aliás, se você quer uma dica tiro e queda para afastar aquele cara desinteressante que chegou em você na balada, é muito fácil, pegue essa. Na terceira pergunta que ele fizer, independente do teor da pergunta, responda: “eu tenho X filhos“. Saiba que à medida que o X for mais alto, mais rápido é o pinote dele. Pronto, você está livre, leve e solta para dançar e tomar sua cerveja novamente. O mala já caiu fora. É instantâneo, faça o teste e comprove ou devolvo seu dinheiro de volta!
Pois bem, suponhamos que, sim, como dizem as minhas amigas, eu vou arrumar um homem para chamar de meu novamente. Eu, com essa carinha de colegial (sim, eu tô me achando mesmo, pode falar, é que eu preciso de injeções diárias de auto-estima…rs), do alto desses 48 quilos e franjinha pega-rapaz descolei o gatinho da paróquia. Ele, todo apaixonadinho, resolve participar do meu dia a dia, afinal nas fotos do Facebook meus filhos são lindos.
Na primeira vez que ele pegar uma carona em meu carro e ter que passar comigo na escola pegar dois vikkings, ele some, pra sempre, mudando de endereço. A menininha dos beijinhos românticos de antes agora tem uma criatura pulando em seu pescoço ao mesmo tempo que o outro puxa sua saia, enquanto as mochilas caem na porta da escolinha. O que está no chão, nessa altura, berra querendo colo e a mãe tem que fazer um malabarismo para segurá-lo em sua crise, quase histérica, de ciúmes do irmão, para que não corra pro meio da rua onde passam muitos carros. Depois de 10 minutos, todos no carro, sujos e suados, eles gritam de fome, de cansaço, de calor… o rock’n roll descolado que o casalzinho ouvia antes agora dá lugar para o CD da Galinha Pintadinha.
Ou, então, como você não pode sair sempre, ele sugere que vocês façam um programinha em casa mesmo, já que as crianças dormem cedo. Aí, o jantar romântico que ele imaginava é interrompido 459 vezes porque um mete a mão no prato do outro, o menor vira o copo de suco em cima da mesa e o maior sente vontade de fazer cocô no meio da refeição. Depois, a mãe trava uma guerra helênica com ambos para colocá-los cedo na cama, já que está louca para curtir a noite de romance com o gatinho. Lá pras 22 horas sai do quarto cansada, depois de contar 32 vezes a mesma história. Chega na sala e só encontra um bilhete “foi bom te ver“.
Aí chegou o fim de semana e ele, que não vive mais sem você, acostumado a estar junto nos sábados e domingos em que seus filhos estão com o pai, resolve que vai levar você e as crianças para passear. Lembre-se, nessa altura ele está bem apaixonado e quer fazer tudo para te impressionar. Como está chovendo, vocês vão a um dos 180 shoppings lotados de São Paulo em fins de semana de chuva. Chegando lá, assim que pulam do carro, as crianças mais parecem uma boiada quando se abre a porteira. Saem correndo estacionamento afora, com uma louca, de salto (você tem caprichado no visu ultimamente, pois está em temporada de caça, remember? Afinal, que mulher em sã consciência, sairia com dois filhos pequenos com qualquer sapato que tenha um salto maior que um centímetro?), descabelada, gritando o nome daqueles gremilins saltitantes. Enquanto isso, o gatinho vai atrás segurando sua bolsa, um pacote de fraldas com lenços umedecidos e o Buzz Lightyear. No final do passeio ele diz que prefere voltar de táxi, para que você não tenha o trabalho de levá-lo até em casa. Pronto, o número de celular dele dará caixa postal para sempre.
Enquanto isso, seu ex-marido tem seis noites livres por semana e vai encontrar uma piriguete mais bonita, mais gostosa e mais jovem que você. #fato
É, querida, a vida é bruta. E minhas amigas ainda acham que me convencem do contrário? Tsc, tsc, tsc.
*Imagem: Daqui











14 comentários para "A mãe e o namoro" | Adicione o seu »
Sabe o que eu acho? Sinceramente, pode ser que seja difícil mesmo você conseguir um namorado. Mas não pelo fato de ter dois filhos. Acontece que a mulher, quando é bonita, inteligente e articulada, mete medo em um monte de barbudo mal acostumado com síndrome de Peter Pan. E quando, além de tudo isso ela ainda dá conta de dois meninos, provando que, sim, mães são seres acima da média, aí é que nego vai sair correndo – de medo, por não estar à altura, por não saber como lidar com uma mulher de verdade do lado (isso acontece muito, né?).
Tenho muitas amigas lindas e bem sucedidas que já não acham namorado, imagine somando a esse perfil a maternidade… o quadro fica mais crítico – mas nunca impossível. Como eu escrevi no começo, pode ser difícil você conseguir um namorado, mas pode ser apenas uma questão de tempo.
Ontem eu conheci uma moça numa loja infantil que estava adotando uma menina: ela tem 47 anos e 4 filhos (segundo ela, o mais novo já com 18 anos). Aí ela casou de novo, o marido não tem filhos e eles resolveram adotar. Tá vendo como tudo é mesmo possível?
Se coloque “no mercado” e depois conta pra gente! rs. Beijos e boa sorte!!!!
Carol
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Glauciana Nunes Reply:
outubro 26th, 2011 at 3:44 am
Carol, gostei tanto, mas tanto do seu comentário. Eu compartilho da sua opinião sobre os homens e os medos infinitos. Mas, é verdade, deve ter a tampa da minha frigideira por aí, em algum lugar, em algum tempo. Não tenho pressa pra encontrar, mas quando encontrar sei que vai ser bom. Beijos e muito, mas muito obrigada por palavras tão lúcidas e carinhosas. Beijos!
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Além de morrer de rir e de me ver nessas cenas com a minha “princesa” que mais parece a Fiona que a Cinderella, adorei ver que eu não sou tão maluca de pensar que é muito, mas muito difícil mesmo arrumar um cara legal e que aguente o pacote!!
Escrevi sobre isso esses dias, olha só:
http://maeemconstrucao.blogspot.com/2011/10/o-problema-maior-e-que-e-dificil.html
Boa sorte pra gente, né Glau?!
Beijocas!!
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Amiga, meu braço torcido é seu. Fato. Principalmente, a raiva do FDP com 6 noites tranquilas e despreocupadas junto a uma ninfeta com tudo no lugar.
Mas eu acredito – ou tenho a pretensão de acreditar – que o gato que aparecerá também é pai, também tem os filhos dele e, por vir de um casamento anterior, sabe exatamente como agir. Sabe?, igual a um vinho que ficou melhor com a idade? Gatinhos para noitinhas, gatões para muitas noites.
Beijos
Sô
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Você está sendo muito pessimista Glau. E pense pelo lado bom “se o cara foi embora, é porque não valia a pena. Não era homem resolvido o suficiente.”
Tem que ter paciência também, viu? rsrs
Adoro a campanha namore uma mãe solteira. Não sei se você conhece, mas ai vai:
Namore um Mãe Solteira
Há alguns anos, um grupo de amigas divorciadas e solteiras, todas já mães, comentava, entre uma risada e outra, como os homens são tontos por não enxergar as vantagens de se relacionar com mulheres que já têm filhos.
Como algumas delas eram blogueiras, surgiu a ideia de fazer uma campanha na internet para mostrar aos rapazes alguns bons motivos para fazer essa escolha. Foi assim que surgiu, lá nos idos de 2005, a bem-humorada campanha “Namore uma mãe solteira”, que até hoje circula por aí em blogs e outras redes sociais.
Para quem ainda não conhece, as diretrizes básicas dessa campanha são as seguintes:
1. Mães solteiras não têm pressa de casar, porque já têm filho.
2. Mães solteiras não têm pressa de ter filho, porque já têm filho.
3. Mães solteiras não têm tempo de grudar no seu pé, porque já têm filho.
4. Se você quiser ter um filho, tudo bem, porque a mãe solteira já tem filho.
5. Se você não quiser ter filho, tudo bem também, porque a mãe solteira já tem filho.
Ou seja: mães solteiras são um ótimo partido, como já sabia muito bem o personagem do Hugh Grant em Um Grande Garoto (2002), lembram? Aquele que frequentava reuniões de pais – mesmo sem ter filhos – só pra conhecer mães solteiras.
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Glauciana Nunes Reply:
outubro 26th, 2011 at 2:12 am
Vivi, naãããããão, ainda não teve ninguém pra ir embora, não…rs. Não é um post-flecha. É só fruto de uma conversa com azamiga mesmo. E essa campanha é sensacional, adorei.
Mas, sim, eu ando pessimista. Deve passar um dia, né? Lá pelos 50 passa….ahahaha..
beijos, sua linda!
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Karin Reply:
outubro 27th, 2011 at 1:50 pm
Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…
Simplesmente demais!
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Querida! Ri muito com o teu post. Mas concordo com muito do que já foi dito nos comentários. Em primeiro lugar, se o cara vai embora, é porque não consegue enxergar além das aparências e não está preparado para ser pai, melhor que caia fora mesmo. Depois, você é que vai definir que tipo de homem você quer encontrar. Se você quiser um gatinho que te acompanhe nas baladas, não poderá mesmo exigir muita maturidade dele, curta enquanto durar. Se você quiser um companheiro e que seja capaz de agir como um adulto diante dos teus filhos, terá que se posicionar desta forma. Eu tinha 21 anos e um filho de 4 quando conheci meu marido. Uma das primeiras coisas que conversamos foi sobre meu filho, ainda nas apresentações. Ele soube desde o início que eu tinha um filho e que ele era mais importante que tudo, então qdo decidiu investir, sabia que era o kit completo ou nada.
Sei lá, se fosse hoje, com a idade que eu tenho, filhos e + problemas de saúde seria muito difícil, até porque estou muito tempo fora do mercado.
Bj
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Glauciana, vc tem um tom irônico e relata suas previsões de forma tragicômica… sou assim entre amigas rs
Eu acho que relacionamentos estão difíceis hoje em dia em geral por dois motivos: homens perdidos e inseguros com a “nova” mulher que surgiu, tudo é muito imediato e parece que a tolerância e dedicação aos relacionamentos é cada vez menor e isto independe de ser mãe ou não.
Tenho inúmeros amigos que se uniram a mães solteiras. Um deles conheceu a esposa quando a filha era ainda bebêzinha. Todos sempre encararam o fato da companheira já ter filhos com muita naturalidade e nada os assustou rs Meu irmão está na lista.
Só acho importante não se fechar, natural por um período após término de relacionamento
Ainda vou ler aqui relatos cômicos…nada trágicos
e melhor, felizes!
Bjocas
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Realmente não e fácil encontrar alguém para namorar, mesmo quando não temos filhos, depois então deve complicar mais ainda…
Mas tudo seu tempo, sem pressa… quem sabe qdo eles entrarem na faculdade vc não se encaixa com um colega de classe deles? ehehehhe
Beijos,
Ana Carolina
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Não to nessa situação, mas minha mãe passou por isso. Acho que quando se tem filho na jogada é até bom, porque dá uma filtrada nos manés que eventualmente apareçam. Os trates fogem, mas o q vai valer a pena, ficará.
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Oi Glau!
Nossa! Eu ri um bocado pensando em CADA CENA do que tu escreveu.
Homens são mesmo meio “medrosos e assustados” pra encarar algo com tanta responsabilidade (lê-se: uma namorada super-hiper-mega responsável com 2 filhos). Meu marido quase tinha um troço de falar em ter filhos. Acho q realmente tinha medo da responsabilidade. Mas no fim, o amor venceu e hj temos nossa princesa.
Mas enfim. Não desiste. Tenho certeza q cuidas e amas teus filhos mais q tudo no mundo e q eles serão “teus” pra sempre, haja o q houver. E o dia q um gatão, lindo, maravilhoso e gostoso ver o qto tu caprichas no cuidado dos teus 2 filhotes, vai ter certeza q tu és a mulher certa, pq onde há amor, paciência, carinho e cuidado com os filhos, tem amor de sobra pra namorar!! =D
Um beijão, se cuida!
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Oi Glau…
Eu te entendo porque me sinto um tanto parecida com você…
A vida muda, as prioridades mudam… nós estamos acostumadas com essa rotina louca que é ser mãe e dar conta tudo ao mesmo tempo.
Mas claro que a gente quer ter alguém bacana pra aproveitar o momento que os filhos deixam, fácil achar??? Começo a perceber que é raridade…
Mas amiga, aproveita dançar mesmo….
Qualquer dia você encontra, fica tranquila…
eu acredito nisso… preciso acreditar!!! kkkk
Gosto muito de você pelos seus textos, desejo o melhor pra você e sua família!!!
Beijos
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Quando eu tinha 18 anos de idade, me envolvi com uma mulher de 29, mãe solteira. Ela morava numa cidade a quase 500km de distância, ainda assim me dediquei totalmente, fui carinhoso, dedicado, me sacrifiquei e gastei um bom dinheiro para poder viajar e visita-la, dei presentes pra ela e pra filha. Em troca, não consegui nada a não ser jogos emocionais, humilhações e uma greve de sexo que durou 6 meses. Após um ano de namoro, sem qualquer tipo de justificativa, ela terminou o relacionamento. Claro que as feminazis de plantão irão dizer que sou um frustrado por ter levado “fora”, mas na verdade não, agradeço muito a essa balzaca que me chutou, fiquei mal por um tempo, mas meses depois, no emprego que havia arrumado pra ter o dinheiro das viagens que fazia para vê-la, conheci minha segunda namorada da minha idade e VIRGEM. Ápós quase 3 meses de namoro, tivemos nossa primeira noite, com direito a sangue no lençol e tudo. De lá pra cá já se vão 5 anos de namoro e estou muito feliz, construí um corpo excelente na academia, estou pra me formar na faculdade, tenho um bom emprego agora e uma boa grana no banco… Quanto a essa mulher, só lamento, 35 anos de idade, acabada e infeliz em busca de um CSP para sustentar a filha do cafa que a engravidou. O choro é livre!
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