By paddloPayday loans

11 ago 2011

Eu acredito que #EstudarValeaPena

Post por Glauciana às 15:39 em Educação

Ontem eu conversava sobre educação com um conhecido que tem três filhos. Trabalhador braçal público, a esposa dona-de-casa e sem renda, que sonha em dar um futuro mais digno a seus dois meninos e a sua garotinha. Ele enxerga que a única maneira de oferecer dias mais prósperos a seus herdeiros é conseguindo pagar um ensino privado que, em sua visão, tem muito mais qualidade que o oferecido pelo governo de nosso país.

Está virando noites para fazer trabalhos extras, juntando todo o dinheiro para que, no próximo ano, consiga colocar as três crianças em algum colégio particular de sua cidade. Quando o questionei sobre o depois, em como pagaria os anos seguintes, já que as crianças ainda estão nos primeiros ciclos do ensino fundamental, ele não soube responder e se afundou em uma angústia.

Trocando ideia sobre o assunto, que eu sou entusiasta e levanto sempre a bandeira – porque realmente acredito que o caminho mais digno e certeiro para uma mudança de vida seja por meio do estudo e da cultura – eu disse a ele que não necessariamente apenas uma escola privada poderia oferecer a seus filhos o futuro que ele espera.

Eu o disse que educação mora também em outros fatores que não apenas na escola. E dei o meu exemplo: frequentei a escola pública até a sétima série (daquela época, nos anos 90) do ensino fundamental. Depois disso, minha mãe conseguiu uma bolsa de estudos de mais de 70% de desconto em um dos colégios particulares de Assis, cidade no interior paulista, onde morávamos. A escola não fazia parte das mais mais tradicionais da nata assisensse, mas era respeitada por seu método de ensino.

Finalizei o ensino fundamental e o médio nessa mesma escola, o Colégio Ipê. Fruto de meu esforço e um tantinho de sorte passei direto do terceiro colegial, sem fazer cursinho, no vestibular para Relações Públicas, da UNESP (Universidade Estadual Paulista). E muitos de meus amigos – que estudaram desde o berçário nas escolas consideradas as melhores da cidade -, não passaram em cursos menos concorridos que o meu em outras universidades públicas.

Depois de meus quatro anos de curso, sendo estagiária na área desde o segundo ano da graduação, já estava empregada e ocupava um cargo de liderança no recente departamento de comunicação na Internet de uma grande editora de revistas. De lá, nasceu meu desejo de cursar Jornalismo e também consegui finalizar esse curso, anos depois. A verdade é que eu nunca parei de crescer na profissão que escolhi, sempre ligada à comunicação na Internet, e hoje mais especificamente nas mídias sociais.

Eu mudei radicalmente de vida. Conheci novos horizontes, pessoas que me ofereceram uma bagagem política e cultural que eu nunca teria a oportunidade de trombar com tão pouca idade, se não fosse no pátio de uma efervescente universidade pública. Eu pude experimentar o também doce sabor da mudança em meu status financeiro. Descendente de uma família muito modesta (eu já passei frio na vida, por não ter cobertores suficientes para sanar o rigoroso inverno paranaense e só provei iogurte pela primeira vez aos 8 anos) e com pouquíssimas pessoas que concluíram um curso superior, eu consegui – por meio de meu esforço nos estudos e, mais tarde, na profissão – galgar uma nova posição no cenário econômico, mais confortável e que pode oferecer a mim e a meus filhos a oportunidade de conhecermos mais coisas interessantes, que o dinheiro pode pagar. Por meio de minha profissão eu rompi com as imensas barreiras que me mantinham presa àquele pobre e frio interior paranaense e me transportei para novos lugares, longínquos, que me surpreenderam pela arquitetura, pelo povo, pela cultura, pela gastronomia.

Por isso é que eu digo, e acredito nisso, de fato, que cultura e educação vão muito além de escola. Um dos grandes impulsionadores da trajetória feliz que eu tenho tido até hoje foi o constante incentivo para que eu buscasse caminhos que me fizessem expandir. E meus pais não pouparam esforços para me dar as ferramentas necessárias para isso. Engana-se quem pensa que isso está atrelado a muito dinheiro, coisa que nós nunca tivemos.

Meu pai era daqueles que ia todos os domingos à banca de revistas para comprar um dos exemplares da coleção de grandes obras da literatura brasileira, que vinha junto com o jornal e que custava só R$ 9,99 a mais. Minha mãe conseguiu um acordo financeiro com o dono da escola de inglês e me matriculou no curso ainda bem cedo, acreditando que isso seria importante para meu futuro. Em casa o discurso sempre foi: “busque seu futuro, ele está nas suas mãos, estude, pois não há outra forma de crescer na vida e se realizar profissionalmente“.

Mais que uma boa escola, acho que o fundamental é encorajar nossas crianças e jovens que eles podem ir além. Que eles podem frequentar museus, muitos gratuitos, podem emprestar livros de bibliotecas, podem assistir bons filmes, podem expandir sua cultura se abrindo para pessoas e lugares diferentes. E isso requer incentivo. Uma criança só poderá ter essa percepção à medida que seus pais lhe mostrem o caminho e os encoraje a buscar.

Um bom futuro não está garantido apenas com esses fatores, é claro, mas com uma somatória deles. Que possamos nós, enquanto pais e cidadãos, levantarmos essa bandeira e levarmos esse ideal a mais e mais pessoas, como eu tive a dádiva de fazer a esse conhecido, nessa conversa informal de ontem. Porque, sim, eu acredito que #EstudarValeaPena!

Mas, afinal, o que é o #EstudarValeaPena?
Hoje, 11 de agosto, é o Dia do Estudante, e um grupo de ativistas sociais na Internet juntamente com o Instituto Unibanco, promovem uma Blogagem Coletiva em torno do assunto. Eu aderi à causa, totalmente voluntária, pois acredito que, de alguma forma, com a minha história e meu exemplo, eu possa ajudar a educação no Brasil. Eu levanto sempre essa bandeira!

A Campanha Estudar Vale a Pena é um concurso que tem como objetivo contribuir para os esforços de escolas públicas no sentido de reduzir o abandono escolar. A problemática do abandono escolar é complexa, apresentando vários fatores determinantes e múltiplas consequências.

O Instituto Unibanco está convencido de que não é possível combater esse mal apenas com ações pontuais. É preciso que o assunto seja tratado na escola ao longo de todo ano letivo de forma abrangente. O objetivo desta campanha é estimular os alunos, os professores e o corpo diretivo das escolas de Ensino Médio a se engajarem em uma ação que trará benefícios para toda a comunidade estudantil, diminuindo o abandono escolar.

Para saber mais sobre a campanha, acesse os canais: twitter (@inst_unibanco), Facebook e um espaço no Youtube com vídeos de alunos.

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1 comentário para "Eu acredito que #EstudarValeaPena" | Adicione o seu »

  1. ago 12, 2011 @ 14:44 {Responder}

    Ola Glau,é a primeira vez q visito seu blog,e ja gostei.Eu acompanho o Mulher e Mae e amo tb,sempre leio.Nem sabia q vc tinha esse blog,hoje quando fui ver a Revista A,me deparo com um texto seu..fiquei surpresa,nao sabia que tb era Arita..quando vi logo falei pro meu marido,nossa eu conheço o blog q ela escreve,parecia ate q eu te conhecia.rsr
    enfim,vou te acompanhar aqui tb..passa la no meu blog pra conhecer..
    Grande abr4ço irmanzinha Arita..
    beijuss
    Diana

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