A necessidade de desempenhar um papel - Coisa de Mãe
22 ago 2011

A necessidade de desempenhar um papel

Post por Glauciana às 19:13 em Coisa de Criança

“Existem as vovós de verdade, como a vovó Cecília e a vovó Joana, e as vovós do coração. Sabe como é, mamãe?!?”


“Ô se sei, filho, e como sei“, foi a minha resposta para Eduardo, quando ele falou isso para mim, depois de ter passado o fim de semana, com papai e o irmão, na casa do vovô em outra cidade.

Eu tenho dois pais, um biológico e outro que me criou. Minha mãe está no terceiro casamento. Os  avós paternos de meus filhos são separados e ambos têm novos companheiros. Sendo assim, meus filhos tem tantos avós que no cabem nos tradicionais quatro dedos das mãos.

Durante um tempo, confesso, fiquei desconfortável com a situação. “Como eu explicaria essa salada familiar a meus filhos?”. “Porque eles não são como tudo mundo, que têm papai, mamãe, vovô e vovó de um lado, vovô e vovó do outro?”. Mas, que besteira a minha… e então eu me lembrei do amor que movem as relações familiares, independente de consanguinidade.

Depois de resgatar as minhas próprias raízes, é que eu pude entender que meus filhos são, na verdade, privilegiados por ter tantas pessoas amando-os dessa forma. Tantos a quem dedicar-lhes tempo, atenção, cuidados e brincadeiras. Tantos a quem contar quando precisarem de um colo ou um apoio. Tantos a quem chamar de “avô”, quando muitos não têm ninguém para denominar assim.

E percebi também que se amarrar a essa aparente tradição é furada. Quem “todos” mesmo que têm pais ainda casados e avós originais de fábrica? O mundo é dinâmico, circular e há muitos anos é que as famílias se transformaram. Até ouso a achar que o mais normal por aí sejam os filhos dessas novas famílias, as chamadas famílias mosaico, com novos membros sendo costurados à colcha original. E se a colcha fica cada vez maior, porque ela não pode ser boa? Para nós, ela fica ainda mais quente e confortável. Viva!

*Imagem: Daqui

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5 comentários para "A necessidade de desempenhar um papel" | Adicione o seu »

  1. ago 22, 2011 @ 19:32 {Responder}

    Compartilho sua experiência! Meus pais tbm são separados, então convivi com minha avó (mãe do meu pai), com avós (pais da minha mãe), com avô e ‘vodrasta’ (parte do padrasto) e avó (mãe do padrasto).
    Agora Sofia tem mais avô do que avó: minha mãe, meu padrasto, meu pai e o pai do meu marido. Esse último ela custou pra chamar de vô e foi bem acanhadinha ainda, mas convive mais com ele do q com meu pai, pq moramos pertinho. O pai dela sumiu mesmo, então esse lado ela não conhece… Mas já pensou q tanto de avós?!! rs
    Essa diversidade é boa e acho q a criança pode aprender mtas coisas diferentes com cada um, pq eles não são iguais, afinal!
    Um beijo

  2. ago 22, 2011 @ 21:59 {Responder}

    Muito lindo, Glau!!! Eu tive vários avôs e avós e isso foi uma experiência incrível!
    Beijos

  3. ago 22, 2011 @ 22:32 {Responder}

    Há muito que as famílias se transformaram, já não são mais as mesmas. Mas apesar de tudo, o que faz um aglomerado de gente virar uma família, ainda é o amor. E como você disse, quanto maior a colcha, mais quentinha e confortável ela é! Viva a família, tenha ela o tamanho e o formato que for!

    Beijos

  4. ago 23, 2011 @ 00:42 {Responder}

    Quando eu fiquei grávida e solteira, eu pensava assim tb. Ficava com medo do que ela poderia pensar e como ela reagiria na escola. Me casei novamente e hoje ela tem tantos avôs e avós e tios, tias que enchem ela de carinho e de mimos que ela se vê uma criança privilegiada! E pensa bem: não são todas as crianças que podem ter 2 pais né?

  5. ago 23, 2011 @ 00:43 {Responder}

    Completando…adoro tudo o que escreve!!!! Sou suoer fã!

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