Encoraje seu filho com palavras positivas
Me lembro claramente de quando saiu o resultado do vestibular da UNESP. Era o ano de 1999, eu tinha apenas 17 anos e uma determinação incrível. Eu desejava ardentemente passar naquele vestibular e entrar em minha tão sonhada universidade pública. Para mim, era questão de honra. Apesar da pouca idade, eu tinha muito certo o que queria fazer de meu futuro. Sabia que minha mudança de vida estaria determinada pelos caminhos do estudo.
Uma menina pobre, que estudara em colégio particular graças à bolsa de estudos de mais de 70%, que chegava de fusca na porta da escola, enquanto os colegas chegavam em seus carros importados, e usava tênis Puma, enquanto todos os outros calçavam Nike, tinha todos os argumentos possíveis para desejar entrar em uma universidade pública, direto do terceiro colegial, sem ter feito cursinho.
E eu me lembro do gosto amargo daquela lista de espera. Mas, pior do que estar em 77º na lista, daquelas 50 vagas, foi ouvir da minha mãe o que eu tanto tinha ouvido nos últimos anos: que eu era uma incompetente e que não fazia nada direito na vida.
Era uma tarde quente de verão. Eu e meu melhor amigo na época, Apolo, chorávamos na mesa da cozinha, enquanto eu escutava minha mãe dizer que estava decepcionada comigo, que eu jogara fora esse último ano da minha vida, que mesmo que eu conseguisse entrar na UNESP, agora seria pelas portas dos fundos, pelos restos dos outros que desistissem da vaga ganha por merecimento.
E nesse exato momento, lembrando-me dessa cena, eu ainda sinto raiva. Desde aquela tarde de verão eu aprendi que a raiva pode nos motivar na vida. Que depende de nós usar a energia negativa da raiva como motor para conseguir ir adiante. E eu fiz daquela raiva o combustível motriz de todas as minhas futuras realizações.
Hoje eu entendo as palavras duras de minha mãe. Não foram por mal, eram a forma com que ela tinha para me motivar e para me fazer enxergar que a vida de sucesso que ela almejava para mim dependia, naquele momento, única e exclusivamente de mim. Isso está superado e perdoado. E desse episódio triste eu tirei uma lição muito valiosa para a educação de meus filhos: tomar cuidado com nossas palavras, porque elas têm muito poder.
No final, deu tudo certo. Por sorte, muitas pessoas desistiram de suas vagas e eu entrei na tão sonhada UNESP. Diferente de minha entrada “pelas portas do fundo”, eu saí pela brilhante e aberta porta da frente, nunca tendo pego uma DP e ainda empregada antes mesmo da formatura. E meu caminho de estudo nunca mais parou, com meu esforço sendo coroado por um segundo diploma de nível superior. Em breve buscarei mais um título para minha coleção: o de mestre.
Entretanto, só eu sei do quanto os “incompetentes“, “não faz nada direito“, “tudo que se propõe a fazer faz errado” e “não presta para nada” me impediram de ir além. Só eu sei quantas vezes essas palavras ecoaram dentro de mim frente a um desafio. E por tantas vezes me fizeram frear e não me deixaram ir além. Luto diariamente contra eles, reprogramando a minha mente com palavras opostas.
Com meus filhos eu tenho a sorte de poder fazer tudo diferente. Não trata-se de elogiar sem critérios, porque isso também é prejudicial. Não é qualquer chute na bola que me faz dizer a Eduardo que ele pode ser o futuro talento do expressinho do São Paulo Futebol Clube. Não, é outra questão. É gravar no inconsciente de meus meninos que eles são corajosos, que são determinados, que fazem as coisas direito, que são felizes e autoconfiantes.
Todas as vezes que posso eu faço essas afirmações para eles. Os estudos científicos provam que uma informação se faz verdadeira para o cérebro de duas formas – pela emoção ou pela repetição. É por isso que eu não me canso de repetir esses incentivos positivos. Eu quero que grude em seus inconscientes que eles poderão ser vencedores, tentando ir sempre além, porque não têm medo de se superarem. Eu os incentivo sempre a uma nova tentativa, mesmo quando a tarefa é árdua demais e, quando conseguem realizar, eu afirmo “está vendo? você consegue, é só tentar mais uma vez”.
Fácil não é, é claro, mas quem disse que educar de forma mais integral não requer esforço? E é nosso papel sermos os primeiros incentivadores de nossos filhos. Desde a barriga da mamãe até os sete anos de idade é quando mais os conceitos estão sendo apreendidos pela mente do ser humano em formação. Por isso, nesse período é necessário que tenhamos muito empenho e cuidado nas coisas que estamos fazendo nossos filhos acreditarem.
Em casa eu bani palavras e expressões, como “incompetente“, “você não consegue”, “você não pode“, “isso é difícil demais“, “você não faz nada direito“. Ao contrário, tentamos usar sempre o positivo, encorajando-os a darem sempre um passinho a mais. Se depender de mim, meus filhos serão grandes homens, corajosos e com disposição para buscarem a felicidade. Vão, sim!
*Imagem: Daqui











10 comentários para "Encoraje seu filho com palavras positivas" | Adicione o seu »
As palavras têm muito poder. Use-as sempre com sabedoria e de forma positiva sim. Faço isso todos os dias desde que meu trio estava dentro de mim. Hoje, eles têm 9 anos e já estou vendo os resultados dessa atitude.
Pode ter certeza vais conseguir. Hoje, quando preciso eles mesmos me dão lições baseados naquilo que escrevi! É maravilhoso. Eles têm muito potencial. Invista sempre nos filhos. Beijos
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Desulpe-me mas até eu fiquei com raiva da sua mãe por ter dito aquilo! Entrar em uma universidade pública é muito difícil, não existe “entrar pela porta dos fundos”! Se vc está lá dentro o resultado do vestibular não conta mais e começa tudo novamente. Digo isso pois eu fiz faculdade pública (entrei na UNIFESP que na época o vestibular era pela USP), entrei em 9º lugar no meu curso, e o rapaz que estudou comigo e entrou em último (tanto que as aulas já haviam começado) se saiu melhor que eu em muitas áreas! E meu marido fez FGV, também entrou por lista de espera e hoje sustenta com folga sozinho a nossa família.
Aqui em casa faço exatamente como vc. Sempre elogio meus meninos pelo seus esforços e até mesmo na hora da bronca eu digo o qto me desapontou sua atitude e comportamento, nunca ele em si. Acho isso super importante e quero estimulá-los ao máximo para alcançarem tudo que desejam.
As únicas vezes que digo “não pode” aqui em casa é qdo eles não podem mexer nos armários, subir nos móveis..
Bjos
Elaina
http://www.vidademae.net/
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As palavras têm muito poder. Use-as sempre com sabedoria e de forma positiva sim. Faço isso todos os dias desde que meu trio estava dentro de mim. Hoje, eles têm 9 anos e já estou vendo os resultados dessa atitude.
Pode ter certeza vais conseguir. Hoje, quando preciso eles mesmos me dão lições baseados naquilo que ensinei É maravilhoso. Eles têm muito potencial. Invista sempre nos filhos. Beijos
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Ô Glau, entendo vc mais do que qualquer pessoa no mundo, meu ex-padastro sempre falava coisas ruins para mim! Mas minha mãe sempre falava o contrário, quando ele falava que eu nunca conseguiria, minha Mãe falava “Filha vc consegue”.
Para meu filho sempre incentivo com palavras, e aplaudo com gestos.
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Glau só tenho uma coisa a dizer pra você: PARABÉNS…
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Acho que os nossos erraram muito tentando acertar. Eles no tinham o conhecimento que temos, nem a abertura para dialogar com os filhos. Claro que essa educação que recebemos nos afetou muito, mas sobrevivemos, crescemos, aprendemos a interpretar essas palavras duras como demonstração de amor. E não podemos dizer que não ficaram coisas boas. Aprendemos valores importantes.
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Oi Glau! Belo texto! Temos que nos policiar a cada dia para não cometermos os mesmos erros. As vezes tenho a impressão que esta geração não aguentaria as pedradas que aguentamos. bjs
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Histórias parecidas, dificuldades financeiras, ausência de um provedor, passar no vestibular, estágio, emprego, eram obrigações para a filha mais velha. Ainda não entendo bem porque minha mãe tb usava de palavras duras, ás vezes de baixo calão, para nos ensinar o certo. Não quero repetir isso com Davi, nunca. Uma palavra dura machuca muito.
Gd abraço
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Glauciana,
Uma amiga me enviou um texto do seu blog e, passeando por aqui, acabei lendo o “Encoraje seu filho com palavras positivas” – e me emocionando. Primeiro, porque assim como você, também fiz Unesp! Mas saí no ano em que vc entrou! rs. Segundo, porque quando passei no vestibular, me lembro de meu pai bravo, pensando em quanto seria me manter fora de casa (apesar de sua alegria pela minha vitória, sua preocupação era tão grande que ele foi incapaz de me parabenizar. Isso me marcou profundamente, por anos…). Terceiro porque, pelas minhas experiências, penso da mesma forma sobre a força de uma palavra. Minha mãe sempre diz que, em alguns casos, elas têm mais força que um tapa. E é verdade. Daí por isso que acredito piamente na força das palavras positivas, e daí por isso também que procuro usá-las sempre com a minha bebê. Mais do que encher de beijos, brinquedos e outras coisas, tenho a convicção de que o papel de pai e mãe é encher uma criança de autoestima e coragem. É disso que ela vai precisar para enfrentar a vida.
Um beijo!
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Oi Glau,
Sempre dei trabalho na escola, nunca gostei de estudar mas quando sai do ensino médio fiz o vestibular na FAFI na pequena mas nada pacata cidade de Cornelio Procopio -PR. rss passei em último da lista para mim foi o máximo mas, o meu pai me disse que eu não podia ter passado em penultimo pelo menos eu tinha que sempre ser o último?! ai a falta de apoio continuou e desisti no primeiro semestre. e o pior de tudo que um desdem ou um desencorajamento dele aniquilava com 10 ou 20 elogios da minha mãe, vó, tios, patrão e etc… você aguenta e supera tudo dos que vem de fora mas palavras acusadoras de pai e mãe derruba qualquer um.
De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.
Tiago 3:10
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