Amamentar é natural e sexual #basta
Amamentar tem cheiro, cor, prazer de ambos os lados, muita satisfação em esvaziar e ser esvaziada, parece muito com um ato sexual sim, é sexualidade primária, fundamental, de base e quem não viveu ou não processou esse grounding da sexualidade humana de algum jeito, sofre, se confunde, não consegue ver, ouvir ou conviver com a amamentação de forma espontânea. Nas mulheres um dos sintomas, triste sintoma, é não conseguir amamentar.
Trecho brilhante do post Amamentação e Sexualidade, do blog Buena Leche, de Cláudia Rodrigues
Eu escutei de um médico pediatra, talvez o maior pesquisador sobre vínculo e amamentação do país, Dr. Fernando José de Nóbrega, que eu não queria parar de amamentar Luca, com 1 ano e 3 meses, porque eu gostava de tê-lo chupando o meu peito.
Na hora, fiquei parada, deglutindo o que ele me dizia. Ao meu lado, Calu, minha amiga e companheira na jornada de trabalhar assuntos de maternidade, soltou um sonoro “não pode ser” com a maior cara de espanto do mundo!
E, depois de alguns minutos naquele silêncio, sentindo-me suspensa em meus pensamentos, voltei à realidade e concordei, assentindo com a cabeça. Sim, é mesmo, eu não parava de amamentar Luca, já com mais de um ano e não precisando tanto assim de leite materno, porque aquilo fazia bem à mim!
E então, amamentar está ligado ao ato sexual? Não, mas está ligado, sim, à sexualidade. Nada tem nisso de pornográfico ou erótico, mas é sexual. Amamentar estimula os seios da mãe e lhe oferece prazer. Não, necessariamente, um prazer orgásmico, como o de uma transa, mas a sucção do mamilo desperta sensações cerebrais e físicas ligadas a bem-estar, prazer, amor e saciedade.
Sem falar no bebê, que começa a se relacionar com o mundo a partir de sua mãe. Experimenta o primeiro gosto por meio do peito de sua mãe. Sente sua boca e língua por meio da sucção. Percebe o tato pelo contato próximo do corpo de sua mãe. A amamentação vai muito além de uma função ligada apenas à alimentação. Amamentar é um ato de amor, que engloba muitos e muitos fatores. E, porque não, um desses fatores ser a sexualidade?
Até quando vamos encarar o sexo como tabu, minha gente? Por que raios insistem em colocar em nossa cabeça que sexo é ruim? Deve ser velado? Feito às escondidas e sem o direito de sentir prazer com ele? É por essa razão que nos últimos tempos temos assistido a tantas polêmicas envolvendo a amamentação em público.
Uma mãe amamentando seu bebê é uma mulher vivenciando uma relação de sexualidade positiva com seu corpo. É uma vivência sexual, não se pode negar, entretanto está longe de ser pornográfica. Isso quem enxerga são os olhos castrados de uma sociedade doente e cheia de bloqueios sexuais.
Primeiro, uma mãe é proibida de amamentar em público, nos domínios do Itaú Cultural. Depois, após a manifestação do Mamaço na Avenida Paulista, em São Paulo, o infeliz artigo do colunista da Folha Online, João Pereira Coutinho. E agora, nessas duas últimas semanas, o caso de Marcelo Tas e Rafinha Bastos. Ah, Tas, até tu, Brutus? Que decepção a minha. Você, o eterno professor Tibúrcio, que eu tanto admirava pela força em levar a comunicação livre a todos, ameaçar de processo uma blogueira só porque ela se manifestou contra as bobagens que vocês disseram com relação à amamentação?
É por isso que não me assusta ver um jovem Rafinha Bastos, que provavelmente não foi amamentado prolongadamente em sua mãe e não deve ter sua mente tão aberta à sexualidade, falar tanta besteira em relação à amamentação. Em seu machismo, em sua misoginia, não consegue ir além de um par de peitos dando prazer a um bebê. Egoísmo masculino. E até fácil de entender, minha gente! Quantos casais não têm problemas sexuais por conta da fase da amamentação? Eu vivi isso na pele, no peito. É inegável que os seios de uma mulher façam parte do universo mais onírico dos homens e vê-la, de forma tão natural, em público, colocando seus peitos para fora, na boca de um outro ser, que não um homem, adulto, com desejos sexuais, soa de forma muito abusiva mesmo.
Mas, o que não podemos é nos calar diante desse mediocridade de pensamento! Não, eu digo BASTA! Enquanto passarmos a mão na cabeça de discursos castrados e castradores, sobretudo vindos dos grandes veículos de comunicação, continuaremos a ter uma sociedade que veta uma mãe de amamentar em público.
Eu digo BASTA. Chega! Saiamos das trevas do pensamento. Os sutiãs já foram queimados há anos, que possamos queimar também nossos tabus sexuais e entender que o corpo pode ser mostrado, sim, sobretudo se estiver ligado a um ato tão nobre, que é alimentar uma cria.
Quem se manifestou e também grita BASTA, na Blogagem Coletiva organizada pela rede social Mulher e Mãe
Passou dos limites das Tetas de Fora – #BASTA – Blog Mammi Super Duper
Blogagem coletiva: Eu digo basta! E você? – Blog Lele (neneca)
Blogagem coletiva: Eu digo basta! E você? – Blog Dalaula
Blogagem coletiva: Eu digo basta! E você? – Blog Coisas Minhas
Blogagem coletiva: Eu digo basta! E você? – Blog Katralhas
Eu digo basta, e você? – Blog Uma mãe e muita coisa
Blogagem coletiva: Eu digo basta! E você? – Blog Aprendendo com Davi
A polêmica do mamaço… – Blog Bagagem de Mãe
Blogagem coletiva: Eu digo basta! – Blog Descobertas
Eu digo basta, e você? – Blog Todo Amor que Houver nessa Vida
Blogagem coletiva pela amamentação - Blog Histórias de cá pra lá, de mãe e filha e histórias de todo dia!!
Blogagem coletiva: Eu digo basta! E você? – Blog Mamãe do João Pietro
Basta - Blog O Mundo de Sofia
E, ainda, a amamentação – Blog Mãeterna
Maria vai com as outras mães – Blog da Diiirce
Falta de respeito não! BASTA – Blogagem Coletiva – Blog Lenita de Paula
A triste história do pai que amamentava – Blog Porque só quem usa sutiã 44 sabe da responsabilidade que tem
Nós também dizemos basta! – Blog Ellis Little Doll
Feministas também usam sutiã la perla – Blog Vinhos, viagens, uma vida em comum e dois bebês
Blogagem Coletiva: Respeito às mulheres e às nossas decisões #Basta – Blog Buteco Feminino
#Basta – Blog Coisa de Mãe












16 comentários para "Amamentar é natural e sexual #basta" | Adicione o seu »
Essa blogagem coletiva está ótima. Adorei seu texto!
E sim, temos que botar a boca no trombome e dizer Basta pra tanta ignoracia!!!
beijos
Karin
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Muito boa essa blogagem coletiva! Essa história de que não pode amamentar em público já está passando dos limites! Se não fizermos nada, daqui a pouco teremos que passar meses trancadas em casa, ou ter que escolher não amamentar pra podermos andar na rua com os filhos. Absurdo!
Beijos,
Nine
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É isso aí!!! Post maravilhoso, vamos ver se as pessoas acordam pra vida!!! Estou participando também, se tiver um tempinho, passa lá!
Bjos e parabéns pelo texto!
http://ivanacoisademae.blogspot.com/2011/06/basta.html
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Como sempre, você é sensibilidade pura, vê além do que os olhos mostram, tem uma percepção da alma humana que é única, coisa de alguém que é especial. Depois de ler este post, fiquei até com vergonha do meu, que fiz com pressa na ânsia de participar e acabou ficando incompleto. Mas tudo bem, eu tenho mesmo minhas limitações. Essa questão sexual por exemplo, tenho isso bem claro e resolvido dentro de mim, mas é bem complicado pra mim falar sobre isso.
Abraços
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Nem preciso falar que tudo que vc escreve eu acho lindo né, sou sua fã de carteirinha rsrsr
Apesar do seu argumento, não consigo ligar amamentação com sexualidade, não mesmo.
Mas digo que nunca tive pudores de falar sobre sexo, tanto que qdo filhote nasceu eu e maridão não tivemos crises por falta de sexo durante o resguardo.
Devido a liberdade que tenho de falar sobre isso.
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Adorei seu post Glau!
Obrigada por linkar!!!
bjs
Lele
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Lindo post como sempre Glau!
Assim como a Fanny sou fã de carteirinha e você sabe!
Beijos
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Oi Glau, ótimo post, muito instrutivo. Não sabia desta parte sexual da amamentação.
O Marcelo TAS não foi em nenhum momento contra a amamentação. Ele não gostou da Lola ter o chamado de misógeno, tomou como ofensa, e com razão.
bjs
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Oi Gláu,
primeira vez participando no seu Blog.
Tenho 03 filhos, amamentei os 03 e contei um pouco aqui: http://mulheresmaes.blogspot.com/2011/05/amamentacao-as-delicias-e-as.html
AMO amamentar e SIM, concordo com vc, um super relação prazerosa, de bem estar e que gera muita intimidade.
Tenho saudades desta fase e tive que me preparar emocionalmente para parar a amamentação de minha caçula, já que seria minha última experiência. Confesso: Nd fácil, mas igualmente necessário.
Sucesso.
bjs
@drisouto
http://mulheresmaes.blogspot.com
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Normalmente, esse “prazer sexual” que você diz ter, nada mais é que uma falta afetiva de um homem/parceiro, então se cria um vínculo maior com seu filho, como se fosse um substituto para aquela carência afetiva, daí o bem- estar, já que, fazer seu filho chupar seu peito supre a necessidade de um homem (no caso, um relacionamento). Não estou falando que seja ruim, mas o médico estava completamente certo, o problema seria você fazer isso até os 3 anos de idade da criança, dificultando o crescimento do mesmo, quanto o seguir da sua vida.
Considero 1 ano mais que o suficiente para amamentar uma criança, acima disso há sim uma dependência psicológica por parte da mãe em relação ao filho. Assim como o primeiro trauma de uma criança é o parto, o primeiro trauma de uma mãe é perceber que seu filho já é grande o suficiente para ser auto-suficiente.
Enfim, não adianta condenar o médico pelo o que ele disse. Não foi com a intenção de separar seu filho de você, ou de falar que você não pode mais amamentar o seu filho. Ele só disse que não há mais necessidade fisiológica para isso, há apenas sua necessidade psicológica que precisa ser suprida.
[Reply]
podem responder-me uma pergunta? eu nunca mamei, minha mãe fala que eu nunca quiz mamar ela até teve que fazer uma drenagem nos seios pois eles criaram pus, ficaram uma coisa horrivel, será que tem alguma explicação?
[Reply]
Parabéns pelo post…
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Uma coisa era qdo minha filha mamava… outra coisa é quando meu marido me acaricia e suga meus seios…
qdo minha filha mamava, o único pensamento e sentimento que tinha era de protegê-la, de dar literalmente minha vida para ela.
eu, em minha condição de mãe, não consigo ficar colocando minhas sexualidades sobre minha filha, passa longe da minha cabeça a minha satisfação sexual acima de um momento tão importante a ela.
lendo seu texto, nao consegui separar satisfação sexual de sexualidade. Na verdade, neste texto, eles estão no mesmo patamar, só muda o coadjuvante (homem/filho). Você sabe qual a diferença entre esses dois conceitos? Qual a ligação da sua sexualidade com seu filho? (perguntas sinceras e não retóricas)
esse texto está passível de questionamentos.
“Uma mãe amamentando seu bebê é uma mulher vivenciando uma relação de sexualidade positiva com seu corpo. É uma vivência sexual, não se pode negar, entretanto está longe de ser pornográfica. Isso quem enxerga são os olhos castrados de uma sociedade doente e cheia de bloqueios sexuais.”
Esse foi só um exemplo que resolvi citar.
Quais são seus argumentos? Bloqueios sexuais? Onde??? Até onde percebo, e basta entrar num ônibus para ouvir, é uma desvalorização do ato sexual. Quem nunca ouviu um “funk” com uma mulher “cantando” “orgia, orgia, orgia”. Então me desculpe, mas o seu texto está mal escrito. Porque isso não é um bloqueio sexual, é o exato oposto.
O que difere “relação de sexualidade” de “pornografia”? O que é uma “relação de sexualidade” na sua opinião? Defina melhor, por favor.
Sexualidade vem de sexo, sexo no estado mais bruto e animalesco é o compartilhamento interno de material genético que resulta em um novo indivíduo, envolvendo um gameta feminino e um masculino. Resumindo: coito, ejaculação e fecundação.
Mais uma coisa: porque justamente a palavra “castrado”? Você teve algum trauma de infância envolvendo sua sexualidade? sexo violento, estupro, assédio, traição? (novamente, perguntas sinceras e não retóricas. obviamente que são intimas demais, não responda se nao quiser).
Observe, levei para um extremo. Este é um comentário propositalmente exagerado. Mas quero que você reflita. Quando o Rafinha Bastos falou, isso te atingiu de tal forma que você ficou com um verdadeiro ódio e até escreveu um texto absolutamente incompreeensível. É impossível para um leitor, que não acompanha o assunto tão avidamente quanto você, entender a sua lógica. Por que te afetou tanto? Busque a resposta no seu íntimo e saia desse ciclo vicioso que está o seu raciocínio. Porque ele está, de fato, sem nexo.
Pense nisto também: será que você não está gastando energia demais com esse assunto?
Cordialmente.
Uma mãe confusa com o texto!
[Reply]
Nossa, até eu que ainda não sou mãe entendi muito bem o texto!
Querida, a sexualidade ai está referindo-se á confusão, aos problemas que podem manifestar-se se a amamentação não for efetuada ou não for feita durante o tempo recomendado pelos médicos!
Mais uma coisa, a satisfação sexual deixa implicita essa ideia de poder cuidar de alguém, de sentir que ninguém mais pode fazer o que vc está fazendo por aquela criança naquele momento;
e querendo ou não… Seus seios são uma parte de seu corpo referentes à sua sexualidade, ou seja SUA IDENTIDADE COMO MULHER.
E isso é só uma matéria, achei muito interessante na verdade (para aqueles que tem a proeza de entender).
E fez muito bem ao criticar machistas que proibem uma mãe de amamentar um filho em meios públicos, quando este chora impllorando-lhe alimento!
Que mãe nega o choro de uma criança?
Como você diz ser uma suposta mãe, deveria compreender isso mais do que todos, não é mesmo?
Beijos!
[Reply]
Até que enfim, alguém teve coragem e serenidade de associar prazer com amamentação e seguir reivindicando a ambos. Somos humanos por inteiro. Não uma parte mães, pais, outra mulheres, homens. Já era pra termos (todos nós) entendido há muito tempo que justamente o sexo que nos dá muito prazer é o que nos perpetua enquanto espécie. Isso não é um acidente ou acaso na natureza, mas uma tendência elementar e indefectível da natureza. É, sim, hora de dar um basta na hipocrisia. Temos prazeres, sim, com nossos filhos e não necessariamente de forma direta. São regiões distintas da sexualidade, do afeto. Temos prazer quando sorriem. Quando se amoldam ao nosso corpo. Assim como ficamos alertas com seu choro. Precisamos debelar também o machismo e a indiferença. O que pode ser mais íntimo que a vida sendo gerada no próprio corpo, duas vidas em uma. Ponhamos de lado nossas mesquinharias e preconceitos. Deixemos as mães serem mães. Na plenitude do que isso significa.
[Reply]
Eu tenho dois filhos amamentei tambem e nunca me senti bem em amamentar meus filhos no meio de outras pessoas, principalmente se tinha homens, por que nos nao sabemos o que se passa na mente dos outros pra vc pode ser um ato de amor mais para os outros é se mostrar. É maravilhoso amamentar mais tem que se dar o respeito, nao é frente de qualquer pessoa que vc vai tirar o peito, se nao tem outro jeito coloca-se uma fralda em cima e nao mostra.É lindo amamentar e muito importante para a criança e nao um ato sexual, nao da para ter prazer com algo tao puro.
[Reply]