Nossos filhos devem aprender a viver com a negatividade
Eduardo, meu pequeno prestes a completar 4 anos, me flagrou, uma noite dessas, chorando, no chão da sala escura. Compadecido, assustado, sem entender o porquê, colocou as mãozinhas em meu rosto e disse:
- Porque você está chorando, mamãe?
Na hora, tive um reflexo de enxugar as lágrimas e dizer que não era nada. Mas, eu estaria mentindo a meu menino, não seria verdadeira com ele e, naquele momento, ele merecia que eu fosse sincera.
- Mamãe está chorando porque está triste, filho. Respondi.
E ele continuou:
- Mas, porque você está triste?
Eu não iria entrar em detalhes e contar, porque aí acho realmente que ele não entenderia, que ficaria confuso e tem coisas que uma criança de 4 anos não tem condições para digerir. Por isso, achei uma resposta que poderia justificar o meu choro.
- Mamãe está cansada, Dudu.
E ele, na maior naturalidade do mundo, levantando as duas mãos, me disse:
- Então vai dormir, ué!
Achei tão, mas tão fofo. Uma visão tão simplista, que resolveria fácil meu problema. Era apenas pegar o cobertor e ir dormir. Porque, então, insistir no errado?
Mas, o ponto que me deixou mais reflexiva mesmo é em como tentamos, muitas vezes, poupar nossos filhos dos problemas ou não sermos transparentes com eles. Qual é o problema de meu filho me ver chorando, seja lá qual for o motivo? Qual é o problema deles presenciarem alguma pequena discussão ou divergência entre os pais, vez ou outra? Qual é o problema deles perceberem que somos seres humanos, cheinhos de erros?
Eu já tive vários impulsos de poupar meus filhos dessas situações, mas depois dessa cena que descrevi passei a ver as coisas de forma diferente. O choro, a discussão, o problema, o sentimento de impotência, a raiva… tudo isso faz parte da vida da gente, sim. Esconder isso de meus filhos seria leviandade. Seria viver num mundo que não é o real.
É por isso que desde aquele dia eu decidi que eu mostraria a eles, com limites e cuidados, que os nossos sentimentos podem ser expressados, sim! Que a mamãe chora, que fica triste, que se emputece de vez em quando, que cansa, que tem vontade de fugir com o circo. Porque isso é a vida real. Dessa forma eu vou mostrando a eles que esses sentimentos não positivos fazem parte da vida de todo mundo e que negá-los é viver num mundo irreal.
Mostrando a eles que as sensações ruins existem, eu conseguirei – de forma mais fácil – ensiná-los a entenderem o que sentem e a resolverem as sensações de forma mais sensata. E não apenas negando o que sentem. Ou então fazendo de conta que não sentem. Que quando tiverem vontade de chorar poderão fazê-lo. Que quando se sentirem impotentes, não precisem se culpar nem sentir vergonha. Que tudo isso faz parte de todo mundo.
Que vendo as minhas fraquezas, já que sou para eles um espelho do mundo, eles entenderão que também têm as suas e que isso não é demérito nenhum. E sabendo, conscientemente disso, eles poderão ter os sentimentos nas mãos e terão mais habilidade para lidar com eles. Assim, sofrerão menos, tenho certeza!
*Imagem: We Heart It – Porque a gente não precisa ser a Mulher Maravilha sempre!











11 comentários para "Nossos filhos devem aprender a viver com a negatividade" | Adicione o seu »
Mostrar aos nossos filhos que não somos perfeitas é tirar dos ombros deles uma carga muito grande de expectativas que eles possam sofrer pensando que esperamos deles a perfeição. É preciso ter cuidado e sensisbilidade, mas acho que é o mais correto sim.
Beijos
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Adorei! Eu também fui surpreendida, não chorando, pois naqueles tempos eu ansiava ser a mãe mais que perfeita! Então, a pequena Marília, um dia, apenas perguntou: “Mãe, você nunca chora?”.
A pergunta soou como uma grande buzina de caminhão. Até aquele momento, eu pensava que tinha que ser, aos olhos de meus filhos, uma rocha. E uma rocha não chora! Só aí me dei conta de que estava enganada.
Depois disso, eles me viram chorar tantas vezes que o mais velho, Victor, comentou – Ah, eu tenho saudade do tempo em que você era mais velha do que nós!
:]
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Concordo e pratico!
Não quero criar em ninguém uma expectativa falsa do que não sou. E por que esconder os meus defeitos, mesmo que corriqueiros, de quem mais amo na vida? Mostro pra eles, que antes de ser mãe, sou humana!
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Oi Flor!!! Parabéns pelo texto. Algumas vezes ja me peguei chorando e a Cecília só ficou me olhando sem perguntar nada. Mas é mesmo bom que as crianças passem a entender que nem tudo são flores, dentro do possível para cada criança entender! bjus
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É verdade… a gente vive dizendo “foi nada não” pros filhos da gente, qndo poderia ser mais legal que eles soubessem de alguma coisa. Qndo Sofia me vê chorando e pergunta o q eu tenho, digo q to bem triste e q preciso de um abraço. Ela abraça e faz carinho. Não tem como não ficar melhor depois disso!
Concordo com o post e com os comentários da Tuka e da Cristina! Não dá pra gente deixar de lado essas questões… é obrigá-los a aprender na marra depois. Mas se já forem ‘apresentador’ devagarinho a essas questões, com cuidado e sensibilidade, é melhor para o amadurecimento deles.
Bjs
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A arte de ser mãe, é isso mesmo. Nascemos mulheres, nos tornamos mães e ai vem a Arte de Ser Mãe. Precisamos todos os dias buscar sabedoria para ensinar aos nossos filhos o que é o mundo e o que a vida espera de nós. Muito bom esse exemplo que você acabou de me dar, fiquei mais tranquila, estou até me sentindo mais leve em saber que existe outras mães nesse mundo que se cansam, que se sentam no chão da sala no escuro e desabam em lágrimas,é bom saber que não sou a única!Obrigada!
Lindo post.
Vanessa
http://vanessinhafigueiredo.com
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Louvável, Glau! Parabéns! E espero que o motivo do choro já esteja amenizado, nada como uma boa noite de travesseiro (ainda mais com o aval do filhote) para tudo ficar melhor!
Beijos,
NIne
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Lindo post. Acredito em você e é assim que levo minha vida com as crianças. Como sempre, você mandou muitoooo bem!!!!
Bjos.
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Tô chorando…
Ai Glau ele viveram dentro da gente, eles sabem qdo estamos tristes ou feliz, com raiva ou magoado, eles sabem, não sei como mas sabem.
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Glau, adorei sua visita ao 2-ao-quadrado!! E adorei mais ainda poder conhecer o Coisa de Mãe! Que lindo blog, tão bem cuidado e escrito. Vc tá super de parabéns pelo zelo aos detalhes e pelas ideias maravilhosamente compartilhadas.
Sobre o tema deste post… super me identifico e passei por situação semelhante hoje. Minha filha (Júlia – 6 anos) presenciou minha frustração e apesar da culpa por não estar dando conta de guardar só para mim… me vi certa de que ela precisa saber que mãe é mesmo bicho gente. Depois me desculpei por ter ficado impaciente, mas explicando que eu erro também. Só tive medo dela me mandar já para o castigo!rsrs
Beijooos
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exato. porque afinal, o mundo não é cor de rosa. nada de bolha para os nossos filhotes! falei sobre isso: http://maedevenus.blogspot.com/2011/02/bolhas-sim-mas-so-de-sabao.html
um beijo
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