Como passar tranquilamente pela catapora - Coisa de Mãe
31 jan 2011

Como passar tranquilamente pela catapora

Post por Glauciana às 14:13 em Saúde


Eu tenho uma marca na minha testa. Uma marquinha profunda, que quem bate o olho em mim sabe: é de catapora. Me lembro de quando peguei a doença, por volta dos seis anos. Consigo lembrar da dor na planta dos pés, não podendo ficar em pé. Sinto ainda as dores no bumbum, quando sentava. Era verão, e minha cabeça coçava, saindo sangue nas unhas, quando passava por cima das muitas bolinhas na cabeça. Era dezembro e eu tenho uma foto da formatura do pré com o rostinho todo cheio das bolinhas.

A catapora é uma doença da infância. Doutor Dráuzio Varella, em seu site, define como:

Catapora (ou varicela) é uma doença infecciosa causada pelo vírus Varicela-Zoster.  Altamente contagiosa, mas geralmente benigna, era uma das enfermidades mais comuns da infância antes do advento da vacina.

Os primeiros sintomas são febre entre 37,5° e 39,5°, mal-estar, inapetência, dor de cabeça, cansaço. Entre 24 e 48 horas mais tarde, surgem lesões de pele caracterizadas por manchas avermelhadas, que dão lugar a pequenas bolhas ou vesículas cheias de líquido, sobre as quais, posteriormente, se formarão crostas que provocam muita coceira.

Em Eduardo nós demos a vacina, que só pode ser aplicada após o 12º mês de vida. Ele tinha 1 ano e 2 meses e, como eu voltaria a trabalhar, optamos por vacinar para ele não correr o risco de pegar na escolinha, já que teria contato, pela primeira vez, com muitas crianças. Infelizmente, a vacina para catapora não faz parte do calendário básico vacinal brasileiro, mas existe nas clínicas privadas e o valor médio, em São Paulo, é de R$ 120,00.

Com Luca não deu tempo. Antes de 1 ano ele pegou catapora e levei um susto quando comecei a ver as bolinhas vermelhas pelo corpo, porque me lembrei do quão difícil foi a minha doença. Em uma noite, o percebi quentinho no berço, medi a temperatura e estava em estado febril (37,7º). Incomodado, acordou de hora em hora naquela noite. No dia seguinte se opos a comer, só queria mamar. E esse é um sintoma que muito me angustia, porque ele é daqueles bom de garfo, que comem tudo, sem rejeitar nada. Na manhã seguinte já comecei a ver as pintinhas no corpo e liguei para o pediatra. Relatando os sintomas – do estado febril, de não conseguir dormir, de perder o apetite e de ter bolinhas vermelhas com vesícula (parecido com uma bolhinha d’água) o médico já disse que era catapora.

Eu, que tinha muito medo, me surpreendi com a tranquilidade da catapora nele. Depois, pesquisando, vi que quanto mais cedo se pega a doeça, menos ela se manifesta. E também que, como as crianças estão mais sendo vacinadas, se comparadas à minha época, na década de 80, o vírus está mais atenuado.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), agosto e setembro são os meses de maior incidência da doença, justamente quando Luca foi contaminado. E o contágio é muito grande, porque a trasmissão ocorre antes dos pontos vermelhos aparecem.

Luca teve poucas bolinhas pelo corpo, mais concentradas nas áreas quentes, de mais suor, como pescoço, dobrinhas da perna e área da fralda, que não pega muita ventilação. A febre só aparece na primeira noite e dois dias depois o apetite voltou ao normal. Só as manchinhas que ainda não saíram completamente, mesmo hoje, dois meses depois da aparição delas, há ainda a marca de algumas, por conta de sua pele muito branca.

No site da SBI, o especialista em infectologia Marcos Cyrillo, diz que normalmente o corpo se recupera sozinho da catapora e que o tratamento é apenas para aliviar os sintomas, principalmente a febre. As formas severas da doença não são descartadas, sobretudo em pacientes com baixa imunidade. Ele alerta que para a catapora, como para qualquer outra enfermidade provocada por vírus, não se deve usar aspirina ou outros medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS), pois podem provocar insuficiência hepática e agravar o quadro da doença.

Em casa deu certo um tratamento dos tempos de vovó: banho com permanganato de potássio (aquele comprimidinho que deixa a água roxa), muito talco mentolado após todos os banhos, a ponto de deixar o corpinho todo branco, alivium para amenizar os sintomas de dor e uma possível febre e oferecer a ele os alimentos preferidos, no caso, dei muito o peito, porque o leite materno é o que, disparado, Luca mais gosta.

E assim foi nosso ciclo de catapora. Bem mais tranquilo do que eu imaginava e, o melhor, com a certeza de que nunca mais pegará, já que uma vez adquirido o vírus está imune por toda a vida.

Imagem: Blog da Enfermagem

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55 comentários para "Como passar tranquilamente pela catapora" | Adicione o seu »

  1. jul 26, 2015 @ 08:39 {Responder}

    Mito. A vacina contra a varicela ou catapora, é importamtantissa. A minha filha (de 4 anos hj em 2015), tomou a primeira dose, paga com 1 ano, a segunda dose com 4, e em julho..nas ferias… Veio a catapora. Super fraca, sem febre. Porém um pouco de cocheira. Apenas 1 semana de duração. Nem criou casquinha! Logo sumiu! Totalizado 8 bolinhas. Não teve alteração,nela. Comia..brincava…pulava..

  2. Bárbara
    ago 30, 2015 @ 04:17 {Responder}

    Olá, meu bebê acabou de fazer 11 meses e pegou catapora. Pegou dos primos que tiveram pela segunda vez e dizem que só da uma! A única coisa que alivia é o banho com permaganato ! Tive que dar de madrugada até! E meu esposo com 22 anos nunca tinha tido e acabou pegando. Também está sofrendo muito!

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