01 out 2010

Eu não tenho filhos perfeitos

Post por Glauciana às 18:35 em Devaneios de Mãe, Educação

Eu estou passando por um desafio com meus filhos. Quero dizer, desafios mais pontuais, porque só o fato de ter filhos e se propor a educá-los e formá-los já é um belo desafio.

Estou em uma semana difícil e tenho a coragem e a humildade de escancarar isso aqui, para que outras mães vejam e algumas até me julguem, claro, porque é o preço que se paga por essa exposição de sentimentos.

Eu, como jornalista, mãe, blogueira, leio muitos e muitos conteúdos sobre maternidade na Internet e quase sempre me deparo com textos, muitos maravilhosos, é claro, da beleza, da perfeição, do sonho, do encanto da maternidade. E, confesso, isso me angustia tanto.

Poxa vida, pensem comigo: se em todos os blogs que eu leio o relato é de tranquilidade, de emoção, sonho, encanto, brincadeiras e na minha casa passo por dificuldades bem reais com meus meninos, que bosta de mãe eu sou, então? Será que as pessoas não passam pelos mesmos problemas que eu ou só escrevem sobre as coisas boas?

Por aque aqui em casa há tudo isso aí de bom, sim. Mas, há também problemas bem reais. Na verdade, nem sei se são problemas ou coisas naturais que acontecem com todo ser humano, sobretudo com toda criança, apredendo a ser gente nesse mundo.

Dia após dia estou tendo que ter a coragem de olhar profundo nos pontos que não são positivos nos meus filhos. O fato é: eu tenho dois meninos que têm seus pontos a melhorar… e muitos!

Eduardo é extremamente espoleta, mexe em tudo, não para quieto um minuto, é manhoso, está começando a fazer birra, choraminga quando contrariado, não come bem.

Luca é um bebê que só quer colo, precisa da presença constante de alguém, mamãe não pode ir fazer xixi que ele desanda a chorar como se estivesse apanhando, e não dorme, acorda 8 vezes a noite toda.

#prontofalei

É fato! Eles são assim. Eu, que optei por trabalhar de casa para acompanhar mais de perto o crescimento deles tenho, como obrigação, encarar de frente os problemas deles. Doa o tanto que doer, é minha obrigação como mãe, encarar que eles têm problemas e tentar ajudá-los. Seria negligência de minha parte se eu fechasse os olhos pras coisas que não são tão positivas neles. Eu não quero pecar pela omissão, só porque me doi aceitar que eles têm pontos a melhorar.

E sabe o que é pior? Aceitar e entender que seus filhos, esses seres tão amados, desejados, cuidados, não são aquele modelo da propaganda de margarina. É ter a coragem de olhar profundo e enxergar que eles precisam de ajuda em tantos pontos. Que esses seres, que você quase ama mais que a si própria, têm pontos que não são tão bonitos, tão perfeitos. Doi, doi sim.

Que eu tenha sempre a coragem e a força necessária de olhar para esses pontos e ser um guia, ajudando-os a seguir em frente, que eu tenha a segurança de driblar os olhares cheio de julgamento das mães do parquinho quando Eduardo bater em algum amigo, que eu tenha paciência para acalmar Luca no berço, acordando pela oitava vez em uma noite.

*Imagem: We Love It

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12 comentários para "Eu não tenho filhos perfeitos" | Adicione o seu »

  1. out 01, 2010 @ 18:43 {Responder}

    Amiga, filhos perfeitos só com pais perfeitos e não existe. Só em novela!
    Tbem enfrento “problemas” em casa com minha baixinha e me angustio… Relax e seja feliz com todo o pacote de problemas junto. beijo

    [Reply]

  2. out 01, 2010 @ 19:57 {Responder}

    Pára e pensa bem… Temos sim filhoes de propaganda de margarina… Quanto tempo dura o sossego na sua casa? E na propaganda? hehehehehe Seus filhos são normais! Meu Gui está ainda na fase de chorar se não estiver no meu colo. Mas passa… (espero…) dizem até que depois a gente pede outros (você tem dois, certo?)… Beijocas

    [Reply]

  3. out 01, 2010 @ 20:00 {Responder}

    Hi Glau…são fases….tem fases em que são mais tranquilos de lidar…perfeitos…e tem fases que da vontade de sumir, abandonar o circo pegando fogo em casa e desaparecer…..o bom é que as fases passam….Luan não dormia, hoje é uma beleza….teve fase que era só choro e manha….agora está tranquilo…mas já já é o Gabriel que chega nessa fase da manha, eu até brincava que meu filho passou pelo terrible three ao invés do terrible two….rs
    vai passar querida vc vai ver…
    bjs

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  4. out 01, 2010 @ 20:30 {Responder}

    Amore, eu também não tenho filhos perfeitos… a manha, a teimosia, a bagunça, o ciúme, os testes de limite fazem parte da nossa rotina por aqui. Ainda bem. A vida seria tãaãããooo chata sem esses lindos imperfeitos.
    Já pensou? Eles engomadinhos, obedientes como mordomos, assustadoramente monótonos e chatos de tão educados. Pra que nós serviríamos? Mãe tem que ter função… (que péssimo, às vezes eu queria ser somente “orientadora”, hahaha)
    Desculpem-mes as colegas q deixaram os recados anteriores, mas odeio esse papo de “é fase, vai passar”. A gente sabe que é e sabe que vai passar. Isso não ajuda quando estamos angustiadas. O mais difícil é aceitarmos que cada hora haverá um problema, uma dificuldade, uma fase. A vida é assim, às vezes dura demais com nossos ideais.
    Essa semana mesmo cheguei à conclusão de que fácil é educar 30, 40 crianças (dos outros) – eu consigo falar sem gritar, transmitir os valores humanos, fazê-los ficar em silêncio e me respeitarem. Difícil é eu conseguir ser desse jeito aqui em casa. Quê? Não gritar na décima vez que falo algo? Hã? Ter que ser exemplo (24 horas) de valores humanos para meus filhos?! Ai, ai, a sala de aula tava mais fácil… hehehehe
    Beijão

    [Reply]

  5. out 02, 2010 @ 01:05 {Responder}

    Oi, Glauciana,
    seu post me sensibilizou, porque sei o quanto esses “padrões” de perfeição da maternidade podem nos intimidar, nos fazer questionar o tempo inteiro se nossas escolhas e decisões estão corretas. Tanto que me propus a identificá-los no meu blog, intitulado Mãe Perfeita (http://maeperfeita.wordpress.com/). Ainda tenho uma longa caminhada nesse sentido, mas já com muita coisa anotada só esperando ser postada. Paralelamente, me dedico ao exercício diário de “desencucamento”.
    Um beijo,
    Marusia

    [Reply]

  6. out 02, 2010 @ 06:19 {Responder}

    Puxa, você pareceu estar descrevendo os meus dois filhos, eles são exatamente assim! O mais velho mexe em tudo, tira tudo das gavetas para fora, espalha os brinquedos pela casa toda, grita alto; o mais novo só quer colo e só pára de chorar quando percebe que irá comer… Não acho que o problema seja com você, todas as crianças passam por fases e é suportá-las que faz de nós uma boa mãe. Filhos perfeitos não existem e, sim, as pessoas escrevem apenas coisas boas sobre os filhos porque ninguém gosta de gente carente, reclamona, nem que seja em um blog… Assim, passamos a idéia de que a nossa vida é perfeita, com cada coisa no seu lugar, para termos mais “seguidores”… Não concordo com isso e já escrevi dois posts sobre os amigos anônimos da web, aqueles que você tem por ter, sem que realmente apreciem você ou o que escreve. Você tem o direito e DEVE escrever sobre as suas dificuldades, se alguém não gostar que mude de leitura! Acredito que irá se surpreender com o número de respostas e o quanto as pessoas tem problemas parecidos com os seus.
    Voltando aos meninos, eu deixo o mais novo chorar às vezes, pois não consigo ficar com ele só no colo, e compro muitos brinquedos para que ele se distraia um pouco, e o mais velho fica de castigo se a arte foi muito pesada: uso a fórmula do 1 minuto para cada ano de vida, agora ele tem 2 anos, então fica 2 minutos de castigo fechado no quarto ( e eu finjo que não escuto a choradeira…)

    Um abraço,
    Adri

    [Reply]

  7. Helen
    out 02, 2010 @ 15:24 {Responder}

    Oi Glau,

    Compartilho da sua dor! Sabe que sou até um pouco neurótica com essa questão de educação. Mas só quando temos NOSSOS filhos é que a gente entende o que é EDUCAR. Eu li VÁRIOS livros quando engravidei e quando meu pequeno era ainda bebê, me ajudaram muito sim, mas cada dia mais eu percebo que esses “problemas” do dia-a-dia são questões muito pessoais. Não existe muita fórmula e regra, tem coisas que eu aceito na minha casa que você certamente não aceitaria na sua. Assim como tem questões que eu aceito no meu filho que você pode não aceitar nos seus. Então eu tenho minha definição própria da educação de um filho, compreendê-lo (e encarar seus defeitos como você fez aqui é o passo mais difícil, né?!), ajuda-lo a lidar com suas dificuldades e ensina-lo a viver em sociedade. E pra tudo na vida eu uso a mesma filosofia: quando as coisas se complicam, escolha suas batalhas, ou seja, uma coisa de cada vez. Me lembro quando o Luiz Henrique tinha 1 ano e meio e começou a me dar trabalho para comer (ele simplesmente PAROU de comer, eu quase enlouqueci), como se não bastasse isso ele passou a acordar VÁRIAS vezes a noite e na mesma época vieram as reclamações da escolinha que ele batia nos amiguinhos. PIREI, né?! Passar nervoso todos os dias para fazê-lo comer, passar vergonha todos os dias ao busca-lo na escolinha e ainda não conseguir domir direito. Ai sentei com o maridão (não basta ser pai, tem que participar hehe) e traçamos “um plano” pra resolver uma coisa de cada vez. Demorou e os problemas não sumiram, mas melhorou muito! Acho que bebês de propaganda são só pra propagandas mesmo. Os nossos bebês REAIS são uma caixinha de defeitos e de qualidades, que chegam pra encher nossas vidas de alegria, mas também pra apontar nossas inseguranças e nossos defeitos. E vamo combina que isso a gente tem de sobra, né?! Mas acho que o que nos dá forças é a imensa vontade de vê-los felizes.
    Beijos

    [Reply]

  8. out 04, 2010 @ 13:30 {Responder}

    Oi querida, fiquei tão emocionada com seu texto justamente pq estou passando, como vc bem disse, um momento pontual!!!
    Sabe o que te faz não ‘uma mãe de bosta’, e sim uma excelente mãe?! Isso: o fato de vc admitir que filhos, todos eles, têm pontos a melhorar!!! As mães que não conseguem ver isso não são capazes de ajudar seus filhos a crescerem de forma saudável, afinal de contas educar é aparar arestas!!!
    Nos blogs, realmente, só colocamos…ou na maioria das vzs só colocamos…o lado bom dos filhos. O lado ruim a gente guarda só para a gente, algumas vzs pq não queremos nos expor como mães, mesmo, outras pq não podemos expor nossos filhos.
    Estou vivendo uma situação ímpar e confesso que gostaria muito de ir lá, escreve, escrever, desabafar, mas como fazer isso sem expor minha filha adolescente que está vivendo um momento delicado sem invadir a privacidade dela, uma vez que suas amigas e alguns parentes visitam o blog tbm?!
    E desta forma só colocamos o lado bom dos filhos, da família, entretanto todas nós temos nossos casos pontuais!!!
    Seus filhos são bem pequenos e logo essa fase de choros e de não dormir à noite passam!

    bjs e parabéns!!!

    Cláudia

    [Reply]

  9. FHC
    out 05, 2010 @ 11:52 {Responder}

    muito real esse texto! já as propagandas de margarina, acho que deveriam ser proibidas, são um pouco enganosas… bem, talvez não, o fato é que elas apresentam apenas um lado da moeda, que precisa do outro lado para se equilibrar e existir

    [Reply]

  10. out 07, 2010 @ 17:12 {Responder}

    Oi querida! Cheguei super atrasada aqui…na verdade já tinha lido antes o post, mas estava apressada e não comentei nada. Agora voltei com calma, li novamente e cá estou!

    O problema que eu vejo é que a sociedade nos julga muito. Eu passei por isso na gravidez. Eu passei muito mal no início da gravidez, não conseguia fazer nada, nem trabalhar, pois vomitava o dia inteiro. Não conseguia comer, enfim…não estava sendo como eu imaginava a minha gravidez ideal. E reclamava, claro. Teve quem achou que eu estava rejeitando a gravidez e tals. Aí batem as psicólogas de plantão, maior chatice.

    Depois que ela nasceu, mesma coisa. Se eu dissesse que era duro amamentar, que estava só o pó de tanto acordar no meio da noite, as palpitadeiras já tinham mil e uma teorias, um saco. E já acham que vc não gosta de ser mãe e tal. Fora que assutsa quem ainda não teve, porque as pessoas não registram quando vc fala das maravilhas da maternidade e acham que tudo é um padecimento. E não é, mas cansa, certo?

    Já sobre o blog, eu posso falar sobre o que eu escrevo para minha filha. Como a idéia é falar com ela, eu tento contar as coisas de maneira mais suave, para que ela possa ler no futuro, entender o que acontecia e não se magoar com o que eu escrevo. Porque as crianças (e nós mesmos) somos muito sensíveis sobre a opinião que nossos pais tem da gente. Então eu cuido com as palavras que eu uso para descrever uma traquinagem, uma rebeldia, um cansaço, algo que foi chato.

    Mas isso não quer dizer que eu não me sinta irritada de ter que levantar 5x numa noite e de tão cansada levar uma bebê que não para nem dormindo para minha cama…ou que quando ela suja o que eu acabei de limpar não me deixe chateada, ou quando ela me bate, me puxa os cabelos, me morde, mesmo sabendo que ela não faz (ainda) por mal, não me dê uma gana inconfessável de puxar os fiozinhos dela tb para ela ver o que é bom…enfim…a relação é mega íntima e como tal tem suas nuances.

    Penso que a maioria das mães blogueiras tb faz isso, escreve com mais leveza sobre os filhos, porque sabem que eles lerão no futuro. Mas todas temos muitos momentos difíceis! Vc não está sozinha!

    Beijos!
    Nine

    [Reply]

  11. Danielle Bergami
    out 10, 2010 @ 14:28 {Responder}

    Temos filhos e os amamos, nao tenho nenhuma duvida disso , mais as vezes a gente se canca de tentar ser perfeita.Tenho dois meninos um de 13 anos e outro de 2 anos, sao dois extremos totalmene diferentes, mundos totalnente opostos, hoje a confusao e total, e o mais incrivel e que quando a coisa nao sai direito, adivinhem ??Todos me culpam, Pai , avos,amigos, parece que nao temos o direito e errar…isso e tao injusto!!Ser mae …ser tudo na vida deles…somos o chao, somos a direcao e nao podemos errar, e so isso!

    [Reply]

  12. HEMILIC
    out 29, 2010 @ 12:08 {Responder}

    Ola … e derrepente não mais que derrepente…voce se liga finalmente que não está só…e nossa quanto amor voce sente,quanto amor voce tem…é muito importante como essas pessoas pequeninas vieram parar aqui com agente…Muito mais importante é como essas pessoas pequeninas que amamos tanto vão crescer…aprender…um dia vao ser grandes como nos…e olha só somos nós as principais e muito importantes responsáveis nesse longo caminho cheio,muito cheio de surpresas e como pensamos no futuro…nos dando flagrantes do passado,de um dia ter sido criança e pensando como criança…olhando o mundo,a vida e a televisao como uma criança…hoje levo dois pelas mãos …a gente ri muito…eu sempre estou cansada…e há muito minhas vertebras nao funcionam mais…mas a minha bike continua andando saímos os tres pelas ruas de areia do nosso bairro…eu ja pensei várias vezes em fugir mesmo…de aviao…trem…imagina …no fim da fuga eu sempre estava com os dois junto comigo…loucuras de uma mami com trinta anos e dois filhotes heheheheh. eu acredito que ter um filho nossa nos deixa realmente muito esquisita as vezes porque tem toda uma “pira” mesmo de educar com amor e disciplina e tambem saber os limites das coisas e o respeito sem bater e essas coisas…tudo isso tem que ser acompanhado de sabedoria e paciencia…divindo o mesmo espaço,com essa diferença de idade e opinioes e tambem pensamentos e açoes…” Só as mães são felizes” e só passamos por essas dificuldades que nos esgotam …nos derrubam na lona varias as vezes ao dia…porque a gente ama muito nossos filhos sem saber ao certo se o que sonhamos para eles vai se tornar real se eles realmente vao seguir o caminho que a gente vai ajudar a trilhar …esse amor todo …que nunca mais vai te deixar dormir…e eu não sei mesmo o que eu fazia tanto antes de ter filhos,as vezes tenho a impressao de que nem lembro de como eu era…não sei viver sem meus pimpolhos e sinto muita dor nas costas heheheh super beijo

    [Reply]

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