26 out 2010

Adolescência: uma fase nova com experiências intensas

Post por Glauciana às 19:41 em Mãe é tudo igual

Por: Cláudia Gimenes

Por sugestão da Isabel, que comentou no meu primeiro post aqui no blog da Glau, comecei a escrever sobre ‘escolhas’, entretanto estou vivendo um momento ímpar da minha vida e acabou que não consegui concluir a contento meus pensamentos.

Tenho uma filha que está com quase 14 anos. É uma menina doce, meiga, séria, que não gosta de roupas chamativas ou decotadas, não gosta de ficar em evidência em circunstância alguma. É estudiosa!!! Não me dá trabalho com os estudos. Ajuda em casa, sabe cozinhar tão bem que suas comidas e bolos fazem grande sucesso. Tem uma personalidade provocativa, mas vem melhorando muito nos últimos tempos.

Já vivemos uma fase bem conturbada, de muitas contestações, provocações, falta de respeito… ou seria de indisciplina?!

Estava vivendo a metamorfose da passagem da infância para a adolescência, mas de um tempo para cá creio que ela esteja, definitivamente, firmando os pés na adolescência e preparando-se para a fase adulta.

Calma!!! Não estou dizendo que ela está se tornando uma adulta, mas está indo a passos largos nesta direção, já que seus interesses vêm mudando muito rapidamente. Até há pouco mais de um mês ela estava voltada para as bandas de rock, para idolatrar artistas. Tinha pôsteres no guarda-roupa, escritos em seus cadernos com os nomes das bandas e do ator preferido. Tem a coleção de todos os filmes que o tal ator participou.

Esse parecia todo o seu mundo adolescente, como acontece com toda garota de 13 anos. Algo aconteceu e tanto as bandas quanto o ator, Josh Hutcherson, deixaram de ser tão importantes. O motivo? Ela se apaixonou!!!

E depois disso as bandas, o tal ator e tudo que tem relação com este mundo deixaram de ter importância… ou tanta importância. Não que ela tenha deixado de gostar, mas alguém ‘de verdade’ ocupou o espaço mais importante do seu coração e estas coisas foram empurradas para um cantinho, dentro do coração mesmo, mas um cantinho bem pequeno, tão pequeno que eles não couberam mais sequer nas comunidades do orkut.

A paixão? Um garoto que não é o ideal das meninas do colégio, que ninguém acha bonito (embora eu discorde e tenha achado que ele é um fofo), que nenhuma menina que ela conhece quer nem para ‘ficar’, quanto menos para namorar e ela ficou perdidamente apaixonada.

As meninas não entendem como ela foi se apaixonar pelo garoto, dizem que ela é muito bonita para ele, mas ela já gostava dele desde os 10 anos. Ficou sem vê-lo por 8 meses e o reencontrou este ano no colégio. Quando o reencontrou, aquela chaminha que acendeu lááá nos 10 anos reacendeu.

Eles se paqueraram de longe por um tempo, ela pediu ajuda para se aproximar dele, ele aceitou. Tudo parecia perfeito, mas a coisa não passou disso. Ou melhor: passou sim!!! Eles passaram a ter uma rotina de ‘gato e rato’. Quando ele criava coragem de se aproximar, ela fugia. Quando ela criava coragem de se aproximar, ele fugia.

Ele a adicionou no orkut, depois a excluiu, depois disse não ter sido ele e a readicinou, depois o orkut dela deu problema, bloqueou alguns amigos, dentre eles o fofo. Ela os excluiu, readicinou e apenas ele não a aceitou de volta.

E nesta estamos vivendo ‘dias de verão e noites de inverno’, como diria o Capital Inicial. Ela vem alternando dias tranquilos, serenos com momentos de angústias, choros, inapetência, insônia.

E aí eu me pergunto se todas as mães passam por isso? Não me lembro de ter vivido uma experiência assim com o apoio da minha mãe, nem me recordo de ninguém próximo que viveu.

Ela contou para mim desde o início, quando decidiu que queria aproximar-se dele e eu vivencio desde então toda esta fase, com toda a sua intensidade. Houve dias que chorei com ela de desespero por vê-la sofrendo tanto. Outros dias chorei sozinha no banheiro porque tentei dar um basta no drama. Em algumas noites fiquei sem dormir ouvindo-a chorar dormindo, se debatendo na cama! Algumas vezes defendi o fofo, outras tantas fiquei com tanta raiva de não ter um contato dele para falar umas boas verdades.

Hoje acho que estou decepcionada, porque achei que ele era um bom garoto, que a dificuldade em se aproximar fosse porque ele era tímido, mas agora acho que ele está brincando com os sentimentos dela. O fato de ela gostar dele deu um ‘status’ que ele não tinha, ficou conhecido e falado no colégio todo, os professores estão entrando na onda e fazendo gracinhas e imagino que o ego dele foi às alturas, mas espero ainda estar enganada à respeito disso, pois embora surjam dúvidas em meu ser, minha essência é a de crer que todas as pessoas são boas e que para tudo tem uma boa explicação Não quero crer…ou julgar…ainda que ele esteja brincando com ela.

Como está sendo intensa esta fase!!! E eu sofro! Sofro por não poder ajudá-la, por não poder fazer nada além de dar um abraço e dizer: ‘está tudo bem, isso vai passar, eu estou aqui com você’. O estresse é grande. Eu nunca sei como vou encontrá-la à porta do colégio. Tem dias que saio daqui achando que vou encontrá-la feliz, de mãos dadas com ele, ambos sorridentes e isso aquece meu coração. Outros dias saio com o coração aos pulos achando que vou encontrá-la com o rosto inchado de chorar, como a encontrei na semana que isso começou.

Pelo que me lembro, mães de adolescentes sempre menosprezavam esta fase, não aceitavam confissões e nem sabiam que suas filhas sofriam, ainda que de uma semana para a outra, de paixão. Para a maioria, a hipótese de um namoro nesta idade era inimaginável. Será que isso é uma forma de preservação dos pais em relação ao sofrimento? Não tenho referência de mães que viveram as experiências de suas filhas de forma tão intensa como estou vivendo. Será que não viveram ou que o assunto fica guardado em segredo, a sete chaves?

Quando os filhos sofrem, nós sofremos também e quando não podemos fazer nada diante do sofrimento deles, sofremos ainda mais. Sentir-se impotente é terrível!

Minha filha confiou em mim. Fez de mim sua amiga e confidente, quis ouvir minhas opiniões e isso me gratifica. Eu consegui estabelecer um vínculo de confiança com ela a tal ponto de ela colocar em minhas mãos o sofrimento do seu primeiro amor. Posso considerar isso uma honra e um desespero. Eu queria ter superpoderes, sabe? Queria poder fazer com que ela nunca sofresse! Queria poder fazer com que ele a visse com os mesmos olhos que ela o vê. Gostaria de ter o poder de mantê-la no mundo de fantasias que ela viveu quando tinha 5 anos.

Infelizmente Deus não deu superpoderes às mães e o que eu posso oferecer neste momento não supre, não cobre, não é capaz de impedir que ela sofra. Gostaria que seu primeiro amor tivesse sido, mesmo, um conto de fadas. Minha menina está sofrendo de amor e eu nunca havia visto uma menina de 13 anos amar com tanta intensidade, nem ficar tão dolorida e machucada. Meninas desta idade amam de uma semana para a outra… amores efêmeros… se decepcionam, choram um ou dois dias e na semana seguinte estão amando outro garoto. Com ela não aconteceu isso! Ela sempre foi diferente das outras crianças e hoje vejo que é diferente das outras adolescentes também.

E eu estou com o coração partido por não poder fazer mais nada além de apoiar, abraçar e mostrar que estou aqui. Não sei dizer o que ainda vai acontecer, nem o quanto ela vai sofrer até isso ir adiante ou ela se decepcionar e desistir, mas sei dizer o que já aconteceu: ela se aproximou de mim de um modo que não desgruda mais. Tem dias que a chamo de ‘minha sombra’.

Desde que isso tudo começou ela não gritou mais comigo, não fez mais grosserias, não contestou minhas opiniões. Está menos provocativa com os irmãos, está mais paciente com a irmã pequena, que ela vivia chamando de chata. Pode ser até que eles nem venham a namorar, mas uma coisa é certa: nem ela, nem eu seremos mais as mesmas depois desta experiência. Nem o nosso relacionamento será como antes!!!

Claudia Gimenes, 41 anos, casada, mãe (24 horas por opção) de 3 filhos, e à espera de mais uma. Minhas atribuições diárias são:  mãetorista, mãesicóloga, mãefessora, mãerientadora, mãeselheira, mãeducadora, mãezinheira, mãe, mãe, mãe… Também é mãe do blog Adoção Amor Verdadeiro

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6 comentários para "Adolescência: uma fase nova com experiências intensas" | Adicione o seu »

  1. out 27, 2010 @ 09:45 {Responder}

    Glau amada, obrigada pelo espaço!
    Agora as coisas desenrolaram…os interesses dele estão em outra direção. O foco são os Dragon Ball, os animés e realmente não quer nada com garotas!
    Cada um vivendo sua fase…
    Grande beijo,

    Cláudia

    [Reply]

  2. out 27, 2010 @ 16:25 {Responder}

    Adorei demais esse texto. Minha filha tem 12 anos e ainda está na fase das bonecas, fazendo transição para o computador. Ainda não tem ídolos nem bandas de rock em seu coração, muito menos meninos. Mas sei que nessa fase tudo acontece com muita velocidade. Espero estar cultivando espaço no coração da minha filha para ter com ela esse espaço de amizade e cumplicidade no futuro – próximo.
    Beijos

    [Reply]

  3. out 28, 2010 @ 04:30 {Responder}

    Tocou-me muito quando ela comentou que gostaria de manter a filha no mundo fantasioso dos 5 anos… Seria maravilhoso se pudéssemos passar todo o tempo com os nossos filhos, sem sermos “perturbados” pelos serviços rotineiros…
    Achei o posto maravilhoso e admirável a atitude dela de apoiar e não criticar, o que poderia ser feito, pois o menino não é o “ideal”. É justamente isso que devemos todas fazer, ser amiga de nossos filhos e conqusitar a sua confiança;somente assim ele se sentirão à vontade para desbafar e isso acabará tendo o resultado que queremos, que sejam mais felizes!

    [Reply]

  4. Gi
    nov 01, 2010 @ 20:50 {Responder}

    Seu relato emociona.. é a vida acontecendo..

    Com certeza, cada experiência nos torna diferentes.. e, no seu caso, o laço entre vc e ela se tornam cada vez mais intensos, através da cumplicidade, da amizade e do amor entre mãe e filha…

    Sou muito feliz por conhece-las.. mesmo virtualmente…

    Beijo enorme!

    [Reply]

  5. nov 03, 2010 @ 11:30 {Responder}

    Oi Clau.

    Acho muito bacana essa cumpricidade entre você e a sua filha, minha mãe e meu pai sempre foram um tanto fechado neste ponto e a “casa caiu” quando ele viu pírula anticoncepcional na minha bolsa….rs….Apenas hoje, casada, que tenho o papo um pouco aberto com minha mãe, mas é sempre “eu pra ela” não “ela pra mim”. Acho que ela fica meio assim de perguntar, se interessar e eu tbm nem forço a barra, nem fico contando as minhas coisas e tal…..o mesmo acontece com minhas irmãs.

    Essa fase da adolescência é o máximo, a gente não tem nada para se preocupar, mas acha que tem tudo. Depois que entramos na fase adulta é que percebemos isso. Pelo menos foi assim comigo, rsrs.

    Hoje sinto falta de estar em casa, sem fazer nada, vendo tv e comendo bolacha….ah, velhos tempos.

    Beijos e adorei conhecer este outro blog =)

    [Reply]

  6. nov 27, 2010 @ 23:55 {Responder}

    Adorei o visual do seu blog e os artigos, nossa!! Fabulosos.

    Parabéns!

    [Reply]

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