24 ago 2010

Sobre escolhas e escolhas

Post por Glauciana às 02:57 em Devaneios de Mãe


Quando digo que optei por ficar em casa com meus filhos, em quase 100% das vezes escuto a mesma ladainha de outras mães: “Ah, eu PRECISO trabalhar“. Ou a variação “Eu não tenho como ficar em casa, tenho que trabalhar”. Na maioria das vezes, quando ouço isso nem tenho vontade de argumentar, levar o papo adiante. Apenas balanço a cabeça, faço aquela carinha meia boca e zé fini, fim de papo.

Na verdade, eu lamento internamente quando ouço isso. E sabe porquê? Por que isso é desculpa, é muleta, é subterfúgio. Antes que as mães que trabalham parem de ler imediatamente o meu texto, deixe-me explicar. Eu acredito nas escolhas. Esse é um tema que não sai de minha cabeça, desde que a Tata, uma das Mamíferas, abordou o tema e ele foi amplamente discutido.

Escolha. Palavrinha tão simples, mas que determina todos os nossos passos, rumos. Eu escolhi viver a maternidade ativa e a arcar com todas as renúncias que isso implica. Não me escondo por trás de um discurso pronto do “eu preciso“. Mas, então, eu não preciso de um emprego? Não, nesse momento, eu não preciso.

E o combate é forte: “Ah, mas você tem um marido que te sustenta“. Ou “É fácil falar quando se tem dinheiro sobrando“. Isso me soa até como ofensa, em muitas vezes. E o mais engraçado é que esse discurso normalmente vem de pessoas com muito mais recursos financeiros que eu e meu marido.

Eu acredito em caminhos e opções. Quando Eduardo nasceu, buscamos um caminho que nos levou a uma vida mais modesta, em uma cidade do interior e vivemos durante 1 ano e 3 meses apenas com a renda do Fabio. Escolhemos, em conjunto, que eu viveria para meu bebê em parte de sua primeira infância. E, nesse período, tivemos que bancar o que a falta de minha renda nos causava.

Com Luca novamente escolhemos estar à disposição do pequeno. A diferença é que dessa vez eu fui buscando possibilidades e caminhos que me levassem a ter uma renda sem sair de casa. Ganhando 1/3 do que ganhava no escritório, vivemos felizes ao lado de nossos dois meninos.

Escolhendo parar de trabalhar para viver a maternagem, tivemos que nos adaptar e a também fazer novas e desafiantes escolhas. Meus filhos não têm as festas em buffets que seus amiguinhos têm. Enquanto muitas famílias viajam todos os anos para a Europa, nossas viagens mais longas são para Bauru, na casa da vovó. Ao contrário de dois carros importados na garagem, nós temos apenas um, nacional. Esse é o preço que pagamos para eu poder estar integralmente ao lado das crianças. Também uma escolha.

Eu escolhi amamentar, mesmo correndo o risco do peito cair. Mesmo acordando 4, 5, 6 vezes durante a noite. Mesmo não podendo ficar mais de 3 horas longe de Luca, no intervalo entre as mamadas.

Eu escolhi cozinhar sua papinha diariamente e ficar com as unhas sem esmalte. Eu escolhi não dar a chupeta e ninar meu filho em seus despertares noturnos. Eu escolhi parir duas vezes de forma natural, na contramão dos apelos indolores de uma cesareana. Eu escolhi tudo isso aí. Preciso ter jogo de cintura e uma boa dose de força de vontade para driblar os desafios de minhas escolhas. Mas, hoje elas são as que fazem sentido para mim. Hoje, o preço que eu pago por elas ainda vale à pena. Eu escolhi ser mãe.

*Imagem: We Love It

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15 comentários para "Sobre escolhas e escolhas" | Adicione o seu »

  1. ago 24, 2010 @ 04:07 {Responder}

    É acho que a vida é feita de escolhas, e quando você se descobre grávida acho que é o momento que se toma mais decisões.
    É fácil deixar filho ser criados com avó, com tia da escolinha e afins. Difícil é abrir mão de certas coisas, para ficar sem trabalhar para acompanhar seu filho, seu desenvolvimento e se dedicar a cuidar e educar.
    Aqui em casa é assim, trabalho aqui mesmo, dou meus pulos e abrimos mão de muitas coisas. Quando falo que vou fazer uma festa bem modesta para minha filha, e ouço coisas como ” eu também, vou gastar em média R$1000,00″ acho um absurdo, isso aqui para uma festa infantil é luxo!
    E sempre ouvimos né, coisas como ” ai, cuidar de bebe o dia todo é fácil, trabalha o dia todo que vc vai ver oqueé ficar cansada”. Tem de ter muiiiiiito jogo de cintura.
    O importante é estar feliz com as escolhas que se faz, e sem peso na consciência!
    Beijos

    [Reply]

  2. ago 24, 2010 @ 04:29 {Responder}

    Olá, sempre q posso acompanho o blog e é a 1a vez q comento, pois me identifiquei muito com o post. Eu também fiz a escolha de largar trabalho e carreira pra ficar com a minha filha. No início sofri muito, porque eu mesma não aceitava a minha escolha e ficava me preocupando com o que OS OUTROS estavam pensando de mim. Isso me custou 2 anos de depressão, remédio controlado, terapia, etc… foi duro… até que um belo dia eu acordei e… ME ACEITEI! Aceitei minha escolha e parei de me sentir culpada por ser feliz desse jeito: em casa com minha filha, fazendo a comidinha dela, arrumando as coisinhas dela do meu jeito, EDUCANDO ela do meu jeito, levando e buscando na escola, brincando com ela sentada no chão… tudo bem que minha vida gira em torno de circuntancias q não me deixam muitas outras opções. Moro longe da minha família, meu marido é engenheiro e vive sendo transferido, não tenho minha mãe perto de mim pra me dar suporte, somos só eu e meu marido, e como ele viaja muito… tudo fica por minha conta MESMO. Dou graças a Deus por ele ganhar o suficiente pra mantermos um padrão de vida confortável (sem mtos luxos), no qual uma renda minha não faça falta.
    Enfim, ja escrevi muito… rs. É que este assunto mexe muito comigo. Ainda tenho um pouco de medo de nunca mais conseguir retomar minha vida profissional. A unica certeza q tenho é que ano que vem vou engravidar de novo e quero ficar com meu 2o filho(a) assim como fiquei com a 1a. Temos q optar pelo q nos faz feliz e nos realiza, pq a vida é uma só. Um beijo.

    [Reply]

  3. ago 24, 2010 @ 12:42 {Responder}

    Adorei o post! Parabéns pelas suas escolhas! O que importa é estarmos de bem com elas e não vivermos frustradas por não fazermos o que gostaríamos!

    Beijos!
    Nine

    [Reply]

  4. Tuka Siqueira
    ago 24, 2010 @ 13:35 {Responder}

    Acredito sim que fazemos nossas escolhas, mas acredite você que algumas pessoas realmente NÃO TEM escolha, fazem aquilo que a vida às impõem. No meu caso por exemplo, quando decidi ter um terceiro filho, já tinha um com 20 anos e uma com 12 e me diziam que eu era louca de voltar para as fraldas e noites maldormidas depois de já estar “livre” de cuidar de crianças, mas escolhi ter mais um e estava me planejando para isso, trabalhando num emprego estável, cuidando da minha saúde, já sabendo em que creche colocar. Mas a gravidez veio antes do esperado e mais inesperadamente, qdo já estava com 5 meses, descobri que não era um, mas dois bebês. O pouco planejamento que existia já foi pras cucuias. A coisa piorou qdo tive novo surto (tenho esclerose múltipla, podem saber mais sobre isso no meu blog) e por causa da medicação meu ciclo entrou em desordem e nós que já est´vamos prestes a realizar uma vasectomia, ficamos novamente grávidos. Meu tosco planejamento de ter mais um bebe se transformou em mais 3 bebes de uma hora pra outra. TIVE que parar de trabalhar, porque pagar creche pra mais de uma criança ficava mais caro do que ficar em casa. Meu marido trabalha como autônomo e rebolamos para manter as contas em dia. E por contas entenda-se luz, água, gás, telefone, supermercado e farmácia. Só e ponto. Não corto meu cabelo nem faço as unhas desde que a menor nasceu. Nosso lazer se resume a ir à casa da sogra nos fins de semana, e ela mora na mesma cidade. Nosso carro é um caco velho que mal serve para nos carregar dentro da cidade e tá sempre nos deixando na mão. Minhas filhas usam roupas e calçados usados, herdados das amigas e vizinhas. Quase tudo que meu marido ganha, 80% do nosso orçamento é consumido em fraldas e leite, sem contar pomadas para assaduras, lenços e todos os remédios que as gêmeas, prematuras e asmáticas, consomem. Procuro um trabalho que possa realizar em casa, mas não me sobra muito tempo, nem energia para isso, já que por causa da minha doença, sofro muita fadiga e tenho que poupar minha energia para tomar conta das crianças. AMO estar com elas e é gratificante para mim poder estar por perto e vê-las crescer, acompanhando cada fase. Mas eu PRECISO trabalhar, não foi minha escolha ficar em casa. A vida e as circunstâncias escolheram por mim. O que eu escolhi, foi assumir os 5 filhos que Deus e mandou, parir naturalmente (só as gêmeas nasceram de cesárea pq uma estava sobre a outra e não foi possível o PN) e amament´-las, mesmo pondo minha saúde em risco, pois tomo medicação de uso contínuo que foi suspensa para que eu gerasse e amamentasse minhas meninas por pelo menos os 6 meses mais importantes. Eu só escolhi me conformar e não lutar contra a situação.
    Desculpe. Acabei usando esse espaço para desabafar toda a minha angústia.

    [Reply]

  5. Carla
    ago 24, 2010 @ 13:54 {Responder}

    Que linda escolha…
    Ainda não tenho filhos, mas sempre tive em minha cabeça, que se um dia eu tiver o prazer de ter um, vou me dedicar integralmente a ele também…
    por isso hoje trabalho tanto, para em um futuro próximo eu possa ter uma escolha como a sua!

    Parabéns!!

    [Reply]

  6. ago 24, 2010 @ 19:49 {Responder}

    Acho que é válido você dar uma saída do seu círculo e conversar com mais mulheres de condições financeiras diferentes. Não só financeira, mas até de instrução.
    Tem mulher que é mãe solteira, vive em condições precárias e se não trabalhar não tem o que por na mesa pros filhos, morre todo mundo de fome mesmo.
    Claro que entendi que você está falando de outro tipo de mulheres, mas achar que NÃO é possível daí já soa meio “verdade absoluta”.

    Eu moro só com as minhas meninas, o pai delas me ajuda sim, mas não tem como bancar pra que eu fique em casa com elas.
    Não tenho carro, não viajo nem pra Bauru e não tenho nenhum luxo. Daí como fica?
    Estou buscando e lutando muito pra conseguir me fixar na minha área e poder passar mais tempo com elas, mas até lá é o que tem pra hoje.
    Admiro, respeito e invejo mulheres que como você podem se dedicar inteiramente aos filhos, mas do mesmo jeito que soa ofensivo pra você dizer que é “sustentada pelo marido” pra mim também soou quando você disse que é desculpa quando a mulher diz que não pode deixar de trabalhar.

    Beijos

    [Reply]

  7. ago 25, 2010 @ 00:55 {Responder}

    Cacau,

    Em primeiro lugar, me desculpe se te pareceu ofensa. O intuito desse texto, na verdade não só desse, mas de todos deste blog, não é ofender, ao contrário, é agregar.

    Talvez você não tenha atentado para um trecho, no qual eu digo que o que eu considero como desculpa vem, na maioria das vezes, de mulheres/famílias com uma condição econômica muuuito superior a minha.

    E esse círculo que você me sugere, é meu velho conhecido. É dele que eu vim! Fui criada por minha avó adotiva, que sustentava a ela e a mim com seu salário mínimo de aposentada por invalidez do antigo INPS. As roupas que eu usava vinham, em sua maioria, de doação, no inverno do Paraná precisávamos juntar as nossas camas para nos aquecer, já que o frio entrava pelas frestas da nossa casa de madeira, o meu maior sonho de consumo era um pote de iogurte, coisa que não devia existir em casa nem no Natal. E, no entanto, só sou o que sou e tenho meus valores, porque fui criada por ela. O material nunca foi impedimento para que eu pudesse ter todo o suporte para ser uma pessoa lúcida e feliz.

    Sobre as verdades absolutas, elas não existem em nenhum nível social nem cultural. A atendente da padaria onde compro pão foi abandonada pelo companheiro quando grávida e, se não trabalhar de 8h da manhã às 8h da noite, como você disse, não alimenta seu bebê de 1 ano.

    Na contramão, conheço uma pessoa que teve 6 filhos e com todos optou por parar de trabalhar para ficar com as crianças. Sempre viveu com o salário de R$ 800,00 do marido, tratorista de uma empresa.

    Dei esses dois exemplos para mostrar que essas verdades absolutas não existem. Em todas as classes e realidades existem aquelas que terão que trabalhar e aquelas que escolherão trabalhar. O que eu volto a insistir é que desse grupo de mulheres às quais eu me refiro no texto, trabalhar fora de casa é uma escolha, sim!

    E, na real, qual é o problema de uma escolha? Como você, que respeita as mulheres que escolheram ficar em casa, eu também respeito as que optaram por suarem o dia todo na labuta. Eu mesma escolhi voltar a trabalhar quando meu primeiro filho completou 1 ano e 3 meses. Eu não julgo as escolhas… porque cada um, cada mulher, cada família sabe da realidade que tem para si. O que me incomoda, e é o que eu abordo nesse texto, é a desculpa que se dá por trás. É o se colocar de vítima de uma situação que poderia ser mudada.

    É isso. Um abraço!

    [Reply]

  8. ago 25, 2010 @ 11:02 {Responder}

    Sensacional o texto!!!
    Eu tbm escolhi ficar em casa e, tirando a parte do ‘Eu escolhi parir duas vezes de forma natural, na contramão dos apelos indolores de uma cesareana’ pq meus filhos não foram paridos por mim, eu escolhi tudo isso que vc escolheu, me vi no seu relato e compreendo qdo vc diz que, em alguns momentos, alguns comentários soam como ofensa, até pq sabemos que as pessoas teriam condições de se dedicarem pelo menos no primeiro ano de vida dos filhos, mas não o fazem!

    Vou linkar vc, ok?!

    bjs,

    Cláudia

    [Reply]

  9. ago 27, 2010 @ 16:58 {Responder}

    Ei escolhi trabalhar de casa, mas quando nao dava pra fazer isso eu escolhi trabalhar fora pq eu tinha que trabalhar, PRA MIM, nao, ó quero mas nao posso, mesmo podendo, JAMAIS eu optaria pro unhas descascadas hehe, ja-mais

    [Reply]

  10. set 08, 2010 @ 17:05 {Responder}

    Caí de para quedas no seu blog. E estou a-do-ran-do!

    Esse texto, foi um conforto para mim nesse momento. Fiz as mesmas escolhas que vc, e, inevitavelmente, ouço as mesmas coisas.
    Só não entendo, o porquê de não aceitar as escolhas do outro.

    Para mim, como mãe, tem valido muito a pena!

    [Reply]

  11. glaucia
    dez 29, 2010 @ 20:41 {Responder}

    No meu caso tem sido uma escolha difícil, não pelo fato de tomar conta do meu filho que faz 06 meses dia 04/01/2011, e sim pelo fato de depender do meu marido, das cobranças com a casa, e outras mais que sempre surgem. Meu filho não da trabalho e ficar com ele é muito prazeroso, mais na minha casa não é só isso, tenho enteada de 13 anos, marido e toda rotina de uma casa e esposa. Enfim utilizei esse espaço mais como desabafo, a minha escolha é de certa forma imposta pelas circustancias, e longe meu trabalho,fico mais de doze horas fora de casa, e meu bebe e alergico. Por ele vale a pena parar, no mais vamos ver o que acontece. Espero e oro muito para tudo dar certo.

    [Reply]

  12. fev 23, 2011 @ 16:31 {Responder}

    Parabéns pela coragem deste post!!!!

    [Reply]

  13. Jacqueline Menengrone
    nov 23, 2011 @ 17:08 {Responder}

    Olá,
    Que alívio ler seu texto e saber que não é loucura minha abandonar uma carreira de sucesso construída em 8 anos de companhia para ficar com meu bebê. Com o preço de não só deixar para trás uma profissional reconhecida e em ascensão mas também 50% da fonte de renda familiar.
    Estou grávida de 3 meses e já está decidido que pararei de trabalhar, teremos que cortar o padrão de vida pela metade com o acréscimo das despesas do bebê que não serão poucas, mas tudo isso, nós faremos pois acreditamos que mais importante que as festas nos buffet’s e os brinquedos luxuosos é a educação e amor que daremos ao nosso filho (a) nesta realidade.
    Parabéns!

    [Reply]

  14. Fernanda
    jan 04, 2012 @ 19:26 {Responder}

    Concordo e fiz tudo do mesmo jeito que vc… menos os dois partos normais.. foram duas cesarianas… bjs

    [Reply]

  15. Fernanda
    jan 04, 2012 @ 19:26 {Responder}

    Concordo e fiz tudo do mesmo jeito que vc… menos os dois partos normais.. foram duas cesarianas… bjs

    [Reply]

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