Mãe é camaleão. Camalemãe?
“Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe”. Essa frase é muito bonita na publicidade, mas na prática, nessa vida real, diária aqui, de verdade, é pura balela. Não estou tirando o romantismo da maternidade, pelo contrário, acho mesmo que o romance está na realidade, na pureza do dia-a-dia, com encontros e desencontros.
Pois bem, tornar-se mãe é um processo que não ocorre naturalmente com o nascimento do bebê. Na verdade, todo o preparo começa na gestação. São nove longos meses, nos quais o corpo da mulher vai se modificando, seus hormônios dançam em fúria e calmaria e sua mente vai se preparando para o processo mais transformador de sua vida. Depois de ter um filho nenhuma mulher vai ser como antes. Não julgo que todas as fêmeas agem da mesma forma, mas que não terão a mesma percepção do mundo, em algo grau, isso é fato.
Apesar de acreditar nessa transformação, eu realmente penso que ela não acontece no nascimento do bebê como afirma a Natura. Ser mãe é um desafio feito dia após dia, conforme cuidamos de nossa cria. A maternidade é algo que vai se desenvolvendo na mulher.
Aprender a ser mãe, esse é o ponto. E isso acontece na prática, no erro e no acerto. Na dificuldade da amamentação, na doação exclusiva de tantas horas de falta de sono, no balanço de pernas e braços, no carinho e na atenção dispensada. Bebê e mulher aprendem a ter novos papeis no encontro de ambos, na simbiose que existe entre essas duas almas, para sempre ligadas pelo elo mais forte.
E não se trata de um aprendizado fácil. Nunca, talvez em nenhum outro momento da vida, foi necessária tanta doação, tanto desapego, gostar de alguém que não pode te oferecer nada em troca. Pelo menos, nada considerado material ou concreto em troca. Doar simplesmente por amar. são meses, quiçá anos, que a mulher deixa, em partes, de ser um indíviduo único. Tem sempre por quem pensar, quem levar, quem carregar, quem cuidar, quem alimentar, quem limpar, quem educar.
E como não cansar desse papel por muitas e muitas vezes? É inegável o amor incondicional que sentimos por nossas crias, mas se abdicar de tantas coisas pelo outro é algo que realmente deixa qualquer ser-humano confuso, cansado e, porque não, carente?
Ser mãe é isso. É a união de muitos sentimentos, é o aprendizado diário, é ser mulher, é continuar a ter os seus desejos pessoais, é sentir-se culpada sempre, é ser como camaleão, é ter mil faces, é amar sem precedentes e topar qualquer parada. E é justamente por isso que eu afirmo que, entre outras poucas coisas, eu nasci pra ser mãe.
Imagem: We Love it.
*Post originalmente escrito em 3/3/2010.












3 comentários para "Mãe é camaleão. Camalemãe?" | Adicione o seu »
To viciada no teu blog, ja li um monte. PArabens, vc escre muuuuuito bem!
To respondendo mulher, to respondendo viu? farei de tudo p te mandar amanha.
Beijos
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Oi, Glauciana
AMAMOS teu bolg. tá demais! achei alguns textos que eu gostaria de linkar no nosso blog. qdo eu fizer isso , te aviso, tá?
beijo e parabéns!
Lu
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Assino embaixo, tanto quanto ao texto como quanto ao blog. Parabéns!
Conheci por acaso o seu blog, devido ao nascimento da minha pequena Larissa, sendo então “obrigada”, com maior prazer, a ficar mais em casa.
Ela está com 3 meses de pura alegria, doçura e saúde! E agora tudo que versa sobre maternidade desperta minha atenção.Afinal estou revivendo e desfrutando cada único momento.
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