Coisa de Mãe
17 jun 2015

Sobre cordas, amores e laços

Post por Glauciana às 17:51 em Devaneios de Mãe

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Eduardo chegou em casa aflito por conta de um amigo. Afoito. Ansioso. Olhos arregalados. Mãozinhas frias. Sem fome. Todos os clássicos sintomas da ansiedade, da agonia. Conheço-os bem, infelizmente. Disse-me que não sabia se o amigo gostava dele. Eu, tentando entender a situação, para poder ajudá-lo, comecei um diálogo:

– “Por que você acha que ele não gosta de você, meu bem?” – perguntei.

– “Ele não quis jogar bola comigo hoje no pátio da escola” – respondeu já chorando um choro sentido, profundo. Aquele tipo de situação que você está segurando o quanto pode, até chegar alguém e dar um toquinho de leve na água da borda do balde, para que ela derrame.

– “Mas, ele já jogou outras vezes” – continuei na investigação.

– “Não, nunca! E também não quis jogar quando eu o convideiiiiii. Buáááááááááá” – encostou a cabacinha entre as mãos, debruçando-se na mesa da cozinha.

– “Mas, filho, vocês são amigos, certo? Já brincaram outras vezes? Sente que ele gosta de você?” – fui afundando aos poucos.

– “Sim, mamãe. Eu acho que ele é meu amigo. A gente toma lanche juntos, ele me dá o biscoito dele e eu dou morango, que ele adora. Já brincamos de hominho e de esconde-esconde, mas hoje ele não quis jogar bola comigo” – finalizou minha criança.

Pois bem, meu filho. Você tem a quem puxar. Perdoe a mamãe, por favor, por ter te passado essa bosta de crença, esse modelo de relacionamento tão carente, tão deturpado do que eu acredito como algo saudável. Racionalmente, mamãe sabe que isso tudo é um engano, mas na hora que o bicho pega meu comportamento é o mesmo que o seu, meu bem, mesmo tendo 25 anos a mais que você, minha criança. Mas, eu te aviso, filho, mamãe tá na luta. E sei que a coisa vai ficar cada vez melhor aqui dentro. Por que, na verdade, chuchu, ninguém aqui neste planeta sabe se relacionar bacana, não, viu!??! Tem uns que enganam bem, que até conseguem segurar a onda melhor do que outros. Mas, sabeeeeeer, sabeeeeer, ninguém sabe. Estamos todos no aprendizado.

Quem de nós já não achou que o outro não gosta de nós simplesmente porque não faz o que desejamos ou porque não está disponível no momento em que queremos jogar futebol?

Pois é! Eu vejo essa situação de uma forma bem imagética. Consigo visualizar uma corda bem grossa, daquelas de amarrar lona de caminhão na carroceria. Quando um relacionamento é iniciado automaticamente uma corda se cria. E falo de relacionamentos de forma mais ampla: amigos, amores, família, colegas de trabalho, parceiros de projetos. Todo relacionamento me liga ao outro por uma corda, cada um de nós em uma ponta. Por vezes nós conseguimos fazer laços lindos, que nos unem e enfeitam a nossa corda. Em outros momentos os laços acabam virando nós, que apertam. E sabe porque os laços viram nós? Por que uma das partes puxa demais a corda, como quando a gente puxa o laço do cadarço do tênis. Além do laço se desfazer, fica apenas o nozinho.

Eu tenho uma tendência fooooorte em puxar a corda. É da minha natureza. Sou das intensidades, da firmeza, das atitudes, do controle. Nasci assim, mas como não tenho a síndrome de Gabriela, graças a Deus, vou seguindo no caminho da mudança, para que não seja sempre assim, para que eu morra diferente. Na verdade, eu começo apenas segurando a corda, como o outro também está segurando. Há momentos que naturalmente alguém solta a corda. Faz parte, não significa que ele não está mais ligado a nós. Ele apenas soltou a corda, mas ela continua ali, ligando as duas pessoas. Neste momento, eu seguro firme, tensiono, puxo, me esforço muito, gasto uma energia danada para manter a corda esticadinha. Entretanto, quanto mais eu puxo a corda, mais os laços vão se transformando em nós.

Ontem eu consegui soltar a corda. Ufa! Soltei. Soltei, gente! Assim, jogando-a no chão. Em um comando eu soltei a corda. Olha, vou contar que dói soltar a porra da corda, viu!?! Que agonia. Será que a corda vai se desfazer e sumir? Será que não nos ligará mais? Será que o outro está segurando-a? Será que ele também soltou? Se sim, será que a pegará de volta? Não sei! A gente nunca sabe. Impossível saber. Não tem controle nenhum. Relaxe, nada está sob controle, por mais que você insista nessa ideia.

Entretanto, forçar a barra na corda nunca surte efeito, por que pressão e tensão não fazem nada de bonito brotar. NA-DA. Os laços são feitos para enfeitar. E a gente só quer enfeitar aquilo que achamos bonito, que amamos, que queremos cuidar. Ao que temos apreço. Nó endurece, aprisiona, amarra, embrutece.

E ao soltar a corda eu entendi que não há como prever o que o outro está fazendo com a ponta dele da corda. Puxando eu sinto que não está, por que a pressão, essa sim é sempre sentida. Não dá pra saber nada, a menos que ele fale. É como o amigo de Dudu. Será realmente que ele não gosta de Eduardo só porque não quis jogar bola naquela tarde? Será? Pode ser, mas também pode não ser!

Podem haver inúmeras razões para a criança não querer jogar bola. Ou melhor, não IR jogar bola. Por que, às vezes, teve vontade, mas não teve condições para isso acontecer. De repente ele estava cansado, triste, sentindo-se mal, com calor, com vontade de fazer outra brincadeira, não querendo ficar suado, por que mamãe deu uma bronca quando ele jogou bola da última vez, ficou suado, e entrou de volta à sala de aula. São tantas variáveis, mas tantas.

Resumir este fato a um “ele não gosta de mim” é reduzir demais a situação. E sofrer, claro! E então o lanche juntos? E o morango compartilhado? E o biscoito dividido? Tem prova de amor maior do que ofertar o seu alimento para o outro? Tem coisa mais poética numa relação do que dar um morango ao outro na hora do lanche? Tudo isso, de repente, é minimizado pelo simples fato de que naquela hora ele não jogou a porra da bola? Não, não! Há muito mais envolvido nisso.

E então, eu expliquei tudo isso a Eduardo, justamente numa noite, poucas horas depois de eu ter soltado a minha corda. Choramos juntos ali na mesa da cozinha, demos as mãos, nos abraçamos. Nós dois estávamos abalados, já tínhamos tido um chilique na hora do almoço. Trocamos as nossas dores. E meu filho de 7 anos fez com que eu trouxesse para a consciência tudo isso.

No final, eu disse a ele:

– “Quando você tiver vontade, vai lá e faz um lacinho na corda com o seu amigo. Ofereça novamente morango. Ou então, colocamos kiwi na sua lancheira e você leva pra ele. Pode ser que ele queira”.

E ele me respondeu:

– “Tá bem, mamãe, vamos fazer isso amanhã” – apontando pro kiwi que estava a nossa frente, na fruteira em cima da mesa. “Ah, e você não vai pegar a sua corda do chão?” – emendou numa pergunta pra mim.

Eu refleti, enxuguei uma lágrima, sorri com saudade e disse:

– “Sim, amor, eu vou pegar a corda. Eu sei que ela está ali. Eu a vejo e sinto ali, no mesmo lugar. Eu vou pegar a corda quando tiver certeza que do outro lado ele poderá pegar também pra gente fazer mais laços. Pode ser também que ele não a pegue de volta. Não há garantias. A gente nunca tem! Enquanto isso, deixo-a solta, liberando a mim e também a ele da pressão que eu comecei a fazer na nossa corda”.

– “Enquanto isso, mamãe, você pode brincar de pular corda” – terminou meu menino e foi pra sala ver um filme com o irmão.

É isso, Duduzinho, meu pequeno pensador. Enquanto isso eu vou pulando corda, vou brincando, vou me divertindo, vou sorrindo, vou seguindo a vida, com toda a alegria e coragem que me acompanham sempre :)

 

*Imagem: Daqui

16 jun 2015

O amor é uma decisão

Post por Glauciana às 16:19 em Devaneios de Mãe

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Eu tenho passado por uns dias difíceis. Me sinto cansada, exausta, sem vontade de fazer nada, com vontade de fugir com o primeiro circo que passe pela cidade. Pena – ou sorte – é que por aqui passam poucos circos. Na minha infância eles eram mais frequentes e eu já tinha vontade de fugir com eles e viver cada dia em uma nova cidade, respirando novos novos ares, conhecendo pessoas novas. Algo meio “um amor em cada porto”, como a canção “Maresia”, do Antonio Cícero e do Paulo Machado, conhecida na voz da Adriana Calcanhoto.

Mas, não quero falar sobre vontade de sumir do mapa. Quero falar sobre o amor. Ahhh, sempre ele, fanfarrão, presente na minha vida, na minha história e em quase todos os meus posts. O amor é pauta da minha vida no geral, mas ultimamente tem sido mais ainda, sobretudo pela forma que eu o enxergo.

E hoje resolvi ir a uma missa na hora do almoço, na catedral, em Assis. Sim, eu tenho redescoberto a minha espiritualidade e me encontrado no sagrado novamente por meio da doutrina católica e está sendo maravilhoso. E aí Padre Alberto (também uma grata surpresa, pois foi ele quem me crismou, quando eu tinha 14 anos) hoje falou sobre uma das passagens que eu mais gosto: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo”.

A passagem é tão simples, mas é tão complexa em sua essência. Amar-nos uns aos outros, claro! Parece tão óbvio. Lógico que amamos o outro. O pensamento é sempre direto: se eu amo, eu amo alguém.

Entretanto, será que amamos mesmo? Ou temos uma falsa ideia do amor? A minha visão é que percebemos o amor de uma forma mais egoísta, satisfazendo o desejo de nosso ego. São duas coisas que eu vejo como muito comuns quando achamos que amamos alguém: ou confundimos o amor com o sentimento que brota pelo encantamento por alguém ou achamos que amor é a sensação maravilhosa que o outro causa em nós. De novo, o ego está na parada.

Mas, tenho certeza que você me perguntaria: “ixi, a menina tá doida? e lá amor não é mais sentimento?”. Hoje Padre Alberto falou exatamente o que eu penso e já escrevi em textos anteriores. Amor não é sentimento. Amor é escolha! Sentimento brota, sim, e pode ser verdadeiro. Sentimentos podem ser vários: encantamento, paixão, frenesi, frio na barriga, força de vontade, ânimo, bom-humor. Tudo isso pode ser disparado em nós quando alguém bate à porta do coração. Amor é diferente disso.

Aí eu, durante a missa, refletindo sobre as palavras do Padre fiquei assentindo com a cabeça e pensando justamente que era isso. Como meu Deus é muito maravilhoso resolveu me mostrar, na prática, o que foi isso que eu tinha acabado de aprender na teoria lá na igreja. Chegando em casa para o almoço, feliz da vida, tendo recebido uma bênção novinha em folha, com o espírito já alimentado, recebo o mau humor dos meus filhos.

Ao que entro pela porta, escuto de um “afffff, ela já chegou”. Digo oi para outro, que além de não me responder ainda limpa o rosto onde eu beijei (Luca, sempre ele, meu Shrek em forma de criança). Aí eu pedi cinco vezes para eles lavarem as mãos para almoçarmos. Cincooooo vezes. Isso, eu pedi 5 vezes, com toda a paciência de Jó. Aí, me vem Eduardo com a cara mais emburrada do mundo e me solta: “Aiiiiii, que saco, mas tem que almoçar todo dia? Eu não queria almoçar. Que chaaaaaato. Como você enche a minha paciência!!!!”. Eu, que tinha acabado de gastar todo o meu dinheiro em uma compra maravilhosa no supermercado, por que estava me sentindo culpada que na noite anterior ele pediu leite e tinha acabado, fiquei muito brava.

Saí soltando fogo pelas ventas em direção à cozinha, falando um monte de bobagens pra eles…. até que antes de chegar lá a minha ficha cai e me vêm as palavras de Padre Alberto “amor é escolha e decisão”. Pliiiiiiiim!!!! As fichas caíram. Todas, de uma só vez. Os mais velhos, como eu, de antes da década de 90, vão se lembrar dos telefones públicos da rua, os famosos Orelhões, que funcionavam com ficha. Lembra quando a ficha caía? Pois bem, minhas fichas caíram. E caíram junto minhas lágrimas de raiva, de chateação, de cansaço, de culpa e de gratidão, por ter entendido exatamente o que significa esse tal amor ser escolha e decisão.

Sim, eu amo meus filhos! Não tenho a menor dúvida de que os amo. Eu os amo desde a concepção. Eu os amo antes mesmo de saber como eles eram fisicamente. Antes deles serem seres físicos. E tenho certeza que toda mãe ama seu filho. Não concordo, de jeito nenhum, com a história de mãe não amar filho. Aí que está, talvez ela não escolha praticar ou manifestar o seu amor. Mas, que ama, ama!

Pois bem, eu amo Eduardo e Luca, como não amo mais ninguém neste mundo, além de Deus e de mim mesma. Mas, o amor é uma escolha diária. A cada segundo eu preciso praticar o amor que tenho por meus filhos.

A cada nova manhã eu preciso levantar da cama e vestir o amor que tenho por meus filhos para encarar mais um dia de trabalho, para sair para a luta e ganhar o sustento que dá o pão do prato deles, para matar uns 4 leões por dia, sozinha, no rebolado por vezes fora do ritmo que a vida me impõe para criar esses meninos. Tenho que me revestir de todo o amor que há no mundo para chegar cansada, às 18h, pegá-los na escola e levá-los à natação, ao Kumon, ao futebol, à casa do amigo, ao reforço escolar, ao teatrinho da escola, à China, à Marte, ao raio que o parta. Preciso botar em prática todo o amor que tenho por eles quando eles me desafiam seguidamente, testando os meus limites e os deles. Tenho que reafirmar quanto eu os amo quando o pai deles fica três semanas sem visitá-los e eu preciso ser mãe em tempo integral, sem um minuto de respiro, sem um chope com as amigas, sem um almoço num mundo adulto. Preciso me lembrar de todo o amor que sinto por eles quando Luca bate nos amigos na escola e eu sou chamada pela quadragésima nona vez pela professora para falar do mau comportamento do meu filho.

É preciso amor, minha gente, muito amor em forma de atitude para realmente amar quem a gente ama. É preciso escolher a cada segundo amar. É necessário mostrar esse amor em atitudes diárias. Sentir não é o bastante. Deixar o sentimento fluir não edifica nada no amor.

Bem, e aí, voltando ao chilique da hora do almoço… eu chorei, chorei, chorei. Ganhei o abraço da Simone, minha ajudante-anjo, os meninos ficaram assustados (quando eu choro na frente deles é quando o bicho pega muito e aí eles ficam pianinho), foram pra mesa, comeram tudo sem dar um pio, eu me mantive em silêncio e conclui feliz que, sim, eu amo meus filhos. Eu escolho amar os meus filhos a cada segundo. E vou me esforçar em amá-los ainda mais quando eles desafiarem os meus limites, pois é aí que eles mais precisam do meu amor. Assim seja!

15 jun 2015

O jardim secreto da minha vida

Post por Glauciana às 10:29 em Devaneios de Mãe

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Por: Giuliana Vaia

A vida é cheia de coisinhas que viram febre e viralizam nas redes sociais. Pois bem, depois de amordaçar-se num pilar gelado e levar chicotadas no lombo, a onda agora é mais branda, a onda agora é colorir livros de flores! Graças a deus. Ortopedistas cobram muito caro e minha hérnia não estava mais suportando.

Enfim, quando era eu pequena, eu amava esses livrinhos que hoje são ítens indispensáveis na pia de louça suja, digo, na vida da mulher moderna conectada que divide seu precioso tempo entre filhos, facebook, fraldas sujas, trabalho, marido, begônias, mandalas e sadomasoquismo. E um dia, do alto de meus 9 anos, pintando uma galinha ou coisa assim, não não, era um pavão, lembrei; me vi meio que paralisada por um grande medo de errar. Sim, errar a pintura. E se eu borrasse? E se o lápis escapasse da minha mão? E se minha mãe achasse feio? E se pavão fosse verde e não lilás? E então eu caprichava cada vez mais num perfeccionismo quase doentio e tremia toda vez que o azul encostava no amarelo, mas de modo geral tudo corria muito bem, e aquilo de certa maneira me confortava, pois eu estava deslizando dentro de linhas prontas que delimitavam o espaço entre mim e a assustadora liberdade que me assombrava, e assim eu me eximia da árdua tarefa que era pensar, criar, raciocinar, inventar. Eu só tinha a que pintar e ponto. Fora que a alegria que eu sentia quando via aquilo tudo preenchido fazia meu sistema límbico bater palminhas ritmadas dentro do meu cérebro. Era bom, pra época.

Anos depois, muitos anos depois, descobri que sou portadora de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e percebi que aquelas linhas demarcadas eram minha segurança, meu muro arrimo. Era tranquilo pintar ali dentro, era gostosinho e eu podia simplesmente relaxar, porém nunca saia daquela mesmice e nossa! que tédio insuportável.

Quando assimilei tudo isso e inverti meu modo de pensar, aceitando o borrão como talvez a parte mais importante do meu desenho, minha vida passou a ser melhor. Quando eu aceitei então que eu era o próprio borrão, aí minha vida deu um salto quântico rumo a iluminação: eu não nasci pra pintar dentro da linha, eu nasci pra folha em branco e por mais que uma folha em branco (ainda) me provoque diarréias torrenciais e ataques de pânico, é exatamente isso que me faz ser dona dessa criatividade esquisita pros padrões Office, mas que hoje em dia, é meu ganha pão e me sustenta.

E assim, eu me dei sinal verde pra errar quando e onde eu quisesse, arranquei sem dó as linhas prontas e criei as minhas próprias, tortas, tremidas, disformes, cambaleantes, mas minhas.

Um TDAH é incapaz de montar sua própria estrutura interna afim de conseguir conduzir uma rotina, simplesmente porque seu mundo interior é uma bagunça sem tamanho! Pra você ter uma idéia, vejo meu cérebro como um almoxarifado cheio de gavetas com arquivos trocados, então uma estrutura externa se faz necessária pra gente poder seguir em frente com alguma ordem e progresso, porém……. isso nos tolhe toda criatividade que foi nos foi dada de presente junto com o transtorno (porque algum benefício haveria de ter, né mesm?) e passar a vida tentando ser igual aos outros, ou tentando ao menos parecer normal é desgastante e inútil pra quem tem devaneios luxuriosos no meio de uma missa. (não que eu tenha, só um exemplo).

Em suma, pintar dentro do espaço pré-estabelecido pelo outro pode proporcionar uma tremenda segurança, mas eu a troco, de olhos fechados pela liberdade de ser esse tortuoso e estranho borrão no meio da paisagem colorida, e convido você, tdah ou não, a pintar fora da linha pelo menos uma vez na vida. É libertador.

Próxima moda, por favor.

14 mai 2015

Hospital de Niterói promove curso gratuito para gestantes

Post por Glauciana às 11:50 em Saúde

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Já estão abertas as inscrições para o curso de gestantes e pais, que acontecerá no CHN (Complexo Hospitalar de Niterói), no dia 6 de junho, das 8h às 16h30. O objetivo do evento é tirar as principais dúvidas sobre o processo de gestação, do parto e do nascimento do bebê.

Entre os assuntos abordados por meio de palestras e dinâmicas estão: Desenvolvimento Fetal, com o médico Leonardo Nese; Modificações no Organismo Materno, com a médica Daniela Gomes; Puerpério, com a Dra. Priscila Pyrrho; Amamentação, Atividade Física na Gravidez, além de muitos outros temas.

“O foco do encontro é dar informações às mães e tranquilizá-las em um momento tão especial. Dessa forma, o curso oferecerá orientações desde o pré-natal até o pós-parto”, explica a Dra. Priscila Pyrrho, coordenadora da Maternidade do CHN.

O curso é gratuito e extensivo ao casal, mas as vagas são limitadas. Informações e inscrições no Centro de Estudos do CHN pelos telefones: (21) 2729-1173 e (21) 2729-1154. O CHN fica localizado na Rua La Sale, 12 – Centro – Niterói/RJ.

12 mai 2015

A mãe que eu quero ser

Post por Glauciana às 16:28 em Devaneios de Mãe

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Eu tenho mil pensamentos e questionamentos sobre a mãe que sou e que desejo ser diariamente para Eduardo e Luca. Penso nos valores que quero passar a eles, reflito sobre a qualidade de nosso tempo juntos, me esforço para me dedicar nas brincadeiras, para que a vida seja leve e que eu faça parte do universo lúdico deles. Tento mostrar esse mundão, nas formas de informação que conheço – e que temos buscado muito juntos, essa tem sido uma parte deliciosa da fase em que estamos vivendo.

Aí, agora aqui no escritório, entre o texto de um cliente e outro, me peguei pensando em uma pessoa que apertou o botão do interesse aqui dentro do coração :) ainnnn, que goxxxxtoso, não?!? Pensa nele, escreve, tem vontade de mandar uma mensagem, escreve de novo, tem vontade de pegar o carro e dirigir até a cidade vizinha pra tomar um café com ele, escrevinha mais um pouco.

Aí o pensamento, que não tem cerca nessa cachola aqui, chega logo em Joana D’arc, minha mãe guerreira. No fim de semana saímos juntas. Eu a levei pra conhecer a minha turma de amigos (que muitos, inclusive, têm a idade dela :) é, eu sempre gostei da galera mais experiente!). E aí contei a ela que eu tinha me permitido me interessar por uma pessoa novamente e que ele morava fora de Assis. Minha mãe, com o maior sorriso do mundo, alegrou-se e me disse: Ahhh, então chame-o pra passar um fim de semana conosco. Nos conhecemos, fazemos uma comidinha, tomamos uma cerveja”.

E aí eu faço o link dos dois assuntos que comecei neste post. Pareço louca, mas não sou tanto assim, não, gente! Comecei falando da mãe que quero ser, passei pro paquera, mas cruzo os assuntos. Isso foi pra chegar nesse modelo de mãe. Pronto! Eu quero ser massa como minha Joana D’arc é comigo!

Johanne é aquele tipo de mãe que teve mil problemas e fraquezas, quem nunca, né?!?! Mas, mamãe tem uma característica que é impagável: se está bom para mim está bom para ela. Desde muito pequena escuto-a falar o bordão: “quem agrada minha filha adoça a minha boca”. E Johanne, minha guerreira francesa, faz isso diariamente comigo.

Mamãe sempre me incentivou a tudo. Quando éramos muito pobres e morávamos numa casinha de Cohab, que não tinha reboco nos muros. Quando não tínhamos nem um carro pra ir e vir. Quando o dinheiro mal dava pra pagar a prestação mensal da casa. Nessa época mamãe ganhou uma bolsa de estudos de quase 100% com a Rosinha, a dona do Colégio Ipê, em Assis, quando ele ainda se chamava Colégio João Paulo. Graças ao esforço da minha mãe, o meu próprio em estudar, é claro, e à generosidade da Rosinha e do Rigon, os donos da escola, é que eu tive formação suficiente para passar em uma universidade pública direto do terceiro colegial, quando ainda tinha 17 anos.

Foi nessa época, ainda criança, que minha mãe meteu as caras e conseguiu também uma boa parcela de desconto com o Seu Toninho do FISK e eu comecei a fazer inglês, curso que me abriu diversas portas. Hoje, inclusive, se eu tenho um trabalho internacional é por que eu falo esta língua.

Depois, mesmo com toda a dificuldade de grana que tínhamos, mamãe e meu pai Marcos deram o sangue pra me manterem em Bauru e eu poder cursar Relações Públicas na UNESP. Curso, inclusive, que minha mãe nunca se ôpos. Se essa tinha sido a minha escolha, ela assinava embaixo.

Até nas loucuras mais loucas da vida, como quando virei pra ela e disse que ia chutar um emprego estável, um apartamento novinho, uma cidade aonde estava estabelecida, que venderia o carro dos sonhos que acabara de comprar… e que iria morar com os menino tudo embaixo do braço, na beira do mar da Bahia. Nem assim Johanne titubeou. Sempre esteve ao meu lado e, além de me apoiar, fazendo a mudança comigo, ainda disse: “seja feliz, minha filha, Deus lhe acompanhe e te abençoe!”.

Depois, quando a distância da Bahia começou a fazer mal a meus meninos e a mim também e que eu senti que o ano sabático havia acabado, 1 ano e 3 meses depois, foi Johanne que me acolheu de braços abertos em Assis, no ano passado. Ela abriu não só seu coração, mas também um apartamento que tem e me cedeu, não cobrando um centavo por minha estadia lá. Lá é o meu lar atualmente. Junto de meus filhos.

Eu tenho a mãe que eu quero ser para meus filhos. Uma mãe que não mede esforços para me ver feliz. Uma mãe que respeita o meu jeito. Que me ama nas intempéries e nas loucuras. Que sabe que em alguns momentos eu vou quebrar a cara, mas que não levanta o dedo, naquele tom tenebroso de algumas mães. Uma mãe que apoia os meus sonhos e que embarca comigo, seja na alegria da realização deles ou no choro da quebrada de cara.

Quando eu caio é ela quem me abraça, me escuta, me coloca no colo, me acolhe com todo o seu amor. Ela também chora junto, diz que entende a minha dor e que a aceita. Eu tenho uma mãe que aceita as minhas dores. Ela não diz “já vai passar”, por que ela sabe que algumas dores demoram a passar. Neste mês faz 4 anos que eu divido com ela as feridas de minha separação e ela acolhe esse lamento sem se cansar deste mimimi, que só agora está, de fato, cicatrizando.

Então é isso! Eu quero ser para meus filhos a mãe que eu tenho. Sem sombras de dúvidas, eu acho que eles serão felizes tendo uma mãe assim, como eu sou todos os dias da minha vida <3

07 mai 2015

O que você vai ser quando seu filho crescer?

Post por Glauciana às 14:09 em Mãe e Filhos

No último feriado eu estive em Minas Gerais para o aniversário da minha afilhada Catarina e conversei muito com minha comadre e amiga de infância, Sofia, mãe dela. Sabe aquelas conversas que duram dias, enquanto a criançada corre e brinca, aí falamos mais um pouco, pausa pra dar almoço, bate mais papo, é interrompida por um “mãeeeee, terminei, vem me limpar?”.

Essa conversa foi justamente sobre isso, sobre o quanto nos desdobramos para conseguir ser a mãe que escolhemos ser. Abdicamos de nossas carreiras da forma tradicional, vivemos cansadas, com as unhas por fazer, deixando de jantar para limpar cocô ou trocar a fralda (incrível como o coco só vem na hora que a gente está comendo, não?!? rs…). Pois é, não é fácil! Só quem é mãe sabe da solidão que é criar filhos de forma mais integral e menos terceirizada. Por mais que estejamos rodeadas de gente a sensação – ou as milhares de sensações – são sempre só nossas!

E no final da conversa a gente terminou com uma conclusão que recompensa todo o esforço: a gente está fazendo o melhor para que eles sejam pessoas de bem no futuro!

Aí que hoje eu vi o vídeo “O que você vai ser quando seu filho crescer?” de Ninho e chorei litros. É isso mesmo! Não escrevi errado, não. Pois é, quando a gente pensa no futuro dos filhos, mesmo que não saiba exatamente o que eles serão, arriscamos na ponta da língua alguns palpites.

Mas, e ao contrário? O que nós seremos quando eles crescerem? Eu confesso que essa pergunta me pegou de calças curtas, pois eu não consigo nem me imaginar quando meus filhos forem adultos. Hoje eles são a tônica da minha vida. Quase que 100% do que faço é por eles. Eduardo e Luca são os meus parceiros, já que vivemos juntos. My God, o que eu serei quando meus filhos crescerem?

Bem, eu acho que serei feliz por ter dedicado integralmente a minha vida para o cuidado deles e a nossa criação de vínculos, o que eu considero fundamental para que eles sejam adultos seguros e emocionalmente resolvidos. E nesta felicidade eu sei que também mora uma consciência tranquila por ter feito o que me cabia desde o momento em que descobri o coraçãozinho deles batendo dentro de mim. Ahhh, e não se engane: isso não tem a ver com ter feito tudo certo, pois isso é utopia. Não existe mesmo! Mas que eu colocarei a cabeça tranquila no travesseiro, orgulhosa pelo nosso caminho, ahhh isso eu colocarei :)

E você, o que você vai ser quando seu filho crescer?

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30 abr 2015

Tarefa de casa: um momento de manutenção de vínculo mãe-filhos

Post por Glauciana às 17:23 em Educação

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Eu sempre digo para as pessoas a minha volta, com muito orgulho, que se tem uma coisa que eu faço bacana, de forma dedicada e intensa, é a prática da minha maternidade. Foi por isso que eu decidi trabalhar de casa e empreender, por que eu sentia a necessidade de acompanhar bem de pertinho a vida dos meus filhos.

Não que eu seja uma mãe exemplar e que tudo seja fácil. Também quem me acompanha percebe que eu vivo surtando, chorando, fazendo mimimi, pedindo conselhos, desabafando e contando com a ajuda da avó, do pai (quando ele pode/quer/tem disponibilidade), da minha ajudante aqui em casa e até das amigas mais próximas.

E aí que uma das coisas que eu mais gosto de fazer com os meninos são as tarefas e os trabalhos da escola. Enquanto muitos pais reclamam da quantidade de coisa pra fazer em casa, eu vibro com cada página marcada. Sobretudo agora, que Eduardo está no segundo ano e tem uma carga maior de compromissos formais na escola, por conta da sua alfabetização, diariamente nós mergulhamos no mundo das letras e números.

Aí a gente desenha, pinta, constroi, recorta… e também imprime. Me lembro do sacrifício que era na minha infância para fazer os trabalhos da escola. Ontem mesmo passei em frente à biblioteca municipal de Assis e me lembrei das tardes inteiras que passava lá, copiando conteúdos dos livros, para depois passar a limpo à mão na folha de almaço. A máxima modernidade era tirar cópia de alguma imagem, recortar e colar no papel de trabalho.

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Atualmente, a gente usa a impressora. Santa HP Ink Advantage que nos salva todas as semanas com os trabalhos dos meninos. É ela quem faz o trabalho nesse aspecto mais prático. Eduardo e Luca amam colocar o papel e até já sabem trocar o cartucho, quando a tinta acaba. Eu também ensino a eles que tudo deve ser impresso usando cartuchos originais. Já falei algumas vezes que eu tento ser o mais ética nos meus atos diários. Não adianta criticar a corrupção do governo e praticar pequenas corrupções cotidianas. Mas, enfim, isso é assunto pra outro post…rs.

E o que eu percebo é que nesses momentos de dividir tarefas com as crianças, por exemplo, é que eu posso mais ser mãe. É quando eles percebem que eu estou ao lado deles, é quando a gente bate-papo sobre a escola, de forma despretensiosa, e eles me soltam questões mais complexas e internas, que não falam naturalmente, sabe? Foi num desses momentos de tarefa que eu percebi que Eduardo está tendo muita dificuldade para acompanhar o ritmo do segundo ano. Aí, fui conversar com a professora e ela me recomendou um reforço.

Enfim, o que eu quero dizer é que a maternidade é feita de todos esses pequenos, mas importantíssimos, momentos com nossos filhos. Cada cuidado, cada alimento, cada penteadinha no cabelo, cada tarefa feita junto, cada conversa, cada ida junto pra escola… esse monte de cada coisinha feita faz o nosso universo. Eu participando do mundo deles e eles do meu. E assim a gente vai, unidos, ajudando uns aos outros, na dura missão de sempre evoluir, enquanto seres viventes na terra :)

E para finalizar uma super dica para você que também está precisando de uma impressora boa! A HP está com uma promoção, por tempo limitado, das impressoras da linha Ink Advantage, veja neste link

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28 abr 2015

O que eu quero que meus filhos sejam quando crescerem? Felizes!

Post por Glauciana às 15:40 em Crescimento dos Filhos

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Reproduzo abaixo um comentário que fiz no post de uma amiga, jornalista, perguntando, em seu perfil no Facebook, se nós ficaríamos felizes se o filho dissesse que gostaria de cursar Jornalismo atualmente. Fiquei pensando nesse assunto e coloco aqui, pois acho que ele é um post pra blog também e é exatamente isso o que eu acredito sobre o assunto.

“Jo, ontem mesmo eu conversei sobre isso com uma colega de profissão, que há anos não desempenha mais a função de jornalista, e sua filha de 11 anos, que disse ter vontade de seguir na carreira.

A mãe logo a desencorajou, mas eu disse à menina que fizesse como escolha profissional aquilo que tocasse o seu coração, independente dos rumos da carreira.

Se eu ficaria feliz vendo meus filhos entrando na faculdade de jornalismo hoje? Acho que não ficaria feliz mais pela forma como as profissões são ensinadas (jeito quadrado, embrutecido, endurecido, distante da prática e da cidadania social) do que exatamente pela profissão. Afinal, eu AMO ser jornalista, como também AMO ser relações públicas, minha outra formação. Eu sou extremamente realizada naquilo que faço. E, bem, eu nunca estive na redação de um jornal diário, nem de uma revista, ainda que tenha trabalhado na Editora Alto Astral. Meu caminho com o jornalismo me trouxe a desempenhar a minha missão neste mundo, que tem a ver em levar amor e bem-estar às pessoas por meio da minha escrita.

Então, se a faculdade de jornalismo propiciar a meus filhos a oportunidade deles desempenharem suas missões neste mundo, sim, eu ficarei MUITO feliz! Eu sinceramente não acredito em profissão bem sucedida sem paixão e missão envolvidas. Como também não acredito que apenas a graduação, ou seja, as faculdades e universidades podem formar bons trabalhadores. E quando falo em trabalho penso no conceito mais amplo, de labor, de fazer algo neste mundo, usando nosso dom. É só este o sentido, Jo. Não há outro!

Ah, e vou além: essa nova geração, da sua filha e dos meus, não veio a passeio neste mundo, não, amiga! Você sabe disso mais do que eu, aliás. A missão deles é árdua. Não será bolinho trabalhar em prol do bem nesses próximos tempos terrestres. Por isso, a profissão escolhida será apenas um guia formal para eles. O resto já está dentro do coração deles. Eles trazem isso do preparo espiritual que têm. Cabe a nós, portanto, guiar-lhes no caminho do bem, da generosidade e da compaixão, lembrando-os sempre que o sustento virá a partir daquilo que eles têm como missão”.

*Imagem: Daqui

27 abr 2015

Em que copos você despeja sua energia?

Post por Glauciana às 15:26 em Devaneios de Mãe

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Houve um tempo em que eu jogava 100% de minha energia em apenas um aspecto da minha vida. Teve a época do trabalho, logo que me formei na primeira graduação, em relações públicas, e cheguei em São Paulo, tão menina, tão sedenta, tão carente de experiências e preenchimentos. Trabalhei, trabalhei, trabalhei. Foi bacana, foi. Foi legal, foi. Foi enriquecedor, foi. Talvez não da maneira mais clássica, a do dinheiro, mas teve suas vantagens.

Se eu fui totamente feliz? Não, não fui! Hoje sou? Não, também não. Existe a felicidade total? Não! Pelo menos nesse mundo, não. É nisso que acredito.

Entretanto existem formas da gente conquistar a felicidade a cada dia, pouquinho a pouquinho, buscando-a por espaços que dependem da nossa escolha para alcançá-la. Pois é, felicidade é só questão de ser, como diz a canção.

Hoje eu percebo claramente, com a ajuda da terapeuta de Eduardo, meu filho, e também da minha própria terapeuta, que devemos despejar a jarra do suco de nosso energia em vários copinhos. Diariamente, devemos colocar 20% da energia no copo dos cuidados com o corpo, é por isso que eu corro, faço musculação na academia, yoga, vou à nutricionista e ao sacolão uma vez por semana, além de tomar fitoterápicos e dormir uma noite ininterrupta.

Mais 20% deve ser despejado nos cuidados com a minha mente. Por isso, vou à terapia toda quarta-feira e este momento é um dos mais esperados da minha semana, embora este também seja o dia das minhas maiores dores da cabeça. Pois é, o inconsciente é tinhoso que só! E sabe que lá é incômodo. Senhor ego também me força a não ir, pois sabe que eu o desafiarei. A despeito disso, tomo minha neosaldina, que quase nunca funciona, porque a dor física é apenas um reflexo do duelo entre racional x emocional dentro da minha psiquê. Enfim, tomo a neusa e vou-me embora ver a Beth.

Ao longo do meu dia também viro a jarra da energia e coloco 20% na família, que parecem uns 200%, pois essa aqui demanda. É filho, é casa, é tarefa de escola, é levar pro kumon, pra natação, pra terapia, pro colégio. Corriqueiramente também fico com minha mãe, que é um prazer pra minh’alma.

Agora também tem os 20% pro meu espiritual. Toda terça à noite eu e os meninos vamos à igreja, onde participamos de um grupo de oração da igreja católica. Tem feito um bem tão grande, mas tão grande, que eu espero toda a semana para que chegue logo a terça.

Todo dia tem a porcentagem do trabalho, que é minha missão e também dá o sustento a mim e a minha família. Durante algumas horas a jarra vira a energia nos meus conteúdos e textos e reuniões e relacionamentos e posts <3

Pois então, hoje eu percebo que ainda faltam mais alguns copinhos a serem enchidos. Falta o copinho do relacionamento. Pois é, até alguns meses atrás eu enchia o peito pra dizer que não queria um relacionamento tão cedo. Fiquei sozinha, gostei disso, me reergui emocionalmente e engatei um romance bem gostoso, mas que também já teve seu clímax e chegou ao fim. Atualmente, sinto falta de despejar parte da minha energia em um querido, para compartilhar a vida. Sei que no tempo certo ele aparecerá pra mim, já que está dando sopa aí pelo Universo.

O copo dos amigos também às vezes fica bem vazio. Mais por estar morando em Assis e não ter tanto tempo livre, sobretudo à noite, que é quando esses encontros acontecem mais. De qualquer forma, sei que todos os copos do coração estão em suas devidas prateleiras e conto com eles sempre que preciso. Em feriados ou fins de semana me esforço para estar junto de meus amigos e amigas, fazendo a manutenção dessas relações que são imprescindíveis para que minha vida seja leve e alegre.

Mas, o que eu quero dizer de tudo isso? Quero dizer que quando eu parei toda a minha vida para me dedicar à família (marido e filhos) e este projeto não foi levado até o fim por mim e Fabio, meu ex-marido, eu quase morri. Claro, hoje eu enxergo isso como óbvio. Se eu despejei 100% da minha energia produtiva para um copo e esse copo virou eu fiquei sem nada. Eu não tinha mais nada. Sendo assim, estava vazia e não sabia mais quem era eu.

Hoje não. Se algum copinho virar – e ó, eles viram mesmo, viu!?! A todo instante os danados são derrubados ou a gente mesmo os derruba, talvez de forma inconsciente, pra encher de suco fresquinho. Pois então, se algum copinho vira eu me concentro nos outros e lembro quem sou eu, lembro-me que tenho funções também importantes, que minha vida tem vários aspectos que me preenchem.

Muita gente me vê fazendo essa correria toda e dando conta de tantos aspectos da vida e questiona: “nossa, mas quanto empenho, como você dá conta de tudo, não se cansa?”. Sim, claro que me canso! Muito. Só quem me vê às 23h sabe a cara amassada e o mau humor que eu me encontro (eu também sofro de um sério mal – confundo cansaço com tristeza….rs).

Entretanto, essa é a vida que faz sentido pra mim e como escolho levar os dias junto de meus meninos. É preciso um empenho diário. Uma escolha árdua levantar da cama às 6h, quando ainda está escuro e já começam os primeiros ares frios do outono do oeste paulista, para ir pra rua correr. É um trampo resistir à tentação das comidas mais práticas e mais gostosas a me alimentar adequadamente, como manda a minha nutricionista. Tem dias que é simplesmente tedioso atender cliente e ainda ter que produzir conteúdo. Claro que é!

Eu sou bem normal, igualzinha a quase todos os seres humanos. Estamos todos na difícil missão terrena. Num bom português: a rapadura é doce, mas não é mole, não! Ainda assim, eu acho que desta forma é que funciona para mim. Fazendo a escolha e o esforço de variar os copinhos para onde vão as minhas energias. Lembrando que quando algum vira eu não preciso ficar desesperada sem saber quem sou eu ou qual outra função em desempenho. Tem vários outros esperando o suco gostoso :)

Update: Recebi um comentário tão, mas tão legal, da minha amiga Giovana Unbehaun, que decidi colocá-lo aqui, pois ele enriquece o texto e faz todo o sentido. Gratidão por enriquecer, Gigi <3

“Também existem aqueles que têm copos demais, e todos muito rasos. Sinto que meu erro às vezes é esse. Dividir demais minha energia em muitas coisas ao mesmo tempo e não conseguir me sentir plena em nada. Acredito que cada um tem uma capacidade única de manter certos números de copos cheios, é importante ouvir o coração e analisar a vida sempre pra sentir o que tá rolando. Equilíbrio é a palavra.

*Imagem: Daqui

22 abr 2015

Multiplan levando magia e diversão há 40 anos

Post por Glauciana às 14:50 em Culturinha

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Durante muito tempo, nos anos em que vivi em São Paulo, usei os shoppings como alternativa de lazer para minha família. Muito mais do que apenas consumo e compras, a gente passava tardes inteiras no shopping e lá ia ao cinema, via exposições, assistia a espetáculos teatrais, comia. Sobretudo nos meses de mais frio ou chuva da capital essa era uma opção excelente para nossos sábados e domingos.

Por isso quando eu vi o vídeo da ação de 40 anos da Multiplan, que administra shoppings no Brasil todo, eu me derreti. Achei muito fofa a forma como eles enxergam o próprio negócio: com fantasia e mágica. E isso eu acho fundamental em qualquer coisa da vida. Essa possibilidade da gente olhar com encanto para aquilo que faz é o que torna tudo mais gostoso e com sentido. Veja o vídeo e chore junto comigo :p

Há 40 anos, a Multiplan é pioneira em projetos inovadores, que transformam a vida das pessoas com cultura, conveniência, lazer e muito mais. Isso começou na década de 70, quando inaugurou seu primeiro shopping center em Belo Horizonte.

Na década de 80 a rede expandiu seus negócios e abriu 4 unidades: em Ribeirão Preto, no Rio de Janeiro, em São Paulo e Brasília. Em 90 mais um grande passo, o CascaiShopping, em Portugal. Em 2014, 180 milhões de pessoas visitaram os 18 shoppings da Multiplan e adquiriram R$ 12,7 bilhões em produtos e serviços.

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