Coisa de Mãe
14 jul 2014

A revolução alimentar de Jamie Oliver, sua e minha

Post por Glauciana às 19:11 em Alimentação
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Acabei de assistir a uma entrevista do chefe de cozinha mais famoso do mundo: Jamie Oliver. O inglês, conhecido no mundo inteiro por sua forma arrojada de encarar a cozinha, é muito mais que um rostinho bonito atrás de uma panela. Aliás, que rostinho bonito, hein?!? Na reportagem, veiculada no Jornal Hoje, da Rede Globo, foi citado o projeto que Jamie tem para promover melhores hábitos alimentares nas crianças.

A cada cinco minutos um americano morre por conta da alimentação que ingere. Essa foi uma das falas dele, durante uma palestra na Califórnia. Embora ele esteja falando de um país específico, fato é que a população mundial sofre os efeitos dos maus hábitos alimentares. No Brasil, mais de 15% da população brasileira é obesa, de acordo com dados de uma pesquisa do IBGE, feita em 2011.

Por isso, há três anos, ele criou um projeto chamado Food Revolution Day, que acontece em 74 países e tem 900 embaixadores defendendo a causa. O Dia da Revolução Alimentar é um evento anual, que em cada país é capitaneado por uma pessoa, que propões discussões com especialistas em alimentação, debates com profissionais da área de saúde. No Brasil, quem encabeça a empreitada de Oliver é Nadia Cozzi, Consultora em Alimentação Consciente e Desenvolvimento Humanos.

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Este dia já passou, foi em 16 de maio, mas ao longo do ano a luta de Oliver continua. Pesquisando aqui na web sobre a atuação dele com crianças, encontrei uma matéria no site de O Globo que fala sobre os problemas que ele enfrenta nos Estados Unidos para tentar mudar o lanche das crianças nas cantinas das escolas. Esse tema é a paixão dele, que tem quatro filhos.

Vale a pena ficar de olho nessas iniciativas para que a gente se informe no que fazer para nossos filhos em casa. Como diz o próprio Oliver: “obesidade mata e cozinhar refeições usando ingredientes frescos salvará vidas”. Fica a dica pra gente, que é mãe, e cuida do que a família come.

07 jul 2014

Três bebês que vieram do céu

Post por Glauciana às 03:51 em A mãe que ninguém vê

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Depois de oito anos de casamento e um projeto de não ter filhos, o empresário paulista José mudou de opinião quando sua esposa, a funcionária pública Leda, engravidou e perdeu o bebê no início da gestação. A gravidez veio sem planejar e para mudar o que estava estabelecido. A partir de então, começaram a nutrir o desejo de ter um filho. Durante sete anos perseguiram o sonho e quando, finalmente, ele se realizou, veio multiplicado por três. José e Leda, que tanto queriam um filho, ganharam três.

Na década de 80, os namorados José e Leda decidiram se unir. Ela, que já tinha dois filhos de um casamento anterior — Edith com quatro anos e Caio com seis —, decidira montar uma nova família ao lado de José, sete anos mais novo.

Os anos foram passando e o marido começou a sentir a necessidade de ter um herdeiro, embora considerasse os filhos da esposa como seus. As crianças moravam com eles e José se sentia pai, pois, desde que se casou com Leda, passou a ajudar na educação dos rebentos. Entretanto, a vontade de acompanhar os primeiros meses de uma criança e ver seu desenvolvimento desde o início despertou o interesse de José em ter seu próprio filho. Leda, por sua vez, também comprou a idéia e o casal decidiu engravidar novamente, mesmo depois da primeira perda.

Meses depois, veio a boa surpresa: Leda esperava um bebê. Aos 35 anos e com filhos já adultos, a gestação trouxe novo fôlego à Leda e contagiou toda a família. A gravidez foi evoluindo bem, mas, aos cinco meses, ela contraiu citomegalovírus, uma doença herpes-virótica que causa infecções. No seu caso, o órgão afetado foi o fígado e, tanto Leda quanto seu filho, corriam risco de vida. Havia uma controvérsia entre os médicos se o bebê estaria ou não contaminado, o que deixou o casal angustiado com a possibilidade de terem um filho com seqüelas. Com muito medo e sofrimento, Leda decidiu interromper a gravidez, seguindo orientação médica.

⎯ A decisão de interromper a gravidez foi totalmente minha e o maior sofrimento da minha vida. Os médicos induziram um parto normal prematuro quando o feto estava com cinco meses. Foi uma violência! ⎯ contou Leda.

Mesmo assim, continuaram seguindo em frente com o sonho de terem um filho. Oito meses depois, aguardavam um novo bebê. Mais uma vez, a gestação ocorreu bem. No quinto mês, exatamente na semana da interrupção da gravidez anterior, a bolsa se rompeu, Leda foi para o hospital e perdeu mais um bebê. Essa terceira perda deixou o casal extremamente abalado, Leda principalmente, já que ela se questionava pela decisão que tinha tomado na outra gravidez, culpando-se por não tê-la deixado evoluir.

Durante um período, Leda ficou emocionalmente anestesiada. Em paralelo, uma doença grave manifestou-se em seu corpo: um resto embrionário continuou a se desenvolver em seu útero, formando um tumor. Uma forma, talvez, de continuar gerando os bebês que havia perdido. E, mais angústia, pois foi submetida a um tratamento quimioterápico.

O trauma da última perda foi grande. Já sabiam o sexo, o nome estava escolhido e o enxoval montado, além de toda a expectativa natural que envolve a espera de um bebê. Apesar de muito difícil, essa perda foi o despertar para uma nova situação: de que o filho que o casal tanto queria poderia vir de uma outra forma. Muito religiosa, Leda clamou ao plano espiritual.

⎯ Eu me ajoelhei no chão e disse: “Meu Deus do céu, me ilumine nesse momento de tanta dor. Eu peço ao plano espiritual que traga esses seres que estão em volta de mim e querem chegar. Que eles venham de onde for, que eu estou pronta pra recebê-los” ⎯ lembrou Leda emocionada.

A partir de então, entendendo que filhos poderiam vir por vários caminhos, o casal decidiu adotar uma criança. Com todo o sofrimento passado, José se convenceu de que a adoção seria uma alternativa, pois sempre teve muita resistência com o tema.
ONGs, amigos em comum e Juizados da Infância e da Juventude foram os meios pelos quais Leda e José procuravam pelo filho. Não faziam exigência quanto ao sexo da criança, desde que fosse um bebezinho, afinal o pai gostaria de ter a sensação de cuidar de um recém-nascido.

⎯ Tinha que ser bem novinho. Era uma condição que eu coloquei na época para a adoção. Queria que fosse o mais novo possível para trocar fralda, dar mamadeira. Isso porque eu nunca tinha sido pai e era importante para mim esse contato desde o início ⎯ lembrou José.

Para alegria da família, amigos do casal souberam de uma moça, de uma comunidade carente do interior de São Paulo, que estava grávida e não ficaria com o filho. José e a esposa acompanharam a gravidez como se a criança estivesse sendo gerada no ventre de Leda. Fizeram os exames pré-natais, comprara enxoval e os amigos e o restante da família aguardavam o nascimento do bebê. Quando chegou a grande hora, ainda na maternidade, a mãe desistiu de entregar a criança. Ainda que compreensível, Leda e José sofreram outra perda.

Foram mais quatro longos anos de espera pelo filho tão desejado. Nesse tempo todo, o casal não recebeu sequer uma ligação do juizado, apesar de estar na fila de adoção há anos, inclusive em varas de outros Estados. Então, decidiram optar por métodos de reprodução assistida e, em 1996, fizeram uma inseminação artificial. Implantaram três embriões no útero de Leda e um deles se fixou. Ao contrário das situações anteriores, dessa vez ninguém — além dos filhos de Leda, Edith e Caio — sabiam da gravidez.

Dando as boas-vindas ao ano de 1997, o casal e os dois filhos viajaram de férias e, quando retornaram, receberam a notícia tão esperada. Por meio de um telefonema, um amigo informou que, no comecinho do ano, dia 5 de janeiro, um anjo passara e deixara um presente a eles.

O novo ano começava com boas novidades e o filho que tanto desejavam chegara. Agora, por duas vias, afinal, a gravidez de Leda evoluía bem e um outro filho — supostamente uma menininha — os esperava em algum lugar do Estado de São Paulo. Sem pensar duas vezes, decidiram buscar a criança, mesmo com a gestação de quatro meses de Leda.

Sequer tiraram as malas do carro e rumaram para o litoral norte paulista, em busca daquilo que esperaram por tanto tempo. Antes disso, passaram em um hipermercado para comprar, pelo menos, coisas básicas para uma criança, como mamadeira, fraldas e roupinhas. A viagem foi repleta de euforia. Entre nomes, palpites e expectativas, Leda, José e Edith passaram a noite na estrada.

⎯ Aquela noite foi mágica, porque já tínhamos desistido da adoção, afinal depois de tantos anos. Mas temos certeza que foi mesmo um anjo que passou e nos deixou o presente, pelo modo como tudo aconteceu. Justamente porque já estávamos grávidos. Fomos flutuando buscar nossa filha ⎯ disse José.

A madrugada era quente, bem típica do litoral em noites de verão, e os amigos lotavam a casa de um amigo, que havia ajudado no parto e na adoção. Ainda na sala, Leda e José viram descer a escada o amigo com seu presente no colo. Com três dias de vida, Luiza encontrava seus pais.

Mas, surpresa! Como se o anjo travesso quisesse recompensar Leda e José por tantas perdas e tantos anos de luta e espera pelo filho, decidiu trazer não só um presente, mas dois. Não bastasse a felicidade dos novos pais com Luiza nos braços, mais um bebê desceu as escadas, como se viesse mesmo do céu. Isabel, a irmã gêmea, também nascia para o casal.

⎯ Eu tive certeza absoluta de que elas eram as crianças que eu tinha perdido e, nesse momento, o bebê mexeu em minha barriga. Eu estava com as minhas três filhas junto de mim e dava graças a Deus, porque finalmente nos encontramos. Foi o dia mais feliz da minha vida, porque eu pude entender aquele processo. Tanta dor, agora, fazia sentido. Eu estava sendo preparada para um encontro sagrado, para uma missão divina — contou Leda.

Leda e José, que tanto quiseram um filho, voltaram para casa com dois bebês. Seis meses depois, Victória nasceu! A família comemorava as “trigêmeas”, como sempre foram chamadas as irmãs. A felicidade chegou em dose tripla.

Apesar de serem chamadas de trigêmeas, a diferença de alguns meses entre as irmãs causou questionamento por parte das meninas, conforme foram crescendo. Os pais, que nunca quiseram esconder a verdadeira história, foram contando aos poucos, mas a grande conversa ocorreu quando as pequenas tinham cinco anos. A esposa de Caio, filho mais velho de Leda, perdeu o bebê que esperava e a mãe foi dar a notícia a Isabel, Luiza e Victória, que estavam felizes com a chegada de um sobrinho.

⎯ Contei pra elas: “A Karin perdeu o bebê”. E a Isabel olhou pra mim assustada e disse: “Mãe, como perdeu? Manda o Caio procurar!”. E a Luiza falou assim: “Não, Bel, perdeu porque o bebê morreu” ⎯ lembrou Leda.

A situação foi uma deixa para que a mãe contasse às meninas de onde e em que circunstâncias elas vieram. Quando Isabel perguntou por que Karin tinha perdido o filho, Leda explicou que algumas mães têm muita dificuldade para terem seus filhos e que, às vezes, estes filhos constroem caminhos para encontrarem seus pais e vêm da barriga de outras mães. Nesse momento, as meninas ⎯ anunciando que já sabiam de algo ⎯ perguntaram: “como nós?”. Foi a oportunidade de expressar com palavras a felicidade que as irmãs representam para o casal e contar toda a triste história de perda de bebês.

⎯ Eu disse que elas eram a coisa mais maravilhosa que nos aconteceu, porque a gente conseguiu se encontrar. Porque, às vezes, esses filhos e essas mães não conseguem se achar e passam a vida inteira se procurando. E nós nos encontramos logo que elas nasceram, quando fomos correndo buscá-las. Daí, a gente se abraçou e elas entenderam o processo ⎯ disse Leda.

As três meninas se amam e interagem como qualquer irmão da idade: brincam, estudam, brigam. A relação de Isabel e Luiza é mais próxima, provavelmente por serem gêmeas, o que acaba gerando um desconforto em Victória que se sente, às vezes, deixada de lado pelas duas. O contato das gêmeas é tão estreito e a cumplicidade entre elas é tão forte que, por vezes, a mãe as pega dormindo na mesma cama, ainda hoje, que estão com 10 anos.

O final desse conto de fadas é bem contemporâneo. Leda e José se separaram em 2001 e as três meninas moram com a mãe, mas, nas noites de quarta-feira, dormem na residência do pai. Os finais de semana são passados alternadamente na casa dos pais.

A vida, como era de se esperar, seguiu em frente. José se casou novamente com a enfermeira Adriana e o novo casal tem um filho de quase dois anos, Plinio. Com isso, Isabel e Luiza desfrutam de dois sólidos lares. E Victória, que não teria irmãs de sua idade, ganhou a companhia de, nada menos, que uma dupla dinâmica.

*Imagem: Daqui

**Este texto faz parte do livro-reportagem “Filhos do Coração. Histórias Extraordinárias de Adoção”, que escrevi em 2007, como fruto de meu trabalho de conclusão de curso, para a obtenção do diploma da graduação em jornalismo.  

***Os nomes dos protagonistas foram trocados, para garantir mais privacidade à família. 

30 jun 2014

Helena encontrou um lar excepcional

Post por Glauciana às 20:16 em A mãe que ninguém vê

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Helena acorda às 9 horas e, com a ajuda da irmã Jandira, toma seu café da manhã: um mingau de farinha láctea. Entre o alimento da manhã e o almoço, Jandira dá a Helena um suco de frutas com a ajuda de uma colher, já que ela não consegue tomar os líquidos aos goles. Para o almoço, o cardápio é vasto, desde que toda a comida seja batida no liquidificador para que fique em uma forma pastosa e ela consiga engolir.

Os cuidados prosseguem ao longo do dia. No meio da tarde, enquanto ainda está sol e sua casa aquecida, é hora de tomar o banho. Agora, Dita, sua mãe, já voltou da casa de família onde trabalha como empregada doméstica e pode cuidar de Helena. Sentada no boxe do banheiro, ela ganha o seu banho e tem suas fraldas trocadas. Mas isso só ocorre quando o dia está quente, pois se o clima está mais frio — o que é comum no extremo norte da cidade de São Paulo, no meio da Serra Cantareira, onde moram — o asseio é apenas com panos molhados pelo corpo.

Não se trata de preguiça, não. É que Helena sofre de broncopneumonia crônica e qualquer friagem pode fazê-la ficar doente. Por conta disso, as sessões de inalação também são diárias. Depois do banho, vem o passatempo predileto de Helena: balançar na rede da varanda de sua casa. Enquanto fica na rede, ela balbucia muito, sinal de que estar ali é um prazer.

A tarde passa e ela tira um cochilo em sua cama, que fica no quarto dos pais. Nesse momento, Dita deve prestar atenção redobrada às fraldas de Helena para que ela não molhe a cama. Durante o sono, ela urina bastante, expelindo o líquido que uma válvula instalada em sua cabeça drena de seu corpo. Enquanto o pai, Valdinei, está chegando do trabalho e a casa está movimentada com a visita dos outros filhos, é hora do jantar. Novamente a refeição é batida no liquidificador.

Após se alimentar, Helena toma mais uma dose de Gardenal, um medicamento controlado para conter as convulsões, que começaram a ocorrer recentemente. Às 8 da noite é hora da ceia, um biscoito de maisena esmagado no leite ou um mingau de aveia. Com a noite chegando, é hora de dormir.

Essa é a rotina de Helena há 20 anos. Ela, que hoje tem 24, sofre de hidrocefalia, uma deficiência congênita. Seu cérebro produz água, que fica armazenada na cabeça, causando deficiência mental e física. Sua comunicação é exclusivamente visual e auditiva e ela tem dificuldades no desenvolvimento neurológico-motor, além de paralisia no lado esquerdo do corpo. Helena tem 35 quilos ⎯ o peso de uma pré-adolescente de dez anos ⎯ e o que mais pesa em seu corpo é a cabeça, que tem o dobro do tamanho de uma jovem normal, devido ao excesso de água.

Sua deficiência não causa espanto, já que crianças com necessidades especiais nascem todos os dias em muitas famílias. A surpresa está no fato de que Dita não gerou uma filha especial. Ela e seu marido Valdinei adotaram Helena sabendo de sua condição.

Dita trabalhava como assistente de enfermagem do setor de pediatria do antigo Hospital Santa Isabel da Cantareira, que ficava na Zona Norte de São Paulo e tinha mais de 800 pacientes internados. Aos 29 anos e nenhuma experiência na área, passou a trabalhar na instituição, já que seu marido ficara desempregado e ela tinha que ajudar a sustentar os quatro filhos que tinham, incluindo uma recém-nascida. Naquele ano de 1985, eram 300 crianças com necessidades especiais internadas, mas, para Dita, uma era mais especial que todas.

A pequena Helena tinha apenas dois anos quando conquistou o coração de Dita. Abandonada pela mãe biológica e sem muitas expectativas na vida, Helena tinha na mochila apenas a certidão de nascimento em Mogi das Cruzes (SP) e algumas mudas de roupa. Contrariando um triste destino que poderia vir a ter, pulando entre as instituições públicas psiquiátricas, Helena ganhou não só uma mãe, mas também um pai e quatro irmãos.

O Hospital estava fechando as portas por causa de problemas financeiros e os pacientes que não tinham família seriam entregues à Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem), um dos órgãos do governo que abrigava as crianças abandonadas na década de 1980. Dita, que fazia plantões longos, voltava de suas folgas com o coração cheio de medo por não encontrar mais Helena, a pequena especial que ela vinha cuidando com mais atenção do que os demais pacientes da ala pediátrica.

Valdinei, seu marido, começou a perceber que a esposa andava apreensiva e preocupada. Foi então que Dita abriu seu coração para o marido e disse que tinha se apaixonado pela menina e que gostaria de adotá-la. Para sua surpresa, o marido concordou, mas, antes, Dita quis que ele fosse conhecê-la, já que não era uma criança comum.

 

⎯ Ela tem defeito. Tem a cabeça grande. Tem paralisia no corpo ⎯ disse Dita ao marido.

 

Em um domingo à tarde, Dita colocou a melhor roupinha em Helena e a deixou sentada em um carrinho de bebê na entrada de seu quarto. Olhando de longe, pôde ver quando o marido chegou para a visita, pegou a menina no colo e foi passear no pátio do hospital. A empatia foi instantânea. Tanto que, no final da tarde de visitas, a criança ficou chorando quando os futuros pais foram embora.

 

⎯ A Helena gostou dele. Porque, no mundinho dela, eu acredito que ela sente e entende alguma coisa ⎯ afirmou a mãe.

 

Chegando em casa, após o plantão, Dita ouviu de Valdinei o que tanto queria. O marido disse a ela para mover os papeis que eles iam adotar Helena. O processo burocrático foi rápido e logo a menina passou a ter o sobrenome dos pais adotivos, uma nova certidão de nascimento e a guarda definitiva em nome de Dita e Valdinei. Advogados, médicos, psicólogos e assistentes sociais participaram do processo, por não se tratar de uma adoção comum.

 

⎯ Eu acho que eles desconfiavam que nós fôssemos mesmo adotá-la, porque ninguém quer um filho especial. Geralmente esse tipo de criança nunca consegue uma família. E eu não estava procurando nenhuma criança para adotar. Helena é que procurava uma mãe e me encontrou ⎯ desabafou Dita.

 

Em 27 de junho de 1985, Helena passou a ser filha de Dita e Valdinei, mas demorou um pouco até que fosse definitiva a ida para a casa dos pais. Isso porque Dita era insegura quanto aos cuidados com a menina. Assim, começou a levá-la para passar os fins de semana em casa para que fosse se acostumando com Helena e também para que seus filhos não estranhassem a nova irmã que estava chegando à família.

Com o amor crescendo, aumentavam também os cuidados com a menina enquanto ela estava no hospital. Como não era apenas Dita quem cuidava do quarto de Helena, ela cobrava das outras assistentes o mesmo carinho e atenção. Já que as demais funcionárias não tinham o mesmo zelo de mãe, ela decidiu tirar a menina do hospital. E hoje, 20 anos depois, Helena é a filha caçula de Dita e Valdinei e irmã de Roberto, Cristina, Alessandra e Jandira.

Apesar da atenção com a saúde de Helena ser redobrada, Dita afirma que a filha nunca deu nenhum trabalho. Durante toda a vida ela levou a menina para consultas regulares com o neurologista e, nas crises convulsivas, a leva direto ao pronto-socorro do hospital mais próximo de sua casa. O atendimento é feito pelo convênio médico que o pai tem, como benefício da empresa onde trabalha como tratorista, e que é estendido à filha deficiente. Os medicamentos são fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e as fraldas compradas com o auxílio de R$ 380 que Helena recebe do governo, destinado aos portadores de necessidades especiais.

Dinheiro nunca foi algo fácil na família de Dita. Atualmente, a renda mensal é em torno de R$ 1300. Esse montante, ela divide entre as despesas da casa e os gastos dela, do marido, da filha solteira e de Helena. Vez ou outra também é preciso gastar com a gasolina que coloca no carro dos vizinhos, que levam Helena ao médico e ao hospital, já que a família não possui carro e a filha precisa ser carregada porque não se movimenta.

Apesar do orçamento apertado, Dita tem uma família unida, feliz, de bem com a vida e bastante agitada. Ela trabalha no período da manhã como empregada doméstica, cuida de um garotinho, filho da vizinha, porque a mãe trabalha à noite, trata de seus 10 cachorros, que vivem nos fundos do quintal, e ainda encontra tempo para ir à Praia Grande com o marido. Helena nunca foi empecilho nenhum para Dita e a família.

 

⎯ A Helena não dá trabalho nenhum, é muito boazinha. É como um bebê, que precisa ser alimentada, ter as fraldas trocadas, ser limpa. Na verdade, é como um bebê que não chora nunca. Ela é um anjo! ⎯ derrete-se a mãe.

 

Como em uma família comum, os irmãos ⎯ distribuídos na faixa etária dos 20 aos 30 anos ⎯ mimam a caçulinha, que é tratada como uma filha biológica do casal. Tanto que Dita e Valdinei afirmam que têm cinco filhos quando questionados sobre o número da prole.

 

⎯ Apesar de não ter saído de dentro de mim, eu a escolhi para ser minha filha ⎯ afirma Dita.

 

*Imagem: Daqui

Este texto faz parte do livro-reportagem “Filhos do Coração. Histórias Extraordinárias de Adoção”, que escrevi em 2007, como fruto de meu trabalho de conclusão de curso, para a obtenção do diploma da graduação em jornalismo. 

Os nomes dos protagonistas foram trocados, para garantir mais privacidade à família.

27 jun 2014

Como tratar a febre em crianças

Post por Glauciana às 18:03 em Saúde

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Uma das coisas que mais me apavorava quando meus filhos eram menores e eu não tinha tanto conhecimento holístico (ainda não tenho tanto, mas estou estudando) é a febre. Parece que a gente foi condicionado a logo combater a febre, como se fosse uma doença gravíssima. E, pelo que tenho descoberto, não é. Ela pode até ser benéfica, pasme!

“Dai-me o poder de criar a febre, e eu curarei toda doença”, já sabia o filósofo grego Parmênides muito antes de nossa época. Febre não é doença, embora todo o organismo seja acometido e prejudicado.
Trecho do livro A doença como linguagem na alma da criança, de Rüdiger Dahlke e Vera Kaesemann.

O médico e psicoterapeuta alemão Rüdiger e também e homeopata Vera, escritores do livro que interpreta e significa os quadros clínicos em crianças e oferece um tratamento holístico, afirmam que a febre é até boa, pois prova que a criança está preparada para combatê-la e quer colocar à prova as próprias capacidades de defesa, confrontando-se com a ameaça vinda do mundo exterior (bactérias, vírus, etc).

Eles afirmam que, em princípio, esse calor do combate é bom e somente possível em um organismo saudável, que está pronto para assumir a luta pela vida no sentido figurado, no nível inconsciente. Olha que interessante: eles dizem que o objetivo do organismo com a febre é lutar contra os agentes que causam alguma desordem, cozinhar por dentro, queimar esses perturbadores da paz e, assim, restaurar o equilíbrio do corpo.

Enquanto nós, pais, pensamos que nosso dever é logo tascar um antitérmico e acabar com a febre, os autores defendem – amparados em seus estudos médicos de uma vida toda – que a febre ajuda a amadurecer o sistema vital das crianças.

“A cada grau de febre duplica-se o sistema imunológico, e toda febre o treina para ações posteriores. Assim, a disposição ativa de defesa do corpo contra agentes patogênicos torna-se uma formação rumo a uma personalidade independente e apta para a vida. Muitos pais vivenciam isso na autoconsciência reforçada da criança após uma crise de febre. Realizou-se um processo de amadurecimento”.

Segundo os médicos, a febre pode dar aos pequenos a possibilidade de assumirem uma vida diferente, testando seus limites físicos e também os emocionais, como protestar ou brigar, no sentido saudável da coisa, brigando por algo, lutando com garra. Crianças que passam por febre têm respostas prontas, são cheias de entusiasmo e conseguem tomar decisões com coragem.

Mas, aposto que você está se perguntando: “meu deus, mas então eu vou deixar meu filho sofrer? Deixar que ele tenha febre, se é muito mais fácil logo mandar um remedinho branco ou cor-de-rosa, docinho e pronto, tchau febre e mau-estar?”. Pois é, meus caros, acontece que a gente tem a péssima mania de querer controlar tudo que é ruim de nossos filhos, não deixando que eles passem por algumas situações difíceis para que se fortaleçam.

“Nesse processo [de febre], ela [a criança] precisa lidar com sua capacidade de sofrer e com seus próprios limites. Tal como os adultos, as crianças aprendem não quando todas as dificuldades são retiradas de seu caminho. Ao contrário, elas precisam ser acompanhadas e apoiadas com amor e total confiança enquanto passam por suas crises e as dominam. Assim, conseguem sair amadurecidas e fortalecidas das doenças infecciosas superadas com seus acessos de febre”.

E lembra aquela situação que sempre falamos “ficou tão triste que até teve febre” ou “quis tanto uma coisa que teve febre a noite inteira”. Pois então, tem total razão. Os autores do livro afirmam que a gente deseja taaaaaaanto uma coisa, a gente anseia tão febrilmente, que de fato manifesta a febre. Meu filho mais velho, Eduardo, sempre tem febre dias antes de seu aniversário ou do Natal e eu sempre atrelei isso a alguma doença ou a sinusite. Que nada! Era ele estando tão ansioso, que não conseguia expressar sua alegria adequadamente. Assim, o tema se personificava como febre no corpinho dele.

Bom, tá certo. Já entendemos que a febre pode ser boa. Mas ok a gente deixar a criança pelando? Não faz mal mesmo que essa quentura toda queime o corpo dos pequenos? E as tais convulsões?

Olha, os médicos que escreveram o livro dizem que sim, podemos deixar a febre se manifestar apenas acompanhando e tomando algumas medidas de apoio. Vou listar as principais:

  • Transmitir amor ao cuidar da criança
  • Manter a tranquilidade em seu quarto
  • Proteção contra estímulos externos, como luz forte, barulhos altos, contato físico exagerado
  • Evitar temperaturas extremas, como submeter à criança a muito frio ou calor
  • Dar bastante líquido, sucos naturais, chás adequados para os pequenos ou água
  • Permitir o jejum, quando a criança não tiver apetite
  • Oferecer alimentos leves, com pouca ou nenhuma proteína, se houve fome
  • Estimular o sono da criança, pois dormir é um santo remédio
  • Vestir roupas leves de algodão, para absorver o suor

Para finalizar, enfatizo ainda que Dr. Rüdiger e Dra. Vera sugerem que não tiremos o trabalho do sistema imunológico, senão ele se torna fraco e destreinado e, em um caso realmente grave, ele não dará conta de reagir adequadamente, quando uma doença de fato grave chegar em seu filho.

A mensagem principal é:

“Tanto os filhos quanto os pais têm de aprender a confiar nas forças autorreguladoras do organismo da criança e auxiliar no processo de amadurecimento, conduzindo-os de acordo com a antiga regra da medicina, que diz: medicas curat, natura sanat (“o médico cuida, a natureza cura”).

E aí, tudo isso faz sentido pra você? Ou é do time que acha tudo isso blábláblá e manda logo um antitérmico?

 

*Imagem: Daqui

26 jun 2014

Gratidão

Post por Glauciana às 19:40 em Devaneios de Mãe

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Engraçado como quando eu faço mil perguntas ao vento ele me traz, como vendaval, as respostas. Hoje aprendi a ver, a escutar e a sentir que essas respostas vêm travestidas, quase que embrulhadas pra presente, nas entrelinhas dos acasos, que na verdade nem existem, já que tudo é projeção da mente e harmonia de frequência energética.

Bem, a pauta dos meus últimos meses tem sido só uma: a minha relação com o trabalho e, como consequência, o dinheiro.

Mais especificamente na semana passada comecei a tornar pública a minha inquietação, que já vem sendo objetivada em conversas com amigos, discussões com ex-parceiros de trabalho e choro de desabafo no colo da minha mãe.

E sabe o que recebi, de bandeja, quase que caindo em meu colo em todos esses dias? Textos, conversas, legendas e situações de gratidão. Isso mesmo, essa palavra, que ainda não sei ao certo se tem alguma diferença de um tão conhecido “obrigada”.

Tenho pensado, então, que ao contrário de reclamar e me descabelar e chorar e ter vontade de dormir de dia e ficar acordada de noite e resmungar e pensar negativo e me lamentar que a conta está na minha mão e não tenho dinheiro pra pagar e ansiedade e ansiedade e ansiedade e e e e e e………

Calma, minh’alma, calminha!

Gratidão.

É isso que eu tenho que fazer. Que eu tenho que expressar. Que eu tenho que dizer a todo mundo, o tempo todo no mundo. E, na boa, eu tenho motivos daqui até a lua, ida e volta, para ser grata.

Primeiro, sou grata à Deus, nosso Pai criador, que me concede diariamente o sopro de vida e a maravilhosa chance de me exercitar, mais uma vez, como espírito em evolução aqui na Terra. Nessa seara, sou grata também, com muita ternura no coração, a meu anjo da guarda, que eu sei exatamente seu jeitinho manso e a forma como me acolhe quando eu preciso. Agradeço a mais meia dúzia de amigos espirituais, uns guias porretas, que me atendem quando eu preciso.

Tenho muita gratidão a expressar também aos que mais estão próximos de mim, Eduardo e Luca, que me foram emprestados nessa vida como filhos. Seres tão bacanas, duas almas tão incríveis, dois espíritos tão cheios de atitudes, que vieram pra mudar o mundo mesmo. Pelo menos, o meu mundo eles viram do avesso diariamente. E é certo que também vieram mudar o mundo do pai deles.

E por falar nele, o Baboo (eu ainda o chamo assim, mesmo a gente já ter se separado, como um casal, há 3 anos :). Puxa, o Baboo é o cara por quem eu também nutro muita gratidão.

Sabe, dá pra imaginar que duas pessoas que viveram juntas por quase 10 anos, de repente, não deram mais conta de levar a relação assim, de forma tão próxima, mas ainda assim conseguem manter o que os uniu firmes: o amor, o respeito e a admiração. Ele é O cara! Tem um montão de defeitos e coisas que eu acho o Ó, confesso. Mas, puxa, ele tem umas das coisas que eu mais admiro nos homens: retidão, caráter, palavra, brio.

É ele atualmente quem banca financeiramente meu sonho de estar cuidando de forma tão próxima de nossos filhos. É só por ele acreditar que eu faço bem pros nossos gurizinhos, como mãe, que eu tenho a condição de não trabalhar fora diariamente, de poder cozinhar e escolher o que nossos filhos comem, de levá-los pra escola, saber da boca da professora se Luca continua batendo nos amigos, de buscar da escola, de levar duas manhãs por semana os pitchucos à natação e ficar lá acompanhando o desenvolvimento físico deles, de ter disposição e ânimo para acompanhar tarefa de casa, de ler histórias no fim do dia, de assistir filmes juntos e poder conversar, ao final, sobre a mensagem bacana.

É o Baboo que dá asas ao meu sonho – que ele acha uma grande loucura, é verdade, mas ainda assim banca – de apenas trabalhar com aquilo que me faça sentido e que tanto tem me desafiado a achar o caminho do dinheiro. Olha, bonitão, você sabe que eu te amo e vou te amar pra sempre, porque você é o cara! Quero que saiba também que lhe agradeço, e muito, por ser quem você é e estar ao meu lado e ao lado de nossos filhos. Sou grata por isso <3

Sou grata a meus pais, Joana D’arc e Marcos, dois seres muito especiais, que tiveram o desafio de me trazer pra esse mundo. Olha, não deve ser muito fácil ter um filho como eu, não, viu?!? Ô criatura inconstante, sensível, chorona, bravinha, que muda de opinião a cada cinco minutos e adora um motivo pra perguntar, questionar :p esse cara sou eu! Sou grata a eles por sempre me ampararem, com todo o amor do mundo.

Sinto gratidão pelos meus amigos, que na chuva e no sol estão aí, segurando a bronca comigo. São tantos, tenho a sorte de colecionar vários. Sofia, Nany, Bia Maria, Catita, Bibian, Apolinho, Roque, Paulo, Jama, Lu, Dani Peixe, Japanese… e tantos outros nomes que só não estão aqui, por senão eu ficaria até amanhã escrevendo. Tem uma porção de gente que me escuta, me lê, dá palpites, me socorre com grana, dá asas aos meus sonhos, acalma o furacão interno quando ele chega sem avisar, vai visitar cruzando vários estados. Amigos irmãos de alma, que me conhecem, me aceitam, me ajudam, me expandem. Gratidão a todos vocês por estarem em minha vida.

E tem mais um milhão de motivos: sou grata por ter tantos edredons, tão quentinhos, lá no meu armário, por ter na geladeira o leite pras quianças, por ter saúde brotando na pele, sem a necessidade nem de ter plano de saúde, vlw flw unimed, por ter livros tão ricos lá na estante, que me fazem viajar no mundo da maionese, por estar acordando, todos os dias, não apenas quando abro meus olhos lá na cama, mas quando desperto a minha mente para coisas que antes eram desconhecidas de meu espírito.

Gratidão, meu Deus, meu mundo, minha vida, meu amor. Gratidão. É isso, só isso!

*Imagem: Daqui

24 jun 2014

Quem paga a conta?

Post por Glauciana às 20:26 em Devaneios de Mãe

trabalho x capital

 

Sabe aqueles dias em que você anda de um lado, anda de outro, engole um choro daqui, desfaz um soluço dali. Até que, de repente, no silêncio da sua casa, assim que adentra a porta, senta sozinha à mesa da cozinha e chora, chora, chora desesperadamente, com a cabeça abaixada. Quando se levanta, está até zonzo de enjoo, de tanto chorar e tentar colocar aquela energia pra fora?

Pois bem, foi isso que aconteceu minutos antes de eu estar aqui escrevendo esse texto. Esse post é, na verdade, apenas mais uma forma de liberar a energia que está dentro de mim e me faz tanto mal.

A questão do momento, que é pauta de todas as minhas análises, é: a minha relação com o trabalho e o que ele significa pra mim.

Pra que me entenda exatamente, serei a mais didática possível.

No começo do ano de 2012 eu estava, em tese, em meu melhor momento profissional. Tinha chegado, finalmente, aonde eu tanto almejei: numa posição importante, dentro de uma grande empresa, a frente de uma equipe consistente, ganhando um bom salário. Ser a gestora de comunicação em redes sociais de um banco era o máximo, nos moldes que eu tinha antes. Ganhar 10 mil reais por mês era legal? Siiiiiiiim, essa parte era ótima!

Mas, hoje, quando penso no que eu fazia, como fazia e porque fazia sinto, de verdade, fisicamente, vontade de vomitar.

E entendam, por favor: não estou cuspindo no prato que comi. Serei eternamente grata a todas as pessoas que me levaram àquela conquista, importantíssima para que eu acordasse para um novo mundo, para algo que agora faz todo o sentido.

Não, meus amigos, não dá pra jogar toda a minha energia criativa e realizadora, das horas mais produtivas do dia, em um trabalho cujo único objetivo é enriquecer alguém. Pior, usar do dom que Deus me deu, minha poderosa comunicação, para colocar dinheiro no bolso de um cidadão espanhol, que nem sonhava em quem era eu. Não só eu, mas quase todas as mais de 5 mil pessoas que trabalham na torre central do Banco, em São Paulo.

Vejam só: eu usava meu dom, tão lindo, para escrever mentiras, para fazer de conta que banco é uma coisa legal, bacana, que faz o bem para o mundo. Eu usava de meu maior tesouro para mentir para as pessoas. Em troca de dinheiro. Ou seja, eu usava uma parte sagrada de mim em troca de dinheiro. Portanto, eu me prostituia. É assim mesmo que eu fazia.

Por conta desta forma de trabalho, eu saía de casa antes das 8h da manhã. E se não chegasse cedo, ai ai ai, escutaria horrores, seria levada para uma salinha branca e ameaçada de ser demitida, como fora o colega de trabalho na semana anterior. Sim, meus caros, isso ainda existe em empresas ditas moderninhas e respeitosas. Creiam!

E eu voltava para casa o sol já tinha se colocado. Eu não via os meus filhos minimamente dispostos. Eu não pegava o correio aberto, caso quisesse enviar algo para alguém. Eu não tinha como levar as crianças ao médico, sem ter de rebolar para sair mais cedo do trampo, ir falar com chefe cheia de dedos, como se precisasse implorar para ter algum tempo livre.

Então eu rompi com isso, por que simplesmente não faz o menor sentido. Em minha opinião, para mim, vejam bem, essa é apenas a MINHA opinião e eu posso expressá-la, já que ninguém está vindo aqui pagar as contas que estão se acumulando mês a mês :) bem, na minha opinião isso é de uma burrice sem tamanho. Onde já se viu desperdiçar tantas horas de um dia apenas nessa forma de trabalho aí? Deus me livre!

A vida é tão legal. Tem tanta receita pra gente experimentar e fazer pra comer em família. Tem tanto sol pra gente curtir no parque numa tarde qualquer. Tem tanta praia pra gente descobrir se tem conchinha ou não. Tem tanto livro e filme engrandecedor pra gente assistir. Tem tanto filho precisando de nosso cuidado e dedicação. Tem tanta gente precisando de nossos dons, para que encontrem seu posicionamento no mundo.

E jura mesmo que inventaram que a gente tinha que gastar todo o tempo do mundo só trabalhando que nem mula pra enriquecer alguém?

Tsc tsc tsc. Não faz o menor sentido!

Eu tenho certeza que muitos que lerem esse post podem pensar: “a lá, madame sustentada por alguém ou rica, pregando que ninguém mais trabalhe!”. Eu bem gostaria que ninguém mais trabalhasse, pelo menos não dessa forma absurda que inventaram e que todo mundo aceita como certa. Mas, madame e rica, não. Absolutamente.

Só eu sei a quantidade de juros mensais que minhas dívidas estão acumulando lá no banco. Só eu sei o quanto rebolo na hora de fazer supermercado e pegar as coisas mais baratas. Só eu sei o quanto tenho que negar coisas que meus filhos me pedem pra comprar. Só eu sei as agonias diárias que enfrento aqui por conta da falta de dinheiro. Afinal, por mais que a gente pregue uma sociedade com menos consumo, muitas coisas só funcionam com dinheiro.

Mas, eu bem gostaria que ninguém mais trabalhasse mesmo! Adoraria acordar num dia e ver que ninguém saiu de casa. Nenhuma pessoa. E aí, o que os poderosos fariam? O que nós, simples mortais, faríamos? Teríamos, todos juntos, que criar novos modelos e formas de trabalho.

Aliás, foi isso que meu amigo e guru, Paulo Ferreira, me disse, quando fui fazer #mimimi pra ele, depois de levantar a cabeça toda ranhenta de tanto chorar, que contei no início do texto. Ele me disse que esse modelo não existe e nós é que temos de construir. Santo deus! Que trampo. Jura mesmo?
Pois é. Até hoje só foi inventado esse modo ridículo aí de trabalho, que eu DEFINITIVAMENTE, não me encaixo mais. E há algum tempo as pessoas estão acordando pra vida, se dando conta de que esse modelo simplesmente não funciona mais, pelo menos pra uma parcela da população mundial.

Por que hoje me encontro no seguinte dilema: retrocedo todo o caminhar que fiz até aqui, abro as pernas e volto pra uma agência de comunicação, pra ganhar meus 10 mil de novo? Ou resisto aqui e ali, até encontrar uma forma mais digna de usar meus dons para fazer o bem? E trabalhar em algo que eu realmente acredite que possa levar o bem para as pessoas?

Sigo aqui resistindo! Não sei como se constrói esse mundo aí que o Paulo falou. Não sei qual é o caminho. Não sei a receita. Não sei o rumo. Não sei nada, deus pai amado, não sei de nada.

Só sei que daquele outro jeito, prostituindo-me daquela forma não dá. Mesmo. Tem alguém aí neste mesmo dilema? Vem falar comigo, vem? Vocês já têm algum rumo de como construir esse novo modelo? Help!

*Imagem: Daqui

17 jun 2014

Dando exemplos a nossos filhos

Post por Glauciana às 02:16 em Mãe e Filhos

amor-e-odio

Tem gente que adora criar uma encrenca na vida e isso é ponto pacífico. Enquanto uns dão um boi pra não entrar em brigas, já outros dão a boiada inteira pra nunca sair delas. Eu tenho tentado, a cada dia, me espiritualizar mais e a controlar os ímpetos do ego. Então, nada mais natural do que a vida me presentear, vez ou outra, com situações para que eu possa testar se os ensinamentos estão sendo absorvidos mesmo.

Pronto, ganhei o meu!

Desde que nos mudamos para um local novo, o responsável pelo condomínio já veio nos falar que a vizinha estava incomodada com o barulho do senhor que fazia uma manutenção em minha varanda (apenas o barulho da furadeira, em horário permitido, tipo 3 da tarde, de um dia de semana).

Eu sei do histórico de problemas que essa senhora já arrumou pelo condomínio e de sua fama de ser persona non grata, não só pelos vizinhos, mas também pelo síndico. Pois além de reclamar detudoedetodos, detudoedetodos, detudoedetodos a todo instante, a criatura ainda é A MAIOR barulheira das redondezas. Martela, bate, arrasta, sobe, desce, coloca música no maior volume. E não importa se é dia ou noite.

Fico aqui, cuidando da vida alheia, e tentando entender o que uma senhora dos seus 60 e poucos anos, que mora sozinha, que nunca recebe ninguém em casa (mal sai de casa, na real) tenha tanta atividade assim, que faça tanto barulho. Mas, né, mais fácil cuidar do barulho do outro do que resolver seu próprio barulho.

Tá certo, eis que – já sabendo do histórico da cidadã – quando o zelador do condomínio me disse sobre sua primeira reclamação, eu disse a ele, em alto e bom som, que era pra essa mulher ficar na dela, senão eu iria pessoalmente lá na casa dela quebrar a sua boca. Assim, desse jeito, sem meias palavras. Por que já foi tentado de tudo aqui no condomínio para que houvesse uma convivência saudável com ela e nada.

E meus filhos ouviram isso, por que estavam ao meu lado.

Neste fim de semana, eis que a pessoa me escreve uma carta, sem colocar meu nome e também sem se identificar, falando sobre o barulho, sendo irônica e arrogante. Enfim, usando de recursos que eu não acho bacana quando se intenta resolver uma situação.

Na hora, em que terminei, ruborizada por ler tamanhos despautérios, olhei pro lado e disse, “que absurdo, é uma louca!”. Eduardo, astuto, um ouvido no peixe e outro no pescador, que me ouviu ler a carta para seu pai, corre pra cozinha e me pergunta: “e aí, mamãe, você vai lá quebrar a boca da mulher agora?”.

Minha gente, vocês não têm noção da sensação terrível que me invadiu neste momento. Deusdoceu, eu sou a própria boçal, selvagem, das cavernas… e estou ensinando justamente para meu filho ser um boçalzinho, criancinha das cavernas, mini selvagem também. Santo deus, o que eu penso que estou fazendo com todos os ensinamentos de amor e evolução que tenho tanto buscado?

Vou confessar que morri de vergonha e refleti sob vários aspectos. O primeiro, claro, é que não vou quebrar a boca da mulher, por mais que eu tenha vontade de fazer isso….hohohohohooho (eu só pareço equilibrada, meus amigos). O segundo: está aí uma ótima oportunidade de eu resolver uma questão com paciência, amor e calma, mas só quando ela realmente vier com o desejo de ser resolvida – e não apenas uma provocação, numa carta não identificada e nem endereçada ao meu nome. E o terceiro ponto, e mais importante, em minha visão: que tipo de ensinamento estou passando a meus filhos?

Pois é, gentem, as crianças aprendem pelo exemplo. De repente, me ouvem chamando a vizinha de louca. Depois presenciam o momento em que eu digo ao zelador que vou quebrar a boca dela. E, por último, me ouvem lendo uma carta da pessoa para mim e um arremate meu de “ que absurdo, é uma louca!”.

O que se esperar deles? Que ensinamento eu passei? A de que quando alguém nos afronta ou faz algo que não gostamos temos de ir lá e pou, quebrar a cara mesmo, na pancada. Ai, que vergonha. Ai, que vergonha. Ai, que vergonha.

Na mesma hora a minha ficha caiu e eu expliquei a Dudu que eu não faria isso, que não vou dar um murro na boca da mulher, que sequer vou lá tirar satisfações, que ela tem o direito de fazer o que quiser, de se expressar, e que se nem a carta tinha vindo em meu nome e não tinha identificação, que eu não precisava, de fato, me importar. Expliquei a ele, ainda, que nós temos que tomar mais cuidado com o barulho, porque é muito ruim atrapalhar os vizinhos.

Enfim, falei a ele tudo o que uma pessoa que busca a sensatez, o equilíbrio e o bem-viver deve fazer nessas situações. E para mim, eu disse mil vezes, para tomar mais cuidado com as coisas que faço – ou que digo que vou fazer – e o modelo de comportamento que estou mostrando a meus filhos.

*Imagem: Daqui

16 jun 2014

Por menos #mimimi e mais #paporeto na criação dos filhos

Post por Glauciana às 18:16 em Mãe e Filhos
mimimi

Se tem uma coisa que eu não dou linha é aquele papo, seja de adulto ou de criança, é que “ele não gosta de mim”; “a culpa é dela”; “nosso relacionamento não deu certo por que ela é muito instável”, blá blá blá, mimimi, whiskas sachê. Ai, preguiça nível máximo.

Sabe, meu caro, ninguém tem culpa de nada, não! A questão é sempre sua. Isso mesmo. A gente só é capaz de cuidar da gente mesmo e do que nós sentimos, de nossas ações, de nossas reações. O outro lhe faz mal? Até acredito que sim, mas, infelizmente ainda não inventaram uma forma da gente mudar as pessoas – se é que o outro quer ser mudado, ainda tem essa.

Mas, a gente pode e deve, pelamordedeus, mudar a nós mesmos, para dar conta de entender e sanar o porquê dele disparar tanta coisa ruim em você e você se deixar afetar tanto assim. Compreendo que, às vezes, pode ser muito difícil resolver isso. E aí, sabe como é? Sai fora! Se afasta, na medida do possível, daqueles que não despertam coisas boas.  É isso: ou se trata e vive de boa ou cai fora! Ando radical ultimamente e sofrendo muito menos, viva todos os santos da Bahia e do mundo inteiro.

Hoje, a caminho da escola, Eduardo começou o #mimimi dele. Vou contar pra vocês, viu, ô criatura canceriana metafísica, sentimental e questionadora é essa que tenho em casa. Parece até que é filho meu :D

- “Ninguém gosta de mim na escola, porque ninguém me escolhe na roda do silêncio” – pregou ele mais uma no muro das lamentações.
- “Como funciona essa roda do silêncio, filho” - perguntei, ainda tranquila e calma, querendo entender a situação desse “ninguém gosta de mim drama king”.
- “Ahhh, a gente fica em silêncio quando bate o sinal, esperando as mães chegarem na sala, e um amigo vai até a lousa e escreve o nome de outro que esteja em silêncio” - explicou-me.

Pronto, aí já foi suficiente pra eu sacar algo muito simples: não o escolhem porque ele é o matraca da paróquia. Ai, novidade! De novo, pra quem puxou esse menino que tanto fala? :p

- “Filho, pode parar de drama, de chilique, e encara a real. É simples: ninguém te escolhe na roda do silêncio, por que você simplesmente não fica em silêncio. Não tem nada a ver com não gostarem de você” - disparei no modo #paporeto, encarnando a deusa nipônica jiraya.

Ele ainda quis argumentar, dizendo que ficava quietinho na hora da brincadeira. Eu, como boa conhecedora de meu filho e também por acompanhar a vida escolar dele (sabendo pela professora que ele é dos que mais falam, igualzinho a mim na escola), disse que os amigos não o escolhiam por que contam o silêncio como um todo, no período inteiro de aula, e não apenas no finalzinho, no momento da roda do silêncio.

E aí já aproveitei pra mandar meu recado auto-análise do dia. Expliquei que todos os problemas do mundo estão apenas em nós mesmos e que, não raro, temos essa tendência tenebrosa a aumentar e distorcer os fatos, levando sempre pro lado mais negativo. Claro, é fácil ser vítima, ser o coitadinho, aquele que ninguém gosta. Assim, temos a falsa ideia de que seremos mais adulados e agradados pelas pessoas. Ledo engano. Que ilusão! Até poderemos atrair pessoas na mesma frequência, mas garanto que não será benéfico em nenhuma instância.

Disse a ele, ainda, que prestasse mais atenção ao longo da aula se ele realmente estava tão quietinho assim, como achava. Por que, quase sempre, a gente acha uma coisa a nossa respeito que é totalmente o contrário do que realmente é. Armadilha do ego, meus caros, ele é astuto e sempre arruma formas de nos dar mais e mais ilusões.

Sei que Duduzão foi todo quieto e pensativo pra escola. Olha, esses caminhos até a escola sempre rendem umas conversas profundas. Tá virando nosso divã…ahahahahaha. E eu também fui tocada, por que nesse processo dialético, nós trocamos e ensinamos uns aos outros mutuamente. Afinal, é essa mesma a proposta das pessoas que vivem juntas, né não?!?! E você, como que é tá? Anda aí como criança mimada no #mimimi ninguém me ama, ninguém me quer, tudo é culpa dele? Sai dessa, amigão, e vá procurar ajuda. Beijomeliga.

*Imagem: Daqui

12 jun 2014

Abrindo meu presente a todo instante

Post por Glauciana às 15:39 em Devaneios de Mãe
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Talvez por ser pisciana com ascendente em Peixes, ou sonhadora demais, ou então por ter assistido muito conto de fada durante a infância, criei um conceito de vida um tanto quanto difícil de ser realizado: a de que a vida, ou melhor, a de que a felicidade é algo extraordinário.

Que para ser feliz e viver intensamente teríamos de ter grandes, avassaladoras e duradouras paixões. Que haveria de ter alegria a todo instante. Que o riso teria de ser frouxo e as dores menos presentes. Claro que nem preciso dizer que esse modelo ideal de vida que eu criei em meus sonhos se expande também para a maternidade.

Só que aí eu cresci e fui estudando (muito, por sinal) e trabalhando (loucamente, diversas horas por dia, desde cedo, antes mesmo de completar 15 anos). Para mim, estudar, trabalhar e ter uma família – que no meu conceito haveria de ser tradicional, com um homem trabalhador, uma mulher bacana (eu :) e filhos lindos, comportados, alegres, astutos e espertos – era a receita ideal da felicidade. Com esses três quesitos checked, pronto, eu seria feliz.

Acontece que eu quebrei a cara. E quebrei grande! Até agora estou tentando juntar e colar os cacos. Tem horas que a colagem despenca. Em outros momentos consigo ver uma nova face nascendo linda, com partes bem sólidas deste lindo mosaico em construção. Já em algumas situações me pego achando horroroso o que estou montando, quebro a marretadas e começo outra vez. Tô no começo da montagem. Fato é que desde que minha cara foi quebrada, eu estou na luta para reconstruir uma nova.

Passei um longo tempo sangrando, sem identidade, com a cara toda despedaçada, quebrada em milhares de pedacinhos. Depois, quando entendi que talvez com a ajuda de minhas próprias escolhas eu tenha consentido essa quebra, saquei que eu teria de refazer o caminho, colando-me, construindo-me, pregando os pedaços de mim novamente, do jeito que eu acho mais adequado.

Algumas partes, confesso, ficaram tão avariadas com a batida que foram totalmente trituradas. Assim, o processo torna-se ainda mais difícil por vezes, já que partes precisam fabricadas. O que até dá um tom bacana, pois juntam-se peças importantes do passado, com a essência de meu espírito e os aprendizados morais que trago ao longo de minha existência, e uma nova roupagem, que estou introjetando nessa nova passagem aqui pela Terra.

Bem, pois agora, só agora, é que eu entendi que a vida aqui neste plano não é das grandes alegrias e nem da felicidade absurda que eu sempre idealizei. Esses conceitos até existem, mas em doses menores. Isso significa que estou pessimista, sem ânimo? Não, pelo contrário, acreditar que as coisas são mais brandas e que podemos levar os dias com mais parcimônia estão me dando uma calma danada e baixando sobremaneira minha ansiedade.

E sabe como tenho encontrado a minha paz? Vivendo o dia a dia, doando-me inteiramente ao momento atual, dedicando-me totalmente ao que faço, como quem realmente desfruta de um presente. Afinal, é esse o nome do agora, não é?!? É um presente que ganhamos a cada suspiro.

Atualmente, tudo o que eu faço é acordar, tomar café junto de meus filhos, cuidar da casa, levar criança para a natação, caminhar, fazer o almoço, levar a buscar da escola, lavar roupa, trabalhar, fazer dormir, desempenhar meu trabalho voluntário, ler histórias, acompanhar tarefa de casa, por menino pra dormir, ler, assistir algum filme ou documentário e dormir.

Assim têm sido os dias. Sem grandes emoções. Sem grandes paixões. Sem um amor nos moldes comuns pra chamar de meu. Sem sexo selvagem (e nem tranquilo…rs). Sem baladas extremas. Sem mil amigos por perto. Sem gastos excessivos. Sem consumo exagerado.

O único prazer, de fato, que tenho me permitido alguma extrapolação são as viagens que estou fazendo, por que isso me alimenta muito. Visitar lugares, rever amigos, conhecer novos espaços, sair do mesmo de sempre… ahhh, isso dá fôlego, recarrega as energias e me oxigena.

E, olha, vou te falar que a vida tá bem boa assim, viu?!? Sem grandes emoções, sem solavancos. Vidinha mansa, tranquila. Fazendo o que o presente me propõe. Amanhã? Sei lá o que vai ser amanhã, deixa eu correr que agora, bem agora, neste exato instante, preciso dar um beijo em meu menino, que acabou de me trazer uma flor colhida no jardim, enquanto escrevo este texto :)

09 jun 2014

Fazenda Dona Carolina. Hotel Histórico: perfeito para famílias com crianças

Post por Glauciana às 19:35 em Diversão

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Neste último fim de semana fomos convidados pelo Hotel Fazenda Dona Carolina, em Itatiba (pertinho de Bragança Paulista, a apenas 120 km de São Paulo), para passar um fim de semana hospedados e aproveitando todas as atividades e o espaço do local.

A cortesia incluía dois adultos e meus dois filhos. Convidei uma querida amiga, uma de minhas escudeiras, a Nany. E lá fomos, na sexta-feira, quando o check in estava disponível desde às 16h.

Vou contar todos os detalhes, pois opções onde as famílias, especialmente as crianças, são tratadas como prioridade merecem todo o meu respeito e divulgação.

Atenção no Atendimento e Detalhes

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Assim que chegamos, o mensageiro tratou de pegar as chaves de meu carro e retirou tudo o que eu sinalizei que era nossa bagagem. Antes mesmo de eu chegar no quarto as malas já estavam posicionadas na suíte.

Na recepção, o atendente já me chamou pelo nome (provavelmente, o porteiro passou um rádio a ele informando). Achei isso o máximo. Esse cuidado com o hóspede, a atenção em chamar pelo nome.

Todos os funcionários, sem exceção, foram receptivos, altivos, sempre com um sorriso no rosto. Me pareceram motivados, alegres, com prazer em trabalhar ali. Inclusive, na cachaçaria (Siiiiiiim, eles produzem messsssmo cachaça e ela é premiada nos Estados Unidos), conversei com o colaborador responsável pelo local e ele me contava da alegria que é trabalhar no Dona Carolina. Está ali desde a década de 90, logo após sua formatura na universidade. Diz que sente-se valorizado e respeitado como pessoa e profissional. Pronto, né gente? Isso explica por que eles nos tratam dessa mesma forma. Energia da ação e reação.

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Os mimos e cuidados estavam por toda a parte. Os amenitties do quarto (aqueles cremes, sabonetes, shampoos) do banheiro eram da L’Occitane, puro glamour. Quando chegamos havia duas havaianas de presente sobre a cama. No ato da reserva perguntaram-me se precisava de camas ou berços para as crianças.

Recreação e Programação Infantil

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Logo na sexta-feira à noite, depois que nos instalamos no hotel, já encontramos a turma de recreadores com um pequeno grupo de crianças. Nem preciso dizer que nesta hora Eduardo e Luca já deram tchau pra mim, né?!? Fiquei por perto para sentir o estilo do pessoal, como era o trato deles com os pequenos. Quando me senti confortável, me apresentei, perguntei como funcionava e deixei as crianças com eles.

Vale salientar que a equipe de recreação é grande. Neste fim de semana, ainda de baixa temporada, havia uns 8 profissionais, mas uma delas me informou que em época de férias a equipe chega a 30. Eles têm uma programação intensa, estruturada e rica para crianças a partir dos 3 anos. As atividades incluem visita a uma cachoeira, passeio de trator, ordenha da vaca, tirolesa, arvorismo, andar de caiaque, pescar, oficina de artes, contação de histórias. Se a gente der mole e não ficar em cima as crianças nem ficam conosco o dia todo.

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Como eu queria curtir com os meninos e eles não queriam perder as atividades, acabei participando de algumas eles. Fizemos toda a parte de aventura juntos (caiaque, pesca, tirolesa, arvorismo). Participei do piquenique também com eles e peguei uma carona na visita ao curral pra ordenhar a vaca e conhecer os outros animais de lá.

Os monitores são extremamente atenciosos, carinhosos, cuidadosos (sempre de mãos dadas com os menores), amorosos (distribuindo abraços e sorrisos pras crianças o tempo todo). Me passaram muita segurança. Aliás, essa parte da segurança é muito importante, já que a gente sabe exatamente onde eles estarão em todo o momento, pois recebemos no quarto a agenda da programação. E a todo instante estamos cruzando com eles pelo hotel, por isso também rola a interação da criançada com os pais. Vale um destaque especial pra dois tios, que Dudu e Luca se afeiçoaram demais e eu também uns queridos: tio Cesinha e tia Ioio. Dois fofos, super jovens, mas com muito jeito com os pequenos e também conosco, os pais. Nota 10 para o hotel!

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Hotel Fazenda Histórico

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O Dona Carolina tem esse nome por conta de sua primeira proprietária, uma portuguesa arretada, que ficou viúva precocemente e levou adiante a fazenda onde morava com o marido. Mulher trabalhadora e viosinária, deu liberdade a seus escravos, antes mesmo da Princesa Isabel decretar a lei de libertação deles. Deu, ainda, um pedaço de terra pra cada um. Por isso, se tornou um ícone abolicionista da época.

A Fazenda Dona Carolina data de 1872, com construções (como a sede, dois restaurantes, o terreirão de café, a tulha) originais, que foram restauradas, mantendo a tradição do conjunto colonial do século XVIII. Há também uma capela, que geeeeeeeeeente, que charme. Coisa mais linda a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, toda decorada, no estilo mesmo das fazendas do auge do café no Brasil. A construção é de 1898 e foi restaurada recentemente para realizar casamentos e eventos personalizados. Que vontade de me casar de novo :D

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Por onde se anda, mesmo as crianças, vão aprendendo sobre a história do local, sobre o clima. Na sede, onde fica a recepção do hotel, o piano bar, o salão de jogos, a brinquedoteca, entre outros espaços, há uma sala com um pouco da história, por meio de documentos e fotos da época. Atualmente, ele é administrado pelos herdeiros, ao que me informaram sobrinhos-netos de Dona Carolina, já que ela não teve filhos, por conta da morte prematura do marido, também português.

Lazer

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Quem se hospeda na Fazenda Dona Carolina tem diversão garantida, com as inúmeras atrações. Aliás, quero voltar lá um dia pra terminar de conhecer os lugares e aproveitar todas as coisas bacanas, inclusive as trilhas pela mata, que são 32.

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Também nessa parte de aventura tem a tirolesa, o caiaque, arco e flecha, parede de escalada. O lazer da fazenda engloba cavalgadas (há um centro hípico com 80 cavalos), passeios de chavete e trator, visita ao cafezal, à horta, à cachaçaria, ao curral (para ordenhar a vaca), entre outros. E também o lazer mais tradicional de noteis, como as quadras de tênis, de vôlei, futebol (também de campo), a piscina climatizada, sauna, spa e academia de ginástica.

Serviço de Excelência

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Por onde a gente andava pelo hotel via um cuidado e um charme especial. Na piscina, nas duas tardes, de sábado e domingo, havia um cantor com voz e violão, embaixo das árvores, fazendo um som ambiente e agradável para quem curtia o espaço. E para a nossa surpresa o gosto musical era incrível! Nada daquela barulheira insuportável das piscinas dos resorts. Ali era MPB, bossa nova, samba de raíz, samba-rock. Nos intervalos do cantor rolava blues e jazz. Coisa fina demais, minha gente. Nem preciso dizer que foi um de meus lugares preferidos. Ainda mais tomando uma Colorado artesanal. Hummmm!

Em todas as noites de sábado de junho e julho o hotel prepara um arraiá no espaço da cachaçaria, que está decorado no tema das festas juninas. Coisa mais fofa, a equipe de recreação ensaia uma quadrilha das crianças, caracterizando-os (os meninos com bigode e chapéu e as gatinhas com lacinhos nos cabelos e maquiagem caipira tradicional). Fofura nível máximo os pequenos dançando a quadrilha. Ah, e a moda é de viola e ao vivo. Tem um grupo de violeiros e uma sanfona que dá o ritmo da noite. Esse mesmo grupo toca no dia seguinte, no almoço do domingo (aliás, que churrasco maravilhoso, santo deus!). Tudo no tom, em um volume excelente, perfeito.

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Depois disso, a gente fica comendo e bebendo os quitutes que eles servem gratuitamente: vinho quente, quentão, milho cozido, pipoca, além de uma mesa de doces tradicionais maravilhosa, com canjica, arroz doce, paçoca, pé de moleque, doce de abóbora. E o que as crianças mais gostaram, que eu também achei o máximo: eles disponibilizam barraquinhas com brincadeiras de arraial (pescaria, argolas, boca do palhaço, cadeia) e muitas, muitas, muitas prendas para os vencedores. Quando cheguei à festinha já me assustei “Ai, Deus, a lá a gastação de dinheiro nas barracas”. Que nada! Tudo grátis. Precisei de uma sacola pra colocar todos os presentinhos que Dudu e Luca ganharam. Ficaram o tem-po-to-do brincando alegres ali com os amiguinhos. Até eu e Nany entramos na onda, brincando em algumas barracas. Coisa mais gostosa resgatar isso :)

Enfim, nossa estadia no Hotel Fazenda Dona Carolina foi SENSACIONAL. O lugar é lindo, mágico, super especial e com muita coisa boa pra se fazer e aprender. Eu agradeço a oportunidade pelo convite e oferecimento de um fim de semana pra nós. Saibam que vocês proporcionaram a manutenção de nosso vínculo de amor, com a gente se divertindo juntos em um lugar tão belo como o Dona Carolina. Obrigada, obrigada, obrigada :)

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