
Aqui onde moramos, no litoral norte da Bahia, não faz tanto frio, nem nos meses do inverno no calendário. Apenas um ventinho mais frio à noite e alguns dias bem chuvosos. Entretanto, essa não é a realidade nos estados do sudeste e do sul, talvez até alguns do centro-oeste.E nesse tempo, quando morávamos em São Paulo, onde meus filhos nasceram, era o frio chegar para… batata! Gripe, dor de ouvido, resfriado, dor de garganta.
Mas, calma, mãe! Tudo natural, normal da idade e que faz parte do desenvolvimento. Algumas doencinhas até são boas para a criança, pois ajudam seu corpo a formar os anticorpos. Doenças na infância fazem um certo bem. O que não faz bem é para nós, mães, que perdemos noites de sono angustiadas com os pequenos, as que trabalham fora faltam no serviço, quando os tchutchucos não podem ir à escola e mais uma série de dores de cabeça que criança doente causa. Além da peninha e da angústia que sentimos, sim?
Fiz uma lista das doenças mais comuns no inverno e como passar por elas sem maiores traumas:
Gripe
O vírus da gripe mais tradicional é o Influenza, mas como é super resistente e existe em todo o mundo, já se transformou e há vários tipos. Por isso, o tratamento é um pouco mais chato e pode demorar alguns dias. Como se sabe, não há o que fazer para tirar o vírus do corpo, uma vez infectado. O que se pode fazer é prevenir bastante e, depois de adquirido, usar remédios e soluções caseiras para amenizar os sintomas que são beeeeeem ruins.
Sintomas: Febre alta (acima de 39°C em 65% dos casos), dores musculares, prostração (mal-estar, sensação de fraqueza), tosse, dor de garganta, dor de cabeça, coriza, falta de apetite, dificuldade para respirar e, consequentemente, dormir.
Como tratar: O ideal é não encher a criança de remédio, pois ela já está fragilizada pelo vírus. Entretanto, se tiver febre vale dar antitérmico a abusar do banho morno. Descongestionante nasal também ajuda muito a desentupir o nariz na hora de dormir. E muita ingestão de líquido, principalmente água, para ajudar a se rehidratar.
Como prevenir: Lave as mãos de seus filhos sempre que puder. Tente, na medida do possível (sem se tornar uma doida neurótica) não compartilhar talheres e copos com outras crianças. Em dias muito frios não fique muitas horas seguidas em ambientes fechados como salas, shoppings, lojas. Isso por que podem ter pessoas infectadas e o vírus adora ir para outros corpinhos. Prevenir com a alimentação também é uma ótima saída. Muita vitamina C nos pequenos, que pode ser encontrada nos seguintes alimentos: laranja, acerola, mamão papaia, goiaba, pimentão, brócolis, morango, kiwi, abacaxi, limão, tangerina, cajú, tomate, agrião, salsa, couve, rúcula e couve-flor.
Dor de ouvido
Está aí uma das piores dores da infância. Eu tive muita e posso dizer, com conhecimento de causa, que realmente doi muuuuuuito. A dor de ouvido, que é chamada de Otite, é a infecção ou inflamação no ouvido. Ela pode ser classificada como aguda (que surge subitamente e por pouco tempo) ou crônica (surge repetidamente por um longo período). As otites devem ser cuidadas, pois podem causar problemas sérios como perda irreversível da audição.
Sintomas: Pode ocorrer muita dor, coceira, vermelhidão, inchaço, secreção e perda da audição. A febre não é um sintoma tão comum, mas quando aparece é um sinal mais grave da infecção.
Como tratar: O tratamento depende da intensidade do problema, dos sinais e sintomas. Normalmente são aplicados antibióticos nos casos em que haja sinal de infecção bacteriana. Analgésicos e antitérmicos também são muito utilizados. Por todos os riscos que a otite pode acarretar, diante de qualquer desconfiança de alguma infecção, leve seu bebê imediatamente ao pediatra.
Como prevenir: Agasalhe bem seu filho e coloque uma touca quando ele for submetido a mudanças climáticas, ou seja, se saiu do quentinho e vai para o frio, toquinha nele. Seque bem o ouvido da criança, principalmente depois do banho. No banho de banheira, para os mais novinhos, vale cuidar na hora de lavar a cabeça para que não entre água nos ouvidos. Não passe muito cotonete, pois ele tira a cera, que na verdade é uma forma de tampão, impedindo que agentes infecciosos entrem para o fundo do ouvido. Antes de dar a mamadeira, posicione a criança de forma que a cabeça esteja mais levantada que o corpo. Não amamente o bebê e deite-o em seguida. Se regurgitar, o líquido sobe pela fossa nasal até chegar ao ouvido e pode causar a inflamação. Alimente seu filho com leite materno. Ele transmite os anticorpos da mãe para o bebê, assim a imunidade da criança se torna mais poderosa.
Bronquiolite
A única doença que fez eu encarar uma internação com meus filhos foi essa tal de bronquiolite. Muito comum na infância, essa doença quase que só ataca bebês ou crianças na primeira infância (menos de dois anos e mais nos piticos, de até seis meses). A bronquiolite decorre da inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões (bronquíolos), provocada pelo vírus, agravado pelo acúmulo de muco. Isso dificulta a passagem do ar, causando sintomas parecidos com os da asma. Uma das causas da doença é um vírus chamado sincicial respiratório (VSR), que também pode provocar infecções de ouvido, laringite e até pneumonia. Mas outros vírus também podem causar bronquiolite, como o rinovírus (do resfriado comum), o adenovírus, o influenza (da gripe) e outros.
Sintomas: Nariz escorrendo, tosse e febre baixa, que podem se agravar e levar a dificuldades para respirar e, às vezes, chiado no peito. Muitos bebês também ficam irritados e inapetentes. Entre as crianças que estão mais vulneráveis a desenvolver uma insuficiência respiratória mais séria por causa do vírus da bronquiolite estão os bebês nascidos prematuros, os nascidos com problemas cardíacos ou pulmonares e aqueles com deficiências no sistema imunológico.
Como tratar: Assim como os resfriados comuns, não há fórmula mágica ou única para tratar a bronquiolite, mas há medidas simples para deixar o bebê menos desconfortável. Dê uma boa quantidade de líquidos para mantê-lo hidratado (se ele ainda mamar no peito, amamente com frequência). Eleve a cabeceira do berço ou da cama colocando uma toalha ou cobertor dobrado entre o estrado e o colchão. A elevação da cabeça facilita a respiração quando o nariz está entupido. Inalações com soro fisiológico podem ajudar o bebê a eliminar o catarro das vias aéreas. Se o pediatra recomendar, dependendo do clima de sua cidade, use um umidificador no quarto para umedecer as vias aéreas da criança e facilitar a respiração. Mantenha seu filho longe de fumaça de cigarros, tinta fresca, madeira ou lenha queimada, agentes que podem dificultar ainda mais a respiração. Mas, a dica mais importante, leve seu filhote ao pediatra para a doença não ficar grave.
Como prevenir: Lave suas mãos e a das crianças com frequência, e não tenha vergonha de pedir às visitas para que façam o mesmo antes de segurar o bebê, já que o vírus é transmitido pelo contato físico e é muito resistente (pode sobreviver por seis horas). Não tenha o hábito de compartilhar copos ou talheres com seu filho ou mesmo entre as crianças da família. Um irmão mais velho com sintomas de resfriado pode transmitir o vírus para o bebê. No caso de prematuros ou bebês mais vulneráveis à doença, como crianças com problemas no coração ou doenças pulmonares, o pediatra pode receitar alguns medicamentos feitos com anticorpos sintetizados em laboratório, que protegem contra um dos vírus que causam a bronquiolite, o VSR.
*Imagem: Daqui
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