Coisa de Mãe
02 mar 2015

O que a morte de um estudante de 23 anos por coma alcoólico tem a ver comigo? O que tem a ver com meus filhos? E com você?

Post por Glauciana às 19:06 em Devaneios de Mãe

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Um jovem de 23 anos morreu neste fim de semana.

Tá, mas e daí?

E daí que eu tenho muito a pensar, a refletir e a falar sobre a morte deste menino.

Sei que muitos podem me perguntar: “ah, mas tanta gente morre todo dia no mundo e porque um garoto especificamente merece tanto alarde?”.

Bem, para mim isso toca fundo por vários motivos. O primeiro, eu vivi tudo isso que esse garoto viveu. Eu estudei na mesma universidade, a Unesp, em Bauru. Eu fui a todas essas festas. Eu já bebi vodka numa festa diurna e também fui para o hospital inconsciente, quase em coma alcoólico. Eu sei o que é beber além da conta. Eu sei o que é ter 20 anos e viver sozinha numa cidade universitária. Eu sei, eu sei, eu sei.

E o segundo motivo: eu tenho dois filhos. E eles também terão 20 anos.

Quando eu vi a primeira reportagem, ainda no sábado à noite, de um jornal de Bauru, noticiando a morte de Humberto, eu me lembrei da tarde em que eu fui a um churrasco de Engenharia, o mesmo curso que ele fazia, e que bebemos cerveja a tarde inteira, sob um sol escaldante deste mesmo fevereiro. Fevereiros são animados em Bauru. Novos estudantes, bixos fresquinhos, recém-chegados e festas, muitas festas. Bebemos a tarde toda. Ao final do dia a cerveja tinha acabado e pegamos as garrafas de vodka e pingas com sabor, que buscávamos em Pederneiras. A última coisa que me lembro é de eu, no banheiro, olhando para o vaso sanitário e, ao me arcar para vomitar, caí de testa na porcelana e desmaiei no chão. Por sorte minha a porta estava aberta e dois bixos (valeu, Montanha, valeu, Avaré) me pegaram, me colocaram no carro de uma amiga e me levaram pro hospital.

Passei aquela noite com a minha fiel escudeira, a Mari, no hospital, tomando soro com glicose. Disso, só ficou a vergonha, o medo por meu pai ver na carteirinha do convênio o porquê de eu ter dado entrada no hospital e o galo na testa, pela cabeçada no vaso sanitário.

Eu saí dessa, nunca passei esse tipo de perrengue novamente, mas eu poderia não ter saído daquele banheiro, como Humberto não saiu da festa de sábado, lá em Bauru. Outros universitários estão hospitalizados em coma, em estado gravíssimo.

Eu vi os vídeos da tal competição. Humberto morreu por ter tomado mais de 25 copos de vodka. Isso é humanamente impossível. Mas, a pergunta é outra: porque precisamos mesmo competir para ver quem bebe mais? Porque o álcool é motivo de orgulho? Em que momento falhamos como seres humanos, que mostramos a nossos jovens que beber é bacana? Que é legal se empanturrar de vodka até…. até…. até? Morrer? É isso mesmo, produção?

Não, não pode ser! E aí eu me peguei refletindo sobre a minha própria conduta aqui em casa. Não, eu nunca mais bebi até cair de cabeça num vaso sanitário, como quando eu tinha 20 anos e estudava na Unesp lá em Bauru. Mas, eu bebo minha cervejinha constantemente aqui em casa, na frente de meus filhos. Eu bebo em jantares na casa dos meus pais. Eu bebo em restaurantes com meus amigos. E meus filhos veem isso.

Tá, até aí tudo bem? Será mesmo? Meu pai também bebia assim em casa, da forma mais despretensiosa do mundo, nunca me incentivou o consumo de bebida, mas eu quase fiquei caída no banheiro de uma festa, em coma alcoólico. Eu poderia ter sido notícia, como o jovem de Minas Gerais foi neste fim de semana.

Eduardo e Luca estão aprendendo que beber é legal, que mamãe bebe umas latinhas enquanto faz os jantares de sábado, que vovô e vovó bebem uma caipirinha no churrasco do domingo. Beber é aceito socialmente, como outras drogas não são.

Em que pontos entendemos que beber muito é motivo de orgulho? Qual foi o momento que nós, enquanto sociedade, entendemos que era isso? Nos comerciais de cerveja há sempre praia, alegria, diversão, mulheres bonitas, quase sem roupa e sorridentes. É isso que a bebida te oferece? Não, não! Isso é um equívoco. Isso é um conceito de marketing maldoso e sórdido, que criaram em torno de um entorpecente, que é qualquer bebida que tenha álcool.

O álcool entra para sanar nossos vazios emocionais e existenciais, como qualquer outra droga. E eu não falo de você, do vizinho, daquele tio alcoólatra. Eu falo de mim. Pelos excessos que já cometi. Pela cervejinha que tomo no meu jantar de sábado.

Eu não quero ter um de meus filhos caindo de testa num vaso sanitário por beber vodka demais. Eu não quero ter um de meus filhos morrendo por beber 25 copos de vodka num sábado à tarde. Precisamos falar sobre bebida com nossos filhos. Precisamos falar sobre bebida com a sociedade em geral. E é isso que eu começo a fazer por aqui, com esse post de desabafo, tristeza, medo e indignação.

19 fev 2015

S.O.S, mamãe quer correr o mundo

Post por Glauciana às 19:07 em Devaneios de Mãe

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Todas as vezes que tive coragem de seguir a minha voz mais profunda, aquela que grita aos meus ouvidos, aquela que não me faz dormir quando eu insisto em me fazer surda para ela… bem, todas as vezes que eu tive peito para ouvi-la e dar razão ao que ela me dizia eu me encontrei com Deus.

Porque, sim, Deus está dentro de nós, está na natureza, está nos nossos filhos, está em toda a criação. Definitivamente, Deus não está dentro de um carro novo vermelho, nem dos quadros da parede do meu apartamento, muito menos na casa de quatro suítes que eu morava na Bahia.

Deus, e toda a paz que Ele nos concede, está em tudo de belo que existe ao nosso redor. E para nos conectarmos a ele, basta entrar em contato com nossos silêncios, nos esforçar para ouvir a voz de nossa própria consciência, que está ligada à consciência do cosmos.

Hoje sinto que não estou fazendo totalmente o que eu tenho de fazer. Novamente, eu oscilo em ciclos de muita satisfação com a missão desempenhada e baixas horrendas de “o que eu estou fazendo neste mundo?”. Como se fosse pouco cuidar de mim, dos meus filhos, da minha casa, do meu trabalho, do meu blog, dos meus clientes, da relação com o pai dos meus filhos, com minhas leitoras, com meu personal, com minhas neuras, com meus analistas, com meus fitoterápicos, com minha funcionária, com meus companheiros de trabalho. Ai, cansei!

A real é que o que me move mesmo é seguir meu coração mundo afora. É poder levar meu notebook à tiracolo e não ter rédeas, não estar trancada, não ter limites. Nos últimos dois anos, desde que meti um pé na vidinha tradicional e tacanha, que me ensinaram que era certa, tenho feito isso. Andado o Brasil atrás de histórias inspiradoras, atrás de pessoas com quem possa estar trocando conhecimento e crescimento.

E, confesso, que nesses últimos meses ando mais quieta, mais fechada, mais “presa” a um escritório. Eu mesma me prendi. Ninguém chegou com a sentença aqui e me colocou atrás das grades. As grades quase nunca existem. Elas são criadas pela nossa própria mente, que tem uma tendência louca em nos aprisionar.

Mas, então, o que fazer? Sair correndo e entrar no primeiro avião com destino à felicidade? Ahahahaa, sim, Leandro e Leonardo. Juro que tenho essa vontade todos os dias. Tenho vontade de ir embora pra Paris. Ai, imagina meus curumins sendo alfabetizados em francês? Ai ai ai, que sonho viver naquele pedacinho de paraíso, que estive uma vez, mas já considero terra natal de outras vidas. Tenho um desejo louco de ir pra Tailândia e andar em cima de elefantes. Morro de vontade de morar em uma palafita sobre o Rio Negro, lá no meio da Amazônia, onde estive duas vezes no ano passado. Enfim, juro que tenho mesmo. Desde criança tenho vontade de fugir com TODOS os circos que chegavam na minha cidade.

Mããããs, acabei de voltar da Bahia, justamente numa dessas fugidas deliciosas de pouco mais de um ano. Já vai bater um ano que estou aqui em Assis com as crias. E sinto que de novo começo a ter essa vontade. Mas, poxa vida, justo agora que está tudo tão certinho, crianças adaptadas na escola, vida em maré flat, apartamento bonitinho e decorado, trabalho começando a fluir, ideias saindo do papel, novos projetos desabrochando. Até parece uma doida varrida kamikase, que quando tudo está entrando nos eixos, sacode a toalha e remexem todos os papeis de novo.

Não posso fazer isso com meus curumins. Não posso fazer isso com minha mãe. Não posso, não posso. Ai, Deus, me ajuda. Por mim eu estaria em qualquer quebrada, em qualquer canto desse mundo redondo, que não tem canto. Pai amadinho, sossega meu facho e me deixa quieta – e FELIZ – aqui nesse cantinho do oeste paulista. PFV.

12 fev 2015

Ajudando meu filho nos desafios do crescimento

Post por Glauciana às 14:10 em Crescimento dos Filhos

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Eduardo falou as férias inteiras sobre o tal segundo ano. Ficou ansioso pela volta das aulas. Perguntava diariamente quando é que ele iria voltar a estudar. Foi comigo comprar o material e arrumou cada caderno. Sentiu-se feliz e orgulhoso por poder, agora, ir até a porta da sala sem acompanhamento da mamãe.

Tudo estava lindo no campo da expectativa. Até que as aulas começaram.

Comecei a notar Eduardo mais arredio, quieto, silecioso. A resposta sempre tão animada para a tradicional “como foi a aula, amor?”, começou a ficar num tom triste, quase amargo. Ele, que naturalmente já tem a cabecinha no mundo da lua, começou a esquecer todos os dias o estojo na escola. Agora, anda esquecendo também o caderno de tarefa. É como se quisesse deixar a escola na escola. Não bastasse, começou a não querer ir pro colégio.

Aí, eu assustei! Como assim? Porque não quer ir pro colégio? Sempre gostou tanto, sempre contou os minutos. Sempre ralhou com o fim de semana por não ter aula. A desculpa nessa semana andou sendo a mesma: “tô enjoado, mamãe”.

A minha primeira reação, confesso envergonhada, foi de acabar logo com o #mimimi. “Vamos, vamos, não tem essa de não ira pra escola, não, vai sim! E vai sem reclamar, é sua obrigação, todos nós temos nossos afazeres e responsabilidades. Pode botar o uniforme, pegar a mochila e zarpar pra escola, que eu tenho muito trabalho a fazer”.

Hoje, olhando mais de perto a carinha apreensiva de meu filho, no momento em que eu dava uma bronca por ele ter esquecido DE NOVO o caderno de tarefa na escola, minha ficha caiu.

Ai, que dor!

Que mãe de merda eu estava sendo. Logo eu, que tenho tanta empatia com os outros, que escuto suas dores, que aconselho, que tento não julgar, que abraço, que enxugo as lágrimas. Logo eu, puxa! Fazendo o contrário com meu filho. Que dor, que culpa, que peso na consciência.

Na hora me liguei, deixei a tarefa de lado, disse a meu menino que sentasse no meu colo que a gente ia conversar. Fiquei um tempo apenas com minha criança no colo, fazendo carinho e dizendo que o amava. Não demorou dois segundos para ele cair num pranto contínuo e angustiado. Eu o deixei chorar, porque tem horas que tudo que a gente precisa é um colo pra chorar, né?

Depois, eu olhei nos olhinhos dele e disse que a mamãe não estava brava. Pedi desculpas por ter sido tão brusca inicialmente, que eu sou sua amiga, que vou ajudá-lo e quero saber tudo o que acontece na escola. Então, fazendo as perguntas mais certeiras e de forma doce, ele começou a abrir seu coração e foi me falando tudo o que acontece.

Me disse que não gosta da sua sala de aula, que os adolescentes da manhã deixam as carteiras sujas, que ele se senta muito distante da professora, que as meninas o chamaram de burro e riram dele, porque ele não soube fazer uma parte da tarefa na lousa. Disse, chorando, me pedindo, quase implorando, para repetir o primeiro ano.

Ai, minha gente. Como isso doi. Deus do céu! Me xinguem, briguem comigo, me chamem de petralha idiota, mãe de merda, feminista radical e até de gorda. Tudo bem! Mas, não me deixem ver meus filhos sofrendo pelas agruras e desafios da vida. G-zuiz, como é punk!

E então, eu fui conversando com ele, dizendo que eu também sentia medo, que era natural. Que eu entendia o que ele sentia. Que eu também estava com medo do meu novo trabalho. Expliquei a ele que podemos conversar com a tia Flávia, explicar a ela o que ele sente, e pedir para se sentar mais perto dela. Falei que repetir o primeiro ano não seria uma boa ideia, porque ele ficaria longe dos amigos que tanto gosta. Falei que eu posso ir acompanhando-o até a sala de aula por um tempo, se ele quisesse, até que se acostumasse com o novo espaço.

Eu sabia que as mudanças eram bruscas, porque ele saiu do núcleo infantil, do aconchego de salinhas mais macias, coloridas e lúdicas. Mas, quando o efeito do desafio bate na porta a gente sente a pressão. Muito difícil lidar com as dores emocionais de nossos filhos em seus momentos de crescimento.

Acho que sempre o melhor caminho é o do acolhimento. Primeiro, o abraço, o colo. Depois, é dizer que eu o entendo, que sei o que passa, que é normal, que tudo bem sentir aquilo. E, então, é dar soluções e propostas para conseguirmos vencer aquilo juntos.

Não, eu não posso impedir que meus filhos sofram, nem que não passem pelos medos normais desta vida terrena, mas eu posso estar ao lado deles de forma amorosa e ajudá-los a avançar os degraus da forma mais branda possível.

*Imagem: Daqui

11 fev 2015

Disputa entre mães não faz bem para ninguém

Post por Glauciana às 13:45 em Mãe e Filhos

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Semana passada me aconteceu uma cena que ainda não havia ocorrido. E eu achei que era apenas falação exagerada de algumas mães. Não, não era possível, no meu conceito, que mãe fosse tirar satisfação com outra mãe por causa de pendenguinha de criança.Pois bem. Acontece!

Eduardo, Luca e eu nadamos no mesmo horário, na escola de natação mais bacana da cidade, em minha opinião. Cada um faz o treino com sua turma e seu professor. Cada grupo fica em um canto na piscina, portanto eu não nem os vejo durante o período em que estamos na água. Além do mais, acredito que quando nossos filhos estão em alguma atividade monitorada por um profissional, a responsabilidade deles nesta hora é de quem lidera a turma. Neste caso especificamente, os cuidados de Dudu e Luca são de responsabilidade do professor de natação. Não é porque eu estou na piscina que eu devo intervir na aula deles. Acho até falta de respeito com o professor.

Aí que saímos todos da piscina e fomos juntos para o vestiário. Sempre tomamos banho, os três, no mesmo sanitário. Na ocasião, encontrei uma amiga querida, nos abraçamos molhadas, trocamos ideia, brincamos com os filhos umas das outras. Eis que neste momento, uma mãe muito nervosa, grande, mais alta que eu, aponta o dedo indicar em minha direção e dispara a bala “Esse menino é seu filho”? Eu, quase que jogada na parede do vestiário, sentindo todos os olhares de outras mães e crianças na minha direção, apenas coloquei a mão no ombro de Luca e respondi “sim, sou”, já temendo pelo que viria.

Ela, segurando a filha com uma mão e dedo em riste no meu nariz, me enquadrou: “Olha, seu filho hoje puxou o maiô da minha filha, quase a matou afogada na piscina”. Na hora, eu perguntei com toda a calma do mundo se o professor tinha visto a cena. Ela respondeu que sim. Então, fui adiante e questionei se ele tinha chamado a atenção de Luca. Ela também respondeu que sim, quando eu disse “Então, é que na hora da aula a responsabilidade pelo que acontece lá dentro é do professor. É com ele que a senhora tem de falar”.

Ela, mais inflamada ainda, continuou: “Eu falei com ele, que chamou a atenção de seu filho, mas eu quis conversar com você mesmo assim, porque eu senti muita maldade no seu filho. Você precisa ver direito o mal que mora dentro de seu filho, viu?!?!”.

Bem, amigas, eu fiquei de boca aberta, assustada pela intimada que a mulher me deu, envergonhada por ela falar alto comigo e apontando o dedo na minha cara, na frente de tantas outras pessoas, no vestiário de uma academia… e apenas disse que “tudo bem”, quase enfiando minha cabeça no vaso sanitário de vergonha.

Antes que alguém pense que estou me redimindo da obrigação de conversar com meu filho sobre seu comportamento já digo não. Sim, eu sei que Luca é danado. Sim, eu sei que ele às vezes na bate nos amigos durante algum conflito. Sim, eu sei que ele tem um comportamento desafiador. Sei de tudo isso e luto, luto muito para que esses desvios sejam resolvidos. Sou amorosa, também mais firme, por vezes dura. E nunca, nunca, nunca deixo passar.

O que quero abordar aqui neste post é o fato de uma mãe ter tirado satisfações comigo, de forma rude, na frente de outras mães, por algo que aconteceu fora de meus domínios e responsabilidade. Naquele momento, exatamente naquele momento, o que aconteceu teria de ser reportado ao professor e se a mãe quisesse, ou se o professor julgasse necessário, ele é que deveria vir me relatar o caso, acontecido com seu aluno. Não a mãe!

O professor veio me falar depois que ele estava ao lado, quando Luca afundou a menininha. Era a primeira aula dela (tadinha) e Luca, espoleta que é, meio que montou cavalinho no ombro dela, brincadeira besta que fazem entre os amiguinhos, bruta-montes. Ele não tem noção de que não pode fazer isso com todo mundo, que era uma menina nova e que ela não tem a mesma destreza na água que os outros. Não foi assim na maldade, como acusou a mãe. O instrutor me disse que não foi nada grave, que na hora ele levantou a criança da água e que ela nem chorou, só se assustou mesmo, quando a mãe começou a dar chilique na sala de espera (que tem um vidro e algumas mães ficam vendo a aula de natação). Ainda bem que eu não estava ali nessa sala, na hora do ocorrido, senão quem morria afogada era eu…ahahahaha.

O que quero dizer, amigos, é que a gente precisa separar a atitude das pessoas. Eu não tenho necessariamente culpa ou responsabilidade sobre os atos de meus filhos. Eu tenho, sim, a responsabilidade de educá-los, de conduzi-los no bom caminho, de guiá-los no respeito, na ética, na educação e nas boas ações com o mundo e as outras pessoas. Mas, eles são crianças e não nasceram prontos. Estão em fase de aprendizado.

Essa intimada que levei da mãe me leva a crer que exista uma grande competição entre mulheres ainda. Que a culpa por meu filho ter feito uma brincadeira bruta com a filha dele seja minha. Não, não é! A responsabilidade corrigi-lo, sim, é minha. Mas, eu não tenho como ser responsabilizada e vista como uma diaba, que não “vê a maldade do filho”, como a mulher disse, por ele ter agido de forma exagerada com a menininha.

A parte boa da história é que eu consegui não ser rude, não alterei o tom de voz, não falei besteira. Apenas escutei, consenti com a cabeça, disse que a responsabilidade pelos alunos, na hora da natação, era do professor e respondi que sim, que conversaria com ele. E assim o fiz, conversando também com o professor, dando a ele plenos poderes para repreender Luca quando ele cometer algo que não julga correto para a ocasião.

E assim eu segui pensando que precisamos de mais união. Nós, mães. Já é tão difícil educar filhos! Não precisamos de acusações, de dedos em riste, de bafão em voz alta, na frente de outras pessoas, no vestiário da escola.

Precisamos trocar ideia, precisamos de acolhimento, precisamos ter apoio para saber como educar. Sei que é difícil ser mãe de quem é “vítima”. Eu tenho os dois em casa. Eduardo é o que apanha. Luca é o que bate. E saibam, as duas coisas são difíceis. Para mim, é mais complicado ser mãe do que bate, porque as pressões são grandes e os olhares de reprovação vem a todo instante.

Por isso, eu peço a você, se trombar com meu Luca por aí e ele fizer algo para seu filho, tenha complacência de mãe e me ajude na melhor forma de educá-lo. Eu te peço, por mim, por ele, pelos nossos filhos, por uma sociedade com mais amor. Não me julgue. Não me culpe. Não me coloque em saia-justa. Isso não é amor. É o contrário <3

10 fev 2015

O sexo e a contracepção depois do parto. Como unir prazer e proteção?

Post por Glauciana às 13:54 em Saúde

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Muitas mulheres, inclusive eu, depois do parto do Luca, não conseguem retomar a vida sexual com o mesmo desejo e vigor que tinham antes de serem mães. E aí rolam todo tipo de ansiedades, agonias e medos, afinal muitas têm um companheiro, que esperam suas mulheres de volta. Mas, cadê a vontade? Onde está a disposição? E o medo de engravidar de novo? Como essa mulher vai se prevenir? Esse, aliás, é um dos principais medos: qual é a contracepção mais adequada, já que muitas estão amamentando ainda?

Tive uma conversa produtiva e sincera, sem #mimimi, com dois médicos, o Eliano Pellini, médico ginecologista, obstetra e professor, chefe do setor de Saúde e Medicina Sexual da Faculdade de Medicina do ABC Paulista. E o ginecologista, Achilles Cruz, especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O cenário não é fácil, amigas, mas precisamos ler, nos informar e conversar com nossos parceiros para retomarmos uma vida sexual e reinventá-la. Afinal tudo vai estar diferente :) e, claro, com a segurança de que não vamos engravidar novamente.

 

Glauciana Nunes: Algumas mulheres não se previnem no sexo durante a amamentação por acharem que não engravidam. Isso é mito ou realidade?


Dr. Achilles Cruz: Isso é um mito. Algumas mulheres podem voltar a ovular mesmo no período da amamentação quando o ciclo menstrual está bloqueado devido à supressão dos hormônios. O ideal é que ela já comece a adotar algum tipo de método contraceptivo a partir da sexta semana após o parto. No primeiro retorno ao ginecologista, é importante que a mãe converse sobre o método mais adequado para evitar uma nova gravidez em pouco tempo. Ele irá orientá-la sobre o uso de camisinha, DIU, implantes ou até mesmo as pílulas de progestagênio, que são as mais indicadas para esse período.

 

Glauciana: Existe algum problema da mulher engravidar na sequência de ter tido um bebê?
Dr. Achilles Cruz: Não existe um intervalo estabelecido entre uma gravidez e outra, porém, é aconselhável que a mulher não engravide enquanto estiver amamentando, porque a sobrecarga da amamentação somada a uma nova gestação pode comprometer a saúde da mãe.

 

GlaucianaQual é o melhor método contraceptivo para as mulheres que não querem engravidar no pós-parto?
Dr. Eliano Pellini: A mulher deve usar um método contraceptivo moderno como as pílulas de progestagênio, mais indicadas para esse período, pois inibem a ovulação e são livres de estrogênio. Dessa forma, não interferem na qualidade ou no volume do leite, não havendo interferência na alimentação do bebê. E podem ser utilizadas a partir da sexta semana após o parto.

 

Glauciana: A pílula de progestagênio traz algum problema para o bebê?
Dr. Achilles Cruz: Baseado em evidências científicas, o uso da pílula de progestagênio pela mãe é completamente segura, inclusive para o bebê. O progestagênio passa em quantidade mínima para o leite sem afetar a saúde do bebê, assim como o sabor do leite. Inclusive, não interfere no volume do leite, não havendo prejuízo na alimentação da criança.

 

Glauciana: Qual é a porcentagem de segurança na contracepção que a mulher tem usando a minipílula?
Dr. Achilles Cruz: A eficácia da pílula de progestagênio é superior a 90% e, assim como qualquer método contraceptivo, ela deve ser usada corretamente.

 

Glauciana: A minipílula interfere na libido?
Dr. Achilles Cruz:
Ao contrário da pílula com progestagênio, existem pílulas que podem exercer maior impacto na libido. No entanto, este ainda é um tema cercado de muitas dúvidas e bastante controverso, pois existem outros fatores que influenciam no desejo sexual da mulher, principalmente em um momento tão especial como é o período da maternidade. Afinal, os bebês exigem quase que atenção total das mães. A sugestão é que o casal converse muito e, se necessário, reaprenda a transar depois do nascimento do filho e, principalmente, com segurança para evitar uma gravidez precoce e não planejada.

 

 

*Imagem: Daqui

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09 fev 2015

Personagens de desenhos animados e o que eles podem ensinar para o seu filho

Post por Glauciana às 13:47 em Culturinha

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Por: Mirella Borelli

Os desenhos infantis fazem parte da vida de todas as crianças. Entretanto aqui em casa eu não seja adepta totalmente deles, já que prefiro manter a televisão desligada, para que os meninos brinquem livremente. Acho importante alertar aos pais que por mais que sejam animações e sejam considerados “desenhos”, algumas atrações não são destinadas ao público infantil tais como: The Simpsons, Futurama, Família da Pesada, American Dad, The Cleveland Show e South Park. Por isso é sempre válido consultar a faixa etária indicada de cada animação. Além do mais, aqui eu pratico TV com tempo de exibição diária, senão eles ficam hipnotizados por horas a fio.

Atualmente tanto em canais abertos como em canais fechados há uma infinidade de desenhos animados no ar, mas sempre ficamos na dúvida de qual é o mais indicado para o meu filho assistir. Muitas pessoas não sabem, mas existem várias produções nacionais de grande sucesso e com o cunho voltado somente a diversão e aprendizado.

Voltando nossos olhos aos desenhos animados temos logo de cara A Turma da Mônica. A animação de Maurício de Souza é sucesso a várias gerações. Antigamente tínhamos muitos gibis da turma e sempre era uma grande alegria ganhar um novo exemplar, porém os anos se passaram e o gibi se tornou uma animação que conquistou o público brasileiro. A turminha que basicamente é representada por: Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão virou mania nacional e é claro conquistou os pequenos. O desenho mostra a relação de amor e ódio entre os personagens, porém no final a amizade sempre prevalece e os ensinamentos transmitidos são muitos. Os episódios são curtos, mas a moral da história é que sempre a amizade é a melhor forma de solucionar os problemas e que mesmo com as brigas e discussões os personagens sempre permanecem unidos. A animação está disponível pelo canal Cartoon Network e TV Globo.

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Outra produção nacional é o desenho Cocoricó. O desenho faz sucesso há várias gerações e sempre tem algo novo e interessante para ensinar aos pequenos. Júlio juntamente com a bicharada da fazenda mostram de maneira simples e leve a relação entre os humanos e os animais. Juntos, eles aprendem noções de saúde, higiene, amizade, companheirismo e ajudam os baixinhos com os estudos na escola. O desenho está disponível na TV Cultura e também pelo canal Rá-Tim-Bum.

Poucas pessoas não sabem mais a animação Peixonauta é uma produção nacional. O desenho que ganhou destaque nos últimos anos é um grande sucesso. Peixonauta é peixe que possui um traje especial para poder sobreviver fora d’água. Junto com seus amigos (uma menina e um macaco), eles ensinam as crianças à importância da reciclagem, da preservação ambiental, a diversidade da fauna e flora, tudo de maneira lúdica e divertida. O desenho está disponível no canal Discorery Kids, TV Cultura e SBT.

Talvez o grande sucesso nacional seja a animação infantil: A Galinha Pintadinha. A Galinha Pintadinha é representada por uma ave azul com pintadinhas brancas e que adora cantar. O mais legal desse desenho que é a animação é apresentada por vídeos alegres e divertidos na qual as crianças ficam encantadas e ainda possibilitada a interação dos pais e avós dos baixinhos, afinal a atração mostra a adaptação de clássicos musicais infantis e canções que fizeram parte da infância e história de toda a família. A animação está disponível no Youtube, no Netflix e através de DVDs da própria marca.

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Saindo das produções nacionais e invadindo o universo internacional temos opções de entretenimento e conteúdo educativo para seus baixinhos.

Para começar vamos falar da esponja do mar mais famosa do mundo. Sim, ele mesmo o Sr. Bob Esponja.

O calça quadrada (assim conhecido) é uma atração que diverte a família toda. O desenho se passa no fundo do mar mais especificamente na cidade Fenda do Biquíni. Junto com seu amigo Patrick, Bob vive altas aventuras e muitas “trapalhadas”. O desenho também ensina os pequenos a respeitar os mais velhos, ter responsabilidades (no caso de Bob, com o trabalho), cultivar as amizades, reconhecer os erros cometidos e sempre pedir desculpas. Bob Esponja não é herói e não possui poderes e talvez seja essa a fórmula do grande sucesso da atração. O desenho está disponível no canal Nickelodeon e na TV Globo.

A próxima sugestão é uma atração dedicada aos mais pequeninos. Backyardigans é um desenho em 3D muito “fofo” e educativo. Os pequenos com certeza vão se encantar com as músicas e com as muitas cores do desenho. Pablo e Uniqua são os principais personagens do desenho, mas a atração conta com muitos outros amiguinhos da dupla. Uniqua mostra que é sempre importante ajudar os amigos e que não importa a situação, já Pablo estimula os pequenos a desenvolverem a criatividade através da dança e da música. A animação enfatiza a todo instante a importância da amizade, dos bons costumes e o respeito com outros seres de cores, raças e etnias. O desenho está disponível no Discovery Kids.

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Outra opção bem legal é o Super Why. A turminha com superpoderes liderados pelo menino Whyatt, procura solucionar os conflitos da vila onde moram. Para solucionar esses problemas eles “entram” no mundo dos livros de contos infantis para procurar letras mágicas. Durante cada aventura os aventureiros ensinam e soletram palavras em inglês. O desenho tem o foco de incentivar a leitura entre os baixinhos e desenvolver o gosto pelo estudo, tudo de maneira alegre e cheia de surpresas. Este desenho também está disponível no Discovery Kids.

Voltando para nossas indicações a próxima atração são As Meninas Superpoderosas. Sim, elas mesmo. Você pode ate se perguntar o porquê delas estarem nesta lista e nós vamos te mostrar. As Meninas Superpoderosas são resultado de um experimento científico desenvolvido por seu pai. Com isso elas adquiriram grandes poderes para que consigam salvar o mundo. O desenho mostra que mesmo cada uma sendo diferente da outra (mandona, medrosa e carinhosa) todas tem qualidades e características capazes de salvar o mundo/dia. Outra moral transmitida na animação é o fato de que uma das garotas, a Lindinha, sempre acha que não vai conseguir realizar uma tarefa, mas com a ajuda das irmãs ela adquire autoconfiança e consegue combater o mal. O desenho é exibido pelo SBT e Cartoon Network.

Outra atração para as crianças são os Padrinhos Mágicos. A animação conta a história de Timmy, um garoto que vive no mundo tecnológico e cheio de videogames. Timmy conta com a proteção de dois padrinhos mágicos (seus peixes, que na verdade não são peixes) que o ajudam em situações difíceis. O garoto tem o poder de pedir algo que queira muito, porém às vezes o seu pedido não é algo tão bom assim e isso acaba se tornando uma “trapalhada” daquelas com direito a muita risada e diversão. A cada capítulo, Timmy tem que aguentar uma babá malvada e ainda viver sozinho já que seus pais estão sempre ocupados. O intuito do desenho é fazer com que a criança desenvolva o lado imaginativo e a capacidade de sonhar, independente do mundo na qual ela viva. O desenho está disponível no canal Nickelodeon e TV Globo.

A nossa última indicação não poderia ser outra, Peppa Pig. A porquinha mais famosa do mundo vive se envolvendo em diversas aventuras sempre ajudando as pessoas em seu redor. A porquinha cor de rosa adora ajudar e sempre está junto com sua família. O intuito do desenho é mostrar a importância de ajudar os outros e sempre respeitar sua família e seus costumes. Peppa Pig é transmitido para mais de 180 países e já recebeu vários prêmios por sua originalidade e conteúdo educativo. A atração pode ser acompanhada através do canal Discovery Kids.

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26 jan 2015

Livro “A Cantina de Dona Calabresa” ensina às crianças a importância da alimentação saudável

Post por Glauciana às 12:20 em Educação

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A Cortez Editora enviou aqui pra redação seu novo lançamento infantil, o livro “A Cantina de Dona Calabresa“, de Liana Leão, uma obra que nos chamou atenção pelas ilustrações. Márcia zéliga, que assina a parte gráfica, acertou em cheio com cores fortes e expressões muito reais das personagens. Os meninos ficaram impressionados.

O livro conta a história de crianças que tinham duas opções de cantina dentro da escola: uma delas era a de Dona Clara, que oferecia os mais saudáveis lanches; a outra, a de Dona Calabresa tinha uma infinidade de doces e balas, tudo do mais engordativo e gorduroso.

Dona Clara, a querida senhorinha, sempre preocupada em fazer o bem aos pequenos, teve que fechar sua cantina, pois já não vendia como antes. Dona Calabresa através de seus artifícios coloridos e de sabor agradável havia feito a cabeça das crianças.

O livro explica como a má alimentação contribui de forma nociva para a saúde tanto de crianças, quanto de adultos. Com o apoio de todos, os hábitos alimentares foram mudados naquela escola, e Dona Calabresa, hoje, deve estar tentando fazer com que outros alunos comam suas guloseimas.

Se você precisa de uma ajuda extra para fazer seu pequeno entender que ele tem se alimentar bem o livro é uma boa pedida. Por meio das imagens e do texto impactante eles ficaram de olhos arregalados vendo as crianças ficando doentes diante da má alimentação. Pelo menos aqui em casa funcionou :)

23 jan 2015

“Eu faço tudo por meu filho”. Você está fazendo isso errado

Post por Glauciana às 19:53 em Mãe e Filhos

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“Eu faço tudo por meu filho”. Desculpe te desapontar, mas você está fazendo isso errado.

Tenho visto legiões de pessoas completamente perdidas na vida. Gente que não tem a menor condição de fazer nada, nadinha por si. E não digo de grandes feitos, como lançar uma ideia revolucionária para a cura do câncer, entrar em Harward ou ter seu primeiro milhão antes dos 30 anos.

Refiro-me a coisas básicas, como acordar sozinho, dar conta de se alimentar minimamente de forma saudável, saber quanto se ganha e quanto se gasta, levar as embalagens do que come para o cesto de lixo, ao invés de deixar emporcalhando o chão da sala, esperando pela funcionária no meio da semana.

Mas, você deve se perguntar: O que essa louca dessa menina está escrevendo? O que o primeiro parágrafo tem a ver com os demais? Não, minha gente, eu ainda acho que não preciso voltar pra graduação de jornalismo. Não por isso, pelo menos.

Eu acho que os trechos deste post têm tudo a ver um com o outro. Agora, mães superprotetoras, peguem seus lenços ou dirijam-se direto para a Cantareira, em São Paulo, porque a água vai verter de seus olhos. Essas pessoas não sabem dirigir suas próprias vidas porque seus pais não lhes ensinaram a serem pessoas viventes neste mundo. Isso mesmo. Nós, mães e pais, somos responsáveis por esses analfabetos da escola da vida.

Esse papo de que “faço tudo por meu filho” pode arruinar o seu filho pra sempre. É duro ler isso, né? Pois então, eu também achava, até o dia que convivi com uma pessoa que não conseguia nem acordar pra ir trabalhar sem a mamãe batendo na porta do quarto. E não estou falando de uma criança de 7 anos. Falo de um adulto de quase 30.

Criar um cidadão autônomo é um processo e isso começa no dia em que ele sai da sua barriga. Claro que nos primeiros anos tudo o que ele precisa é acolhimento. Basicamente é colo e leite materno, recheados de amor. Depois, à medida que vá tendo alguma condição física e intelectual a criança PRECISA entender que o mundo é feito de responsabilidades e que ela deve fazer as coisas por si mesmo.

Aqui em casa desde muito cedo os meninos têm suas responsabilidades, que parecem coisa boba, mas que eu acho que farão toda a diferença em seus futuros. Aqui eles guardam no lugar todo o brinquedo que bagunçam. Eles levam até a pia da cozinha o prato quando terminam a refeição, tendo ou não uma ajudante para lavar a louça. Lugar de lixo é no lixo e eu não permito que um mísero pedacinho de papel, que escapou da sessão recorte e cole, fique no chão. Eles são responsáveis por colocar no lugar estabelecido suas mochilas e lancheiras. Depois do banho têm de estender a toalha nos cabideiros do banheiro. E eu não acho que isso é muito. É de acordo com a idade deles. E eu realmente acho que eles não fazem nada além de suas obrigações enquanto moradores desta casa, junto comigo.

Não, eu não faço tudo por meus filhos. Tenho orgulho em dizer isso. Não tenho culpa nenhuma em dizer que não faço tudo por eles. Eu não acho que deva fazer tudo por meus filhos. Eu não quero fazer tudo por meus filhos.

Eu tenho responsabilidade quase que exclusiva pela formação dessas crianças, já que sou separada do pai deles e eles vivem comigo (ainda que ele seja bastante presente). É minha responsabilidade hoje contribuir para que eles sejam felizes no futuro.

E eu só acho que uma pessoa pode ser feliz quando é livre para dar conta de sua vida sem depender de ninguém. Assim, só assim, é possível fazer escolhas. Isso é liberdade pra mim. Fazer escolhas! Porque, quando dependemos do outro, ficamos presos nas mãos do outro, no tempo do outro, na boa-vontade do outro. E quer saber? Nunca estaremos satisfeitos. Não necessariamente porque o outro não faz bem, mas porque nos sentimos frustrados de não termos o timão de nossa própria vida.

Entenda, eu não acho que isso tem a ver com individualidade extrema ou não contar com a ajuda dos outros. Não, não! Eu sempre digo a eles para pedirem um help quando precisarem, afinal somos todos irmãos no mundo e estamos aí justamente pra isso, servir ao próximo.

Mas que a gente possa entender que nossos filhos não são bonecos. Que cuidar não tem a ver necessariamente com fazer pelo outro. Educar é ensinar a fazer. Dar responsabilidades é uma forma de dizer a ele “eu confio em você”. Designar ações para seu filho é um jeito de fazê-lo entender que ele é capaz. E que, portanto, é livre para fazer tudo o que quiser. Até inventar a cura da AIDS, se quiser. Ou arrumar uma forma pra encher a Cantareira :)

 

*Imagem: Acervo Pessoal. Duduzinho no tronco :p

21 jan 2015

Como decorar o quarto do bebê?

Post por Glauciana às 18:05 em Decoração

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Decorar o quarto do bebê é uma tarefa muito prazerosa. É o momento em que os pais começam a se preparar para a chegada do novo morador da casa e escolhem com carinho os acessórios e objetos de decoração para ele.

Os quartos dos bebês precisam estimular a imaginação, o aprendizado e inspirar os pequenos a fazer novas descobertas.

Para criar um clima lúdico no cômodo, muitos pais recorrem a temas, como navy, safari, fazendinha, veículos, princesas, entre outros. Aconselha-se o uso das temáticas de forma suave, para que o quarto seja sempre coerente para a criança.

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Lembre-se que em um piscar de olhos os bebês começam a engatinhar, andar e explorar o seu espaço. Por isso, a segurança é muito importante para garantir o sossego dos novos pais. Proteja tomadas, portas, trave armários e não insira móveis com quinas pontiagudas no quarto dos pequenos.

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Com o crescimento acelerado dos bebês, é interessante o uso de móveis multifuncionais. Berços que viram camas, por exemplo, crescem junto com as crianças.

As cores usadas no quarto não precisam necessariamente ser claras e suaves. Aqui, o colorido também pode atiçar a curiosidade das crianças.

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Se o quarto tiver piso frio, é interessante o uso de tapetes felpudos e fofinhos. Esses produtos, além de esquentarem o quarto, protegem os bebês que estão começando a engatinhar.

O tapete também pode ser um brinquedo, com imagens de cidades, mapas, números, e letras. Uma boa dica é o uso de produtos de EVA em forma de quebra-cabeças que podem ser retirados e guardados junto com os brinquedos.

Há diversas possibilidades quando falamos de quartos de bebês. A ideia é voltar a ser criança por um momento e pensar como os pequenos gostariam de ter nutrida sua criatividade e curiosidade sobre o mundo.

 

decor3 Imagens: Daqui

20 jan 2015

Sobre a execução do brasileiro na Indonésia eu digo: mais amor, por favor

Post por Glauciana às 02:32 em Devaneios de Mãe

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A execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira na Indonésia mexeu comigo. Li notas do acontecido e acompanhei o pedido de clemência da presidenta Dilma ao governante do país, que negou seu apelo, alegando não poder descumprir as regras contra o narcotráfico no país. Aliás, a Indonésia tem uma das leis antinarcotráficas mais severas do mundo.

Porque eu fiquei tão consternada? Li vários posts no Facebook de pessoas ligadas a mim defendendo o fuzilamento do sujeito e destilando o ódio, afirmando que tirar a vida de uma pessoa seja cabível. Sim, é bem provável que Marco soubesse das leis do país onde entrou com uma asa delta e 13 quilos de cocaína. Sim, eu não acho certo o que ele fez. Sim, eu desaprovo unanimemente as drogas. Sim, eu desabono o tráfico de drogas aqui no Brasil, na Indonésia, em Marte até.

Mas, minha gente! Defender a execução de uma pessoa é assumir a nossa falência enquanto seres humanos. Diz o Evangelho que ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Não me importa o que de errado este homem tenha feito, se foi em seu próprio país ou em outra nação. Nada, NADA, na-da justifica que ele seja morto. É claro – e aí eu concordo em gênero, número e Glau – que ele seja punido pelo que faz de errado. O próprio Cristo disse “Dai a César o que é de César”, ou seja, que se façam cumprir as leis do mundo para estes que vivem aqui. Mas punir com a morte me leva a crer que ainda estamos na pré-história dos direitos humanos.

Me dói muito pensar que Marco, independente das escolhas que tenha feito na vida, tem uma família. Ele tem uma MÃE, que assim como eu e você passou 9 meses com ele dentro do ventre. Que viveu as dores do parto. Que trouxe ao mundo uma criança cheia de esperança e amor. Não dá pra saber, e nem nos compete, o que levou Marco a fazer as escolhas que fez nesta vida. Fato é: existe uma mãe que perdeu seu filho. E deve ter perdido muitas vezes. Perdeu o filho quando ele traficou cocaína pela primeira vez. Perdeu o filho quando ele escolheu pousar na Indonésia com 13 quilos de pó numa asa delta. Perdeu o filho quando ele foi preso. Perdeu o filho, finalmente, na tarde de hoje, quando ele foi executado a tiros de doze fuzileiros.

O amor não está na morte, meus amigos. O amor não está nos tiros. Também não está na cocaína. Muito menos no tráfico de drogas. O amor não está na vida de milhares de outros filhos aos quais todos esses 13 quilos de cocaína poderiam destruir. O amor não está no discurso de ódio dos que defendem a pena de morte. Não há justificativa cabível neste mundo para que a morte seja a postura adotada por qualquer outro ser vivente.

Eu desejo clemência, sim! Desejei clemência a Marco Archer Cardoso Moreira. Desejei clemência quando soube que nossa presidenta telefonou intercedendo por ele. Desejo clemência pela mãe dele e por sua família. Eu tive um primo, de 18 anos, executado sumariamente pela polícia de Londrina, interior do Paraná, e sei a dor que é ver um ente querido estirado no chão em uma poça de sangue. Roberto, meu primo, morria todos os dias quando cheirava uma carreira de cocaína. Roberto morria quando, ainda menino, vendia trouxinhas de maconha nas ruas de seu bairro, um conjunto popular, em Londrina. Roberto morreu naquela noite de carnaval, quando fugia da polícia em uma moto. E nós, da família, que nada tínhamos a ver com as escolhas erradas de Roberto, morremos também um pouco quando vimos no jornal a notícia de sua morte.

Eu desejo a vida! E desejo para todos. Pois é na vida, em abundância, que mora o amor.

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