27 Jan 2012

Bruta flor do querer

Post by Glauciana at 15:03 on Devaneios de Mãe


Tenho um amigo de infância, o João Felipe, que tem um irmão apenas dois anos mais velho que nós. O conheço desde que tenho uns 9 anos e sempre soube, de longe, o prodígio que era, já que frequentava sua casa. Embora sejamos quase da mesma idade, nunca fomos amigos. Eu era mesmo amiga de João Felipe. Arthur não se misturava conosco. Tinha sua própria turma de amigos. Na verdade, ele gostava mesmo era de jogar videogame enquanto brincávamos na rua.

Vi a comemoração quando Arthur ganhou o prêmio nacional das Olimpíadas de Matemática no ensino fundamental. Estive na festinha que seus pais fizeram quando ele passou no vestibular de Economia na USP, aos 17 anos, sem ter feito cursinho. A família de João Felipe e Arthur é a típica família tradicional classe média baixa do interior. Nem muito nem pouco dinheiro. Pai bancário, mãe professora. Ambos contratados do estado.

Hoje, eu e Arthur moramos na mesma cidade. Ele tem 32 anos e é funcionário de um dos maiores bancos do país. Há três anos saiu em uma reportagem da Você SA como um dos jovens talentos em investimentos na bolsa de valores. Chutando baixo, Arthur já deve ter chegado fácil ao seu primeiro milhão acumulado com seu dom em manusear o dinheiro. Não só seu, mas sobretudo o dos outros.

Mês passado me encontrei com João Felipe, meu brother. E naquele papo de “quanto tempo“, “como vai“, “o que tem feito“, “que saudade da sua família“, perguntei sobre Arthur. A resposta de meu amigo a mim foi: “Arthur? Bem, deve estar bem. Moramos na mesma cidade, mas não o vejo faz uns três meses. Ele está lá na casa dele tentando preencher as quatro vagas de garagem do apartamento de luxo que comprou“.

Não, não era um exagero. Uma metáfora. Uma forma irônica de dizer algo. De fato, Arthur, solteiro, vivendo sozinho, aos 32 anos, tem um apartamento que possui quatro vagas de garagem. E está firme no propósito de preencher todas as vagas: ele tem três carros de luxo. Três! Isso, eu disse três. E não são uns carrinhos qualquer de luxo, nacionais. João Felipe até brincou com a situação: “enquanto eu me viro pra pagar o IPVA de meu Fox, meu irmão precisa escolher todas as manhãs se vai trabalhar com a BMW, com a Mercedez ou com o Audi“.

E na sequência João Felipe me disse que a mãe e o pai estavam muito preocupados com Arthur, que não esteve em Assis – a cidade onde moram – nenhuma vez no ano passado. Que vive sozinho no apartamento com quatro vagas de garagem, não consegue engatar um namoro sério, que só se envolve com mulheres belíssimas, mas não passa do terceiro encontro com nenhuma. Muitíssimo responsável e envolvido com o trabalho, Arthur não tem alegria e vive em uma ansiedade em acumular coisas materiais.

Voltei pra casa e Arthur não me saiu da cabeça. Alguns dias depois de saber dessa história, percebi Eduardo em um comportamento que na hora me veio o menino dos três carros à memória. Dudu quis porque quis, com todo o desejo, ganhar de Papai Noel um videogame. Eu não sou totalmente contra, mas acho que existe a idade certa para as crianças começaram com jogos eletrônicos, por isso fiz um trato com Papai Noel que, dessa vez, seria apenas um minigame. Eduardo falou do videogame uns dois meses antes do Natal. Dormia e acordava pensando no videogame. Respirava videogame. Uma determinação e desejo que eu nunca tinha visto em meu menino.

O Natal chegou, Papai Noel esteve em casa e entregou o tão sonhado videogame nas mãos de Dudu. Eu achei que talvez ele pudesse ficar um pouco frustrado, porque na real aquilo não era uuuuuuum videogame. Mas, não, quanto isso OK, ele gostou. Brincou, pediu a ajuda do pai para entender o joguinho, levou para a escola no curso de férias, dormiu com o presente na cama na primeira semana.

Agora em janeiro, Dudu já tem novo desejo, deixando o minigame totalmente de lado: agora quer um laptop. Um laptop, gente. Assim, uma criança que ainda não tem nem cinco anos completos e que mal consegue pronunciar a palavra em inglês, quer um laptop. Quando o perguntei o porquê de querer isso, ele me respondeu que é porque tem “joguinhos muito legais“, de acordo com seu melhor amigo da escola que ganhou um de Papai Noel.

Estamos “fabricando” mini Arthurs em série, minha gente. Para Eduardo, não basta ter um minigame ou um videogame. Se o amigo tem um laptop para jogar, é esse o objeto de seu desejo, mesmo sem saber exatamente para quê serve ou quais são, de fato, esses “jogos tão legais“. Para Arthur, não basta ter a BMW nem a Mercedez. É preciso ter mais. Qual será o limite de Eduardo? Qual será o limite de Arthur? Qual será o meu limite? De quantos sapatos eu preciso para que meu pé não fique descalço? De qual celular eu preciso para poder me comunicar com as pessoas?

A ansiedade em ter nos sinaliza que vivemos na constante busca por algo que talvez nunca tenhamos. O vazio que tentamos preencher com coisas materiais pode ser que nunca seja completado. Ao contrário, à medida que conseguirmos atingir nossos objetos de desejo, é provável que fiquemos ainda mais ansiosos e frustrados em perceber que todo o esforço, energia, tempo e dinheiro dispendidos para alcançar aquele desejo não preencheu a lacuna que nos falta.

A quase indefinível sensação de necessidade e carência foi lembrada pela mitologia grega: a mãe de Eros, que é o desejo, é a Penúria, que significa falta. Se admitimos que essa falta jamais será preenchida com as ilusões do universo material, ou mesmo emocional, vamos abrandar a fome com que nos atiramos às pessoas e às coisas. Desejar mais do que o momento nos oferece é garantia de infelicidade.

E eu me incluo nessa. Ninguém está à salvo. Talvez grandes e poucos espíritos tenham vindo à Terra nos ensinar que desejar mais do que se precisa é garantia de frustração. Uns em maior e outros em menor grau, todos unimos desejo a prazer. Aliás, não há nada de errado em sentir esses dois substantivos, afinal tudo o que queremos na vida é buscar a felicidade. O problema é o limite. Palavrinha mágica que determina o freio de nossos exageros. Limite é quase como a diferença entre o remédio e o veneno: a dose.

Querer ter coisas e usufruir do dinheiro no sentido de construir uma vida mais plena e mais tranqüila é uma postura racional, aceitável e até necessária, considerando que esse desejo é um dos propulsores do progresso. Entretanto, confundir o sentimento de ter com a sensação de felicidade é um passo para o vazio. Afinal, vale sempre o lembrete de que a felicidade está dentro de nós e não fora, no outro, no futuro ou em outras circunstâncias.

*Imagem: We Heart It

26 Jan 2012

De perto ninguém é normal

Post by Glauciana at 16:57 on Devaneios de Mãe

Marcela, 31 anos, casada, mãe de dois filhos, urbana, vive em uma grande capital no nordeste do Brasil. Muito estudiosa, desde cedo seguiu os passos dos pais, professores universitários, no caminho das letras. Desde que teve seu primeiro filho e se abriu para o maravilhoso mundo da maternidade, percebe que seus instintos foram tão aflorados, que tudo o que ela quis na vida foi dedicar-se à família. Tanto que abriu mão da profissão que amava e hoje vive a cuidar da casa, do companheiro e dos dois filhos que tem. Recentemente, mudou do interior do estado do Paraná para uma grande capital, onde não conhece ninguém, para acompanhar a caminhada profissional de seu marido.

Claudiane, 26 anos, casada, sem filhos, romântica, mora com o marido em uma capital na região sul do país. Filha de lavradores mineiros, foi para longe tentar a vida como fotógrafa, seu sonho desde a infância. Já nos primeiros meses de perrengue na nova cidade conheceu seu príncipe encantado e começou a viver junto com ele, com quem considera que construiu uma família. Longe dos pais e dos irmãos, que continuam em Minas Gerais e ela só vê uma vez por ano, quando muito, já que o marido – um grande executivo da área imobiliária – não tem tempo para viagens, sonha em ter filhos e criar na capital a sua própria família.

Helena, 30 anos, divorciada, mãe de dois filhos, ostenta com orgulho as duas graduações que concluiu e ama desempenhar seus dons profissionais. Vive na maior cidade da América do Sul, longe da família, criando sozinha seus filhos pequenos, embora conte com a ajuda do pai deles, que lhe deixou alegando falta de amor. Romântica, explosiva, sonhadora e prática ao mesmo tempo, não acredita mais em príncipes encantados, mas adoraria encontrar um perdido por aí em um carro esportivo branco ou, talvez, uma bicicleta branca, tanto faz. Cheia de energia e alegria, vive feliz na metrópole, aproveitando o que a vida lhe oferece.

Três mulheres diferentes, que não se conhecem. Aparentemente diferentes, mas que se olharmos com um pouco mais de atenção, talvez encontremos semelhanças nelas. Lendo assim, um breve perfil de suas vidas, seus jeitos e como vivem, somos tentados naturalmente a pensar que são felizes. Que as três encontraram suas realizações e ostentam a palavrinha mágica que tanto procuramos por aí: a felicidade!

Sim, é provável que sejam felizes. Ou melhor, que encontrem os lampejos da felicidade vez ou outra. Marcela, quando ouve da boca de seu bebê a primeira palavrinha “mamãe”, sente-se a mais feliz das mulheres, reafirmando para si a importância de estar integralmente ao lado dos filhos. Claudiane, quando ganha uma Louis Vitton do marido, na comemoração de seus três anos de casados, na Casa Fasano, sente-se a esposa mais valorizada do mundo e lembra-se que, sim, eles dois formam uma família. Helena, quando entrelaça suas mãos a de seus filhos à noite, depois de um dia bom no trabalho, recebendo um aumento e muitos elogios por um projeto bem sucedido, sente-se a mais capaz das mulheres por ter sucesso profissional e poder participar de forma tão cúmplice da vida de suas duas crianças.

A vida que ninguém vê, entretanto, acontece diariamente. Minha mãe costumava dizer, com aqueles bons e verdadeiros clichês de interior, que poucos veem os tombos que eu levo, mas muitos veem as pingas que eu tomo. Fácil julgar que Marcela, Claudiane e Helena sejam felizes, alegres e realizadas na vida que escolheram para si. O que só elas sabem é a quantidade de problemas que têm que administrar diariamente. Porque a vida da gente é feita de escolhas e desafios e agruras com as quais temos que lidar.

Só olhando de perto é possível ver a luta interna que Marcela trava com ela mesma para ter abdicado de mulher independente, solteira, dona de seu nariz, profissional destemida para romper com tudo e ser “apenas” mãe. Só ela sabe que por trás de sua aparente vida tranquila e calma cuidando da casa, dos filhos e do marido, tem contas a pagar, tem pias e mais pias de louça para lavar, já que o dinheiro contado não permite uma ajudante. Só ela sabe do cansaço extremo, ao final do dia, depois de ter se desdobrado com a atenção irrestrita às crianças, à casa, ao planejamento do jantar. Só ela sabe do desafio que é buscar a libido por trás dos pêlos que cobrem sua virilha, dos cabelos brancos carentes de tintura e das unhas quebradas de tanto lavar roupa.

Colocando uma lupa no dia a dia de Claudiane conseguimos ver o quanto ela sofre de saudade da família. Das noites de solidão que enfrenta enquanto o marido emenda uma reunião importante com um jantar de negócios e, quando chega em casa, quer uma esposa sorridente, esperando-o pronta para uma massagem nas costas, tão cansado que não consegue nem perguntar como foi o seu dia. Só ela sabe a dor que é se sentir vivendo a vida de outra pessoa e ainda ser lembrada constantemente que é ele quem paga tudo, ele é o dono de tudo e que não é mais que sua obrigação estar ali, à sua disposição, já que ele lhe oferece luxo e conforto, que ela nunca teria conseguido com a família ou com seu trabalho, já aposentado, de fotógrafa.

Quem vê a energia contagiante de Helena e sua sede em viver a vida, não enxerga o quanto ela também se sente sozinha no mundo, apesar de viver rodeada de pessoas. Quem a vê “mulher poderosa”, destemida, criando dois filhos, sempre sorrindo, não percebe a necessidade que tem de ser cuidada por alguém. Quando chega em sua casa depois de um dia de lutas e coloca seus pequenos para dormir, tudo o que queria era alguém que lhe oferecesse o jantar ou que perguntasse como foi o seu dia. Só ela sabe da dificuldade que é ser vista como a mulher maravilha, que não precisa de cuidados. E não raro se questiona: “quem cuida do cuidador?“.

De perto ninguém é normal, já dizia o poeta. As aparências podem enganar. Aquela grama verdinha do vizinho também vira um matagal horroroso se ele não perde horas e horas de seu fim de semana cortando-a. Por isso, tenho tentado mostrar a meus filhos que aquele amiguinho que levou o último lançamento do Max Steel ou a superpista Hot Wheels para a escola, também deve ficar de castigo por falta de comportamento. Porque, quando temos a habilidade de perceber que problemas fazem parte da vida de todo mundo, deixamos de nos sentir os seres mais injustiçados do mundo e podemos ir arrumando formas práticas e menos dramáticas de ir convivendo com eles e matando um a um. Ou, então, se não der para matar, que possamos seguir dando o sossega-leão constante que precisam para ficar quietos, sendo matidos sob controle… o controle que der.

*Imagem: We Heart It

20 Jan 2012

Continue a remar, continue a remar

Post by Glauciana at 17:45 on Devaneios de Mãe

Há momentos em que não importa o quanto você bata. Tem circunstâncias na vida que o que mais vale é quanto você apanha e continua se mantendo em pé. Sua capacidade de ir levando pancada e, mesmo sangrando, mesmo sentindo dor, mesmo cambaleando, continuar lutando.

Dizem por aí que as rasteiras da vida só vão nos fazendo crescer. No momento da dor, da frustração e da raiva é muito difícil acreditar nisso. Mas, se buscarmos referências na natureza lembramos que a árvore, quanto mais podada cresce com mais força. Partindo do pressuposto que somos seres vivos e que também respeitamos alguma lógica natural, faz sentido imaginar que quanto mais desafios encontrarmos no caminho, mais estaremos preparados para enfrentar a vida.

Ai, será? :(

*Imagem: We Heart It

18 Jan 2012

Sou mãe. E sou solteira

Post by Glauciana at 13:40 on Mãe e Filhos


Eu sou mãe. E também sou solteira. Não uso a expressão “mãe solteira”. Acho que são duas coisas diferentes, separadas. Esses termos não devem necessariamente andar sempre juntos. Mãe solteira não é estado civil. Afinal, mãe pode ser casada, solteira ou divorciada. Como pode ser brasileira, arquiteta, loira, jovem, urbana, ciclista… ser mãe é apenas mais uma característica que a mulher pode ter. E isso independe de ser casada.

Ser mãe e estar solteira me enquadram na blogagem coletiva que a Tenikey propôs nesta semana. E decidi participar por acreditar que o tema possa render um texto legal. São tantas abordagens que eu poderia dar para esse post, que é até difícil escolher um viés.

Hoje especificamente vou falar sobre a responsabilidade que é criar um filho “sozinha”. Coloco entre aspas porque não estou, de fato, sozinha na criação de meus meninos. Conto com o apoio do pai deles, que é bastante presente. Mas, não me sinto confortável para dizer que divido as responsabilidades. Porque, de fato, no dia a dia, quem segura o rojão sou eu. Em minha visão, não dá para dividir igualmente a criação de um filho dormindo com eles apenas uma vez por semana. E que fique claro que isso não é uma reclamação. É apenas um fato, uma constatação.

Na iminência da separação e nos primeiros meses sem o pai deles em casa eu me senti muito insegura. Achava que não conseguiria dar conta de cuidar de duas crianças ao mesmo tempo, sem ter minha mãe por perto ou uma babá que dormisse em casa. Luca ainda era um bebê, que acabara de completar um ano, e Eduardo tinha 3. Não raras as vezes em que me senti em pânico, completamente perdida com os dois em casa. Me sentia desprotegida, sem ter com quem contar.

Nessa época, confesso, também senti uma outra sensação negativa. Quando me via sozinha com eles em casa seis dias na semana e pensava que na mesma hora o pai estaria na academia ou jogando Poker com os amigos ou tomando um chopp com um colega de trabalho, sentia raiva. Era inevitável pensar no quão injusta a situação me parecia. Até que um dia escutei de uma amiga: “Ué, mas então passe a guarda para o pai deles e inverta a situação. Você vai para a academia, vai tomar chopp todo dia e vê seus filhos uma vez por semana“. Só por imaginar essa situação senti o maior vazio de minha vida e na mesma hora esse sentimento ruim cessou. Porque, para mim e para meus filhos não existe essa possibilidade. O lugar de meus filhos é ao lado da mãe deles. E o meu lugar é ao lado de Eduardo e Luca.

E conforme o tempo foi passando fui percebendo que não só dou conta de criar Dudu e Luca, como também nossa relação é extremamente saudável. Fui arrumando formas de fazer o ciclo girar. Imprimi um modelo que funcione em casa. Para eu poder trabalhar o dia todo fora e criar os dois sem ajuda próxima, preciso andar nos trilhos, seguindo à risca os horários do esquema que montei. Não posso, por exemplo, sair tarde do trabalho, porque tenho que pegá-los na escola às 19 horas. Mesmo contando com a babá dormindo em casa em alguma sexta-feira, para eu dar uma saidinha com as amigas, não posso beber demais ou chegar muito tarde, porque no dia seguinte tenho que ficar o dia todo dando atenção e cuidados a eles.

Não é fácil equilibrar todos os pratinhos. Há momentos em que todos eles caem ao chão. Mais difícil ainda é colocar todos na ponta dos palitos e começar a girar, mas eu tenho conseguido. Aprendi muito nesse tempo que aceitar ajuda é fundamental. Que pedindo o auxílio do pai deles, da escola, da babá e da minha mãe não me fazem uma mãe incapaz e nem relapsa. Entendi que estamos no mundo para compartilhar com as pessoas. E que isso inclui também os cuidados com meus meninos.

Em todas as situações da vida existe o ônus e o bônus. E estar mais próxima de meus filhos, criando-os, educando-os, cuidando de todos os detalhes da vida deles não é só uma obrigação minha, como mãe, mas uma atribuição que realmente me oferece prazer. Meus meninos vieram para transformar o meu mundo, mostrando-me o que realmente importa nessa vida. Escutar de Eduardo que não seria legal viver com qualquer outra pessoa que não fosse comigo vale cada segundo de cansaço extremo que às vezes sinto. Quando Luca vem em nossa direção levantando uma espada imaginária, porque somos os três mosqueteiros, me lembro que tenho sim quem esteja ao meu lado. Afinal, é um por todos e todos por um. Somos uma tríade que vai estar ligada pelo resto da vida e, sendo assim, eu não poderia querer outra coisa pra mim. Não mesmo!

12 Jan 2012

Por você eu faria isso mil vezes

Post by Glauciana at 00:02 on Mãe e Filhos


Eu estava abraçada à Eduardo, assistindo um filme, naqueles momentos bem íntimos e gostosos, quando a vida cotidiana revela questões emocionais, que brotam naturalmente. Então ele me perguntou porque que eu sempre chegava mais tarde para pegar ele e Luca na escola. Respondi que eu estava em um momento de bastante motivação no trabalho e que isso, somado ao trânsito de nossa cidade, faz com que eu chegue mais tarde na escolinha.

Na hora, já sentindo o peso da bigorna de culpa que se aplaca sobre quase 100% das mães que trabalham fora, me lembrei de uma coisa muito bonita que minha amiga Calu sempre diz. E emendei com Dudu: “Mas, filho, você sabe que a mamãe, apesar de estar trabalhando bastante e o dia todo fora, faria qualquer coisa por você, na hora em que você precisasse?“. Para que eu conseguisse dormir naquela noite, ele respondeu, olhando fixamente em meus olhos e colocando as mãozinhas em meu rosto: “Claro que sei, mamãe!”.

Além de sentir um conforto bem grande, também fiquei pensativa no quão bonito é isso. Ter alguém com quem contar, em qualquer circunstância, é uma dádiva. Depois do fim de meu casamento, por um tempo cheguei a sentir que eu não tinha mais ninguém no mundo para quem eu pudesse direcionar o rumo, quando meus monstros resolvessem correr atrás de mim. Por sorte, fui percebendo que tenho, sim, muitas pessoas a quem recorrer quando tudo mais falhar.

E que não necessariamente essas pessoas estão grudadas a mim, como eu não estou a meus filhos durante o dia todo, quando trabalho no escritório. E, apesar da aparente distância física de alguns, eu os sinto tão perto, que chego a sentir a vibração deles comigo, quando nossos pensamentos convergem na mesma frequência. Porque, para estar junto não é preciso estar perto. Com algumas pessoas você simplesmente sente que elas fariam qualquer coisa por você, sob qualquer circunstância. E sempre me vem à lembrança um trecho do livro “O Caçador de Pipas”: “por você eu faria isso mil vezes”.

E tenho aprendido também que aceitar, mas sobretudo, pedir ajuda aos outros é algo aceitável e que não implica em fraqueza ou falta de controle. Que, em muitos momentos de nossas vidas, é só andando junto que a gente consegue chegar a algum lugar. E que sorte a minha por ter tanta gente disposta a me dar as mãos!

*ImagemWe Heart It

06 Jan 2012

A vida inteira pela frente. Será?

Post by Glauciana at 12:59 on Devaneios de Mãe

Eu nunca estou preparada para a morte. E pelo que sei da maior parte das pessoas, também ninguém está. Talvez eu consiga até entender o desencarne como algo mais aceitável por acreditar em uma doutrina que me faz ver que a morte é só a transição, uma mudança para continuar a trilhar a vida em um outro espaço. Ainda assim, sinto muito quando uma grande pessoa parte. Fazendo um paralelo, vejo que é natural, porque quando aqueles que me são caros se mudam para lugares muito distantes no Brasil ou no mundo, eu também sinto. É algo parecido.

Nessa manhã li pelas redes sociais e, depois, vi na imprensa sobre o falecimento de um grande homem. Muitos de meu círculo o conheceram e tiveram o privilégio de tê-lo como líder. Ele, nessa vida, respondia por Celso Agostinho, tinha 44 anos e era gerente de operações da Editora Alto Astral, em Bauru, onde trabalhou por 20 anos.

Celso foi um profissional irretocável. Sério, discreto, pró-ativo, exigente, mas sobretudo ético e disseminador de conhecimento. Me lembro de receber grandes ensinamentos dele nos quase três anos em que trabalhei na editora. Em começo de carreira, jovem, recém-saída da universidade, recebi tanto incentivo dele, que hoje faço uma prece especial para que possa chegar no plano espiritual bem amparado, como fez com tantos de seus profissionais nessa vida.

E uma coisa que chamou muito a minha atenção nessa manhã, lendo os relatos chocantes nas redes sociais, de todos aqueles que puderam conhecê-lo, foi no quanto as pessoas estão se lamentando por não poderem ter dito à ele o quanto foi importante para elas. Que perderam uma grande oportunidade de, em vida, retribuir – mesmo que em palavras – a gratidão a todo ensinamento que Celso as passou. Uma das pessoas até relata assim “como somos tolos em pensar que temos a vida inteira pela frente…“, lamentando-se por não poder ter falado pessoalmente a Celso o quanto ele foi especial na vida dela.

E aí, reflito. Quantos de nós falamos às pessoas o quanto elas são importantes para nós? Trazendo essa reflexão para dentro de nossas casas. Será que estamos dizendo aos nossos filhos que eles são a razão de nossas vidas, agradecendo-os por terem nos escolhido como pais nessa vida? Será que demonstramos claramente o carinho que temos por eles?

Eu posso afirmar sem peso na consciência que com meus filhos eu faço muito isso. Não passo um dia sequer sem dizer que os amo, assim mesmo, diretamente com todas as palavras. Na hora de dormir dou um beijo em cada um e digo “Boa noite, Eduardo, eu te amo”. “Boa noite, Luca, eu te amo“. Não poupo carinhos, afagos, beijos, abraços e “obrigadas” a eles.

Mas, e para os Celsos de meu caminho? Com pessoas que eu não tenho tanta liberdade de poder dar um aperto e dizer “eu te amo“, será que estou dizendo o quanto sou grata por tê-los ao meu lado? Provavelmente, não. Será que nos preocupamos em dar um feedback positivo a quem dedica um tempo fazendo-nos o bem? Uma constatação triste é que temos uma tendência maior de elevar os aspectos negativos do que os positivos.

Que o desencarne desse grande homem me sirva de lição para dizer mais às pessoas o quanto elas são especiais. Que não só com meus filhos, mas a todos aqueles que estiverem ao meu lado e que se esforcem um tantinho para me fazer crescer, seja em qualquer aspecto de minha vida.

*Imagem: We Heart It

05 Jan 2012

Coração vazio x solidão

Post by Glauciana at 08:51 on Devaneios de Mãe

Estar sozinho não é sinônimo de sentir-se sozinho. Eu sempre estive rodeada de pessoas em minha vida e, em muitos momentos, me senti perdida em um deserto branco, como se caminhasse sem rumo na imensidão de areia.

Depois de 10 anos eu estou sozinha novamente. Mas, refletindo sobre o significado da palavra sozinha, acho que estou conseguindo chegar à conclusão de que talvez façamos mal uso desse substantivo. Eu estou solteira. Não estou me relacionando amorosamente com um homem. Não estou amando o amor romântico, que compartilham os casais apaixonados. Mas, se eu estou sozinha? Não, acho que não!

Talvez nunca tenha estado tão em companhia. Aprendi, com a separação, que estar junto não significa não se sentir só. E que solidão a dois é a pior forma de sentir solidão. Das mais doloridas. Prestes a completar 30 anos é que, finalmente, eu consigo viver dentro de mim com alguma tranquilidade. E começo a gostar de estar comigo mesma. Estou aprendendo a apreciar a minha companhia.

É só no silêncio daqueles que estão ao nosso redor que é possível ouvir a voz de nós mesmos. É preciso aprender a nos ouvir, porque temos a tendência quase inconsciente de não dar ouvidos a nossos sonhos, desejos e cobranças. Forçosamente calamos os gritos insistentes de nosso eu. Poder ouvir o que ele tem a dizer é tarefa árdua, pelo menos pra mim.

Porque, meus caros, o que tem dentro de mim é ousado. Muitas vezes vai na contramão do senso comum. O que habita dentro de mim é exigente e não aceita menos do que a plenitude das relações, dos hábitos e dos afazeres. Dar ouvidos a isso é trazer à luz da consciência que, para ser feliz, eu preciso aceitar a intensidade de meus desejos. E todos concordamos que viver de inteirezas não é das tarefas mais fáceis.

E é por estar aprendendo a conviver de forma pacífica comigo mesma, é que estou trazendo meus filhos também para este universo. Por isso, tenho tentado praticar com eles o hábito de estarem sozinhos vez ou outra, estimulando-os a brincarem sozinhos no quarto, a fazerem a refeição sozinhos e em silêncio na sala de jantar, a ficarem um tempo no banho sozinhos. Para que, desde cedo, introjetem essa boa lição: de que suas próprias companhias são as melhores do mundo. Que só quando aprenderem a gostar de estar consigo mesmos os outros também gostarão.

04 Jan 2012

Jogo de cintura nas férias escolares

Post by Glauciana at 17:07 on Infância

Até hoje não consegui uma forma de conciliar minhas férias de trabalho com as férias escolares das crianças. Por isso, quando dezembro e janeiro chegam é necessário um jogo de cintura para adequar as agendas de todos e garantir um mínimo de diversão para os pequenos. Afinal, quem é que não merece um break na rotina, uma mudada de ares e um pouco mais de liberdade para fazer aquilo que não se pode fazer todos os dias?

Para simplesmente não pagar um curso de férias e eles ficarem o mês todo fechado na escola, como já passam o ano todo, eu uso e abuso de uma rede de apoio. Acabo tentando conciliar os compromissos de avós, avôs, pai e babá, para que eles façam algo diferente, mesmo tendo a mamãe trabalhando normalmente.

Nessas duas semanas de férias os meninos ficaram em casa com D. Fátima, nossa ajudante e babá, logo depois minha mãe e o marido chegaram para incrementar a festa. Foram a parques, passeando à pé pelo bairro, fizeram uma “excursão” de metrô por São Paulo (o que foi uma aventura deliciosa). Coisas muito simples, mas que podem fazer a diferença para Dudu e Luca.

Depois, entre Natal e revéillon passaram uns dias no interior, na casa de vovó. Lá, tiveram a oportunidade de correr descalços pelo quintal, tomar banho de piscina e ainda brincarem soltos no sítio, na natureza e junto dos animais. Depois disso, ainda emendaram mais uma semaninha na casa da avó materna, em outra cidade.

Não pude propiciar a eles uma super viagem em família ou uma programação totalmente focada na diversão, mas acho muito válido rever a rotina e flexibilizar horários, para que as crianças saibam claramente que estão em um período diferente. Acho fundamental todos termos esse intervalo, marcando fim e recomeço, pois é uma forma inconsciente de recarregar as energias.

Por isso, se assim como eu você também não consegue se ausentar do trabalho para aproveitar full time as férias com seus filhos, desenvolva um jogo de cintura e tente, ao máximo, propiciar algum tipo de distração a eles. Para isso, use e abuse dos avós, afinal eles também adoram ter os netos por perto. Boas férias pra todos vocês!

19 Dec 2011

Você vive sem mim?

Post by Glauciana at 19:19 on Devaneios de Mãe

“Mamãe, você não vive sem mim?”, perguntou-me Eduardo nessa semana.

Eu respondi: “Dudu, vivo sim. Porque viver é fácil, a gente dá um jeito, os dias vão passando, um sol e uma lua seguidos, e a gente vai vivendo. Na verdade, filho, a gente não precisa de ninguém pra viver. Mas, é bom viver ao seu lado e de seu irmão”.

Percebi que ele ficou um tanto decepcionado com a minha resposta. E percebi também que desde cedo a gente vai tendo essa necessidade de saber se o outro não vive sem nós. Besteira das grandes, cilada fácil de cair.

Porque é mesmo que eu preciso de alguém que não vive sem mim? Isso me soa como algo negativo. Estarei enganada? E é só na dor da perda de um grande amor que a gente percebe em como as letras de música pendem sempre para essa mesma direção: “eu não sou nada sem você”, “não vivo sem você”, “meu mundo caiu”. Ô gente problemática, meu analista diria.

Brincadeiras à parte, hoje tenho a convicção de que precisar de alguém para viver é incômodo não só para si mesmo, mas também para o outro. Embora eu tenha sonhado a vida toda em encontrar alguém que morresse de amor por mim [e que até hoje talvez acho que não tenha encontrado :], não acredito em uma forma saudável de uma relação ser quando um dos dois tenha essa necessidade do outro.

Hoje, depois de ter passado por uma relação bonita e longa, percebo que quando as pessoas são inteiras, que sabem seus gostos, conseguem se ouvir e sabem seus limites poderão compartilhar com o outro, em uma relação amorosa, aquilo que elas têm de melhor e que eu acredito ser o recheio do biscoito.

Que coisa mais triste alguém precisar de mim para viver. Que escravidão seria para mim poder suprir a vida a uma pessoa? Um fardo pesado que eu acho que não combina com o amor. O amor que eu enxergo para hoje em minha vida é algo que seja leve, que agregue, que divida, que compartilhe caminhos com o outro. Desde que se esteja disposto, acredito, sim, ser possível entrelaçar objetivos e conquistas na vida sem o tom da necessidade.

Porque, à duras penas e perdas, eu aprendi que não preciso de ninguém pra viver. Hoje estou sozinha, coração vazio – não sem negar uma vontadezinha lá no fundo de que ele seja preenchido de mais cor, confesso. Haverá algum candidato por aí? rs… – mas sei que o rumo de meus próximos relacionamentos, no que depender de mim, vai ser o da leveza.

Porque acredito num amor leve, nesse nipe mesmo, sem pesar. Sem onerar do outro aquilo que ele não pode oferecer. É descer do pedestal e enxergar o outro como ser humano, com os defeitos que lhes competem. E vendo onde suas qualidades podem me acrescentar. Compartilhar os bons momentos, as alegrias, as doçuras da vida.

Como eu disse a Dudu, viver eu vivo. Trabalho, sustento financeira e emocionalmente a mim e a meus filhos, tenho meu apartamento e supro minhas necessidades intelectuais. Se eu vivo bem sozinha? Sim, vivo! Agora, se me pergunta se eu prefiro viver sozinha ou com alguém? Não titubeio, porque apesar da dor de minhas últimas experiências, eu sempre vou responder que eu prefiro compartilhar.

Porque eu acredito que somos também inteiros quando andamos em grupos, em pares, em turmas. Eu sou alimentada pelo amor. Minha vida é mais brilhante com amor. Prefiro viver com amor. E sem a necessidade, a obrigação, o pesar, acho que o contexto fica ainda mais bonito.

E, no final, emendei: “E você, Dudu, consegue viver sem mim?”.

E recebi o que eu jamais poderia querer escutar diferente:

Eu posso viver com outra pessoa, até com o papai, mas gosto mais de viver com você e Luca”.

Então, pronto, estou no caminho certo com meus filhos. Que bom que eles podem aprender um pouquinho daquilo em que eu acredito, sobretudo em relação ao amor.

*Imagem: Arquivo Pessoal

18 Dec 2011

O que eu perdi – e ganhei – em 2011 #MemeDasAntigas

Post by Glauciana at 17:06 on Devaneios de Mãe

Eu, no último mês de 2011, sorrindo novamente e reafirmando que o amor pode também estar em mim e nas coisas ao meu redor e não apenas no outro

Este ano foi, provavelmente, um dos mais difíceis de minha vida. Sempre convivi com situações duras, minha caminhada não tem sido das mais fáceis nessa terra, mas 2011 veio para marcar.

Quem me acompanha por aqui já até sabe do que vou falar. Em 2011 o meu casamento acabou. A relação de quase 10 anos (5 de namoro e quase 5 de casamento) chegou ao fim. De uma forma meio sem saber o porquê, sem ter motivos bem delimitados, minha história chegou ao último capítulo.

Eu, que sempre disse que o maior sonho da minha vida era ter uma família sólida e feliz, termino 2011 de uma forma diferente da qual comecei. Ao longo desses dozes meses eu chorei, lutei, emagreci, não dormi, pouco trabalhei, chorei, sofri, perdi as esperanças, chorei, perdi o rumo.

Agora em dezembro, o último mês do ano, eu consigo olhar para trás e ver que, apesar de toda essa confusão de sensações e dores profundas, talvez eu tenha ganhado, sim. Acho mesmo que o grande desafio de nossa passagem pela Terra seja ver as situações pelas quais passamos e tentar tirar o que de bom elas têm. E tal qual o Yin e Yang, onde sempre há o belo e o feio, eu posso ver quanta coisa boa me aconteceu.

Sob meus escombros, entrando em contato com minha sombra, eu pude descobrir a alegria que eu trago comigo. Resgatando alguns sabores esquecidos, eu pude perceber que gosto, antes de qualquer pessoa, de mim. Que eu tenho a possibilidade de enxergar que não há noite longa que não encontre o dia.

Resgatei em mim a coragem que sempre me acompanhou, mas que nos últimos tempos andava apagada sob o medo. Aliás, medo é alguém que eu mandei pra bem longe de mim quando tomei minhas últimas decisões.

E só quando eu realmente me libertei desse canastrão, o Sr. Medo, é que pude abrir meus campos energéticos para que a nova vida fosse entrando. Mudei de apartamento, ganhei uma afilhada, viajei para Paris, ganhei um novo e delicioso emprego. E assim, nesse jogo de perde, perde, perde, a gente vai descobrindo que às vezes também ganha.

Com meus filhos ganhei a segurança de saber que posso cuidar deles sozinha e que sempre seremos uma família, independente de ter o pai deles vivendo comigo. Reencontrando amigos eu vi que tenho com quem contar e que a solidão até pode chegar por uma noite, mas não precisa ficar por todo o mês. Ampliando meus horizontes e sendo forçada a abrir os olhos para novas situações, ganhei um espectro de descobertas que eu nem imaginava que pudessem existir.

E nessa caminhada passaram algumas pessoas que foram determinantes para que eu também ganhasse em 2011, apesar de toda perda. Trombei pelo caminho muita gente com habilidade para dizer mais sim do que não. Queridos e queridas que me mostraram belezuras e me fizeram desenterrar uma Glauciana alegre, segura, de bem com a vida e com o peito aberto para encarar o que é que a vida estiver reservando para mim fora do controle de minhas escolhas.

A vocês que tiveram a boa-vontade de estarem comigo nesse ano, mesmo em meus momentos mais cinzas, o meu MUITO OBRIGADA. Que eu e outras pessoas possamos fazer por vocês a mesma coisa: lhes proporcionar o encontro daquilo que de belo cada um de nós tem.

E eu tenho a esperança de que em 2012 esse meu meme será num tom diferente, porque eu acredito que ele será melhor e com muito mais ganhos do que perdas. Assim seja!

*Imagem: Arquivo Pessoal

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