Coisa de Mãe
21 ago 2014

​​Exames que devem ser realizados durante a gravidez

Post por Glauciana às 08:35 em Saúde

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As mudanças provocadas pela gravidez no corpo feminino podem fazer com que a gestante desenvolva algumas doenças. As principais são anemia, diabetes gestacional, hipertensão gestacional (pré-eclâmpsia), distúrbios da tireoide e infecção urinária. Mas com o acompanhamento médico é possível fazer um diagnóstico precoce e iniciar o tratamento, evitando complicações.

Por isso, os exames solicitados durante o pré-natal são tão importantes e devem ser realizados no período correto. “Muitos podem ser requeridos durante a gravidez e grande parte devem ser realizados nos três primeiros meses para o diagnóstico de doenças maternas já no início da gestação. As demais análises são pedidas avaliando caso a caso”, esclarece a ginecologista e obstetra do Femme Laboratório da Mulher, Dra. Viviane Lopes.

A médica listou quais são estes exames e o que eles diagnosticam. Segue abaixo:

Hemograma
Avalia a presença de uma possível anemia, que pode se agravar durante a gestação.

Tipagem sanguínea e coombs indireto
Detecta se há risco de produção de anticorpos contra o sangue do bebê. “Estes são testes muito importantes. O fenômeno acontece quando a mulher tem tipo sanguíneo Rh negativo e o homem Rh positivo. Se for diagnosticada à presença destes anticorpos maternos, o feto pode desenvolver anemia durante a gestação”, explica Dra. Viviane.

Glicemia de jejum
Aponta uma possível intolerância à glicose ou diabetes pré-gestacional. A médica ressalta que mesmo não havendo histórico familiar é conduta normal solicitar esse exame. Geralmente, é realizado após jejum de oito horas.

Curva glicêmica
Também ajuda a diagnosticar diabetes gestacional. Deve ser feito após a ingestão de 75 g de glicose, entre 24 e 28 semanas de gravidez. Se resultado for normal, pode ser repetido com 32 a 36 semanas de gestação.

Sorologias (IgG e IgM) para toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus
Essas são as principais infecções que podem afetar o embrião”, destaca. Esses exames são úteis para avaliar se a mãe já possui ou não anticorpos para estas infecções, o que protege o feto se ocorrer uma exposição materna destes agentes durante a gravidez. “No caso da rubéola, podemos orientar a vacinação da mãe caso o exame mostre que ela ainda não tem imunidade para o vírus”.

Sorologia para Sífilis (VDRL)
Detecta uma possível infecção pelo Treponema Pallidum. Se houver suspeita (teste positivo), o médico pode solicitar exames mais específicos e realizar o tratamento o mais rápido possível.

Sorologia para HIV
Indica a presença do vírus HIV, que causa a AIDS. O exame requer autorização prévia da mãe.

Sorologia para hepatite B
Se houver o diagnóstico de hepatite B na mãe, há a possibilidade de passar para o feto no parto”, explica a especialista. Por isso, as atuais medidas de prevenção da transmissão do vírus da hepatite B para o bebê envolvem estratégias de imunização ativa (vacina para hepatite B) e passiva (imunoglobulina humana hiperimune) até 24 horas após o nascimento, e tem demonstrado alta eficácia na prevenção da transmissão vertical, reduzindo-a em cerca de 85% a 95% dos casos.

Sorologia para hepatite C
O exame detecta a presença destes vírus no organismo materno. A Dra. Viviane explica que a taxa de transmissão para o feto em geral está entre 4,3 a 5,0%. E, infelizmente, não há, até o momento, nenhuma técnica para reduzir o risco de transmissão para o bebê durante o parto.

Colposcopia, Colpocitologia oncótica (papanicolau) e cultura de secreção vaginal
Diagnostica possíveis infecções vaginais e lesões no colo uterino. O médico pode pedir testes mais específicos depois do exame ginecológico, como o para detectar a presença da bactéria clamídia, que muitas vezes não apresenta sintomas, mas pode ser prejudicial a gravidez ou a fertilidade.

Exame de urina
Detectar alguma possível infecção urinária e outras doenças das vias urinárias.

Ultrassonografias
São importantes na avaliação do feto, tanto em relação a sua formação como também seu desenvolvimento e crescimento. As mais importantes são as ultrassonografias morfológicas, realizadas no primeiro trimestre, entre 11 e 14 semanas para rastreio de síndromes genéticas fetais e no segundo trimestre, entre 20 e 24 semanas para rastreio de malformações fetais.

A Dra. Viviane Lopes é ginecologista e obstetra do Femme Laboratório da Mulher. Mestre em Obstetrícia pela UNIFESP, com título de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia e Medicina Fetal pela FEBRASGO/CBR/AMB.

*Imagem: Daqui

20 ago 2014

Manifesto de uma mãe contra o trabalho

Post por Glauciana às 20:04 em Devaneios de Mãe

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Há dias eu estou com uma pauta na minha cabeça, daquelas em que o texto vai pulando nos pensamentos a todo instante. E porque, porque, porque eu ainda não tinha escrito? Por conta da falta de tempo e o excesso de trabalho, justamente a pauta deste post. Na verdade, é antipauta disso tudo aqui. Trabalho, a antítese da produtividade criativa.

Dia desses, passeando pelos corredores falastrões do Facebook, me deparei com a foto de uma moça sentada em uma movimentada avenida, provavelmente a Paulista, na pauliceia desvairada, fazendo crochê e ao lado dela uma plaquinha: “quer conversar sobre amor comigo?”.

Nem preciso dizer o quanto achei o máximo e adoraria puxar a cadeira ao lado da moça e passar o resto da tarde falando sobre o amor. Mas, o que me motivou mesmo a escrever este texto foi o comentário acompanhando a postagem, que um de meus mais de mil amigos nesta rede social fez. A pessoa em questão, que eu até acho bem bacana, escreveu assim: “muito lindo, muito bacana a iniciativa, mas a pergunta que não quer calar é: quem banca essa moça pra ficar o dia todo aí fazendo crochê e falando de amor?”.
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E vocês acreditam que isso não me sai da cabeça? Ô gente, serião. É óbvia uma coisa. Ou será que está todo mundo aí certinho e eu totalmente alienada do mundo? De boa, existe taaaaaaaaaanta coisa no mundo mais interessante que o trabalho, esse trabalho normalzão aí, nesse modelo que um bando de americanos mal intencionados colocaram na nossa cabeça. Essa forma quase escrava, submissa e proletária que nos obriga a gastar nossas principais horas produtivas do dia, usando nossos mais primorosos talentos e forças físicas, enriquecendo alguém, que normalmente não é a gente mesmo.

Tipo, a moça crocheteira e amorosa, em questão, poderia ter mil formas de sustento: ou tem renda do pai bacanão, da mãe mão aberta, ou herdou uma fortuna do avô vendedor de tapetes persas, ou ganhou na mega-sena ou quem sabe na telesena ou então, melhor ainda, ganhou barras de ouro que valem mais que dinheiro (aí seria o máximo, não?), ou tem 54 apartamentos alugados que uma tia solteirona lhe deixou, ou mora de favor na casa de uma amiga, planta o que come e anda a pé, não precisando de dinheiro.

Sei lá, minha gente! Existeeeeeeeeeem tantas formas da gente arrumar renda. Por favor, abram as mentes de vocês. Vamos todos, juntos, fazer esse exercício de pensar que o sentido da vida aqui na terra não é o TRABALHO? Pelo menos não esse trabalhinho medíocre e safado que nos enfiam goela abaixo.

O sentido da vida são alguns, muito mais nobres. Um dos principais é aprender a nos relacionar com nosso semelhante, com todas as criaturas vivas e também a evoluir moralmente nosso espírito. E isso, definitivamente, não se ganha apenas ficando 8 horas por dia dentro de um local “trabalhando”.

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Hoje mesmo li uma entrevista com o o brilhante Domenico de Masi, divulgando um outro livro de seu cunho, o “O Futuro Chegou”. Nestas linhas, Domenico diz tudo o que eu acredito, como por exemplo de que pensar é muito mais importante do que trabalhar e que – no limite – o ideal é que tudo o que não envolvesse o pensamento fosse desempenhado por máquinas.

Meu ídolo (quero casar com ele, rola?) ainda falou lindamente sobre uma questão que eu assino embaixo. Diz que nós, brasileiros, herdamos um pouco o senso de ócio dos índios (mas aqui eu acho que perdemos muito disso, sendo fortemente influenciados pelos americanos): “Os índios não trabalhavam. Não era necessário. Tudo o que eles precisavam estava na natureza. Não precisavam nem se vestir, porque o clima era bom. O que defendo é que não precisamos ser e viver como os índios, mas eles têm muito a nos ensinar sobre a vida e a relação com o trabalho”.

Neste aspecto eu concordo em gênero, número e Glau com Domenico. Fazendo jus à minha origem indígena, acho que o dinheiro só serve para nos dar aquilo que precisamos para viver aqui na crosta: comida, teto, roupa, mobilidade. E também alguns coisas bem interessantes, como passagens aéreas, um carro que nos transporte. Agora, se eu tenho tudo isso sem ter necessariamente que trabalhar, maravilha! Seria felizona, sorridente, alegre e a mais doce das criaturas se eu tivesse uma renda que me poupasse de desempenhar algumas funções que cumpro hoje.

Faria muito mais bolos com meus filhos, escreveria muito mais livros, redigiria muito mais só aquilo que tivesse vontade, como este texto, por exemplo, (e que estou “desperdiçando” tempo, no lugar de estar produzindo conteúdo para meus clientes, o que me dá dinheiro em troca), viajaria para inúmeros outros lugares que ainda não conheço, falaria sobre amor, fazendo crochê, bordando e plantando flores em plena avenida paulista.

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Ainda assim eu estaria sendo digna, parafraseando aquela ideia que geral entortou, a de que “o trabalho dignifica o homem”. Sim, eu acho que dignifica mesmo. Trabalho, no sentido que a passagem sugere, é ouuuuuutra coisa muito diferente dessas que a gente tá fazendo. Sorry desapontar :(

Trabalhar é se empenhar na evolução humana. Desempenhar a caridade. Praticar formas da galeire viver bem. Criar formas e resoluções para que os homens encontrem a paz. Debater sobre meios de vivermos de forma menos primata (a nível de pensamento e moralidade mesmo, não no consumo, entendam, please) aqui na Terra. Criar mecanismos para salvar pessoas da morte prematura. Tudo isso é trabalho. E tudo isso, sim, dignifica o homem. E muito!

Não sou digna apenas por estar escrevendo em um escritório de comunicação 8 horas por dia. Não sou bem-sucedida (ai, como detesto essa expressão) porque tenho dinheiro. Não sou bacana só porque tenho graduação, pós-graduação, MBA, estágio na França, intercâmbio nos Estados Unidos. Na real, eu mesmo, euzinha, só tenho a primeira parte dessa linha toda.

Vamos, meus amores, vamos juntos mudar essa balela toda de trabalho e renda. Vamos entender que podem existir formas mais bacanas de viver no mundo. Vamos praticar ver mais televisão no meio da tarde, ir à praia em plena segunda-feira, receber amigos em casa para um café às 3 da tarde. Vamos fazer um novo jeito de ganhar dinheiro? Já tem muita gente com iniciativas incríveis, que eu compartilho total da ideologia, mostrando ao mundo que é possível, sim, viver de outras formas e modelos. Eike lindo! Eike mundo lindo eu vislumbro para meus filhos… ou talvez netos. Que aprendamos com nossos antepassados índios a não viver apenas aos fins de semana. Eles não tinham sequer calendário :D

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19 ago 2014

Como educar nossos filhos?

Post por Glauciana às 08:16 em Educação

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Ultimamente eu ando em papos de aranha com os meninos aqui em casa. De repente, assim, mais que de repente as criaturas começaram a ficar cheias de vontade, cheias de manias, querendo tudo, dedinho em riste, mil argumentos. Não, ainda não perderam o respeito, obrigada Senhor, porque são bons meninos e eu os trago na rédea curta, mas que estão dando um trabaaaaaaaalho, ahhh estão. Andei fazendo #mimimi no Facebook e saí correndo enxugando lágrimas de desespero e procurando ajuda. Eis que a psicóloga Karin Kenzler me deu dicas poderosas, que compartilho com vocês.

A profissional explica que, por volta dos três anos, começa a educação propriamente dita. “A partir desta idade é preciso cultivar o hábito do diálogo, explicar o motivo das coisas. Sempre existe um ‘porquê’ e é preciso explicar mesmo que a criança ainda não entenda”, afirma. É necessário explicar as razões das situações. Por exemplo, dizer que ele pode jogar vídeo game, mas depois da aula; que se não estudar, não aprenderá, etc. Por volta dos 10 / 12 anos, os pais perdem um pouco do poder autoritário e diálogo ganha mais força. A partir desta idade, a forma de ensinar precisa ser por meio da conversa. “Por isso, a importância de entrosamento com elas desde cedo. A proibição não tem peso, perde eficiência com o tempo. O diálogo só traz ganhos”, relata.

Cultivar este hábito na pré-adolescência é mais complicado, mas ainda possível. A psicóloga conta que o melhor é se tornar amigo da criança e educar criando um espaço para a reflexão e construção conjunta de uma solução. “Primeiro vem a advertência verbal, depois uma bronca e, por último, o castigo. Este deve vir no final e o pequeno deve compreender os reais motivos por estar sendo punido. O mais importante é que a repreensão deve estar vinculada ao fato original”, afirma. Normalmente, os pais usam o castigo como ameaça, como, por exemplo, “se você tirar nota baixa em matemática, vai ficar sem jogar vídeo game” ou “se você não jantar, não vai comer sobremesa”. O objetivo é explicar o motivo de cada situação.

O principal conselho é tornar-se companheiro do seu filho para quebrar qualquer bloqueio que exista. “Converse, fale mais sobre o seu trabalho e projetos. A tendência é que a criança se abra com você. Explique os motivos: a conseqüência de não estudar é receber bronca, anotação na agenda, ficar de recuperação e repetir de ano. Se não cultivar amizades, ficará isolado O sentido de comer verdura é a importância para o desenvolvimento saudável, etc.”, explica. Por meio disso, a principal meta é ensiná-la a refletir e a lidar com frustrações.

Também deve-se averiguar as condições das crianças de cumprirem certas tarefas propostas. “Não basta apenas exigir nota, é preciso perceber se o aluno consegue alcançar este objetivo. Se não, ele precisa de ajuda e não de castigo”, relata. Em muitas ocasiões, a punição serve como meio para os pais exporem a sua ira e não para educar e a criança dificilmente aprende com este método. “Dar limites é amor. Dar castigo é raiva. Nestes casos, quando a repreensão não vem com intenção de ensinar, só machuca e não constrói. É necessário cuidar do resgate da relação e compreender que errar é humano” finaliza Karin. Após a bronca também é importante que o adulto procure consertar isso, fazer as pazes. Fazer com que as coisas fiquem bem novamente.

*Imagem: Daqui

19 ago 2014

ENTREVISTA: Conheça o trabalho da ilustradora infantil Ana Branco

Post por Glauciana às 00:05 em Culturinha

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Na era da internet e da popularização do tablets, está cada vez mais difícil incentivar os nossos filhos a praticar a leitura. Este hábito, extremamente importante em todas as idades da vida e, sobretudo na infância, traz diversos benefícios ao leitor, como desenvolvimento intelectual, social e imaginativo. A leitura abre as fronteiras do conhecimento e permite a interação entre as pessoas.

Para uma criança, muito mais do que a narrativa, um bom livro é formado por imagens que compõem a história e prende a atenção dos pequenos. Inclusive, esta teoria se confirma ao apresentar um livro a uma criança. A primeira pergunta será: ele tem desenhos?

Contudo, engana-se quem acredita que a leitura que as crianças fazem das imagens seja puramente instintiva ou fácil. Segundo a Revista Educação, “compreender uma narrativa visual pressupõe uma alfabetização do olhar. Aprende-se a ler, mas também a ver – e o papel do educador e dos pais é, também, mostrar como decifrar os códigos visuais, muitas vezes extremamente sofisticados. Infelizmente, nem sempre a escola ou a família sabem trabalhar com os livros de imagem”.

Para ajudar a despertar o interesse dos leitores mirins, contamos com o trabalho de ilustradores dedicados a este público, dentre eles, a carioca Ana Branco. Ela assina as imagens do livro Um Coração Para o Rei, de Clara Brancaflor e editado pela Pentagrama Publicações, que será lançado no dia 23 de agosto, no estande da editora, durante a Bienal Internacional do Livro. Ana estará no evento para apresentar a publicação aos visitantes da feira.

E para demonstrar a importância da ilustração no desenvolvimento infantil e como desenvolver esta habilidade nas crianças, conversamos com a artista, que comentou sobre o papel do desenho no universo lúdico infantil.

Qual a importância da ilustração infantil para o desenvolvimento da criança?
Por meio das ilustrações é possível dialogar com as crianças a partir do seu universo lúdico. Por isso, elas cumprem a função ao despertar a imaginação dos pequenos.

Quais são suas referências? Em que você se inspira na hora de pintar?
Comumente eu parto de uma cor para iniciar o meu trabalho. Cada história possui uma cor ou um conjunto de cores que são predominantes, além dos textos e poesias que farão parte do livro – e que facilitam na hora de iniciar o trabalho. Já as referências podem ser divididas de duas maneiras: quando refletem o meu universo interior, sentimentos e experiências ou quando projetam o meu universo exterior, como os espaços que visitei, locais que estive e personagens que conheci.

Com quantos anos você começou a pintar? Como era sua relação com a pintura na sua infância?
Eu sempre gostei de pintar e, por isso comecei muito cedo, com três anos, pintando as paredes de casa. Como meus pais amavam pintura e artes, me incentivaram desde criança e, modéstia a parte, eu era muito boa.

Quais dicas você daria para uma mãe/pai que quer incentivar o seu filho a pintar?
Acredito que uma criança deve expressar os seus sentimentos de diversas formas e a pintura é uma destas maneiras. Por meio dela, é possível contribuir muito com o processo criativo e de desenvolvimento interior dos pequenos. Neste caso, o papel dos pais é criar condições para as crianças se expressarem por meio da arte, oferecendo materiais como livros de desenho, lápis e tintas. Criar um cantinho para a atividade também é um bom recurso, além de claro, demonstrar interesse sobre os trabalhos, expondo-os pela casa e, principalmente, dialogar com eles por meio desta linguagem lúdica, sem criar expectativas de formar um “futuro artista”. Este pode ser um bom começo.

31 jul 2014

Livro infantil: As aventuras do Capitão Pirata da Barba Verde

Post por Glauciana às 17:40 em Culturinha

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Recebemos de presente aqui em casa esses dias, antes mesmo do lançamento oficial, o livro infantil bilingue As aventuras do Capitão Pirata da Barba Verde, pelo selo Tordesilhinhas. Isso mesmo, um livro bilingue: dois em um. De um lado está em português e do outro, de ponta cabeça, a história está em inglês.

A autora é Claudia Neufel, também mãe, que colocou no papel suas invenções mágicas e fantásticas das histórias contadas ao filho antes dele dormir. Após noites repetindo a mesma história criada em conjunto com seu filho, decidiu registrar a aventura em formato de livro.

Com imagens vibrantes desenvolvidas pela ilustradora Maisa Shigematsu, As aventuras do Capitão Pirata da Barba Verde conta a história do temido Capitão Pirata da Barba Verde, que acaba de recrutar marujos para uma inesquecível caçada ao tesouro. O que ele não esperava era que uma adorável cadelinha subisse a bordo. Apesar de a tripulação esconder a nova companheira, apelidada carinhosamente de Sally, o capitão fica furioso ao descobrir a intrusa e ordena que se livrem dela.

Os marujos não aceitam e tentam encontrar alguma alternativa para ficar com Sally. Em uma reviravolta surpreendente, um navio se aproxima e o Capitão Pirata decide saqueá-lo. Será que o capitão finalmente conseguirá se livrar de Sally? Ou será que os marujos transformarão a cadelinha em uma autêntica pirata, conquistando o chefe da embarcação?

A autora tem encontro marcado com seus leitores no dia 2 de agosto, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232), a partir das 17h.

 

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30 jul 2014

A segunda voz

Post por Glauciana às 17:30 em Mãe e Filhos

Hoje, enquanto almoçávamos, eu, Dudu e Luca ouvíamos uma música qualquer em meu celular. Neste momento, Eduardo me pediu “coloca aquela, mamãe, euuuu nem seeeeeei o que faria neste inveeeeerno…”. Na mesma hora, busquei no Youtube a música “Domingo de Manhã”, que eu nem sabia de quem era. Aí, ficamos vendo o vídeo da gravação, da dupla Marcos e Belutti.

Dudu lembrou-se dessa canção, certamente, porque neste primeiro semestre todo morando em Assis, no interior de São Paulo, o rádio do carro está ligado na volta da escola, às 18h, e essa música toca. A gente sempre se diverte cantando, dançando, curtindo mesmo isso que a música proporciona. Esse período aqui no interior tem feito a gente entrar em contato com as minhas raízes capiriras, das modas de viola, da vida sertaneja.

Aí, vendo o vídeo Luca percebeu que não conseguia ouvir a voz do outro cantor, referindo-se ao Marcos, a segunda voz da dupla. E ficamos o almoço todo escutando e tentando identificar a voz do Marcos, que não se sobressai à potente do Belutti (que, aliás, que tchutchuco, viu!?!? Ahhh, eram dois acordes só em meu ouvido e… ops, foco, deixa eu voltar pro foco).

Eduardo não se conformava que Marcos é tão inexpressivo assim e eu mandei pra ele: “É, filho, tem gente que é assim mesmo, sem brilho, sem destaque, sem voz”. Ele ficou paradinho, me olhando, refletindo e mandou a pérola “Nossa, mas deve ser muito ruim ser do jeito do Marcos, com essa voz apagada e só deixar o outro cantar”.

Minha gente, mas essa frase dele bateu forte em mim e está retumbando aqui dentro. Quantas vezes nós não nos escondemos atrás da voz potente do outro e nos acomodamos na situação, pegando carona na personalidade e na ação alheia?

Deixamos que o outro é que tenha atitude, que nos leve pelo caminho que deseja, afinal quem tem mais força quase sempre determina o rumo.

E, então, eu falei a meu menino que ele sempre soubesse a medida exata de ser primeira e segunda voz. Que há momentos na vida em que ser a segunda voz é essencial. Afinal, a dupla se complementa dessa forma. Um precisa do outro. Que o perigo é, apenas, a gente se esconder por trás da liderança do outro. E que se ele se sentia feliz sendo o protagonista, ótimo, mas que não colocasse em menor plano o outro, que também é importante.

Esse é um ensinamento pra vida, sobretudo pra mim, que sempre tendo a diminuir o brilho do meu olhar para algumas pessoas que andam mais na toada da segunda voz. Não necessariamente quem canta pouco e se faz menos ouvido não tenha uma voz linda e que encante os ouvidos.

14 jul 2014

A revolução alimentar de Jamie Oliver, sua e minha

Post por Glauciana às 19:11 em Alimentação
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Acabei de assistir a uma entrevista do chefe de cozinha mais famoso do mundo: Jamie Oliver. O inglês, conhecido no mundo inteiro por sua forma arrojada de encarar a cozinha, é muito mais que um rostinho bonito atrás de uma panela. Aliás, que rostinho bonito, hein?!? Na reportagem, veiculada no Jornal Hoje, da Rede Globo, foi citado o projeto que Jamie tem para promover melhores hábitos alimentares nas crianças.

A cada cinco minutos um americano morre por conta da alimentação que ingere. Essa foi uma das falas dele, durante uma palestra na Califórnia. Embora ele esteja falando de um país específico, fato é que a população mundial sofre os efeitos dos maus hábitos alimentares. No Brasil, mais de 15% da população brasileira é obesa, de acordo com dados de uma pesquisa do IBGE, feita em 2011.

Por isso, há três anos, ele criou um projeto chamado Food Revolution Day, que acontece em 74 países e tem 900 embaixadores defendendo a causa. O Dia da Revolução Alimentar é um evento anual, que em cada país é capitaneado por uma pessoa, que propões discussões com especialistas em alimentação, debates com profissionais da área de saúde. No Brasil, quem encabeça a empreitada de Oliver é Nadia Cozzi, Consultora em Alimentação Consciente e Desenvolvimento Humanos.

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Este dia já passou, foi em 16 de maio, mas ao longo do ano a luta de Oliver continua. Pesquisando aqui na web sobre a atuação dele com crianças, encontrei uma matéria no site de O Globo que fala sobre os problemas que ele enfrenta nos Estados Unidos para tentar mudar o lanche das crianças nas cantinas das escolas. Esse tema é a paixão dele, que tem quatro filhos.

Vale a pena ficar de olho nessas iniciativas para que a gente se informe no que fazer para nossos filhos em casa. Como diz o próprio Oliver: “obesidade mata e cozinhar refeições usando ingredientes frescos salvará vidas”. Fica a dica pra gente, que é mãe, e cuida do que a família come.

07 jul 2014

Três bebês que vieram do céu

Post por Glauciana às 03:51 em A mãe que ninguém vê

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Depois de oito anos de casamento e um projeto de não ter filhos, o empresário paulista José mudou de opinião quando sua esposa, a funcionária pública Leda, engravidou e perdeu o bebê no início da gestação. A gravidez veio sem planejar e para mudar o que estava estabelecido. A partir de então, começaram a nutrir o desejo de ter um filho. Durante sete anos perseguiram o sonho e quando, finalmente, ele se realizou, veio multiplicado por três. José e Leda, que tanto queriam um filho, ganharam três.

Na década de 80, os namorados José e Leda decidiram se unir. Ela, que já tinha dois filhos de um casamento anterior — Edith com quatro anos e Caio com seis —, decidira montar uma nova família ao lado de José, sete anos mais novo.

Os anos foram passando e o marido começou a sentir a necessidade de ter um herdeiro, embora considerasse os filhos da esposa como seus. As crianças moravam com eles e José se sentia pai, pois, desde que se casou com Leda, passou a ajudar na educação dos rebentos. Entretanto, a vontade de acompanhar os primeiros meses de uma criança e ver seu desenvolvimento desde o início despertou o interesse de José em ter seu próprio filho. Leda, por sua vez, também comprou a idéia e o casal decidiu engravidar novamente, mesmo depois da primeira perda.

Meses depois, veio a boa surpresa: Leda esperava um bebê. Aos 35 anos e com filhos já adultos, a gestação trouxe novo fôlego à Leda e contagiou toda a família. A gravidez foi evoluindo bem, mas, aos cinco meses, ela contraiu citomegalovírus, uma doença herpes-virótica que causa infecções. No seu caso, o órgão afetado foi o fígado e, tanto Leda quanto seu filho, corriam risco de vida. Havia uma controvérsia entre os médicos se o bebê estaria ou não contaminado, o que deixou o casal angustiado com a possibilidade de terem um filho com seqüelas. Com muito medo e sofrimento, Leda decidiu interromper a gravidez, seguindo orientação médica.

⎯ A decisão de interromper a gravidez foi totalmente minha e o maior sofrimento da minha vida. Os médicos induziram um parto normal prematuro quando o feto estava com cinco meses. Foi uma violência! ⎯ contou Leda.

Mesmo assim, continuaram seguindo em frente com o sonho de terem um filho. Oito meses depois, aguardavam um novo bebê. Mais uma vez, a gestação ocorreu bem. No quinto mês, exatamente na semana da interrupção da gravidez anterior, a bolsa se rompeu, Leda foi para o hospital e perdeu mais um bebê. Essa terceira perda deixou o casal extremamente abalado, Leda principalmente, já que ela se questionava pela decisão que tinha tomado na outra gravidez, culpando-se por não tê-la deixado evoluir.

Durante um período, Leda ficou emocionalmente anestesiada. Em paralelo, uma doença grave manifestou-se em seu corpo: um resto embrionário continuou a se desenvolver em seu útero, formando um tumor. Uma forma, talvez, de continuar gerando os bebês que havia perdido. E, mais angústia, pois foi submetida a um tratamento quimioterápico.

O trauma da última perda foi grande. Já sabiam o sexo, o nome estava escolhido e o enxoval montado, além de toda a expectativa natural que envolve a espera de um bebê. Apesar de muito difícil, essa perda foi o despertar para uma nova situação: de que o filho que o casal tanto queria poderia vir de uma outra forma. Muito religiosa, Leda clamou ao plano espiritual.

⎯ Eu me ajoelhei no chão e disse: “Meu Deus do céu, me ilumine nesse momento de tanta dor. Eu peço ao plano espiritual que traga esses seres que estão em volta de mim e querem chegar. Que eles venham de onde for, que eu estou pronta pra recebê-los” ⎯ lembrou Leda emocionada.

A partir de então, entendendo que filhos poderiam vir por vários caminhos, o casal decidiu adotar uma criança. Com todo o sofrimento passado, José se convenceu de que a adoção seria uma alternativa, pois sempre teve muita resistência com o tema.
ONGs, amigos em comum e Juizados da Infância e da Juventude foram os meios pelos quais Leda e José procuravam pelo filho. Não faziam exigência quanto ao sexo da criança, desde que fosse um bebezinho, afinal o pai gostaria de ter a sensação de cuidar de um recém-nascido.

⎯ Tinha que ser bem novinho. Era uma condição que eu coloquei na época para a adoção. Queria que fosse o mais novo possível para trocar fralda, dar mamadeira. Isso porque eu nunca tinha sido pai e era importante para mim esse contato desde o início ⎯ lembrou José.

Para alegria da família, amigos do casal souberam de uma moça, de uma comunidade carente do interior de São Paulo, que estava grávida e não ficaria com o filho. José e a esposa acompanharam a gravidez como se a criança estivesse sendo gerada no ventre de Leda. Fizeram os exames pré-natais, comprara enxoval e os amigos e o restante da família aguardavam o nascimento do bebê. Quando chegou a grande hora, ainda na maternidade, a mãe desistiu de entregar a criança. Ainda que compreensível, Leda e José sofreram outra perda.

Foram mais quatro longos anos de espera pelo filho tão desejado. Nesse tempo todo, o casal não recebeu sequer uma ligação do juizado, apesar de estar na fila de adoção há anos, inclusive em varas de outros Estados. Então, decidiram optar por métodos de reprodução assistida e, em 1996, fizeram uma inseminação artificial. Implantaram três embriões no útero de Leda e um deles se fixou. Ao contrário das situações anteriores, dessa vez ninguém — além dos filhos de Leda, Edith e Caio — sabiam da gravidez.

Dando as boas-vindas ao ano de 1997, o casal e os dois filhos viajaram de férias e, quando retornaram, receberam a notícia tão esperada. Por meio de um telefonema, um amigo informou que, no comecinho do ano, dia 5 de janeiro, um anjo passara e deixara um presente a eles.

O novo ano começava com boas novidades e o filho que tanto desejavam chegara. Agora, por duas vias, afinal, a gravidez de Leda evoluía bem e um outro filho — supostamente uma menininha — os esperava em algum lugar do Estado de São Paulo. Sem pensar duas vezes, decidiram buscar a criança, mesmo com a gestação de quatro meses de Leda.

Sequer tiraram as malas do carro e rumaram para o litoral norte paulista, em busca daquilo que esperaram por tanto tempo. Antes disso, passaram em um hipermercado para comprar, pelo menos, coisas básicas para uma criança, como mamadeira, fraldas e roupinhas. A viagem foi repleta de euforia. Entre nomes, palpites e expectativas, Leda, José e Edith passaram a noite na estrada.

⎯ Aquela noite foi mágica, porque já tínhamos desistido da adoção, afinal depois de tantos anos. Mas temos certeza que foi mesmo um anjo que passou e nos deixou o presente, pelo modo como tudo aconteceu. Justamente porque já estávamos grávidos. Fomos flutuando buscar nossa filha ⎯ disse José.

A madrugada era quente, bem típica do litoral em noites de verão, e os amigos lotavam a casa de um amigo, que havia ajudado no parto e na adoção. Ainda na sala, Leda e José viram descer a escada o amigo com seu presente no colo. Com três dias de vida, Luiza encontrava seus pais.

Mas, surpresa! Como se o anjo travesso quisesse recompensar Leda e José por tantas perdas e tantos anos de luta e espera pelo filho, decidiu trazer não só um presente, mas dois. Não bastasse a felicidade dos novos pais com Luiza nos braços, mais um bebê desceu as escadas, como se viesse mesmo do céu. Isabel, a irmã gêmea, também nascia para o casal.

⎯ Eu tive certeza absoluta de que elas eram as crianças que eu tinha perdido e, nesse momento, o bebê mexeu em minha barriga. Eu estava com as minhas três filhas junto de mim e dava graças a Deus, porque finalmente nos encontramos. Foi o dia mais feliz da minha vida, porque eu pude entender aquele processo. Tanta dor, agora, fazia sentido. Eu estava sendo preparada para um encontro sagrado, para uma missão divina — contou Leda.

Leda e José, que tanto quiseram um filho, voltaram para casa com dois bebês. Seis meses depois, Victória nasceu! A família comemorava as “trigêmeas”, como sempre foram chamadas as irmãs. A felicidade chegou em dose tripla.

Apesar de serem chamadas de trigêmeas, a diferença de alguns meses entre as irmãs causou questionamento por parte das meninas, conforme foram crescendo. Os pais, que nunca quiseram esconder a verdadeira história, foram contando aos poucos, mas a grande conversa ocorreu quando as pequenas tinham cinco anos. A esposa de Caio, filho mais velho de Leda, perdeu o bebê que esperava e a mãe foi dar a notícia a Isabel, Luiza e Victória, que estavam felizes com a chegada de um sobrinho.

⎯ Contei pra elas: “A Karin perdeu o bebê”. E a Isabel olhou pra mim assustada e disse: “Mãe, como perdeu? Manda o Caio procurar!”. E a Luiza falou assim: “Não, Bel, perdeu porque o bebê morreu” ⎯ lembrou Leda.

A situação foi uma deixa para que a mãe contasse às meninas de onde e em que circunstâncias elas vieram. Quando Isabel perguntou por que Karin tinha perdido o filho, Leda explicou que algumas mães têm muita dificuldade para terem seus filhos e que, às vezes, estes filhos constroem caminhos para encontrarem seus pais e vêm da barriga de outras mães. Nesse momento, as meninas ⎯ anunciando que já sabiam de algo ⎯ perguntaram: “como nós?”. Foi a oportunidade de expressar com palavras a felicidade que as irmãs representam para o casal e contar toda a triste história de perda de bebês.

⎯ Eu disse que elas eram a coisa mais maravilhosa que nos aconteceu, porque a gente conseguiu se encontrar. Porque, às vezes, esses filhos e essas mães não conseguem se achar e passam a vida inteira se procurando. E nós nos encontramos logo que elas nasceram, quando fomos correndo buscá-las. Daí, a gente se abraçou e elas entenderam o processo ⎯ disse Leda.

As três meninas se amam e interagem como qualquer irmão da idade: brincam, estudam, brigam. A relação de Isabel e Luiza é mais próxima, provavelmente por serem gêmeas, o que acaba gerando um desconforto em Victória que se sente, às vezes, deixada de lado pelas duas. O contato das gêmeas é tão estreito e a cumplicidade entre elas é tão forte que, por vezes, a mãe as pega dormindo na mesma cama, ainda hoje, que estão com 10 anos.

O final desse conto de fadas é bem contemporâneo. Leda e José se separaram em 2001 e as três meninas moram com a mãe, mas, nas noites de quarta-feira, dormem na residência do pai. Os finais de semana são passados alternadamente na casa dos pais.

A vida, como era de se esperar, seguiu em frente. José se casou novamente com a enfermeira Adriana e o novo casal tem um filho de quase dois anos, Plinio. Com isso, Isabel e Luiza desfrutam de dois sólidos lares. E Victória, que não teria irmãs de sua idade, ganhou a companhia de, nada menos, que uma dupla dinâmica.

*Imagem: Daqui

**Este texto faz parte do livro-reportagem “Filhos do Coração. Histórias Extraordinárias de Adoção”, que escrevi em 2007, como fruto de meu trabalho de conclusão de curso, para a obtenção do diploma da graduação em jornalismo.  

***Os nomes dos protagonistas foram trocados, para garantir mais privacidade à família. 

30 jun 2014

Helena encontrou um lar excepcional

Post por Glauciana às 20:16 em A mãe que ninguém vê

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Helena acorda às 9 horas e, com a ajuda da irmã Jandira, toma seu café da manhã: um mingau de farinha láctea. Entre o alimento da manhã e o almoço, Jandira dá a Helena um suco de frutas com a ajuda de uma colher, já que ela não consegue tomar os líquidos aos goles. Para o almoço, o cardápio é vasto, desde que toda a comida seja batida no liquidificador para que fique em uma forma pastosa e ela consiga engolir.

Os cuidados prosseguem ao longo do dia. No meio da tarde, enquanto ainda está sol e sua casa aquecida, é hora de tomar o banho. Agora, Dita, sua mãe, já voltou da casa de família onde trabalha como empregada doméstica e pode cuidar de Helena. Sentada no boxe do banheiro, ela ganha o seu banho e tem suas fraldas trocadas. Mas isso só ocorre quando o dia está quente, pois se o clima está mais frio — o que é comum no extremo norte da cidade de São Paulo, no meio da Serra Cantareira, onde moram — o asseio é apenas com panos molhados pelo corpo.

Não se trata de preguiça, não. É que Helena sofre de broncopneumonia crônica e qualquer friagem pode fazê-la ficar doente. Por conta disso, as sessões de inalação também são diárias. Depois do banho, vem o passatempo predileto de Helena: balançar na rede da varanda de sua casa. Enquanto fica na rede, ela balbucia muito, sinal de que estar ali é um prazer.

A tarde passa e ela tira um cochilo em sua cama, que fica no quarto dos pais. Nesse momento, Dita deve prestar atenção redobrada às fraldas de Helena para que ela não molhe a cama. Durante o sono, ela urina bastante, expelindo o líquido que uma válvula instalada em sua cabeça drena de seu corpo. Enquanto o pai, Valdinei, está chegando do trabalho e a casa está movimentada com a visita dos outros filhos, é hora do jantar. Novamente a refeição é batida no liquidificador.

Após se alimentar, Helena toma mais uma dose de Gardenal, um medicamento controlado para conter as convulsões, que começaram a ocorrer recentemente. Às 8 da noite é hora da ceia, um biscoito de maisena esmagado no leite ou um mingau de aveia. Com a noite chegando, é hora de dormir.

Essa é a rotina de Helena há 20 anos. Ela, que hoje tem 24, sofre de hidrocefalia, uma deficiência congênita. Seu cérebro produz água, que fica armazenada na cabeça, causando deficiência mental e física. Sua comunicação é exclusivamente visual e auditiva e ela tem dificuldades no desenvolvimento neurológico-motor, além de paralisia no lado esquerdo do corpo. Helena tem 35 quilos ⎯ o peso de uma pré-adolescente de dez anos ⎯ e o que mais pesa em seu corpo é a cabeça, que tem o dobro do tamanho de uma jovem normal, devido ao excesso de água.

Sua deficiência não causa espanto, já que crianças com necessidades especiais nascem todos os dias em muitas famílias. A surpresa está no fato de que Dita não gerou uma filha especial. Ela e seu marido Valdinei adotaram Helena sabendo de sua condição.

Dita trabalhava como assistente de enfermagem do setor de pediatria do antigo Hospital Santa Isabel da Cantareira, que ficava na Zona Norte de São Paulo e tinha mais de 800 pacientes internados. Aos 29 anos e nenhuma experiência na área, passou a trabalhar na instituição, já que seu marido ficara desempregado e ela tinha que ajudar a sustentar os quatro filhos que tinham, incluindo uma recém-nascida. Naquele ano de 1985, eram 300 crianças com necessidades especiais internadas, mas, para Dita, uma era mais especial que todas.

A pequena Helena tinha apenas dois anos quando conquistou o coração de Dita. Abandonada pela mãe biológica e sem muitas expectativas na vida, Helena tinha na mochila apenas a certidão de nascimento em Mogi das Cruzes (SP) e algumas mudas de roupa. Contrariando um triste destino que poderia vir a ter, pulando entre as instituições públicas psiquiátricas, Helena ganhou não só uma mãe, mas também um pai e quatro irmãos.

O Hospital estava fechando as portas por causa de problemas financeiros e os pacientes que não tinham família seriam entregues à Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem), um dos órgãos do governo que abrigava as crianças abandonadas na década de 1980. Dita, que fazia plantões longos, voltava de suas folgas com o coração cheio de medo por não encontrar mais Helena, a pequena especial que ela vinha cuidando com mais atenção do que os demais pacientes da ala pediátrica.

Valdinei, seu marido, começou a perceber que a esposa andava apreensiva e preocupada. Foi então que Dita abriu seu coração para o marido e disse que tinha se apaixonado pela menina e que gostaria de adotá-la. Para sua surpresa, o marido concordou, mas, antes, Dita quis que ele fosse conhecê-la, já que não era uma criança comum.

 

⎯ Ela tem defeito. Tem a cabeça grande. Tem paralisia no corpo ⎯ disse Dita ao marido.

 

Em um domingo à tarde, Dita colocou a melhor roupinha em Helena e a deixou sentada em um carrinho de bebê na entrada de seu quarto. Olhando de longe, pôde ver quando o marido chegou para a visita, pegou a menina no colo e foi passear no pátio do hospital. A empatia foi instantânea. Tanto que, no final da tarde de visitas, a criança ficou chorando quando os futuros pais foram embora.

 

⎯ A Helena gostou dele. Porque, no mundinho dela, eu acredito que ela sente e entende alguma coisa ⎯ afirmou a mãe.

 

Chegando em casa, após o plantão, Dita ouviu de Valdinei o que tanto queria. O marido disse a ela para mover os papeis que eles iam adotar Helena. O processo burocrático foi rápido e logo a menina passou a ter o sobrenome dos pais adotivos, uma nova certidão de nascimento e a guarda definitiva em nome de Dita e Valdinei. Advogados, médicos, psicólogos e assistentes sociais participaram do processo, por não se tratar de uma adoção comum.

 

⎯ Eu acho que eles desconfiavam que nós fôssemos mesmo adotá-la, porque ninguém quer um filho especial. Geralmente esse tipo de criança nunca consegue uma família. E eu não estava procurando nenhuma criança para adotar. Helena é que procurava uma mãe e me encontrou ⎯ desabafou Dita.

 

Em 27 de junho de 1985, Helena passou a ser filha de Dita e Valdinei, mas demorou um pouco até que fosse definitiva a ida para a casa dos pais. Isso porque Dita era insegura quanto aos cuidados com a menina. Assim, começou a levá-la para passar os fins de semana em casa para que fosse se acostumando com Helena e também para que seus filhos não estranhassem a nova irmã que estava chegando à família.

Com o amor crescendo, aumentavam também os cuidados com a menina enquanto ela estava no hospital. Como não era apenas Dita quem cuidava do quarto de Helena, ela cobrava das outras assistentes o mesmo carinho e atenção. Já que as demais funcionárias não tinham o mesmo zelo de mãe, ela decidiu tirar a menina do hospital. E hoje, 20 anos depois, Helena é a filha caçula de Dita e Valdinei e irmã de Roberto, Cristina, Alessandra e Jandira.

Apesar da atenção com a saúde de Helena ser redobrada, Dita afirma que a filha nunca deu nenhum trabalho. Durante toda a vida ela levou a menina para consultas regulares com o neurologista e, nas crises convulsivas, a leva direto ao pronto-socorro do hospital mais próximo de sua casa. O atendimento é feito pelo convênio médico que o pai tem, como benefício da empresa onde trabalha como tratorista, e que é estendido à filha deficiente. Os medicamentos são fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e as fraldas compradas com o auxílio de R$ 380 que Helena recebe do governo, destinado aos portadores de necessidades especiais.

Dinheiro nunca foi algo fácil na família de Dita. Atualmente, a renda mensal é em torno de R$ 1300. Esse montante, ela divide entre as despesas da casa e os gastos dela, do marido, da filha solteira e de Helena. Vez ou outra também é preciso gastar com a gasolina que coloca no carro dos vizinhos, que levam Helena ao médico e ao hospital, já que a família não possui carro e a filha precisa ser carregada porque não se movimenta.

Apesar do orçamento apertado, Dita tem uma família unida, feliz, de bem com a vida e bastante agitada. Ela trabalha no período da manhã como empregada doméstica, cuida de um garotinho, filho da vizinha, porque a mãe trabalha à noite, trata de seus 10 cachorros, que vivem nos fundos do quintal, e ainda encontra tempo para ir à Praia Grande com o marido. Helena nunca foi empecilho nenhum para Dita e a família.

 

⎯ A Helena não dá trabalho nenhum, é muito boazinha. É como um bebê, que precisa ser alimentada, ter as fraldas trocadas, ser limpa. Na verdade, é como um bebê que não chora nunca. Ela é um anjo! ⎯ derrete-se a mãe.

 

Como em uma família comum, os irmãos ⎯ distribuídos na faixa etária dos 20 aos 30 anos ⎯ mimam a caçulinha, que é tratada como uma filha biológica do casal. Tanto que Dita e Valdinei afirmam que têm cinco filhos quando questionados sobre o número da prole.

 

⎯ Apesar de não ter saído de dentro de mim, eu a escolhi para ser minha filha ⎯ afirma Dita.

 

*Imagem: Daqui

Este texto faz parte do livro-reportagem “Filhos do Coração. Histórias Extraordinárias de Adoção”, que escrevi em 2007, como fruto de meu trabalho de conclusão de curso, para a obtenção do diploma da graduação em jornalismo. 

Os nomes dos protagonistas foram trocados, para garantir mais privacidade à família.

27 jun 2014

Como tratar a febre em crianças

Post por Glauciana às 18:03 em Saúde

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Uma das coisas que mais me apavorava quando meus filhos eram menores e eu não tinha tanto conhecimento holístico (ainda não tenho tanto, mas estou estudando) é a febre. Parece que a gente foi condicionado a logo combater a febre, como se fosse uma doença gravíssima. E, pelo que tenho descoberto, não é. Ela pode até ser benéfica, pasme!

“Dai-me o poder de criar a febre, e eu curarei toda doença”, já sabia o filósofo grego Parmênides muito antes de nossa época. Febre não é doença, embora todo o organismo seja acometido e prejudicado.
Trecho do livro A doença como linguagem na alma da criança, de Rüdiger Dahlke e Vera Kaesemann.

O médico e psicoterapeuta alemão Rüdiger e também e homeopata Vera, escritores do livro que interpreta e significa os quadros clínicos em crianças e oferece um tratamento holístico, afirmam que a febre é até boa, pois prova que a criança está preparada para combatê-la e quer colocar à prova as próprias capacidades de defesa, confrontando-se com a ameaça vinda do mundo exterior (bactérias, vírus, etc).

Eles afirmam que, em princípio, esse calor do combate é bom e somente possível em um organismo saudável, que está pronto para assumir a luta pela vida no sentido figurado, no nível inconsciente. Olha que interessante: eles dizem que o objetivo do organismo com a febre é lutar contra os agentes que causam alguma desordem, cozinhar por dentro, queimar esses perturbadores da paz e, assim, restaurar o equilíbrio do corpo.

Enquanto nós, pais, pensamos que nosso dever é logo tascar um antitérmico e acabar com a febre, os autores defendem – amparados em seus estudos médicos de uma vida toda – que a febre ajuda a amadurecer o sistema vital das crianças.

“A cada grau de febre duplica-se o sistema imunológico, e toda febre o treina para ações posteriores. Assim, a disposição ativa de defesa do corpo contra agentes patogênicos torna-se uma formação rumo a uma personalidade independente e apta para a vida. Muitos pais vivenciam isso na autoconsciência reforçada da criança após uma crise de febre. Realizou-se um processo de amadurecimento”.

Segundo os médicos, a febre pode dar aos pequenos a possibilidade de assumirem uma vida diferente, testando seus limites físicos e também os emocionais, como protestar ou brigar, no sentido saudável da coisa, brigando por algo, lutando com garra. Crianças que passam por febre têm respostas prontas, são cheias de entusiasmo e conseguem tomar decisões com coragem.

Mas, aposto que você está se perguntando: “meu deus, mas então eu vou deixar meu filho sofrer? Deixar que ele tenha febre, se é muito mais fácil logo mandar um remedinho branco ou cor-de-rosa, docinho e pronto, tchau febre e mau-estar?”. Pois é, meus caros, acontece que a gente tem a péssima mania de querer controlar tudo que é ruim de nossos filhos, não deixando que eles passem por algumas situações difíceis para que se fortaleçam.

“Nesse processo [de febre], ela [a criança] precisa lidar com sua capacidade de sofrer e com seus próprios limites. Tal como os adultos, as crianças aprendem não quando todas as dificuldades são retiradas de seu caminho. Ao contrário, elas precisam ser acompanhadas e apoiadas com amor e total confiança enquanto passam por suas crises e as dominam. Assim, conseguem sair amadurecidas e fortalecidas das doenças infecciosas superadas com seus acessos de febre”.

E lembra aquela situação que sempre falamos “ficou tão triste que até teve febre” ou “quis tanto uma coisa que teve febre a noite inteira”. Pois então, tem total razão. Os autores do livro afirmam que a gente deseja taaaaaaanto uma coisa, a gente anseia tão febrilmente, que de fato manifesta a febre. Meu filho mais velho, Eduardo, sempre tem febre dias antes de seu aniversário ou do Natal e eu sempre atrelei isso a alguma doença ou a sinusite. Que nada! Era ele estando tão ansioso, que não conseguia expressar sua alegria adequadamente. Assim, o tema se personificava como febre no corpinho dele.

Bom, tá certo. Já entendemos que a febre pode ser boa. Mas ok a gente deixar a criança pelando? Não faz mal mesmo que essa quentura toda queime o corpo dos pequenos? E as tais convulsões?

Olha, os médicos que escreveram o livro dizem que sim, podemos deixar a febre se manifestar apenas acompanhando e tomando algumas medidas de apoio. Vou listar as principais:

  • Transmitir amor ao cuidar da criança
  • Manter a tranquilidade em seu quarto
  • Proteção contra estímulos externos, como luz forte, barulhos altos, contato físico exagerado
  • Evitar temperaturas extremas, como submeter à criança a muito frio ou calor
  • Dar bastante líquido, sucos naturais, chás adequados para os pequenos ou água
  • Permitir o jejum, quando a criança não tiver apetite
  • Oferecer alimentos leves, com pouca ou nenhuma proteína, se houve fome
  • Estimular o sono da criança, pois dormir é um santo remédio
  • Vestir roupas leves de algodão, para absorver o suor

Para finalizar, enfatizo ainda que Dr. Rüdiger e Dra. Vera sugerem que não tiremos o trabalho do sistema imunológico, senão ele se torna fraco e destreinado e, em um caso realmente grave, ele não dará conta de reagir adequadamente, quando uma doença de fato grave chegar em seu filho.

A mensagem principal é:

“Tanto os filhos quanto os pais têm de aprender a confiar nas forças autorreguladoras do organismo da criança e auxiliar no processo de amadurecimento, conduzindo-os de acordo com a antiga regra da medicina, que diz: medicas curat, natura sanat (“o médico cuida, a natureza cura”).

E aí, tudo isso faz sentido pra você? Ou é do time que acha tudo isso blábláblá e manda logo um antitérmico?

 

*Imagem: Daqui

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