Coisa de Mãe
12 set 2016

Vamos falar sobre sexualidade com as crianças?

Post por Glauciana às 17:57 em Crescimento dos Filhos

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Por: Glauciana Monteiro Nunes

Crianças aprendem por repetição de comportamento. Isso é cientificamente comprovado. Desde as atitudes mais básicas, como andar, falar, se alimentar, até comportamentos emocionais mais elaborados. Tudo é reflexo e reprodução do meio onde vive.

Primeiro, essa reprodução virá dos que estão mais próximos à criança – a mãe, o pai, os avós, o cuidador, os professores. Depois, já mais perto da segunda infância, essa reprodução começará a vir do meio expandido em que vive. Por volta dos 8 ou 9 anos haverá uma reprodução de falas e expressões dos amigos, o que é normal, por conta da necessidade de aceitação no grupo. Quando mais parecido com a minha turma eu sou, mais serei aceito e amado por eles. Nua e cruamente, de forma simplista, o pensamento é este.

Fato é que se nossos filhos reproduzem “abacaxi”, tudo bem. Vai passar despercebido por nós. Mas, se nossos filhos reproduzem um “puta que pariu” já vai soar um sinal de alarme. De onde ele tirou isso? Como dizer que não pode? Qual é a fonte disso? O que devo fazer?

Meu filho mais velho, Eduardo, de 9 anos, começou a reproduzir alguns gestos e falas que fizeram soar o nosso alarme. Ele mostrou o pênis para algumas amigas, no condomínio, quando elas o chamaram de “mariquinha”, porque não conseguia correr mais rápido que elas na corrida. Estimulado por um amigo, também de 8 anos, mostrou o pênis para provar que era homem e não uma “mariquinha”.

Outra ocorrência, na escola, chamou uma amiga de “vaca”, em resposta ao “burro”. Para ele, apenas dois animais, mas com relatos da escola vimos que há colegas que já perderam a inocência e estão mais avançados nos conceitos de sexo, por isso, o xingamento de “vaca” e não outro animal qualquer, como “anta”, por exemplo.

E, por fim, Eduardo falou para uma amiga “chupa aqui”, colocando a mão no pênis. Quando questionado, falou que viu em um vídeo no youtube, quando um moço que ensinava a fazer embaixadinhas de futebol, conseguiu fazer muitas embaixadinhas e falou “Chupa aqui”, para o colega ao lado. Alguns palavreados e gestos são normatizados na sociedade, mas proibidos na infância. Vai entender!

Eu não notei nenhum fato que mostre Eduardo sexualizado ainda. Ele ainda está na fase da inocência, apenas reproduzindo o que tem escutado. E aí, entram vários pontos.

Primeiro: todo cuidado é pouco com os estímulos que deixamos – ou nem sabemos – nossos filhos verem. Essa história de mil canais de televisão, controle remoto na mão de criança, celular na mão de criança, com whatsapp liberado (mesmo os dos pais é um perigo, porque nesses grupos “normais” do futebol do pai, rolam absurdos pornográficos assustadores). Simples desenhos da Peppa Pig, no youtube, possuem vídeos pornográficos e com conteúdo de xingamentos nos vídeos sugeridos ao lado.

E crianças são espertas, eles sabem manusear eletrônicos. Eu sou contra, contra, contra, contra, contra, contra, contra e contra criança menor de 10 anos usar eletrônico e não há Cristo e nem Papa Francisco que me faça aceitar o contrário. Existe uma indústria da sexualização, da pornografia, do estupro e da pedofilia correndo solta na rede, nos desenhos, nos vídeos, no whatsapp, no vídeo game. Um segundo de distração da gente lavando a louça, enquanto a criança está com o tablet na mão, já era. Ela pode ter visto alguma imagem, que pode mudar para sempre sua relação com a sexualidade. Se quiserem entender melhor o que eu digo, deem um google em como a indústria da pornografia tem moldado o comportamento sexual das novas gerações. É pra ficar sem dormir umas cinco noites, minha gente.

Segundo: uma vez que criança reproduz, cabe a nós, pais e educadores, explicar que eles não podem falar tais coisas. Claro que nossos filhos não vivem em bolhas, não somos ermitões e nem estamos sozinhos nas montanhas, no entanto eu tento preservar a infância dos meus guris ao máximo. Eu sou taxativa: se tem um amigo assistindo qualquer coisa com o tablet na mão, enquanto está lá embaixo, no condomínio, passa reto. Vai jogar bola. Tablet não é coisa pra criança. Vai chegar o tempo de vocês e, na idade, certa, poderão ver todos os jogos e vídeos que quiserem. Antes disso, vão brincar de bola, bicicleta, bolinha de gude e lego. Não tem meio termo para mim. Cerveja pode pra criança? Cigrarro pode pra criança? Não! Como celular e tablet, em minha opinião, também não! Claro que isso é para meus filhos. Muita gente que eu gosto libera eletrônicos e não vê problema. Cada um sabe bem de sua criação, sabe onde o calo aperta e tem suas ideologias. Eu falo sempre de minha realidade, claro, sem julgar ninguém.

Agora, como vamos falar de sexo com uma criança de 9 anos? Será que é hora? Eu não acredito que meu Eduardo esteja pronto para saber o que é sexo, penetração, prazer. No entanto, eu não posso ignorar que ele tem um corpo e que ele está começando a reproduzir gestos e falas ofensivas, mesmo sem saber o que é.

É meu papel dizer que essa fala não é adequada, que ela é ofensiva, que existem palavreados que não são bonitos, que ofendem um amigo. Mostrar sempre e muito as partes íntimas, dar nome aos bois: pênis, vagina e ânus. Dizer que são partes íntimas, que é o guardadinho de cada um, que não podem mostrar, que essas partes devem ficar guardadinhas dentro da cueca, que ninguém, exceto a mamãe e o papai, podem tocar, e apenas se for pra limpar. Que ninguém tem o direito de tocar, por mais legal que essa pessoa seja. Que eles podem sempre vir falar comigo se algo assim acontecer.

Enfim, eu acho que alguns assuntos, por mais espinhosos que sejam, precisam – E MUITO – serem falados, debatidos, ensinados, conversados. Com naturalidade, mesmo porque o sexo não é feio, não é sujo, não é errado, não é pecado. Sexo é bom, gostoso e saudável, desde que feito com respeito ao outro, com consentimento e na idade adequada, que certamente não é 9 anos.

E engana-se quem pensa que este assunto deve ser mais explorado com meninas. De jeito nenhum! Somos todos seres humanos. Meninas e meninos precisam aprender a cuidar de seus corpos e também a respeitar o outro na hora do sexo. A cultura do estupro, do machismo, da pedofilia e da misoginia deve ser combatida na humanidade. O trabalho é nosso! E precisamos ser radicais: pornografia não pode, não é legal, não devia ser normal ir à banca de jornais e ver uma mulher expondo a vagina. Pornografia remete à violência do corpo da mulher, objetificação, dor, submissão. Sei que muita gente acha normal estimular-se sexualmente vendo o sexo alheio. Eu digo que não é saudável – e não me considero careta ou puritana. Mas, enfim, isso é assunto pra outro post.

O recado é este: todo cuidado é pouco com nossas crianças. Que não pequemos pelo excesso de conversa. Que não deixemos de manter os olhos sempre muito abertos. É preciso combater essa cultura tão triste em nosso país. Os dados são alarmantes: Segundo o Disque Denúncia da Secretaria Especial de Direitos Humanos, a cada oito minutos uma criança é vítima de abuso no Brasil, e por ano, são registradas 60 mil casos de violência por ano. E 80% dos casos as meninas tem idade entre 2 a 10 anos. DOIS anos (retirei esses dados do post do Facebook da Caroline Chaves).

Olhos abertos, amigos. Olhos bem abertos!

05 set 2016

Quando você dá colo para uma criança, contribui para uma sociedade sem violência no futuro

Post por fernanda às 18:40 em Mãe e Filhos

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Por: Fernanda Moreno

Vivemos há pelo menos 5 mil anos em uma sociedade patriarcal, sistema que se baseia na submissão. Em principio da mulher em relação ao homem, mas também da criança em relação ao adulto. Note, é um modelo de dominação onde o mais forte prevalece sobre o mais fraco.

O patriarcado garante também a acumulação de patrimônio. E para que tudo funcione na mais perfeita ordem, é necessário submeter muitos a oferecerem suas forças de trabalho enquanto poucos realmente acumulem algo.

Então, nos últimos milênios temos vivido num mundo onde aprendemos que sucesso representa a acumulação (de poder, dinheiro, território, etc) e que a melhor forma de obtê-lo é dominando algo ou alguém.

Ok, e o que tudo isso tem a ver comigo, com a minha família e a forma como educo meus filhos?

Absolutamente tudo! Entenda porque:

Todo ser humano tem uma “parada” que Freud batizou de “pulsões”: um impulso energético interno que direciona o comportamento de cada indivíduo. A teoria é complexa, por isso, vamos simplificar entendendo que pulsão é um desejo que precisa ser atendido e quando não é, pode desencadear uma serie de frustrações nas pessoas. (Para saber mais sobre pulsão, clique aqui)

Então parimos nesta sociedade cheia de regras definidas pelas gerações passadas e logo submetemos nossos filhos a elas. É mais fácil e automático dançar conforme a música, seguindo o que já funcionou com as nossas mães, vizinhas e amigas.

Reparem ao seu redor.

É fácil observar o automatismo de pensamentos que mantemos relacionados educação, escola, criação, alimentação, cultura, religião, prestígio social, casamento, fidelidade, certo, errado, etc. Um monte de gente pensando da mesma forma fortalece o senso comum.

E as regras são impostas desde muito cedo. Já no puerpério somos orientadas a amamentar a cada 3 horas e não quando o bebê tem fome. Deixar chorando garante que ele não cresça mimado demais. Lugar de bebê é no berço, no carrinho menos no colo da mãe, afinal, colo demais vai acostumá-lo mal. Peito não é chupeta. E quando maiores, vetamos qualquer comportamento típico de criança por considerarmos inadequados.

E tudo isso, queira você acreditar ou não, contribui para o desenvolvimento da violência como um todo em nossa sociedade.

Quando os impulsos internos básicos não são respeitados desde o início da vida, a criança aprende a se adaptar em um ambiente carente de afetividade. De forma inconsciente, sabe que para sobreviver neste lugar é necessário ser forte e poderoso sem se abalar com sofrimento alheio. E na vida adulta, sua carência afetiva encontrará outros adultos na mesma condição mantendo e reproduzindo o mesmo ciclo, exatamente como aprendeu com a mamãe e com o papai.

Eu sei, também acho o cenário desolador. A boa notícia é que podemos mudar!

Todos os bebês, ao nascer, tem um único desejo em comum: estar próximo do corpo materno sentindo todo o prazer que este contato proporciona.

Se correspondermos a este desejo, poderemos nutrir nossos filhos de leite, amor, segurança, calor e aconchego. Garantindo assim o preenchimento das principais pulsões internas de nossos filhos. E esta proximidade, também nos proporcionará conhecer as suas necessidades, vontades e angustias.

Uma criança amada se tornará um adulto amável. Uma criança bem orientada se tornará um adulto forte. Uma criança compreendida se tornará um adulto empático. E todas estas crianças, no futuro, formarão a sociedade que tanto idealizamos agora.

Nós mulheres podemos estar em casa só cuidando das crianças ou trabalhando fora, ser donas-de-casa ou estar em cargos de poder nas empresas ou na política. Só não podemos nos aliar a este discurso vazio, contra instintivo que nos afasta das reais necessidades de nossos filhos.

Parafraseando Madre Tereza de Calcutá, se pretende fazer algo que promova a PAZ mundial, esteja sempre disponível para amar  os seus filhos e acolher cada necessidade de afeto e atenção que ele demande de você.

31 ago 2016

Um amor de conto de realidade

Post por Glauciana às 10:47 em Casamento, Devaneios de Mãe

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Por: Glauciana Monteiro Nunes.

A minha sócia me chama de “trator”. É sua forma carinhosa de me intitular. Ela fala “Oi, índiga-trator”. Eu assumo, sempre fui um trator na vida mesmo. Sempre passei por cima de tudo, sem medo. Mesmo pra cima de caminhões muito maiores eu já enfiei meu tratorzinho, sem medo. Quebrei a cara inúmeras vezes. Algumas vezes meter o trator foi bom. Algo com para arar a terra e abrir terreno novo.

No entanto, há pouco tempo descobri que ser trator é mais desagradável do que agradável. Agora, tenho tentado ser um trator melhor conduzido. Afinal, quem manda na minha vida e nas minhas escolhas sou eu!

Tenho tido dias bem reflexivos. Dias de energia densa. Dias de olhar ao redor e sentir.

Hoje, logo cedo, tive uma notícia ótima. Um casal muito querido por mim, das famílias que escolhemos aqui na Terra, recém saído do olho do furacão, conseguiu optar pelo recomeço.

Eles teriam motivos para nunca mais olharem em seus olhos. Ela, a esposa, teria motivos para sair de casa na mesma noite, se quisesse, levando os filhos consigo. Ele também teria alguns outros motivos para fazer coisas que talvez pudesse se arrepender depois.

Eles, no entanto, ficaram quietos logo depois dos acontecimentos. Alguns meses se passaram, mantiveram-se levando a vida cotidiana, mas com algumas conversas bem pontuais. Aquele momento de entresafra, que a gente nem sabe responder quando as pessoas nos perguntam se estamos bem.

Eis que hoje, ela me disse: “colocamos as alianças novamente, decidimos nos dar mais uma chance”.

E eu fiquei tão, mas tão, mas tãããão feliz, que até me emocionei. Sabe porque? Por que eu sempre fui um trator. E tratores passam por cima destruindo tudo. Eu sempre meti o pé no peito das pessoas e das situações que me tiravam do meu controle ou me desafiavam na dor.

Foi assim com meu primeiro casamento. Foi assim com amizades. Foi assim com trabalhos. Foi assim com cidades. Foi assim com cursos. Foi assim com quase tudo.

E hoje, não. Hoje, o meu grande desafio é não meter o pé em tudo. É sentar, encolhida, na hora da tormenta, e suportar o vento passar para, depois, olhar em volta e ver o que pode ser feito.

Eu e Eduardo, meu companheiro, em breve marido (as alianças estão vindo, Ohhh Yeahhh) estamos passando por intensas transformações. Estamos empenhados em nosso despertar de consciência individual, com nossa própria evolução pessoal,  e também empenhados em fazer o nosso relacionamento ser diferente do padrão imposto por alguém.

Eu e ele diariamente conversamos, aparamos arestas, nos cuidamos, respiramos fundo. Tivemos altas brigas ao longo desse quase 1 ano de relacionamento. Tudo foi muito rápido e intenso. Tivemos tretas homéricas. Reflexões muito profundas. Eu e ele nos permitimos as terapias. Eu e ele participamos de processo de coaching e treinamentos de liderança (leader training). Eu e ele lemos livros de espiritualidade e ampliação de consciência.

Estamos, naturalmente, deixando para trás velhos hábitos, velhos amigos, velhos costumes. Afinal, como diz a canção, o passado é uma roupa que já não nos serve mais.

Hoje cedo mesmo, quando acordamos, ainda na cama, falávamos de forma carinhosa das pessoas que estão vendo nossas transformações. Mais especificamente a transformação dele, que é mais recente e menos esperada pelos que estavam a sua volta antes. Meu processo já vem vindo há alguns anos, portanto os que estão comigo já acostumaram-se mais.

Algumas pessoas estão sofrendo muito e não compreendem o novo rumo das coisas. É natural que em momentos de transformação pessoal algumas fiquem para trás. Já não fazem mais sentido, já não cabem no novo mundo, na nova visão, nas novas escolhas. E isso não implica em ingratidão. Não, pelo contrário. Todas as pessoas que passam pelas nossas vidas são importantes, sobretudo e inclusive as que nos fizeram mal, pois elas fizeram mais pelo nosso adiantamento moral. As que fizeram bem ficam em um espaço muito doce no coração, o da gratidão e do afeto. Mas, nem todas essas precisam, necessariamente, continuar a caminhada exatamente ao lado. Tudo passa, até a uva passa, vejam só!

Eu e Eduardo fazemos uma escolha diária pela nossa família. O modelo de família que estamos delineando é uma escolha árdua, porque ela foge muito do padrão tradicional.

Somos segunda união, ambos, com filhos do meu primeiro casamento, com uma nova gravidez. Nós somos o recomeço familiar que eu tanto sonhei e pedi à Deus! Nós não temos um padrão de trabalho tradicional. Eu trabalho em casa. Ele também. Acabou de abrir mão de algumas coisas que eram muito importantes (o carro, a sociedade, a empresa, as aventuras individuais e que não cabem mais hoje). O dinheiro é nosso, não importa de que fonte ele venha. O carro é nosso. A comida é nossa. Os problemas também são nossos. Nós temos o controle das nossas vidas. Nós arcamos com as responsabilidades de nossas escolhas.

E tem sido bonito. Foi bem difícil há alguns meses antes. Teve choro e ranger de dentes. Eu mesma não entendia e não aceitava exatamente a escolha que estávamos fazendo. Até que precisamos nos afastar (o Universo deu isso pra gente, pois eu fiquei duas semanas trabalhando em outro país), fiz intensas reflexões e meu inconsciente me enviou mensagens incríveis, que eu tratei de ressignificar com a ajuda de pessoas muito importantes para mim (Comadre-Irmã Sofia, Coach Laércio, Sócia-Amiga Fernanda, vlw flw, gratidão!).

Aí, plim! A mágica se deu. Eu e Eduardo entendemos nossas necessidades, verbalizamos nossos desejos, as condições mínimas de cada um, analisamos a possibilidade de entregar para o outro o que ele desejava, ponderamos nossas capacidades de ceder. E, sim, está dando certo. Tudo ficou mais leve, tudo ficou mais fluido.

A casa está andando, a família está crescendo, o dinheiro está entrando, as contas estão sendo pagas, nosso amor ficando cada vez mais forte, nosso afeto aumentou, até um sequissinho selvagem tem rolado com mais frequência ~apagar~.

Tem mares de rosas aqui? Nãããão! Isso não existe em nenhum lugar, a não ser lá no conto de fadas da Disney. Tem reflexão, tem terapia, tem escolhas, tem assumir o controle da própria vida, tem rever os caminhos, tem amor, por fim, muito amor envolvido.

E a vocês, mores, que estão se debatendo aí, querendo Eduardinho de antes, dou um conselho. Já era! Arrumem outro bofe para chamarem de seu, que esse aqui já é meu. E foi ele que escolheu ser meu, inteirinho ;) Aceita, que dói menos #prontofalei #beijonoombro #ficadica

*Imagem: Daqui

30 ago 2016

Por que você não deve largar sua carreira para ter mais tempo com os seus filhos

Post por fernanda às 16:23 em Carreira

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Por: Fernanda Moreno

Desde que resolvi pedir demissão da empresa onde trabalhava (clique aqui para relembrar)  para ficar em casa “só” cuidando das crianças, tenho percebido as mais diversas reações nas pessoas.

Alguns dizem que sou louca em sair do mercado de trabalho num momento de crise econômica. Outros admiram minha coragem, dizem estar de saco cheio de seus empregos e buscam histórias inspiradoras que os impulsione a fazer o mesmo.

Minha opinião idem! Sou “a” louca e “a” corajosa.

Não foi a escolha mais fácil do mundo decidir por livre e espontânea vontade sair de uma empresa onde teoricamente havia uma certa estabilidade, sem um plano b super concreto para seguir.

Foram semanas de angustias, muita conversa com o companheiro e até uma reunião familiar com as crianças levantando ganhos e perdas para qualquer que fosse a nossa decisão.

E embora sentisse muita insegurança. eu realmente estava disposta a ouvir, sentir e seguir o que meu coração queria. Racionalmente falando, seria assumir as consequências pela decisão tomada.

E elas vieram logo.

Numa única tacada cortei clube, karatê e balé. Em seguida, saidinhas de fim de semana e passeios com amigos. Restaurantes nem pensar. Afinal, não existe mágica. Se não tem entrada financeira também não tem saída.

Obviamente que num momento de redução de custos o que sai primeiro é tudo aquilo relacionado ao lazer. E tenho consciência que a minha realidade é bem diferente da grande maioria das mulheres, muitas vezes sem um companheiro e que sozinhas garantem todo o sustento da casa. Ou seja, por mais que queiram estar próxima dos filhos, trabalhar fora significa garantir o arroz e feijão na mesa.

E ai você me pergunta, que vantagem então Maria leva tendo tempo sombrando com as crianças e dinheiro contado no banco??

A resposta é simples! Os meus valores pessoais vem na seguinte ordem:

1º Família
2º Conforto
3º Financeiro
4º Carreira

Ou seja, mesmo tendo que fazer alguns ajustes, o meu principal valor ficou intocado. E isso me garantiu  a tranquilidade e segurança de que fiz a melhor escolha. Para todo o resto me reinvento.

Em minha forma de maternar, estar próxima e assumir a educação dos meus filhos é mais importante do que garantir matriculá-los na melhor escola da cidade. Acredito no tempo de qualidade e quantidade para o estabelecimento do vínculo com as crianças e tenho certeza que nesta fase (1º setênio)  em que estão tenho muito mais a contribuir na formação deles que um grande especialista de Harvard.

E que fique claro que isso é uma crença minha e não uma regra que deva funcionar para todos.

Tem muitas mulheres que são mães mais felizes ao garantirem uma vida confortável para seus filhos. E se para isso elas precisarem passar 12 horas dentro de um escritório, fará de boas, poderosíssima em cima do um salto alto.

Minha gente, não existe certo ou errado. A “maismãe” e a “menasmãe”. Existem escolhas e  formas de maternar diversas. O que avacalha tudo é a merda do julgamento e  a comparação insana que insistimos em fazer com a vida outro.O que funciona para mim não necessariamente funcionará para você e vice-versa.

Entendem o propósito?

Cada mulher sabe exatamente aquilo que a fortalece e a empondera na maternidade. Quando conseguimos ter isso muito claro em nossas vidas, nos tornamos mães melhores e mais seguras. E é exatamente disto que nossos filhos precisam: de mulheres “foderosas”, felizes com suas escolhas e exercendo o controle absoluto de suas vidas.

É essa a pegada. Para toda e qualquer decisão, uma consulta ao nosso coração e teremos todas as respostas que precisamos. Sei que normalmente buscamos  uma palavra de alento , um exemplo de conquista do outro… Mas talvez, a solução não se encaixará as nossas necessidades. Buscar as respostas internamente e sozinhas pode até parecer uma proposta fria demais. Entretanto, acredito que somente assim seremos capazes de tomar decisões que sejam completamente assertivas a realidade individual de cada um.

30 ago 2016

O que aprendemos sobre maternidade com os animais

Post por Glauciana às 10:41 em Gravidez

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Por: Glauciana Monteiro Nunes

Pela primeira vez, uma gata que deu à luz em minha casa. Ela é Frida e nos escolheu como donos. No dia em que nos mudamos para a chácara, ela cruzou a cerca do vizinho para a nossa casa e se instalou na varanda. Lá ficou e a adotamos. Uma gata arredia, arisca, que se estranhava com os dois outros moradores felinos da casa, o Frederico e o Napoleão.

Como não sabíamos nada sobre Frida, nome que os meninos deram a ela, acabamos perdendo o timing de seu período fértil e um gato preto rondou o nosso quintal em algumas noites. Eles cruzaram e Frida ficou uma linda barriguda, junto comigo :)

Eis que neste fim de semana eu levantei para ir ao banheiro e dei de cara com ela no chão, embaixo da pia, ofegante. Pensei: essa gata está em trabalho de parto.

Do banheiro até a cozinha, ela tratou de dar umas patadas nos machos que estavam pelo caminho, como se dissesse: não me ameacem, não mexam comigo, que eu vou parir.

Na cozinha, ganhou o nosso chamego. Eu e Eduardo conversamos com ela, dissemos que estaríamos juntos, que ajudaríamos a cuidar dos bebês, que ela poderia ficar tranquila para tê-los em paz. A gata miava e respirava ofegante, como a boca aberta, como fazem os cachorros quando estão cansados e com sede. Eu nunca tinha visto um gato de boca aberta. A barriga dela se mexia loucamente.

Ela foi para o escritório e instalou-se no canto da parede, encurralada embaixo da banheira do Joaquim, sobre um tapete. Ali, encontrou segurança. Deixamo-nas em silêncio, colocamos os machos em outro cômodo, para que ela ficasse mais tranquila, e silenciosamente, sem miado nenhum, Frida deu à luz seu primeiro gatinho. Escutamos um miado fraco, de filhote, e fomos ver. Lá estava ela lambendo a cria. A cada intervalo de 20 a 30 minutos nascia mais um. Foram 5, no total.

Frida lambeu todos, em total silêncio, cuidou, deu mamá, ficou deitada, dormiu, cheirou. Lambia o tapete, labia a cria, lambia ela própria. Nada de sujeira, nada de odores, nada de barulho. Havia amor ali, muito amor.

E ali Frida ficou, no mesmo lugar, por 24 horas seguidas. 24 horas, minha gente! A gata ficou maternando seus bebês por 24 horas seguidas, sem se levantar, sem fazer xixi, sem comer, sem beber água. Ficou, simplesmente deitada, com os bichinhos grudados em suas tetas, mamando. Ela me parecia exausta e dormia muito, apenas abrindo os olhos quando um de nós entrávamos no quarto. A cada movimento, ela colocava as patinhas em cima da cria, protegendo-os.

Depois dessas 24 horas, ela se levantou para ir à varanda para fazer xixi. Bebeu muita água no caminho e retornou. Eu coloquei seus pratinhos de ração e água ao lado de onde ela está com os bebês. Ela só se levanta para ir ao banheiro ou para dar algum pega nos gatos machos, que curiosos, aparecem vez ou outra na porta do escritório, para conhecerem os sobrinhos.

Eis que fiquei pensando na dedicação desta gata. Ela, que até então era livre, leve e solta, vivia passeando, caçando passarinhos e espreguiçando-se sob o sol, hoje está ali 100% à disposição de sua cria, sendo apenas colo e leite para eles.

Fico minutos seguidos ajoelhada no chão contemplando tamanha beleza. Isso é uma aula para a minha maternidade, pois tantas de nós não sabemos ser mães. Acredito que negamos os nossos instintos animais, que nos manda apenas ficar deitada ninando a cria. Quando foi, meu Deus, que deixamos perder a nossa animalidade para gerar, parir e criar filhos?

Já, durante a gestação, negamos as transformações de nosso corpo, reclamando que as roupas não cabem mais, resmungando sobre algum mal estar físico que sentimos. Depois, na hora de parir, nem queremos pensar em trabalho de parto. Dá muito trabalho. O normal, para muitas de nós, é a cirurgia cesariana, para extração do bebê. Não nos permitimos acessar nosso sagrado, passar pelas dores, ver a transformação de nosso corpo.

O bebê nasceu, estamos exaustas, cheias de químicas em nosso corpo, a ocitocina, o hormônio do máximo amor, não transita livremente em nosso sistema sanguíneo, já que o processo natural não aconteceu. A barriga está cortada em 7 camadas, com pontos de fora a fora, o que não nos permite pegar o bebê no colo, nem nos levantar da cama.

Amamentar? Puxa, tão difícil, tão dolorido, tão complicado. O bebê não pega, suga demais, faz nosso peito de chupeta, fica horas grudado ali, não nos deixa nem… ir ao banheiro.

Nós temos que nos virar em mil neste momento e tudo o que devíamos fazer, que é apenas ficar deitadas, com a cria no colo e no peito, não fazemos.

A vida nos impõe tarefas. É filho mais velho pra levar pra escola, é banheiro pra limpar, é camisa do marido pra passar, é fralda pra trocar, é cachorro para alimentar. Não temos mais uma rede de anciãs para nos apoiar. A nossa casa já não tem mais a mãe, a madrinha, a irmã, a tia, para cuidar de todo o resto, para que possamos nos dedicar somente a nosso filho recém-nascido. Todas estão muito ocupadas, talvez em outras cidades, cuidando de suas vidas.

Nos desconectamos da nossa real maternidade, do nosso instinto e não fazemos o mais fácil, que é maternar. Nos primeiros meses, o bebê só precisa de colo e leite materno. Tudo o que precisamos fazer é ficar quieta, com ele no colo, dando de mamá. Mas, negamos tudo isso, a vida moderna, corrida, nos faz negar tudo isso.

E quem sofre? Todas nós. Mães. Filhos. Maridos. Todos. Porque negamos o que de mais natural temos. O que de mais sagrado temos. O natural, o instinto, a natureza. Nadamos contra a correnteza. E sofremos, por algo que devia ser a mais natural das coisas.

*Imagem: Daqui.

25 ago 2016

Não visitem uma recém-mãe na maternidade

Post por Glauciana às 11:28 em Gravidez

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Por: Samanta Loff

Um dia ainda vou descobrir de onde saiu essa ideia que as pessoas têm, de que toda a mãe adora visitas aos recém nascidos. Muitas mães passam os nove meses de gestação sem ajuda pra nada, não tem quem ajude com o chá de fraldas, não tem quem ajude a lavar as roupinhas, não tem pra quem pedir uma ideia de nada com coisa nenhuma.

No início isso incomoda, dói, a gente se sente sozinha, o papai precisa trabalhar e não entende a diferença de um body pra uma camiseta, de uma manta pra um cobertor e por mais que ele se esforce a gente gostaria muito mesmo de uma opinião feminina, de quem já foi mãe, e aí a gente chora, depois ri, depois acostuma, tira força sei lá de onde, levanta a cabeça encarna a mamãe e aí se vira!

No fim dos nove meses, apesar da fragilidade, nos sentimos super mulheres, está tudo pronto, limpo, lindo, sensação de vitória mesmo! Chega o grande dia, o bebê nasce e já está lá formada a fila de familiares na porta do hospital, a mãe mal conseguiu ver o rosto do filho mas quando ele passou pelo vidro a família já fez um book fotográfico com direito a flashes e tudo mais e fez questão de espalhar Facebook afora.

A mãe ainda não conseguiu cheirar e beijar o suficiente o filho mas já esta lá a sogra, a tia, a cunhada, a irmã, todas passando o bebê de mão em mão. A mãe ainda não teve tempo de publicar nada sobre o filho no Facebook nem pra dizer o quanto está feliz, o pai também não fez isso por que está ocupado tentando ajudar a mãe. Mas, a cunhada da tia da vizinha do primo já teve tempo de publicar mil vezes dizendo o quanto ama aquele bebê, que durante nove meses não existiu pra ela, pois a mesma nunca ligou pra saber como ele estava.

Isso incomoda, é desagradável, é falta de educação! Quem deu autorização pra pegar o bebê? Quem convidou essa gente toda pra vir no hospital? Quem foi que deixou tirar fotos? A mãe está lá toda costurada, sangrando, doida por um banho, descabelada, cansada, tentando achar uma maneira de amamentar e seria ótimo aprender a fazer isso à vontade, mas com o quarto cheio não dá pra ficar pelada!

Finalmente chega o dia de ir pra casa, doce ilusão de que finalmente a mãe vai aproveitar o filho e poder ficar do jeito que quiser, que for mais confortável pra ela (nem que seja nua), e aí no primeiro dia… O cachorro late e já se deduz que chegou visita… A pessoa diz que veio ajudar, senta na cama e fica falando durante horas a fio dizendo o quanto foi fácil pra ela ser mãe, que não sentiu dor nenhuma, amamentou até os 2 anos, o bebê da visita nunca chorou a noite e nunca teve assaduras e se a mamãe quiser um bebê perfeito assim deve fazer tudo que a visita mandar!

A visita pega o bebê sem pedir, tira fotos, faz vídeos, chega a hora do almoço e, é claro, o papai precisa fazer comida pra visita, a visita acha que ajudar é pegar o bebê no colo e passar o dia, até ele chorar é lógico por que se chorar é sinal de quer a mamãe, o telefone toca e é aquele sogro de longe avisando que está vindo conhecer o bebê e no dia seguinte quando ele chega a mamãe percebe que ele trouxe as malas e o colchão inflável pra poder dormir na sala, afinal de contas, que mal há de aproveitar a licença paternidade de 7 dias do papai pra ficar hospedado ali inventando churrascos, cervejas e jogos de futebol?

Licença paternidade não é quase férias?! Já que o vovô veio de longe os familiares que não o vêem a tempo aproveitam pra visitá-lo na casa do bebê que acabou de nascer, a mamãe não pode fazer cara feia, nem ficar de pijama, nem chorar, a mamãe não pode mais nada, ela não é mais mamãe ela é patrimônio público da humanidade e deve ficar parada, sorrindo, penteada e de ouvidos abertos a todos os palpites, afinal de contas ela não sabe de nada sobre maternidade, não é mesmo?!

Eu poderia ficar horas escrevendo sobre essas situações, ainda não passei por isso, sou gestante de 6 meses de gravidez, peguei um pouco de cada amiga e escrevi esse texto, me dói, dá arrepios só de pensar nisso, falo inteiramente de mim até a parte onde a mamãe não tem ajuda pra nada, mas mesmo assim consegue colocar tudo em ordem, a intenção aqui é mostrar pras mamães que NÃO, não somos obrigadas a fazer cara de paisagem, já avisei de um por um, NÃO QUERO VISITAS, no dia em que o bebê nascer não vou avisar ninguém, quando sentir que ele está vindo vou copiar e colar no meu mural um texto que já deixei pronto onde escrevi alguns agradecimentos e finalizei com “Por favor, não nos visitem!”

Quem quiser falar que fale, mas não somos obrigadas a sofrer simplesmente para agradar uma família que muitas vezes não nos ajuda com nada. Quando um bebê nasce todo mundo quer, todo mundo ama, antes disso o bebê não é problema de ninguém, só da mãe e do pai e depois disso, quando ele chorar, adoecer, continuará sendo problema da mãe e do pai, então mamães, exerçam os seus direitos de privacidade e sossego.

Se decidimos colocar um filho no mundo temos o direito de fazer isso em paz! Sejam fortes, se imponham! Grávida não é patrimônio público, bebê recém-nascido muito menos! Os primeiros meses de um bebê são os mais importantes quando se trata de criar laços com a mãe e o pai, exigir privacidade não é doença, não é depressão, não é falta de educação, é direito! Se estiver aberta a visitas não há problema nenhum, mas se não estiver, não faça de conta, não se anule!

Samanta Loff está grávida de 6 meses, de seu primeiro filho, Bernardo.

*Imagem: Daqui

15 ago 2016

Tempo de qualidade E tempo de quantidade para os filhos. É possível?

Post por Glauciana às 10:24 em Mãe é tudo igual

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Por: Flavia L. Imamura

Sempre tentei acreditar que o que importava era a qualidade do tempo que eu teria com meu filho. Tentei porque eu tive que voltar ao trabalho, tive que acreditar nessa ideia e ponto.

Embora eu tivesse conseguido ficar com meu bebê 6 meses integralmente e mais 6 meses indo ao trabalho de duas a três vezes por semana, houve o momento em que a farra acabou e voltei em período integral.

Isso ocorreu no momento em que a empresa ganhou um novo chefe que embora fosse pai de uma criança de 5 anos, era totalmente inflexível, exigindo cumprimento de horários, ameaças de descontos caso houvesse atrasos e faltas.

Na época, eu era a única mãe no local e sentia uma incompreensão geral por parte das mulheres que eram a maioria na empresa. Sentia que levar meu filho ao médico e chegar atrasada era motivo para olhares de desconfiança.

Algumas vezes meu marido levou meu filho ao pediatra junto com a babá para que eu evitasse momentos de desconfiança, explicações e lembrar de depois da consulta pedir um atestado médico para comprovar onde eu estava.

Meu filho então, ficava em casa com a babá, uma pessoa de muita confiança já conhecida pela família há alguns anos, muito querida.

Mesmo assim, ficar por horas fora de casa, sem saber como ele estava em determinado momento do dia, se tinha comido bem, se tinha dormido etc era angustiante para mim, mesmo sabendo que ele estava bem, sempre achei que o meu papel estava sendo substituído.

Certa vez, ao conhecer uma escolinha do bairro, a proprietária do local me disse que bastavam apenas 15 minutos diários com a criança para os pais que trabalham fora fossem absolvidos de qualquer sentimento de culpa.

Achei aquilo aterrorizante!! 15 minutos? O que da para fazer em 15 minutos?

De que adianta qualidade de tempo se esse tempo quase não existe?

Sempre acreditei na ideia de buscá-lo e levá-lo diariamente à escola e cuidar dele integralmente. Hoje é isso que eu faço. Acompanho ele desde a hora em que acorda até a hora em que vai dormir. Amo essa rotina ao lado dele, em que ele é a prioridade.

Com toda a certeza o salário que eu ganhava não paga os momentos a mais que tenho com meu filho.

Flavia L. Imamura, 35 anos, mãe do Kenzo, de 5.

12 ago 2016

O que a queda do primeiro dente tem a ver com a alfabetização do seu filho?

Post por Glauciana às 16:23 em Crescimento dos Filhos, Educação

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Por: Fernanda Moreno

No ano passado meu filho mais velho concluiu o ensino infantil, aos 6 anos, sem saber ler.

Meses antes, nós já havíamos começado uma odisseia para encontrar uma nova escola onde ele ingressaria no ensino fundamental.

Eu queria qualquer escola, menos as tradicionais. Sabe aquelas campeãs de aprovação no vestibular? Passei longe.

E o matriculei em uma que estava bem próxima daquilo que eu acredito ser uma boa escola para ele.

Mas qual é a média de aprovação desta escola no Enem?

Não faço a menor ideia.

Na época, o meu filho queria ser homem aranha e tenho certeza que escola nenhuma poderia prepará-lo para isso.

Então por que raios d’água interessa para uma criança de 6 anos se a escola é campeã de aprovação ou não?

Vejo hoje mãe desesperadas porque seus filhos estão com dificuldades de fazer a lição de casa e muita escola orientando estes pais a contratarem reforço escolar para melhorar o desempenho das crianças (PASMEM) menores de 6 anos.

De acordo com a antroposofia, a criança só está pronta para potencializar o saber depois do físico estar totalmente maduro. Então, quando cai o primeiro dente de leite é o sinal de que o corpo está pronto e o cérebro maduro para aprender.

Ou seja, antes disto, é simplesmente uma violência alfabetizar qualquer criança neste planetinha azul chamado terra.

E ó, deixa eu te contar uma coisa… Sabe aqueles caras fodões lá da califórnia que inundam o mundo com softwares e aplicativos dos quais não vivemos sem?  

Pois é, eles escolhem para os seus rebentos escolas com metodologias de ensino inovadoras, com uma pedagogia que aposta na experimentação do mundo real e na ênfase em fomentar a criatividade, a curiosidade e as habilidades artísticas inatas dos pequenos. Isso mesmo, aquelas escolas Waldorf, estilo bicho-grilo que nem propaganda na TV tem. (Duvida?Clique aqui)

A melhor forma de proporcionar aprendizado para as crianças é deixá-las brincarem de forma livre e espontânea, respeitando seu tempo de amadurecimento e sem cobranças por performance. Lembre-se, elas terão a vida inteira para aprender mas brincar como crianças somente agora!

(Imagem daqui)

10 ago 2016

Punir ou educar – qual o melhor caminho quando as crianças se comportam como crianças?

Post por fernanda às 15:34 em Casamento

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Por: Fernanda Moreno

Educar um filho dá trabalho! Ou melhor, dá trabalho para caralho! Assim mesmo com palavrão que é para dar ainda mais intensidade ao que tô falando.

E dá trabalho porque estamos desconectados da nossa natureza e instintos paternos/maternos.

Já parou para observar os animais na natureza? Depois de parir, os pais dedicam todo o seu tempo para sua criar crescer forte e saudável. Educam e prearam o filhote até este ter plena capacidade de seguir seu caminho sozinho.

E quanto a gente? A nossa rotina?

Perdeu o fôlego imaginando? Não temos tempo para educar!

Depois de parir, muitas vezes, a mãe volta ao trabalho enquanto ainda amamenta.

Passamos mais de 8 horas diárias dentro de escritórios. Outras tantas no deslocamento de casa para o trabalho e vice-versa.

Chegamos em casa exaustos para educar.

Nossos filhos? Continuam agindo como os filhotes no mundo animal. Eles choram, pedem atenção, sentem fome, frio, correm, brincam, gritam, sobem no sofá, se penduram nas janelas, exploram os armários da cozinha. Fazem muito barulho dentro das nossas mentes fadigadas.

Cansados e irritados fazemos o que aprendemos: Gritamos, ameaçamos e batemos.

É mais fácil, rápido e efetivo demonstrar toda a nossa  autoridade e calar os pequenos na violência seja ela qual for.

Daí passamos a ter em casa serumaninhos que desconhecem o diálogo. Não sabem expressar seus sentimentos e vivem calados em seus próprios mundos ou expressando-se também de forma violenta.

E eles crescem repetindo estes comportamentos.

Eu acredito na comunicação não violenta.

Ela é fundamental  para a minha forma de maternar e  de estabelecer vínculos com meus filhos.

Sentar, conversar e instruir dá 20x mais trabalho que gritar e ameaçar. Entretanto, sinto que é mais efetivo, eficaz e duradouro.

A compreensão é a chave de mudança da nossa sociedade e para que isso aconteça, uma boa dose de paciência e persistência são essenciais.

Imagem daqui

03 ago 2016

Pedi demissão numa renomada startup para ter mais tempo com meus filhos

Post por fernanda às 16:56 em Mãe e Filhos

recalculando
Por: Fernanda Moreno

Trabalho numa das startups de maior sucesso no Brasil. Contato direto com o CEO, num cargo de confiança e líder de time. Todas as semanas saem matéria da empresa nos principais veículos de comunicação e em cada notícia nova meu linkedin bomba de solicitação de conexão.

Mas nem sempre foi assim. No inicio, era muito trabalho e zero de glamour. Existia uma máxima que dizia que devíamos “fazer mais com menos”: Menos gente, menos dinheiro e menos recursos. Posso afirmar que foram os anos em que mais cresci profissionalmente. Convivi com pessoas incríveis que revolucionariam um nicho de mercado. Um time realmente engajado, colaborativo, participativo.

Vindo de empresas tradicionais, logo me encantei pelo ambiente descontraído e horários flexíveis que a empresa proporcionava. Adorava deixar o salto em casa e ir trabalhar de all-start. De cara, já estava rompendo com o modelo de trabalho que meus pais tiveram e achava que isso era uma grande evolução.

Lembro-me de quando criança minha mãe vivia reclamando da rigidez da empresa em que ela trabalhava, da cobrança dos seus gestores e dos horários britânicos. Naquela época, ela levava advertência caso chegasse atrasada. Ou seja, comparando com a vida dela eu vivia no paraíso.

Será?

Bom, com a  minha idade meus pais já tinham casa própria quitada e quando chegavam em casa depois de um dia de cão no trabalho eles estavam 100% focados na família. Não participavam de nenhum grupo no whatsapp da empresa e nem tinham o e-mail pipocando na tela do celular enquanto preparavam o jantar.


O sistema de trabalho era rígido mas permitia desconexão no fim do expediente. Hoje vivemos num modelo flexível mas sempre conectados. Cadê a evolução?

 

Comecei a perceber que estar 100% conectada me tornava uma excelente profissional e uma mãe não tão excelente assim. Estou com meus filhos somente nas horas que me restam do dia, mentalmente e fisicamente esgotada. Entendem? O que me sobra de pior é o que tenho para oferecer as pessoas mais importantes da minha vida.


“É preciso uma vila para criar uma criança” 

Se continuarmos passando a maior parte do nosso dia em escritórios cools tentando bater a meta do mês, estaremos terceirizando a criação/educação dos nossos filhos. A próxima grande evolução da humanidade se dará através das nossas crianças mas para que isso aconteça, precisamos do mínimo de condições para dedicar mais tempo a eles. Isto é, nos responsabilizarmos qualitativa e quantitativamente pelos seus cuidados, contando com a ajuda de todos os setores da sociedade.

Enquanto isso não acontece, pode ser que assim como eu, em algum momento sinta que seja a hora de tirar o pé do acelerador. E isso significa uma atitude altruísta como negar um novo desafio  no trabalho (que exigiria ainda mais dedicação e tempo) e pedir demissão. O poético “Largar Carreira, dinheiro, canudo”Alguns até dirão que é coisa de gente louca mas prefiro acreditar que os loucos são eles. Bora construir a vila juntos?

 

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