Coisa de Mãe
12 jun 2016

A sociedade que tem pena das grávidas

Post por Glauciana às 23:15 em Gravidez

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Por: Glauciana Monteiro Nunes

Eu gostaria de lhe propor um exercício: feche seus olhos, tome uma respiração profunda e pense em uma mulher grávida. Perceba os seus sentimentos, dê vazão ao que você sente ou imagina quando visualiza uma mulher com um barrigão bem grande.

Este exercício foi proposto a um grupo de pessoas nos Estados Unidos, em uma pesquisa, e a maior parte delas relatou que sente dó, outro tanto fechou a cara, sentindo pena, “ahhhh, coitada, mas que trabalho”, outros sentem algo em torno de desaprovação “puxa, acabou com a vida”.

A minha mãe mesmo – e ela vai ficar muito brava comigo quando ler isso – ela tem algumas expressões muito negativas quando se depara com uma gestante ou um bebê novinho. Sempre se refere, com uma cara metade de nojo, metade de pena, metade de pavor “Ahhhhhiiiiinnnnnn, um bebê novinho, meu Deus, coitada dela”. Nesta semana mesmo, eu estava na casa dela e ela se referiu ao bebê que eu tenho na barriga: “Ahhh, depois que nascer vai sobrar tudo pra mim mesmo”, como se ter um filho fosse um grande estorvo, “que sobra pra gente”.

Isso é natural! E tem apenas uma resposta: vivemos em uma sociedade que não tolera crianças. Para entender isso, precisamos voltar um pouquinho no conceito. Vivemos em uma sociedade que não tolera mulheres. No fundo, no fundo, no fundo. E em alguns homens e mulheres a coisa nem é tão funda assim, o conceito está arraigado descaradamente mesmo, que o conceito materlado na mente é: mulheres são fracas, têm menos força de produção, não pensam, foram feitas da costela de Adão, portanto são seres de segunda linha, são presas dos homens, que as pegavam pelos cabelos, sem escolha, na época das cavernas. É um misto de religião, com biologia, com cultura, com capitalismo. A antropologia explica bem isso. E se querem um exemplo prático? É só pensar na escravidão. Mulheres tinham menos valor comercial, muito menos. Se estivessem grávidas, então, eram jogadas ao mar, na travessia da África para o Brasil. Nem chegavam aqui.

Pois bem. Posto isso, imaginar esse ser, que já é de segunda linha, fraco, subjugado, que foi feito do resto de outro ser humano, que não tem capacidade autônoma, já que precisa de um homem para ser o esteio da casa, imaginar este ser gestando uma outra pessoa, pronto. Potencializou a desgraça toda. Já não prestava para muita coisa, agora, então, grávida. Serve pra nada.

E o mais paradoxal de tudo isso é que se um dia todas as mulheres do mundo resolverem parar de dar à luz, a sociedade simplesmente acaba. A Terra perde a sua função de ser. É o fim da humanidade.

Qual é o meu recado? É que a gente possa ir “se limpando” desse conceito sobre as mulheres, sobre as grávidas, sobre as crianças. Que a gente possa ir se curando enquanto sociedade. Que a gente possa se aprofundar em nossos conceitos mais profundos. Que a gente possa investigar, por meio de terapia, vivências, ou a constelação familiar sistêmica a nossa árvore de descendentes, reverenciando, perdoando e aceitando os nossos ancestrais.

Só assim, quando curarmos esse pavor contra as mulheres é que poderemos realmente achar lindo e respeitar uma mulher grávida, prestando reverências ao sagrado feminino que mora nela, dando graças a seu ventre que cria um novo ser.

Se você deseja mudar esse conceito que está arraigado em todos nós, tente perceber suas sensações da próxima vez que se deparar com uma mulher grávida, respire fundo, traga para a consciência o porquê desta sensação e tente ressignificar, dizendo para você mesmo que isso é bonito, que é o começo da vida, que aqueles dois seres possuem muito valor e que o sagrado mora neles.

Tenho certeza que a vida aqui na Terra vai ficar beeeem mais bonita. E as grávidas não serão mais olhadas tortas, com dó, com pavor, e não serão mais subjugadas no mercado de trabalho… Ahhh, mas este é assunto para um outro post :)

Imagem: Daqui

26 mai 2016

Devaneios de uma grávida veterana

Post por Glauciana às 01:26 em Gravidez

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Por: Glauciana Monteiro Nunes

Eu estou grávida novamente 10 anos depois da minha primeira gestação. Fiquei grávida meio que ao acaso, pelo menos de forma consciente, aos 25 anos. Não conhecia nada sobre mim. Quer dizer, já tinha dado o primeiro passo do meu despertar de consciência, pois alguns meses antes de engravidar eu fiz um treinamento de liderança, o leader training, que abriu a minha mente para muitas feridas emocionais da infância e me ajudou a curar várias. Só por isso, considero, eu engravidei, pois eu não teria condições de ser mãe antes de tais curativos.

Foi uma gravidez cheia de medos, de inseguranças, de perguntas sem perguntas e medo do amanhã. Pelo medo do depois eu não curti os diários “hojes” que eu e meu bebê tínhamos. Engordei demais, comi demais, trabalhei demais, sofri demais (sem necessidade) e, com isso, tive hipertensão gestacional, que culminou em um parto prematuro, de um bebê abaixo do peso. Ou seja, eu mesma me pressionei a tal ponto da pressão física subir.

Hoje não me culpo. Mas, já me culpei muito por isso. Os dias em que Eduardo ficou na UTI neonatal foram os piores da minha vida. Não desejo a ninguém um puerpério dentro de uma UTI. Tremo só de pensar. Hoje estou resignada e entendo perfeitamente que eu tinha de passar por aquilo. Afinal, tudo é como é. As coisas acontecem como têm de acontecer.

Aquilo me preparou para a mãe que eu me tornei depois, para a gestação do Luca que foi, infinitamente, mais tranquila, dois anos e meio depois. E também para esta gestação, que está sendo mais amena, mais calma, mais tranquila.

E aí eu fico pensando que tudo é uma questão de maturidade, de experiências vividas e, sobretudo, de autoconhecimento. A medida que me conheço mais, me entendo mais, me aceito mais, tudo flui naturalmente em mim e, como consequência, no bebê que eu gero dentro de mim. Amém. Gratidão!

*Imagem: Arquivo Pessoal

25 mai 2016

A sombra da maternidade

Post por Glauciana às 09:21 em A mãe que ninguém vê

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Por: Glauciana Monteiro Nunes e Fernanda Moreno

Vocês já pararam para pensar que se as mulheres todas pararem de dar à luz este planeta, em breve, acaba? Em, aproximadamente, 100 anos, acaba, vira pó, simplesmente deixa de fazer sentido?

Nós, mulheres, damos a vida a este mundo. Somos as principais responsáveis por trazer os espíritos para a Terra, para que cumpram a sua missão. Somos, portanto, veículos da evolução mundial, se pensarmos que estamos aqui neste planeta puramente para desenvolvermos a nossa evolução, enquanto espíritos.

Temos a maternidade de forma muito instintiva e natural, embora eu acredite piamente que nenhuma de nós tenha a obrigação de botar um ser no mundo ou que todas nós nascemos para a maternidade. Se tem uma coisa que eu acho o máximo e acredito demais é no livre arbítrio que o Criador nos deu. Escolhemos TUDO em nossa vida, inclusive ter ou não ter filhos. Não é porque é mulher que precisa ou tem a obrigação de fazer prole.

Bem, aí que eu hoje, grávida do meu terceiro filho (ou filha, claro :) ), por escolha, de forma planejada, feliz, realizada, colocando em prática um sonho de formar uma família grande, já tendo passado por bilhões de formas de terapia, de ter me virado ao avesso em sessões de autoconhecimento, de estar plena e realizada… bem, depois disso tudo, confesso que ainda sinto um certo medo com a maternidade.

Pensamentos do tipo invadem a minha cabeça, sem que eu me esforce para isso: “Nossa, o que será que vão pensar? Eu e Eduardo nem nos casamos ainda, não estamos juntos há nem 1 ano ainda”; “Como será que meus parceiros de trabalho vão receber esta notícia. Será que continuarei a ter lugar na empresa, mesmo desempenhando homeoffice?”; “O que será que as pessoas vão pensar/dizer, já que tenho dois filhos do primeiro casamento?”.

A maternidade, ao mesmo tempo que é a maior realização da minha vida, que é o grande salto do meu despertar de consciência, que é o meu grande dom e propulsora da minha missão aqui na Terra, também é culpa, é dificuldade, é medo, é esse tipo de pensamento tacanho que eu descrevi aí em cima. Como diz a Laura Gutman, a maternidade também traz as nossas sombras.

100% das mães com quem converso e convivo nestes anos de jornada estão afundadas na culpa. Umas mais e outras menos. A medida que vamos nos conhecendo e curando as nossas feridas, eu percebo que diminuímos a culpa, já que aceitamos que somos as melhores mães que podemos ser para nossos filhos agora.

É culpa de tudo: de não poder trabalhar e ser a super executiva que disseram que você poderia ser, desde que fizesse faculdade; é culpa de trabalhar fora, ser uma mega profissional, mas não estar com seu filho boa parte do dia; é culpa por não ter libido depois que seu filho nasce e não transar com vontade com o companheiro; é culpa por não ter tal corpo de antes, que na verdade nunca mais vai existir (e nem por isso é ruim); é culpa por ceder à birra dando o doce que a criança quer; é culpa por não dar tanto colo quanto gostaria.

Diante deste cenário, eu lhe digo, querida amiga: Mamastê! A mãe que habita em mim acolhe a mãe que habita em você.

Estamos todas no mesmo barco. A sociedade é bruta com as mães. É difícil demais ser mãe neste mundo. Somos desvalorizadas, cobradas, punidas, tolhidas. Não nos permitem, sequer, amamentar nossos bebês. Ou porque é feio ou porque fere os olhos dos outros ou porque o peito cai ou porque fizeram-nos (em grande parte a indústria de fórmulas artificiais e farmacêutica) acreditar que não somos capazes de alimentar nossa própria cria.

São tantas culpas. Que dor, minhas amigas.

E eu lhes digo: que nos abracemos. Que possamos curar a nós mesmas, em primeiro lugar. Que possamos nos conhecer, a fundo. Que tenhamos a oportunidade de entrar em contato, entender, perdoar e reverenciar a nossa linhagem feminina, as nossas acentrais. Que possamos mergulhar fundo em nós. Que tenhamos o desejo profundo de adentrar os mistérios de nossas dores.

Só assim, pela cura de nós mesmas é que poderemos curar nossos filhos, que serão capazes de ajudar muitos outros a se curarem no futuro. Nào acredito na reforma política ou econômica para mudar o mundo. Acredito na reforma humana. Se a nossa geração conseguir se salvar, a cura virá estampada na próxima. O salvamento vem pela cura das nossas dores, no momento em que saímos das nossas sombras. Quando nos curamos, salvamos a próxima geração. Exatamente como a árvore doente que, quando é tratada, passa a dar bons frutos.

*Imagem: Daqui

24 mai 2016

Vem aí o/a terceirinho/a

Post por Glauciana às 09:15 em Gravidez

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Minha mãe me diz que quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, eu respondia: professora, mulher e mãe. Pois bem, desde que me entendo por gente sonho em ter 3 filhos. No entanto, depois que me separei do pai dos meus filhos, dei um jeito de acabar com o sonho. O que eu descobri é que eu não consegui acabar com ele e, melhor que isso, que eu poderia reconstruir este sonho com outra pessoa. Hoje estou aqui, numa segunda união, anunciando algo muito, muito, muito importante para mim. Vejam no vídeo!

 

 

23 mai 2016

Carta para um Recém-pai

Post por fernanda às 00:24 em A mãe que ninguém vê
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“Não há despertar de consciências sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão”. Carl Jung

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por: Fernanda Moreno

Oi moço… Ontem conhecei sua esposa num evento em São Paulo. Ela estava lá com mais uma dezena de mães buscando mais conhecimento sobre maternidade, os prazeres e desprazeres que as mulheres experimentam quando se tornam mães. Ela estava lá sozinha tentando entender como pode se tornar uma pessoa melhor para a família de vocês.

No intervalo nossos caminhos se cruzaram e ela me contou angustiada que estava com dores no seios pois aquela era a hora da mamada do bebê. Ela estava aflita já que você nunca ficou tanto tempo sozinho com ele e enquanto me contava, ela chorou. Acredita? Chorou no ombro de uma estranha todas as angustias que vem carregando desde que o seu filho nasceu.

Então, resolvi tomar a liberdade de escrever para você… Imagino que também esteja um pouco perdido e precise conversar. Sua mulher acabou de parir. Vou usar este termo mesmo para você também sentir o peso e poder desta palavra. A mulher quando pari, assume todos os instintos mamíferos. Ela se volta completamente para a sua cria. Quer e deve ficar por perto nutrindo o seu bebê de amor, leite, carinho, segurança, conforto. Cara, você nem imagina como isso é importante para a raça humana. Se todas as mulheres conseguissem assumir esse poder mamífero, meu amigo, este nosso mundo já poderia até estar curado.

Mas não. Além de você, a Juliana tem que enfrentar toda a sociedade que não entende as necessidades básicas de uma mãe recém parida. Sabe quando ela decidiu pelo parto humanizado e você disse que se soubesse que ela era hippie não teria se casado? Além de enfrentar a sua ignorância, ela também peitou uma industria que trata o parto como linha de produção. Imagina se além de cuidar do bebê recém nascido você também tivesse que apoiá-la no pós operário?

E por favor, pare de exigir que ela volte ser a mulher que ela era. A executiva que gostava da noite e de salto alto deu lugar a uma nova versão, que busca incessantemente pela reforma íntima, para ser a melhor mãe que seu filho pode ter. É cruel exigir dela outra coisa. E te falo mais, logo, a licença maternidade acabará e toda essa pressão que você já ta fazendo em casa ela sofrerá dos gestores, colegas de trabalho e família. Sacou? É o mundo contra ela! O mínimo que você pode e deve fazer é acolhê-la.

Pra gente finalizar, me faz um favor? Quando a encontrar um pouco descabelada, com as unhas por fazer e sem maquiagem, diga que ela é a mulher mais bonita do mundo, que sabe o quanto ela tem se esforçado para ser uma boa mãe e que por isso tem toda a sua admiração.

Eu acredito que você é um cara bacana, que ainda tem fé na humanidade e que busca por mudanças políticas e econômicas para que seu filho tenha um futuro melhor. Mas meu amigo, a revolução começa internamente e no momento que enfrentamos nossos demônios estamos salvando todos os nossos descendentes.  A revolução que mais precisamos neste momento é a humana e sua esposa já começou a dela. Que tal acompanhá-la?

*Imagem: Daqui

05 abr 2016

Não adultize coisas de crianças

Post por Glauciana às 10:21 em Coisa de Criança

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Por: Glauciana Monteiro Nunes.

Assisto a tudo de camarote. Igual ao menino Safadão, que imortalizou o camarote :D

Meninas de um lado, brincando fora da quadra. Meninos dentro, brincando de bola. Do nada, a parafernália começa, como se um estalo fosse dado.

Elas os provocam: “seus merdas, feios, bruta montes, sacos de areia”.

Eles respondem: “suas chatas, estridentes, bruxas, bobas”.

Elas continuam. Eles revidam. Elas continuam. Eles revidam.

Nada de anormal. Eu fazia isso. Meus primos faziam isso. Você provavelmente fazia isso.

Brigas fazem parte da vida das pessoas. Brigas fazem parte da infância. Minutos depois, elas já estavam na quadra brincando de bola com eles. Eu não me intrometi, porque percebi que era coisa de criança e eles que se entendessem. Só depois, claro, conversei com Eduardo e Luca, explicando que chamar uma mulher (e homem também, claro, mas salientei a questão de gênero mesmo) de louca, chata, bruxa, boba é violência, não pode, é rebaixar as meninas. Tive uma longa e bacana conversa.

O que quero abordar é que, às vezes, percebo que nós, pais e mães, metemos os pés pelas mãos e deixamos que as coisas de crianças despertem nossos próprios medos, tabus, questões não resolvidas.

Dia desses, no condomínio, uma mãe me gritou pela janela e pediu que eu descesse. Relatou-me, horrorizada, num tom bastante de julgamento:

- “Seu filho mostrou as partes íntimas, correndo e perseguindo todas as meninas pelo condomínio, colocando todos nós em choque. Pedimos que você converse com ele, porque em 10 anos aqui nunca vimos nada parecido e ficamos muito, muito, muito assustados. Não sei se para vocês é normal andar sem roupa por aí, mas nós não aprovamos”, falou, olhando para mim e meu namorado.

Eu fiquei estarrecida com a história e chamei Dudu para conversar na hora. O ocorrido foi:

Várias crianças, de 6 a 8 anos, brincavam de pega-pega. Naquela disputa normal, gritavam “você não me pega, eu sou mais rápida, mariquinha não me alcança”, gritou uma das meninas.

Um outro garoto, de 8 anos, disse à Dudu: “mostra pra ela que você não é mariquinha, não. Mostra seu pipi pra ela”. E o boboca do meu filho, inocentão, que ainda não sabe que o pipi dele serve para qualquer outra coisa a não ser fazer xixi, colocou o pipi pra fora e deu um grito: “eu pego vocês”.

Pronto, na cabeça da mãe ele já virou o maníaco mirim do Parque Pinheiros!

Fui conversar com uma pedagoga, com uma terapeuta e com uma psicóloga, já que eu, enquanto mãe do meliante, sou suspeita para falar, né? rssss….

Todas as três pessoas, que conhecem Eduardo, sendo inclusive a pedagoga da escola dele, disse que a atitude foi completamente dentro do normal, que crianças fazem isso mesmo, que não entendem ainda seus órgãos como sexuais, algumas, como Dudu, não sacou que pênis pode ser violência. Enquanto que outras, como o amiguinho que o sugeriu, já levou para este lado. Tudo passível de conversa, claro!

Lógico que eu aceito que essa mãe venha conversar comigo. Eu quero saber de tudo o que acontece na vida de meus filhos. Tanto que isso desencadeou longas conversas com os meninos sobre violência contra mulher, sobre violência sexual, sem usar estes termos e de forma muito didática, claro! É preciso, desde cedo, ir falando sobre isso com as crianças, sobretudo os meninos.

Agora, outro ponto é nós, adultos, tentarmos separar o joio do trigo, lembrando que crianças fazem coisas de crianças. Adultizar em paranóia nossos próprios tabus causa saia-justa, desconforto, vergonha, mal estar.

As crianças? Vão muito bem, obrigado! Vivem juntos. Se amam. Brincam diariamente. E a mãe? Bem, ela não tem coragem de me olhar na entrada da escola. Lamentável!

*Imagem: Daqui

04 abr 2016

Filhos serão crianças apenas uma vez na vida

Post por Glauciana às 17:49 em Crescimento dos Filhos

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Por: Glauciana Monteiro Nunes

Passei a manhã inteira correndo com textos. Reunião com o parceiro de um jornal que está sendo finalizado. Aí, revisa texto, corta texto, edita texto. Correria. Não para nem para respirar. Ai que vontade de fazer xixi. Segura, Glaucita. Finaliza este texto e sobe na ferramenta pro parceiro pegar logo. Ele está lá na agonia há mais de uma semana na iminência de fechar este jornal. Só depende de você, Glauciana. Pressão. Tá corrido. Acelera mais. Não importa se texto é inspiração, o prazo apertou, agora só importa o jornal na gráfica. Um abraço pro texto de qualidade. Vai, Glau, anda.

De repente, entram três crianças em minha sala. Alegres, sorrindo, um faz uma embaixadinha com a bola. “Uau, Luca conseguiu”, pensei! Treinou tanto. Faz dias que tenta conseguir. E eu mal olhei. Claro, tem texto pra editar. Perdi um momento importante de meu filho. Porque? Texto pra editar.

O outro procura um caderninho e mostra pro melhor amigo o desenho que fez da família. Mamãe, Dudu, Luca, papai Fabio, Eduardo (namorado da mamãe) e Vicky (namorada do papai). O amigo, que também acabara de ter papai e mamãe separados, portanto sabe bem desse desafio de famílias mosaico, dá um abraço em Luca. Ambos se olham com carinho, como se dissessem com os olhos: “tamojunto, parça, vai ficar tudo bem”. Eu nem consegui apreciar direito o momento. Porque? Opa, o companheiro de jornal está me chamando aqui no skype.

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Na sequência um percebe que a maçã do meu computador é exatamente igual à maçã do meu telefone celular. “Olha tiaaaaaaa, que demais, é a mesma maçã, na mesma mordida, do mesmo jeitinho. Quem mordeu, mordeu exatamente igual”. E eu, sem olhar para a grande descoberta do dia dele, apenas digo: “viu só, Pedrão, que legal!”. Não dei atenção!. Porque? Tem que subir o texto editado no google drive.

E assim, em 10 minutos na minha sala, o que eu tenho de mais precioso no mundo, aquilo que mais me faz feliz, quem mais me ensina. Isso tudo estava aqui, sem custar nenhum centavo. Um presente que a vida me trouxe. E eu? Ignorei! Deixei passar. Não olhei. Passou despercebido.

Nessa hora, o colega de trabalho manda um: “rapidinho, Glau, vou almoçar e já volto”. E então caiu a minha ficha. O mundo não vai acabar. Ele, que mais está agoniado com isso, não deixa passar o que é importante e vital para depois. Ele não pulou seu almoço. E eu aqui, deixando passar tudo isso de lindo das crianças que amo.

Porque? Para que? A troco de que?

Não vale, meus amigos! Não vale nada!

Nenhum texto, nenhuma ligação urgente, nenhum skype gritando. NADA, NA-DA, NADINHA no mundo vale deixar momentos como esses de lado. As crianças perdem, certamente, mas quem mais perde sou eu. Afinal, eles só serão crianças uma vez na vida!

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*Imagem 1: Daqui
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*Imagem 2: Daqui
***Imagem 3: Daqui 

03 abr 2016

Ser bom é bom

Post por fernanda às 20:02 em Coisa de Criança

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Por: Fernanda Moreno

Meu filho sempre foi “bonzinho”. E durante muito tempo isso me incomodou muito, pois acreditava que ser “bonzinho” era como ser bobo, fácil de enganar. Se rolar uma disputa por brinquedo, ele com certeza irá ceder. Se precisar dividir o lanche com a irmã, ele o fará sem maiores questionamentos. Até das famosas mordidas do início do ciclo escolar ele escapou.

Lembro que quando estava no maternal, no auge dos seus 3 anos, numa avaliação escolar ele foi “classificado” como pacificador . Ao questionar a professora, ela me respondeu que “ele é bonzinho demais. Além de não brigar com os amigos, numa situação de conflito, ele é o cara que intermedia a boa resolução. Todas as crianças gostam dele por isso.”

Foi ai que entendi que ser bom é bom.

Sim, com apenas 3 anos, meu filho me ensinou que deve-se dar um boi para não entrar numa briga e uma boiada para continuar fora dela. O desafio é colocar em prática este ensinamento no lado de cá da vida adulta. Por aqui, esperam que estejamos sempre competindo. Em harmonia, jamé. E faça isso com sangue nos olhos e faca entre os dentes.

Quando tomamos consciência que estamos por aqui para somar, fica impossível dividir. Este comportamento não cabe mais na nossa rotina e muito menos nas nossas vidas. Somente através da união é que conseguiremos enfim alcançar a felicidade que tanto buscamos no mundo.

Os tempos são de cólera, mas devemos vibrar sempre no amor! Vamos juntos?

08 mar 2016

O que ensinei a meus filhos sobre o Dia Internacional das Mulheres

Post por Glauciana às 15:00 em Devaneios de Mãe

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Por: Glauciana Monteiro Nunes. 

Até o ano passado eu dava parabéns para as mulheres que eu amo. Até alguns anos atrás eu, enquanto redatora de empresas, escrevi mensagens clichês de “Parabéns, Mulheres, pela força e delicadeza”. Eu fiz tudo isso. Ai, que vergonha!

Neste ano, sem saber ao certo o que mudou, ontem à noite, na véspera deste famigerado dia 8 de março de 2016, eu questionei. Porque nos dão parabéns? Questionei ontem, no momento em que estávamos na cozinha eu, meus dois filhos, Eduardo e Luca, e meu companheiro, Eduardo. Dudu me disse que hoje seria o Dia Internacional da Mulher e eu respondi a ele, fazendo uma pergunta, questionando o que isso tinha de importante. Ele não soube responder. Provavelmente, a professora dele também não saiba porque existe, na real, este dia. Eu rebati, dizendo que esse dia não era para dar Parabéns. Eduardo, meu companheiro, emitindo a opinião dele, me interpelou e disse que era importante, sim! Plim, alguma coisa aconteceu no meu coração, bem ao estilo de Caetano Veloso.

Acordei sabendo ao certo o que aconteceu. Aconteceu que eu acordei! Dormia profundamente no status quo, no padrão estabelecido, no que me ensinaram como certo, na predominância de conceitos, no não questionamento de algumas coisas. Eu simplesmente não sabia ao certo, mas ia fazendo, ridiculamente, o mesmo ritual, todos os anos.

Hoje, acordei diferente. E também fiz diferente. No momento em que eu pensava sobre o que é ser mulher neste mundo. No exato momento em que eu lia no Estadão que, no Brasil, uma mulher é agredida fisicamente por um homem a cada 7 minutos, vi meu filho de 6 anos, com meu iphone na mão escutando “Delícia, delícia, aí se eu te pego, ai ai, se eu te pego”. Me lembrei, na hora, de meu outro filho, o de 8 anos, numa rodinha de crianças no condomínio, no momento em que chegou um outro garoto da mesma idade e perguntou a ele: “quais dessas meninas você já pegou?”. Eu via tudo lá de cima, da varanda. Meu Eduardo, na sua inocência de 8 anos (e ainda muito meninão, graças à Deus) não entendeu nada, ficou olhando pro garoto com cara de bobo e saiu andando de bicicleta. Eu, estarrecida, fui tomar um copo de suco.

Na mesma hora em que aconteceram essas coisas, eu peguei o iphone das mãos de Luca, guardei o iPad na gaveta e tirei o cabo do netflix da televisão. De manhã, enquanto Dudu assistia à novela “Chiquititas”, ouvi as crianças da ficção falando em namoro e algo sobre não usar saias curtas. Não, minha gente. Não! Não mesmo. Mil vezes não. Aqui em casa, como uma vez eu já cortei a TV à cabo e a TV aberta para nunca mais (isso já faz mais de 3 anos), hoje eu cortei o Netflix e também o acesso ao Youtube pelo iPad e pelo iPhone.

Eu não permito que meus filhos sejam homens clichês. Eu não me permito educar homens machistas. Grosseiros. Desrespeitosos. Mal caráters. Não. Eu não posso! Eu serei cobrada por Deus pela educação deles. Eu sou a grande responsável, já que eu os crio sozinha, por lhes dar os ensinamentos do que é certo e do que é errado.

Se eu vou criá-los dentro de uma bolha? Não. Acho que não. Muito difícil criar em bolhas, indo à escola, à natação, ao futebol, ao encontro de amigos. Contato social existe e é bem bom. No entanto, eu posso deixá-los afastados de estímulos que os cérebros deles ainda não estão prontos para assimilar. Eu posso deixá-los afastados de músicas que estimulam a coisificação das mulheres, como “delícia, ai se eu te pego”, antes que eles tenham entendido o que isso, de fato, significa. Eu prefiro mantê-los longe do desejo de namorar, antes que tenham idade neurológica para processar a sexualidade. Quero que eles sintam e experimentem seus desejos sexuais como algo normal, natural e dentro dos parâmetros saudáveis, respeitando o corpo deles e, sobretudo, o corpo do outro, principalmente se o outro for uma menina.

Neste dia 8 de março de 2016 eu questionei, pela primeira vez, apenas aos meus 34 anos, esse Dia Internacional da Mulher. Nós, mulheres, não temos nada o que comemorar. Temos os menores salários, temos os cargos mais baixos, temos os maiores índices de violência e morte por violência física, não temos escolha ao que fazer com nosso próprio corpo, temos medo de andar sozinhas na rua, à noite, temos medo de viajar com amigas, sem a presença de um homem, e sermos assassinadas por que não quisemos dar nosso corpo a um estranho, como as meninas mortas no Equador na semana passada. Não temos NADA a comemorar! A luta é grande.

Sou grata a todos as mulheres do mundo por terem aberto este caminho. Eu sigo também na luta por dias melhores. Por mais igualdade, por mais respeito, por mais cuidado, por menos violência. Eu não quero flores por este dia. Quero flores, porque flores são lindas, enfeitam e perfumam a minha casa. Mas, não quero flores porque eu nasci com vagina e não com pênis. Isso apenas reforça a nossa diferença. Quero tolerância, quero respeito, quero igualdade de gêneros, quero poder de escolha.

E o que eu posso fazer de mais efetivo para marcar este dia 8 de março é ensinar a meus filhos que não existem coisas de meninos e coisas de meninas. Que rosa não é cor de menina. Que azul não é cor de menino. Preciso ensinar a meus filhos, todos os dias, conversando, elucidando, trocando, questionando, que mulheres merecem respeito, que eles as vejam como aliadas na vida, como companheiras de jornada, nem mais e nem menos. Que eles não abusem delas. Que eles não toquem nos seus corpos se não tiverem o sim delas. Que eles não as ridicularizem enquanto elas estiverem dirigindo, já que todo mundo, homem ou mulher, pode ser bom ou ruim de volante. Que eles saibam que um shorts curto ou comprido não muda nada em relação ao corpo das mulheres. Que elas podem usar o que quiserem e ainda assim não estarão ensinuando nada pelas roupas que vestem.

Eu acordei do profundo sono em que dormia. E sou grata a isso. Antes tarde do que nunca. E viva as mulheres, viva os homens, viva todos os seres que seguem lutando e trabalhando por um mundo melhor, com mais igualdade, com mais amor, enfim. Porque tudo o que precisamos é de amor!

01 mar 2016

#Missão4: Colo de Mãe

Post por Glauciana às 15:16 em Mães do Bem

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O ano começa lindo para nossas missões e temos uma muito especial. A Lidiane Brito pediu a nossa ajuda para conhecer a mãe biológica. Ou melhor, para reencontrá-la, já que elas se conheceram no vínculo mais bonito que existe, a de mãe-filho.

A Lidiane nasceu, em Belém, no Pará, há 33 anos. Sua mãe já tinha muitos filhos e não pode ficar com ela, dando-a para o pai, que a criou, junto com a avó paterna. Lidiane cresceu em Itaituba, também no Pará, e depois mudou-se com pai e avó para Campinas, no interior de São Paulo. Atualmente, mora com o marido em Nova Andradina, Mato Grosso do Sul. 

Seu maior sonho sempre foi conhecer a mãe biológica, a Ana. Durante toda a sua vida quis saber de sua mãe, no entanto o pai não gostava de falar sobre este assunto. Ele faleceu há 15 anos, mas a avó ainda está viva lá em Campinas. A avó, inclusive, sempre falou que Lidiane era igual à mãe. Que o destino as separou, mas Deus fez com que Lidiane fosse uma cópia da mãe.

Lidiane sempre quis saber a sua história, sua origem, de onde veio. E então, apenas com o nome e o sobrenome da mãe, começou uma busca na web, ainda no tempo da Internet discada. Pediu a ajuda de amigas e nunca desistiu: “Eu tinha fé em Deus, eu sabia que ia encontrá-la, mesmo com as pessoas me falando para desistir, que eu nunca a encontraria. Eu não desisti, foram 15 anos de buscas, milhões de Anas que eu conversei, procurando por ela. Eu tinha certeza, nunca desisti, sabia que o senhor faria essa providência em minha vida”.

Ela pensou em procurar ajuda de famosos da mídia, como Gugu, Silvio Santos, Luciano Huck, mas foi graças a sua persistência que conseguiu, há dois anos, localizar sua mãe pela Internet. Se falaram algumas vezes, ela perdoou a mãe por não ter ficado com ela e decidiu que iria, um dia, até Brasília para dar um abraço.

Agora, ela pediu a nossa ajuda para dar as passagens para ela e seus dois filhos menores, de 11 e 7 anos, que ela não tem com quem deixar, já que o marido trabalha o dia todo fora. A passagem de Nova Andradina até Brasília custa R$ 250,00 cada trecho (percurso Nova Andradina – Casa Verde – Brasília), pela Viação Motta. Como precisamos das passagens da Lidiane e de seus dois filhos, ida e volta, o valor total é de R$ 1500,00.

Em Brasília teremos amigos esperando por Lidiane e seus filhos, para levarem-nos até a casa da mãe, de surpresa. Nós estaremos juntos deles neste momento super especial e emocionante. Quem pode nos ajudar a ajudar a Lidiane? Bora nessa? Quem topar ajudar, pode transferir uma quantia em dinheiro para a minha conta corrente (Glauciana), que assim que der o valor das passagens comprarei pela internet.

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